O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), ligado à Universidade Federal de Goiás (UFG), e a Meta lançaram um programa nacional para capacitar desenvolvedores e estimular a criação de aplicações para óculos equipados com inteligência artificial. As inscrições estão abertas até o dia 27 de julho e podem ser feitas por profissionais, pesquisadores, estudantes e empreendedores de todo o país.

Batizada de Programa AI Glasses Brasil, a iniciativa é a primeira ação nacional de treinamento e desenvolvimento realizada pelo CEIA em parceria com a Meta para explorar as possibilidades desses dispositivos. O programa terá atividades virtuais de capacitação, uma maratona de desenvolvimento de ideias, conhecida como Ideathon, e um hackathon presencial na sede da empresa, em São Paulo.

Em entrevista ao Jornal Opção, o diretor do CEIA, Arlindo Galvão, afirmou que a proposta é formar uma comunidade brasileira capaz de desenvolver soluções para uma nova geração de dispositivos vestíveis.

“É a primeira vez no Brasil que vamos realizar essa dinâmica junto com a Meta. A construção passa justamente por acionar toda a comunidade, não apenas cientistas, mas também empreendedores, entusiastas e pessoas que possam ser potenciais usuárias ou desenvolvedoras de soluções utilizando esses óculos”, explicou.

Arlindo Galvão é coordenador do CEIA | Foto: Divulgação

As inscrições devem ser realizadas por equipes formadas por três integrantes. Pelo menos um participante deverá comprovar experiência em desenvolvimento de aplicativos para Android, com a linguagem Kotlin, ou para iOS, com Swift.

O programa é aberto a desenvolvedores, pesquisadores, estudantes, empreendedores e demais profissionais de tecnologia. O edital e o formulário de inscrição estão disponíveis no site aiglassesbrasil.ceia.digital.

Ferramenta de código aberto

Os participantes utilizarão o Meta Wearables Device Access Toolkit, ferramenta oficial que possibilita integrar aplicativos de celulares aos recursos dos óculos inteligentes da empresa. O sistema permite explorar funcionalidades como câmera, microfone, reprodução e captura de áudio e comandos de voz.

A proposta não é apenas utilizar os óculos como uma extensão do celular, mas desenvolver experiências nas quais a inteligência artificial possa interpretar informações captadas pelo dispositivo e responder ao usuário. Entre as possibilidades estão recursos de acessibilidade, identificação de objetos, consulta de informações, assistência em atividades profissionais e ferramentas voltadas à criatividade.

Segundo Galvão, a tecnologia necessária para iniciar o desenvolvimento já está disponível para os programadores, mas o programa oferecerá treinamento oficial, acompanhamento técnico e uma competição para transformar ideias em protótipos.

“A gente vai não apenas treinar essa turma para utilizar as ferramentas, mas também acompanhar o desenvolvimento das soluções. Vamos selecionar os melhores projetos do Brasil e incentivar a abertura dessa porta para a inovação no país”, afirmou.

Programa terá seis temas

Os projetos deverão estar relacionados a pelo menos uma das seis áreas estabelecidas pelo programa: acessibilidade, informação, bem-estar, cultura, produtividade e criatividade.

Na área de acessibilidade, por exemplo, poderão ser apresentadas soluções capazes de auxiliar pessoas com deficiência visual a reconhecer ambientes, objetos e obstáculos. Também poderão ser desenvolvidas aplicações que forneçam informações em tempo real, facilitem tarefas profissionais, registrem atividades ou criem novas formas de interação com conteúdos culturais.

O diretor do CEIA também citou a possibilidade de surgirem propostas relacionadas à saúde e às políticas públicas, desde que sejam compatíveis com as regras e as trilhas definidas no edital.

As equipes selecionadas receberão acompanhamento de pesquisadores do centro durante todo o processo.

“Os nossos pesquisadores mais experientes serão os responsáveis pelos treinamentos, pela formação para o uso das ferramentas e pelo acompanhamento dos times durante toda a jornada até a competição final”, disse Galvão.

Capacitação on-line e etapa em São Paulo

A primeira etapa será uma capacitação técnica on-line sobre o funcionamento dos óculos com inteligência artificial e o desenvolvimento de aplicações para a plataforma. Depois, os participantes selecionados avançarão para um Ideathon, também virtual, com palestras, oficinas e mentorias para aprimorar as propostas.

As equipes finalistas serão convidadas para o hackathon marcado para 18 de setembro. Durante o encontro, terão acesso aos óculos e ao suporte técnico necessário para transformar os projetos em protótipos funcionais. Ao final, as soluções serão apresentadas e avaliadas.

De acordo com o diretor do CEIA, os três projetos mais bem classificados serão premiados, e os vencedores também receberão unidades dos óculos para continuar o desenvolvimento das soluções.

Serviço

  • Programa: AI Glasses Brasil
  • Inscrições: de 15 a 27 de julho
  • Formato das equipes: três integrantes
  • Requisito: pelo menos um integrante com experiência em Android/Kotlin ou iOS/Swift
  • Hackathon presencial: 18 de setembro
  • Local da final: sede da Meta, em São Paulo
  • Site: aiglassesbrasil.ceia.digital

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