Em meio à crise com Michelle, Flávio Bolsonaro tem baixo desempenho entre mulheres; lideranças do PL em Goiás minimizam atrito
25 junho 2026 às 18h37

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Pré-candidato à presidência da República e em meio a um quebra pau familiar travado em praça pública contra a madrasta e ex-primeira-dama, Flávio Bolsonaro (PL) tem baixo desempenho diante do eleitorado feminino. Nas pesquisas de intenção de voto, apenas 24% das mulheres dizem que votariam no senador. Em comparação, o presidente Lula (PT) é a preferência de 41% das eleitoras, segundo levantamento da Quaest de junho.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem”, – Michelle Bolsonaro sobre conversa com Flávio Bolsonaro

O cenário é de queda no comparativo com o levantamento anterior. Em maio, Flávio tinha 28% das intenções de voto das mulheres. Ou seja, no intervalo de de um mês, o senador e pré-candidato perdeu quatro pontos percentuais nesse segmento do eleitorado.
A pesquisa de maio da Quaest já registrava um quadro que preocupa a campanha de Flávio desde dezembro do ano passado, quando ele foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro para ser o candidato do PL. Mas foi a partir de maior que, além do baixo desempenho nesse eleitorado, o áudio vazado em pedido de recursos para o filme sobre o pai para o dono do Banco Master, Daniel Vorcado, fez crescer cresce o pedido pela mudança do candidato do PL. Para 46% delas, Jair deveria escolher outro candidato. Para 26%, Michelle Bolsonaro seria o nome ideal para substituí-lo.
Michelle fala em punhalada
Em vídeo publicado nas redes sociais na noite desta quarta-feira, 24, a ex-primeira-dama disse ter sido apunhalada e humilhada por Flávio Bolsonaro. “Durante o trajeto de volta [para Brasília] aconteceu algo muito ruim. Algo que eu não esperava. Algo que doeu de um jeito que palavras custam descrever. Uma apunhalada.”
Michelle afirmou ter se surpreendido com publicações feitas por Flávio Bolsonaro nas redes sociais em defesa da estratégia adotada no Ceará. Segundo ela, os irmãos do senador também se manifestaram de forma semelhante. “Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Pareceu combinado, premeditado. Procurei qualquer sinal de que ele tinha tentado falar comigo antes de falar para o Brasil. Não tinha nada.”
Michelle disse ainda que tentou contato com Flávio Bolsonaro após as manifestações públicas e afirmou ter sido tratada de forma ríspida durante uma ligação posterior.
Após a repercussão negativa do caso, o senador publicou um pedido uma mensagem pelas redes sociais em que diz que “em momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle”. “Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, escreveu.
Liderança goiana minimiza impacto na campanha e em evento em Goiás
Apesar da crise exporta publicamente entre Michelle e Flávio Bolsonaro, lideranças do PL tentam minimizar os efeitos políticos do episódio. Ao Jornal Opção, o ex-deputado federal Lissauer Vieira, filiado ao PL, afirmou que não vê a divergência como fator capaz de comprometer a articulação eleitoral do partido para 2026.
A Michelle é um nome espetacular, foi a melhor primeira-dama da história do Brasil, tem todos os méritos, toda a condição, mas o nome escolhido é o Flávio pelo próprio Bolsonaro. Então isso está decidido”, afirmou.
Para Lissauer, as divergências internas não devem ser tratadas como sinal de ruptura. Segundo ele, o PL reúne diferentes grupos políticos e sociais, o que naturalmente produz conflitos de estratégia. “Onde tem cabeças boas e cabeças pensantes, com toda certeza há uma divergência de ideias em algum momento. Isso é para o crescimento do partido, dos projetos e da estruturação política para poder ganhar eleição”, disse.
Lissauer ainda negou que o atrito entre Flávio e Michelle possa prejudicar a agenda do senador em Goiânia, prevista para este sábado. “De forma alguma, muito pelo contrário. O eleitor da direita e do PL é muito aguerrido, de opinião própria e firme”, afirmou. Para ele, o evento deve funcionar como uma espécie de largada da pré-campanha do partido em Goiás.
Para o vereador por Goiânia Sanches da Federal, resolvidas as divergências, Flávio vai crescer nas pesquisas com o apoio de Michelle. “Eu torço e até onde tiver gestão eu vou fazer com que a direita esteja unido, principalmente o Flávio e a Michelle para tirar o PT do poder”, diz.
Ele defendeu o trabalho de Michelle frente ao PL Mulher Nacional e destacou as articulações políticas que segundo ele foram capitalizados. “Acompanho de perto o trabalho e ela inclusive impulsionou a presidente do PL Goiânia na semana retrasada ao participar pessoalmente do evento e que isso incentiva às pessoas a votarem no Flávio. Acho que ela conseguiu uma base muito capilarizada”, argumenta.
Procurada, a presidente do PL Mulher Goiânia, Lucélia Rodrigues, não quis comentar sobre o assunto. “Deixa eles se resolverem pra lá”, disse.
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