Após atropelamento, tia de aluna questiona versão oficial sobre atendimento em Goiânia
25 junho 2026 às 19h04

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A tia da adolescente de 15 anos atropelada em frente ao Colégio Arena, no Setor Bueno, em Goiânia, contestou parte da versão apresentada pela instituição sobre os procedimentos adotados após o acidente. Segundo ela, a escola prestou assistência à vítima na área da saúde, mas não teria acionado a Polícia Militar nem registrado boletim de ocorrência logo após o caso. O colégio, por outro lado, afirma que prestou socorro imediato, acompanhou as famílias no hospital e disponibilizou informações às autoridades.
O acidente ocorreu na última segunda-feira, 22, por volta das 16h45, quando um veículo conduzido por um homem de 74 anos, pai de uma aluna da escola, perdeu o controle na área de embarque e desembarque da unidade. Segundo o Colégio Arena, o motorista conduzia um veículo elétrico, subiu as escadas de acesso à portaria e atingiu o corrimão. Com o impacto, a estrutura foi projetada contra duas estudantes que aguardavam a chegada dos responsáveis.
Uma das alunas recebeu alta sem lesões, conforme informou a instituição. A outra vítima sofreu fratura no tornozelo, passou por cirurgia e deve permanecer em recuperação por pelo menos 45 dias, com uso de cadeira de rodas antes de iniciar fisioterapia. De acordo com a tia, a adolescente quebrou o pé em três pontos e ainda há suspeita de rompimento de ligamento no joelho da outra perna.
Colégio prestou assistência, mas não acionou a PM
Ao Jornal Opção, a tia da vítima (que optou por não se identificar) afirmou que reconhece a assistência prestada pela escola no atendimento médico, mas questiona a condução do caso logo após o acidente. Segundo ela, o motorista permaneceu dentro do colégio por algum tempo, mas teria deixado o local antes da saída da ambulância. A tia da vítima também afirma que o socorro foi chamado pela escola, e não pelo condutor.
“Ele foi embora antes da ambulância sair. Ele não ficou. Não foi ele quem chamou a ambulância, foi o colégio. Não foi Samu e não foi bombeiro que eles chamaram, eles chamaram uma ambulância particular. O colégio deu toda a assistência nesse ponto aí”, afirmou a tia da vítima.
A advogada sustenta ainda que, ao chegar à unidade para entender o que havia ocorrido, constatou que não havia boletim de ocorrência nem acionamento da Polícia Militar. Segundo ela, o local já havia sido limpo e havia movimentação para reparar estruturas danificadas no acidente. Ela afirma que foi a responsável por ligar para o 190, por volta das 18h30, para solicitar a presença de uma viatura no colégio.
“Eles não chamaram a polícia, não registraram a ocorrência, nem nada. Quando a minha irmã foi para o hospital com ela, eu fui para a porta da escola para entender o que tinha acontecido. Chegando lá, constatei que eles não tinham feito o BO. O local já estava limpo”, relatou.
Segundo ela, a viatura foi ao local após o acionamento feito por ela e registrou a ocorrência. No dia seguinte, a família procurou a Delegacia de Investigação de Crimes de Trânsito para formalizar a representação criminal. “Eu passei a tarde toda na delegacia de trânsito com a minha irmã, registrando e fazendo a representação criminal. A gente entregou o caso para a polícia”, disse.
Colégio dá versão diferente
A versão apresentada pelo Colégio Arena é diferente. Em nota, a instituição afirma que, assim que o acidente ocorreu, colaboradores acionaram imediatamente o serviço médico particular mantido pela escola. A equipe, composta por médica, enfermeiro e socorrista, teria chegado ao local em aproximadamente sete minutos. Ainda segundo o colégio, as duas estudantes foram conduzidas para um local seguro dentro da instituição enquanto aguardavam atendimento.
A escola também informou que o coordenador pedagógico geral, Flávio César Borges Gonçalves, acompanhou pessoalmente as duas famílias durante o atendimento hospitalar e permaneceu no hospital até a conclusão dos exames e a definição dos diagnósticos médicos. Depois, segundo a instituição, ele retornou à escola para prestar apoio às autoridades responsáveis pela ocorrência, disponibilizando espontaneamente imagens do sistema de monitoramento, fotografias do local e o boletim de ocorrência já registrado.
O Colégio Arena afirma ainda que assumiu integralmente os custos relacionados ao atendimento e ao tratamento da estudante ferida, além de manter contato permanente com as famílias. A instituição diz que a equipe de psicologia permaneceu de prontidão para oferecer suporte às famílias das alunas e ao motorista envolvido.
Após o acidente, o motorista relatou, segundo a escola, ter confundido os pedais do acelerador e do freio. As circunstâncias da ocorrência ainda devem ser apuradas pelas autoridades competentes. A investigação deverá esclarecer a dinâmica do acidente, o tempo de permanência do condutor no local, os procedimentos adotados após o atropelamento e se houve eventual irregularidade na condução do veículo ou no atendimento posterior ao caso.
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