Pressão alta atinge quase 3 em cada 10 brasileiros, e o risco vai além do coração, diz especialista
24 abril 2026 às 15h22

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A pressão alta continua sendo uma das maiores preocupações de saúde pública no Brasil. Em um levantamento feito pelo Ministério da Saúde revela que 29,7% dos adultos brasileiros convivem com a hipertensão arterial, quase três em cada dez pessoas. O problema, muitas vezes silencioso, pode evoluir sem sintomas e trazer consequências graves para diferentes órgãos.
Segundo cardiologista Thiago Marinho, muitos pacientes só descobrem a condição após complicações sérias. “A pressão pode permanecer elevada por anos sem causar dor ou desconforto. O diagnóstico, em grande parte dos casos, acontece tarde demais, quando já há danos acumulados”, explica.
O impacto da hipertensão vai além do coração e do cérebro. Os rins também sofrem com a pressão elevada. Segundo o nefrologista, Ciro Bruno Costa, os vasos sanguíneos renais são diretamente afetados.
“Quando a pressão se mantém alta por meses ou anos, os pequenos vasos que filtram o sangue começam a perder eficiência. É um processo silencioso, sem sintomas iniciais, mas que pode evoluir para doença renal crônica”, afirma.
O especialista lembra ainda que existe um ciclo perigoso. A pressão alta danifica os rins, e os rins comprometidos contribuem para elevar ainda mais a pressão.
Thiago aponta que apesar da alta prevalência, o diagnóstico precoce ainda enfrenta obstáculos. As medições incorretas da pressão arterial são comuns. “Não se deve concluir apenas com uma aferição isolada. É preciso seguir critérios, como repouso antes da medição e evitar fatores que alteram temporariamente os resultados”, aponta.
Os exames complementares, como a monitorização ambulatorial da pressão arterial (Mapa), ajudam a avaliar os níveis ao longo do dia. Já para os rins, testes simples de sangue e urina, como creatinina, taxa de filtração glomerular e pesquisa de proteína, podem indicar alterações precoces.
Segundo Thiago, os fatores de risco continuam presentes: excesso de sal, sedentarismo, obesidade e predisposição genética. Mas novos hábitos também entram em cena. “Pacientes jovens têm apresentado pressão alta relacionada ao estresse crônico, noites mal dormidas, consumo de álcool e até drogas ilícitas”, observa.
Já Ciro comenta que a prevenção e o controle passam por mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução do consumo de sal. Em alguns casos, o uso de medicamentos é necessário, sempre de forma individualizada.
Para o especialista, o acompanhamento regular é indispensável. “Não espere os sintomas aparecerem. Todo paciente hipertenso deveria realizar exames de sangue e urina ao menos uma vez por ano”, recomenda.
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