Com informações de Raunner Vinícius Soares

O impacto causado pelo novo tarifaço promovido pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros exportados para o país tende a ser restrito quando falamos da economia de Goiás, segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Isso porque 85% das exportações do agronegócio goiano para os Estados Unidos são de carne bovina, e o produto está fora da lista da sobretaxa. Entretanto, os demais 15% podem conter produtos relevantes do agro que deverão exigir adaptação de seus produtores.

“Economicamente, a gente não vai ter um impacto muito alto. Porém, essas outras cadeias vão sofrer algumas alterações que precisam ser ajustadas ao longo dos próximos meses. No curto prazo, a gente tem um impacto para essas cadeias produtivas, mas entendemos que elas têm capacidade de ir se ajustando ao longo dos próximos meses”, destaca a gerente de Inteligência de Mercado Agropecuário, Christiane de Amorim.

Segundo a gerente, foram exportados mais de US$ 375 milhões em produtos goianos no primeiro semestre de 2026. Ou seja, pouco mais de US$ 315 milhões foram apenas de carne bovina. Os demais produtos encaminhados à terra do Tio Sam, que somam os outros 15% das exportações, referem-se a derivados de origem animal; açúcar; álcool; couro; lácteos; café; frutas, cereais e farinhas; pescados; cacau; bebidas; produtos oleaginosos (com exceção da soja); produtos alimentícios diversos; hortaliças, leguminosas, raízes e tubérculos; produtos florestais; fibras e produtos têxteis; produtos de origem vegetal; e sucos.

Apesar da menor participação nas exportações, produtos como açúcar, etanol, leite condensado e creme de leite deverão sentir os efeitos das novas tarifas. Segundo Christiane de Amorim, essas cadeias precisarão reorganizar sua estratégia comercial para reduzir prejuízos. “São cadeias importantes para Goiás que terão de modificar a dinâmica das comercializações. A alternativa será direcionar esses produtos para outros países ou fortalecer a comercialização no mercado interno para evitar prejuízos maiores.”

Christiane de Amorim afirma que outras cadeias devem se adaptar para poder superar o tarifaço | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

CNA afirma preocupação com decisão

Em pronunciamento divulgado nesta quinta-feira, 16, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que recebeu com preocupação a decisão do governo dos Estados Unidos de sobretaxar parte das importações brasileiras. Apesar disso, a entidade destaca que a ampliação da lista de produtos isentos diminuiu significativamente o impacto da medida para o agronegócio nacional.

“Com a ampliação das exceções, 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos não estará sujeito à tarifa adicional de 25%. A inclusão de produtos importantes do agro, como pescados, mel e café solúvel, reduziu o alcance da medida sobre as exportações brasileiras”, destaca a publicação.

De acordo com a entidade, os produtos que estão sendo taxados representaram, em 2025, um volume de US$ 4,6 bilhões em vendas para os Estados Unidos. Entre eles estão madeira, arroz, uva, ovos e açúcar.

A CNA afirma ainda que apresentou diversos estudos técnicos e participou das consultas públicas e audiências realizadas em Washington para contestar as justificativas da medida. A entidade sustentou que a competitividade do agronegócio brasileiro é resultado de investimentos de longo prazo e não de práticas comerciais desleais, que têm sido uma justificativa frequente de Donald Trump.

“A CNA demonstrou, com dados e evidências, que a competitividade do agro brasileiro não decorre de práticas desleais de comércio, mas de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas. A Confederação também defendeu a exclusão dos produtos agropecuários brasileiros da medida e destacou a complementaridade entre as cadeias produtivas do Brasil e dos Estados Unidos”, destaca em comunicado.

Por fim, a CNA disse ainda que vai continuar acompanhando os desdobramentos da medida e que atuará em defesa das cadeias produtivas afetadas, tendo o diálogo como principal ferramenta para preservar o comércio bilateral. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos”, finaliza a nota.

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