Afunilamento das candidaturas da base ao Senado ganha espaço entre prefeitos
15 julho 2026 às 13h30

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Sem que haja, até o momento, uma articulação ou pressão formal pela desistência de pré-candidatos, a possibilidade de afunilar as candidaturas da base governista ao Senado tem um espaço significativo entre prefeitos aliados ao Palácio das Esmeraldas. As manifestações ainda são cautelosas, mas colocam no centro das discussões um problema prática para o grupo: como concentrar dois votos diante de quatro postulantes governistas?
A avaliação aparece, por exemplo, nas declarações dos prefeitos de Trindade, Marden Júnior (PSD), e de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB). Também se manifestou no almoço promovido pelo ex-titular da Agehab Alexandre Baldy (PP), que estará na suplência de Gracinha Caiado (União Brasil), que reuniu mais de 80 prefeitos em apoio à ex-primeira-dama e ao senador Vanderlan Cardoso (PSD).
Além de Gracinha e Vanderlan, a base governista reúne as pré-candidaturas do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (PRD) e do deputado federal Zacharias Calil (MDB). A manutenção dos quatros nomes amplia as opções do eleitor, mas também divide os apoios municipais, justamente em um cenário em que o campo adversário tenta reduzir a dispersão.
Entre os prefeitos, a discussão não é apresentada como ultimato, cobrança ou exigência. Trata-se de sinalizações e alertas com vistas à uma composição mais enxuta que facilitaria a formação das dobradinhas, a orientação de lideranças locais e a concentração dos votos necessários para eleger os dois representantes de Goiás.
Marden defende concentração de esforços
Marden Júnior foi mais direto ao avaliar os efeitos da fragmentação. Para o prefeito de Trindade, quanto menor o número de candidaturas governistas, melhores são as condições para que os integrantes da base trabalhem em uma mesma direção.
“É claro que a gente percebe que, quanto mais focado nosso grupo estiver em relação às candidaturas ao Senado, melhor seria, para que pudéssemos ter ali duas opções diante das duas que nós temos que escolher”, afirmou ao Jornal Opção.
Apesar da defesa pelo afunilamento, Marden declarou apoio somente a Gracinha e evitou antecipar sua escolha para a segunda vaga. O prefeito disse que pretende aguardar as convenções e as negociações entre os partidos.
Leandro Vilela evita defender retirada de nomes
O prefeito de Aparecida tem adotado uma posição mais cautelosa. Questionado em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, 14, Leandro Vilela afirmou que a composição deverá ser discutida internamente até as convenções, sob a orientação das principais lideranças da base.
“A orientação é que nós vamos discutir isso dentro da base até as convenções. Isso vai ser tratado, vai ser dialogado e, sem dúvida nenhuma, vamos procurar, com a orientação dos nossos líderes, buscar a melhor condição para o nosso Estado e, consequentemente, para as nossas cidades goianas”, disse.
Ao ser perguntado diretamente se defendia a redução para apenas duas candidaturas, Leandro evitou apresentar a posição como uma escolha individual.
“Isso não é uma questão que depende de eu defender ou não defender. É uma situação que precisa ser discutida amplamente na base, não é só por nós. O que eu acho é que temos que pensar grande, pensar alto e buscar aquilo que beneficia Goiás e os goianos”, respondeu.
Reorganização da extrema direita
A defesa por uma composição mais enxuta ganhou mais importância que fez com que o delegado Humberto Teófilo (Novo) desistisse da pré-candidatura ao Senado. Ao anunciar que disputará uma vaga de deputado federal, ele declarou apoio a Gustavo Gayer (PL) sob o argumento de que não pretendia “dividir a direita”.
Com a retirada, o grupo ligado ao pré-candidato a governador Wilder Morais (PL) passou a concentrar suas forças em Gayer e no vereador por Goiânia Oséias Varão (PL). Gayer, entretanto, aparece como o principal nome do campo bolsonarista e como o adversário mais competitivo na disputa pela segunda vaga.
Já na base governista, Alexandre Baldy também deixou a corrida para integrar a suplência de Gracinha. Mesmo após sua saída, o grupo permanece com quatro nomes para as duas cadeiras.
A diferença entre as estratégias aumentou a percepção entre os prefeitos de que a multiplicidade de candidaturas pode beneficiar o adversário. Quanto maior a quantidade de dobradinhas possíveis dentro da base, mais difícil se torna concentrar o segundo voto em um único postulante.
Gracinha concentra liderança
Apesar desse cenário, Gracinha é o ponto de convergência entre os prefeitos. Mas o debate municipalista está concentrado, principalmente, no segundo voto e na capacidade de cada pré-candidato de construir alianças no interior.
Nesse cálculo, pesam não apenas as pesquisas de intenção de voto, mas o histórico de interlocução com as prefeituras, a destinação de emendas parlamentares e a presença política nos municípios. Para os gestores, eleger senadores próximos das administrações locais pode facilitar o encaminhamento de demandas e a obtenção de recursos federais.
O almoço organizado por Baldy tornou mais visível uma preferência que vinha sendo construída discretamente. A reunião de dezenas de prefeitos em torno de Gracinha e Vanderlan não significa que toda a base tenha fechado questão sobre a “dobradinha”, mas demonstra que uma parcela relevante dos gestores trabalha para consolidar os dois nomes.
Vanderlan tem como ativos o mandato no Senado, a trajetória como ex-prefeito de Senador Canedo e a relação construída com gestores municipais. Mendanha também reivindica esse espaço a partir dos dois mandatos exercidos em Aparecida e de sua presença na Região Metropolitana. Zacharias, por sua vez, aposta no reconhecimento pessoal construído como médico e deputado federal, além da estrutura do MDB.
Pesquisas mostram segunda vaga ainda em aberto
Os levantamentos mais recentes convergem sobre a liderança de Gracinha, mas apresentam diferenças significativas na disputa pela segunda cadeira.
No Paraná Pesquisas, realizado entre 3 e 5 de julho, Gracinha aparece com 35,1%, seguida por Vanderlan, com 25,8%, e Gustavo Gayer (PL), com 21,2%. Vanderlan e Gayer estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais. O estudo ouviu 1.300 eleitores e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número GO-01366/2026.
Já o Real Time Big Data, realizado nos dias 7 e 8 de julho, coloca Gracinha com 26% das citações. Na sequência aparecem Gayer, com 15%; Mendanha, com 13%; Zacharias, com 12%; e Vanderlan, com 9%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores, tem margem de erro de dois pontos e está registrado sob o número GO-03751/2026.
As diferenças decorrem, entre outros fatores, das metodologias e dos cenários apresentados. Os dois estudos, entretanto, indicam que somente a primeira colocação aparece mais consolidada, enquanto a segunda vaga permanece em disputa.
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