Lideranças de movimentos de moradia de Goiás estão em Brasília para pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a ampliar a meta de contratação do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) Entidades. As organizações afirmam que a seleção prevista de 35 mil unidades habitacionais é insuficiente para atender as cerca de 98 mil propostas enquadradas e alertam que mais de 2,5 mil famílias goianas podem ser prejudicadas caso parte dos projetos fique de fora.

A mobilização reúne entidades de diversos estados, que iniciaram uma vigília na Esplanada dos Ministérios e cobram uma reunião com Lula. Segundo Simone Teixeira, presidente do Movimento pela Reforma Urbana (MRU) em Goiás, os movimentos defendem que todas as propostas habilitadas sejam contempladas. “A metade será cortada e nós não vamos aceitar isso”, afirmou ao Jornal Opção.

De acordo com a dirigente, a meta inicial do programa era de 21 mil moradias e foi ampliada para 35 mil após negociações com o governo federal. Ainda assim, o número está longe da demanda apresentada pelos movimentos. “Só as entidades que participam desta mobilização somam mais de 65 mil unidades. Por isso, estamos reivindicando que as 98 mil moradias enquadradas sejam selecionadas”, disse.

O MCMV Entidades é uma modalidade do Minha Casa Minha Vida voltada para a produção habitacional organizada por associações, cooperativas e movimentos populares. As propostas são apresentadas pelas entidades e, após análise técnica, passam por um processo de enquadramento antes da seleção final para contratação.

Segundo carta divulgada pelos movimentos, a primeira seleção realizada em 2024 contratou cerca de 30 mil unidades habitacionais. Já no atual ciclo, foram enquadradas aproximadamente 98 mil moradias, número que, segundo as organizações, demonstra a demanda existente e a capacidade dos movimentos de executar os projetos. No entanto, o governo teria sinalizado a seleção de apenas 35 mil unidades, o que representaria pouco mais de um terço das propostas aptas.

Além da ampliação da meta, os manifestantes cobram uma audiência com o presidente Lula. Simone afirma que o encontro foi prometido ainda durante a campanha eleitoral e voltou a ser mencionado pelo presidente em eventos ligados à política urbana, mas ainda não foi realizado.

“O presidente Lula sempre reconheceu a importância dos movimentos populares de moradia. Desde que foi eleito, ele disse que faria uma reunião com os movimentos urbanos, mas isso ainda não aconteceu. Nossa reivindicação é que ele receba os representantes dessas entidades para discutir o programa e a situação das famílias que aguardam uma moradia”, afirmou.

A expectativa dos organizadores é reunir cerca de 350 pessoas na capital federal até esta terça-feira, 9. Participam da mobilização entidades como a Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), a União Nacional por Moradia Popular (UNMP), o Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD).

Para os movimentos, a ampliação da meta do MCMV Entidades é necessária para evitar que milhares de famílias de baixa renda permaneçam sem acesso à moradia. Em Goiás, segundo Simone Teixeira, mais de 2,5 mil famílias podem ser afetadas caso o governo mantenha a seleção prevista atualmente. “Estamos aqui para defender o direito à moradia e garantir que essas famílias não sejam deixadas para trás”, concluiu.

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