Nos últimos anos, a comercialização de medicamentos como tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e semaglutida, presente em fármacos como Ozempic e Wegovy, teve um boom no Brasil com a promessa de emagrecimento em curto prazo.

Segundo dados divulgados pela Agência Brasil com base no Conselho Federal de Farmácia, a importação das chamadas “canetas emagrecedoras” cresceu 88% em 2025. A compra de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro somou cerca de R$ 9 bilhões no período.

Nesse cenário, uma nova substância passou a chamar atenção no debate científico: o FGF21, hormônio produzido naturalmente pelo corpo e investigado por seu possível efeito no tratamento da obesidade.

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Oklahoma, publicado na revista Cell Reports, apontou que a administração farmacológica de FGF21 foi capaz de reverter obesidade em camundongos ao ativar circuitos cerebrais ligados ao metabolismo. Diferentemente dos medicamentos da classe GLP-1, que atuam principalmente na redução do apetite, o FGF21 teria efeito associado ao aumento do gasto energético.

Apesar do potencial, especialistas alertam que o achado ainda está distante de uma aplicação ampla em pacientes. Para o endocrinologista Sérgio Vencio, o estudo dos peptídeos no emagrecimento, como o FGF21, é uma área em expansão, mas ainda depende de comprovação clínica robusta.

“Essas medicações que erroneamente chamamos de caneta emagrecedora são muito mais que isso, porque são remédios para tratar diabetes e prevenir doença cardiovascular”, afirma. “Mas eles são extremamente seguros quando utilizados corretamente e com o remédio correto.”

Segundo Vencio, ainda não há estudos de fase 3 que comprovem a segurança e a eficácia do FGF21 para emagrecimento em larga escala. Esse tipo de etapa envolve aplicação em grande número de pessoas, com grupos de controle, para avaliar resultados, efeitos colaterais e riscos.

Esse potencial ainda teria levado ao aumento do comércio irregular do medicamento, sobretudo nos Estados Unidos da América, onde ocorrem as principais pesquisas da área.

O médico explica que o FGF21 é uma proteína encontrada naturalmente no organismo e mais observada em determinados processos metabólicos, inclusive em pessoas em emagrecimento. Isso levou cientistas a investigarem o potencial da substância como alternativa ou complemento aos medicamentos já disponíveis.

No Brasil, porém, Vencio afirma que os estudos ainda são escassos e tratam mais da presença natural do hormônio no corpo do que de sua aplicação como tratamento. “Temos estudos publicados no seguinte sentido: ‘o paciente fez uma dieta mediterrânea com exercício físico e o FGF21 subiu’. Mas cadê o paciente que utilizou o FGF21 por dois ou três anos para emagrecer? E qual é o resultado? Qual é o efeito colateral? Qual é o risco? Essas informações não temos”, pontua.

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