Agente atribui queda de visitas contra dengue em Goiânia à adaptação ao ponto eletrônico e nega paralisação da categoria
01 junho 2026 às 19h17

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A redução no número de visitas domiciliares realizadas por agentes de combate às endemias (ACE) em Goiânia nos primeiros meses de 2026 estaria relacionada principalmente aos impactos operacionais provocados pela implantação do ponto eletrônico. A avaliação é de um servidor da categoria ouvido pelo Jornal Opção, que negou que os profissionais tenham deixado de cumprir suas atividades.
A declaração ocorre após denúncias de que agentes estariam realizando uma operação tartaruga em reação à mudança no controle de frequência. Dados obtidos pela reportagem mostram que, entre janeiro e abril deste ano, foram realizadas cerca de 300 mil visitas a menos do que no mesmo período de 2025.
Segundo o agente, a mudança exigiu uma reorganização da rotina de trabalho. Antes de seguirem para as áreas atendidas, os profissionais passaram a registrar entrada e saída em unidades da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o que aumentou o tempo de deslocamento em alguns casos.
“A pessoa tinha que bater o ponto e depois se deslocar para a área de atuação. Esse tempo acabou impactando a produtividade”, afirmou.
O servidor sustenta, no entanto, que a meta regular de visitas continuou sendo cumprida. De acordo com ele, os agentes mantiveram a média de 25 visitas diárias, enquanto a redução ocorreu nas visitas excedentes que costumavam ser realizadas além da meta.
“Quem diminuiu, diminuiu essas cinco casas a mais. Não foram as 25 residências da rotina”, disse.
O agente também afirmou que a categoria já havia alertado o Ministério Público de Goiás (MPGO) e a administração municipal sobre a possibilidade de uma queda temporária nos números após a implantação do novo sistema.
“Nas assembleias e na audiência com o MP já foi falado que haveria essa baixa de produtividade por causa do ponto”, declarou.
Outro fator apontado pelo servidor é a existência de informações cadastrais desatualizadas utilizadas no planejamento das visitas. Segundo ele, parte dos imóveis registrados nos sistemas não corresponde mais à realidade encontrada em campo, o que também pode influenciar os indicadores de produtividade.
Apesar das críticas ao modelo inicialmente adotado, o agente avaliou positivamente a estrutura disponibilizada pela Prefeitura de Goiânia para o trabalho das equipes. Ele citou a distribuição de tablets, os treinamentos oferecidos para utilização dos equipamentos e a política de zoneamento, que mantém os profissionais atuando em regiões específicas da cidade.
“Quanto mais o agente é conhecido na área, maior a confiança dos moradores e mais portas se abrem para o trabalho”, afirmou.
O servidor explicou ainda que as visitas seguem um ciclo periódico, com retorno aos imóveis geralmente a cada dois meses. Em situações específicas, como ações especiais de combate ao mosquito e instalação de armadilhas de monitoramento, os agentes podem ser deslocados temporariamente, sendo substituídos por outros profissionais para evitar que as regiões fiquem sem cobertura.
Prefeitura desenvolveu alternativa para reduzir deslocamentos
A implantação do ponto eletrônico ocorreu após recomendação do Ministério Público de Goiás. Em reunião realizada entre representantes da Prefeitura de Goiânia, do MPGO e da categoria, ficou definido que os agentes poderiam escolher três unidades da Secretaria Municipal de Saúde mais próximas de suas áreas de cobertura para registrar a frequência.
Após o início das discussões sobre os impactos da medida, a Prefeitura de Goiânia desenvolveu um sistema para que os registros de entrada e saída possam ser realizados diretamente nos tablets utilizados pelos agentes durante o trabalho de campo. Durante o período de testes da ferramenta, os profissionais voltaram temporariamente a utilizar folhas de ponto.
Casos de dengue preocupam
A discussão ocorre em meio ao avanço dos casos de dengue na capital. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que Goiânia registrou 20.670 casos da doença em 2026, além de 15 mortes confirmadas.
Em nota enviada anteriormente ao Jornal Opção, a SMS informou que apura a conduta dos agentes citados na denúncia e a redução da produtividade observada no período. A pasta destacou que as visitas domiciliares são uma atividade essencial para o controle de vetores, orientação da população e proteção da saúde coletiva.
A secretaria também ressaltou que o controle eletrônico de frequência atende a uma recomendação do Ministério Público de Goiás e que o modelo adotado foi pactuado em reunião realizada com lideranças sindicais da categoria.



