O engenheiro de software, estudante de Direito, jornalista e escritor goianiense Arthur da Paz desenvolveu um jogo eletrônico com elementos de sátira e crítica política e jurídica. Segundo ele, a iniciativa surgiu após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada ao teto salarial de magistrados e promotores. O projeto, afirma, foi pensado como uma forma de protesto e manifestação.

Ao Jornal Opção, Arthur explicou que os primeiros personagens criados foram o “Juiz Mendigo” e o “Promotor Quebrado”. A ideia surgiu a partir da repercussão da medida.

“Quando o Supremo decidiu cortar o teto dos magistrados e promotores, achei o impacto da medida muito estranho. Vi juízes vendendo casa e carro porque tiveram os contracheques cortados. Então, pensei em como poderia protestar contra isso. Foi nesse momento que criei o jogo”, disse.

O jogo traz elementos de sátira e crítica social, além de easter eggs que reforçam a mensagem defendida pelo criador. Um deles aparece quando o jogador conduz o personagem até uma determinada parte do cenário.

“Se o jogador levar o personagem para o canto direito, aparece uma criança segurando um jornal dizendo: ‘Isso é pouca coisa, lute pelos seus direitos’. O jornal traz a manchete ‘Reforma do Supremo’ e ‘Nasce a sétima República do Brasil’. É uma espécie de manifesto que acredito que o país precisa”, afirmou.

Engenheiro de software, estudante de Direito, jornalista e escritor goianiense, Arthur da Paz | Foto: Acervo Pessoal

Ministros inspiraram personagens e golpes

Na construção dos personagens, Arthur utilizou ferramentas de inteligência artificial para auxiliar na criação dos desenhos e de golpes especiais inspirados em expressões e situações do universo jurídico.

“O Gilmar Mendes, por exemplo, tem o golpe ‘Pedido de Vista Giratório’. Criei nomes satíricos para tornar o jogo divertido. Fiz pesquisa com modelos de IA para levantar decisões e comportamentos de cada ministro, como quem pede mais vista ou quem gosta de pedir nulidade. Assim, os perfis ficaram próximos da realidade”, explicou.

A estética do projeto, segundo Arthur, foi inspirada nos jogos de luta que fizeram parte de sua infância, especialmente Street Fighter II, lançado originalmente nos anos 1990 e popularizado em diferentes consoles.

“Quando criança, eu jogava Street Fighter II no Super Nintendo. Como o clima era de briga, pensei em colocar esse povo na Praça dos Três Poderes para lutar. Foi uma associação saudosista da infância com a realidade política”, lembrou.

Foto: Reprodução

Jogo é gratuito e não tem fins comerciais

Arthur afirma que o jogo foi desenvolvido sem objetivo comercial e está disponível gratuitamente. Segundo ele, a intenção é ampliar o alcance da mensagem apresentada pelo projeto e, ao mesmo tempo, oferecer entretenimento aos jogadores.

“Minha ideia era que a mensagem chegasse às pessoas. Tenho receio de que instrumentalizem essa mudança para outros interesses, mas gostaria que fosse algo positivo. Não vou vender o jogo. Se aparecer apoio, fico feliz, porque só me custou dinheiro e não tenho nada de volta além da satisfação de ver as pessoas se divertirem”, disse.

Foto: Reprodução

O projeto ganhou repercussão após ser compartilhado por Raul Sena, da AUVP, no X, antigo Twitter. Segundo Arthur, o desenvolvimento começou em 28 de março de 2026 e foi realizado paralelamente às atividades profissionais e acadêmicas.

“Trabalho em banco de manhã, mantenho um jornal como hobby e faço faculdade de Direito à noite. O jogo foi um projeto lateral”, contou.

Inteligência artificial foi usada no desenvolvimento

O criador estima ter investido aproximadamente R$ 3 mil em tokens de ferramentas de inteligência artificial utilizadas durante o processo de desenvolvimento.

“Usei Claude 3.5, Claude Opus 3.5, Claude Haiku 3.1 e GPT Astra para retoques finais. Ainda vou adicionar dois personagens, o Advogado Sucumbido e o Anulador-Geral, inspirado no Paulo Gonet”, afirmou.

Foto: Divulgação

Embora tenha desenvolvido o projeto sozinho, Arthur conta que recebeu sugestões de amigos durante o processo.

“Foi um exército de um homem só com muitos palpites e boas opiniões”, brincou.

Para o desenvolvedor, além do caráter de entretenimento, o projeto busca estimular uma discussão sobre mudanças institucionais no país.

“O jogo ajuda a levar a mensagem de que precisamos de uma mudança na forma como o Supremo é formado e que o Brasil precisa nascer de novo na figura de um menino que sonha algo melhor”, concluiu.

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