A companhia JBJ, do empresário goiano José Batista Júnior, anunciou o fechamento da compra da Fazenda Conforto, em Nova Crixás, por valor não divulgado. Considerada a maior fazenda de confinamento bovino do Brasil, a propriedade tem mais de 12 mil hectares, capacidade estática para 70 mil animais e giro estimado de 180 mil cabeças ao ano.

Segundo estimativa da Agfeed, apenas em 2024 a fazenda movimentou mais de R$ 1,1 bilhão. O ativo era controlado pela família Negrão, que também mantém outro imóvel rural em Formosa do Araguaia, com mais de 5 mil hectares, além da marca de biofertilizantes e do aplicativo Probov, desenvolvidos entre 2023 e 2024.

A fazenda foi criada em 1996 pelo empresário e piloto Alexandre Funari Negrão, conhecido como Xandy Negrão. Ao longo dos anos, a família expandiu a atuação empresarial e tornou-se proprietária de marcas como Medley e Aeris.

Desde o início do ano, os proprietários haviam colocado o imóvel à venda. A proposta de compra por um membro da família Batista teria sido aceita em 14 de abril. Com a assinatura do negócio, a operação foi encaminhada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, responsável por analisar concentrações econômicas. A efetivação depende do aval regulatório.

Tendência de concentração

Para o pecuarista e consultor financeiro Fabiano Tavares, a aquisição representa uma estratégia cada vez mais comum no setor: a migração para um modelo semelhante ao dos Estados Unidos, baseado em produção majoritariamente a pasto com alta participação do confinamento intensivo.

Segundo ele, a tendência é de maior concentração de mercado, com crescimento dos grandes confinamentos em razão do ganho de escala e poder de barganha. “O confinamento em escala elevada permite ao produtor comprar melhor e vender melhor. Consequentemente, isso vai gerar mais lucro”, afirmou.

Tavares ressalta, porém, que a incorporação de 180 mil animais ao sistema da JBJ não altera, por si só, o ciclo pecuário nacional, normalmente influenciado pelo volume de fêmeas destinadas ao abate. Na avaliação dele, o número ainda é pequeno diante do total abatido anualmente no país.

Reflexos no mercado interno

Já Silvio Carlos Brito, presidente do Sindicato dos Açougues (Sindaçougue), afirma que grandes fazendas tendem a mirar principalmente o mercado externo, atendendo países importadores de cortes premium e específicos. “O que sobra para o mercado interno são estes cortes secundários e que não têm interesse dos países em importar”, disse.

Ele explica que o consumidor brasileiro também sente impactos porque a arroba do boi funciona como commodity cotada diariamente, fazendo com que preços internos acompanhem oscilações internacionais e do dólar.

Além disso, Brito cita aumento de custos operacionais, especialmente energia elétrica e embalagens, cujo preço teria subido mais de 100% nas últimas semanas. Soma-se a isso, segundo ele, a perda de poder de compra das famílias e o alto endividamento, fatores que pressionam o consumo de carne bovina no mercado doméstico.

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