O vitiligo é uma condição caracterizada pela perda de pigmentação da pele, que provoca manchas brancas em diferentes partes do corpo. Mais do que uma questão estética, a doença pode afetar a autoestima, gerar impactos na saúde mental e trazer desafios físicos, como maior sensibilidade ao sol. Ao Jornal Opção, a dermatologista Petra Sousa destacou a importância de compreender o vitiligo em sua dimensão integral.

Segundo a especialista, o vitiligo é uma doença crônica caracterizada pela perda de pigmentação da pele devido à destruição das células responsáveis pela produção da melanina. Ela ressaltou que a condição não é contagiosa, o que é importante para combater a discriminação sofrida por pacientes.

“Nós ainda não conhecemos totalmente o que leva a essa condição, mas acredita-se que tenha um componente autoimune, com influência genética, mas também de fatores externos, como o estresse emocional, podendo desencadear ou aumentar as manchas da pele”, explicou.

Petra afirmou que o vitiligo não causa dor nem risco de vida, mas gera grande impacto emocional. “Afeta a autoestima, as relações sociais e a própria saúde mental do paciente. É importante ter acolhimento e, se necessário, acompanhamento conjunto com psicólogo ou médico psiquiatra”, apontou.

A médica relatou que os principais sintomas psicológicos observados são relacionados à vergonha das manchas. “Muitas pessoas tentam cobrir e relatam que os outros pensam que é uma doença contagiosa, que pode ser transmitida pelo contato com a pele ou com objetos”, disse.

Para ela, o preconceito está ligado à falta de informação da sociedade. “Graças às mídias sociais, as pessoas têm mais acesso à informação. Hoje já existem modelos com vitiligo e até bonecas com essa característica, para trazer conhecimento sobre a condição”, afirmou.

Petra Sousa destacou que adolescentes e jovens adultos são mais vulneráveis ao impacto emocional da doença. “O jovem está naquele momento de trabalho e os adolescentes nas relações sociais. Isso gera impacto em manter ou iniciar relações. Já atendi crianças com vitiligo em que os pais estavam mais afetados emocionalmente do que os próprios filhos”, afirmou.

Segundo ela, muitas vezes a preocupação vem mais das pessoas em volta do paciente do que dele próprio. “Para a criança, a manchinha branca não faz tanta diferença, mas o pai fica preocupado e acaba transmitindo esse estresse”, disse.

A especialista ressaltou que o preparo para lidar com falas preconceituosas passa pelo conhecimento da doença. “É importante saber que não é contagiosa, que possui tratamento e que a evolução não necessariamente será generalizada. Participar de grupos de apoio também ajuda, pois o paciente encontra acolhimento de pessoas que vivem a mesma condição”, explicou.

Ela acrescentou que trabalhar a autoestima é fundamental. “A mente influencia na condição da pele. Quando o paciente aceita a condição e procura ajuda, isso traz benefício também para a doença”, pontuou.

Sobre os tratamentos, Petra Sousa afirmou que existem várias opções. “Hoje temos pomadas de aplicação, tratamento com fototerapia, que é a exposição a um tipo específico de luz, cirurgias em algumas condições e novos medicamentos, tanto orais quanto tópicos”, disse.

Ela reforçou a importância das consultas médicas regulares. “Apareceu uma manchinha branca persistente, é preciso procurar avaliação do dermatologista. O vitiligo é uma doença imprevisível e precisa de acompanhamento regular”, alertou.

A dermatologista destacou ainda a relevância da conscientização. “É importante que as pessoas saibam que é uma doença não contagiosa e que contamos com tratamentos cada vez mais eficazes, tanto para controlar quanto para recuperar a pigmentação da pele. O diagnóstico precoce e o acompanhamento com o dermatologista fazem toda a diferença”, finalizou.

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