Enquanto o novo tarifaço de Donald Trump sobre produtos brasileiros impacta o mercado, o governo federal reconhece que os Estados Unidos devem aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre as exportações do Brasil, motivada por falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A principal incógnita, contudo, gira em torno da possibilidade de essa nova taxa ser cumulativa com a sobretaxa de 25% anunciada na madrugada desta quinta-feira, 16. 

“A investigação do trabalho forçado termina na sexta-feira que vem. Aí vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão. A expectativa é que virá para todos”, declarou o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Segundo apuração do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o Brasil figura entre 60 países que importaram produtos oriundos de nações com práticas trabalhistas inadequadas entre 2021 e 2025, o que geraria concorrência desleal com o mercado americano. Alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco estão na lista de itens monitorados. 

O relatório norte-americano sustenta que o país “falhou em impor e aplicar de forma efetiva” uma proibição expressa à entrada de bens produzidos sob condições análogas à escravidão.

Vale destacar que a taxação de 25%, que entra em vigor em 22 de julho, já prevê exceções para produtos estratégicos como carne, suco de laranja, café, petróleo e gás, além de peças aeroespaciais. Enquanto países como União Europeia, México e Canadá enfrentam taxa de 10%, o Brasil e outras 53 economias foram enquadrados no patamar mais elevado de 12,5%. 

O governo estima que a nova rodada de tarifas impacte 18% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos números de 2024.

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