UFG leva cursos de inteligência artificial para plataforma global da ONU
10 junho 2026 às 13h12

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A inteligência artificial produzida no coração de Goiás acaba de romper fronteiras e ganhar um palco mundial. Numa conquista histórica, a Universidade Federal de Goiás (UFG), através do seu Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), tornou-se a primeira instituição da América Latina a integrar o prestigiado programa AI for Good, da Organização das Nações Unidas (ONU). Com esta parceria, os materiais de formação desenvolvidos pelo CEIA passam a integrar uma plataforma global focada no desenvolvimento social e no uso responsável da tecnologia.
O anúncio foi feito ao Jornal Opção durante o evento Conecta CEIA 2026. Segundo um dos diretores do centro, Arlindo Galvão, este ingresso representa um selo de qualidade internacional para a produção acadêmica da universidade. “Hoje estamos dentro dessa plataforma sendo vistos pelo mundo inteiro. Pessoas da África, Europa, Estados Unidos e de outras regiões terão acesso à formação produzida aqui pela UFG”, afirmou o diretor. O programa da ONU é rigoroso e os conteúdos passam por uma curadoria que avalia a excelência técnica, o impacto social e o alinhamento com os objetivos de desenvolvimento sustentável.
A inversão da “fuga de cérebros”
A estratégia de internacionalização da UFG vai muito além da educação. Durante o evento, Galvão anunciou o lançamento do CEIA AI Global Program, uma iniciativa criada para unificar as ações internacionais do centro e atrair talentos de todo o mundo. Os resultados já são visíveis: nos últimos anos, o CEIA conseguiu repatriar mais de 15 investigadores brasileiros que atuavam em universidades e empresas no estrangeiro. Para Arlindo Galvão, o objetivo é criar um ambiente competitivo internacionalmente, motivando profissionais bem-sucedidos a regressar ao Brasil para trabalhar com a equipa de Goiás.
No radar das Big Techs e da China
A relevância do centro atraiu o olhar das maiores empresas tecnológicas do planeta. O CEIA está a formalizar parcerias com a Meta e já mantém colaborações ativas com a NVIDIA e a Anthropic, criadora do assistente Claude e uma das principais rivais da OpenAI. “Quando estas empresas escolhem um centro para investir e desenvolver projetos, elas validam o que está a ser produzido aqui numa escala global”, explicou o diretor.
Este avanço inclui também uma aproximação estratégica com a China. Recentemente, representantes da UFG participaram numa missão ao país asiático, onde foram convidados para discussões estratégicas de alto nível, normalmente reservadas a ministros e chefes de Estado, o que abre portas para adaptar soluções tecnológicas inovadoras ao contexto brasileiro.
Uma estrutura de escala gigante
Fundado em 2019 com o apoio da Fapeg, o CEIA transformou-se numa das maiores potências de investigação aplicada em IA do país. Atualmente, o centro reúne mais de 1.100 investigadores e gere investimentos anuais de cerca de 43 milhões de dólares. A sua infraestrutura inclui um dos maiores parques computacionais da América Latina, laboratórios de realidade virtual e pesquisas avançadas em computação quântica, aplicadas a áreas como a saúde, agronegócio e serviços públicos.
O objetivo final é ambicioso e claro: garantir que o Brasil deixe de ser apenas um consumidor de tecnologia para se tornar um protagonista no desenvolvimento global de inteligência artificial. Com esta rede de parcerias e investimentos, Goiás consolida-se como um dos principais polos tecnológicos do Hemisfério Sul



