“Medida essencial para garantir boa formação do médico”, avalia presidente do Cremego sobre a aprovação da ‘OAB da medicina’
21 maio 2026 às 19h11

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Ao Jornal Opção, o presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Rafael Martinez, comentou, nesta quinta-feira, 21, sobre a importância da aprovação do Exame de Proficiência Médica (Profimed) para a categoria, comparado à “OAB da Medicina”. Segundo ele, a medida é fundamental para assegurar à sociedade que os médicos recém-formados tenham conhecimento adequado e boa formação.
“Hoje o Profimed, o Exame de Proficiência, é uma medida essencial para que a gente consiga começar a dar um norte e garantir à sociedade que o médico que lhe atenda tenha conhecimento e boa formação”, resumiu.
Segundo o Rafael, o Profimed não é a única solução para os problemas da educação médica, mas é a mais imediata e eficaz. “Hoje é muito importante que o Profimed seja aprovado. Não é a única medida para que a gente consiga melhorar a formação médica, mas, de imediato, ela é a melhor medida. Porque vai testar o colega médico já na saída da faculdade para que ele possa exercer a medicina”, afirmou.
O presidente do Cremego lembrou que o aumento desenfreado de faculdades de medicina no Brasil trouxe sérias preocupações. “Sempre houve denúncia do Cremego e do CFM de que a formação estava inadequada, que estavam abrindo escolas sem estudo, de maneira desorganizada e sem a capacidade mínima de boa formação. Sem campos de estágio, sem disciplinas, sem professores adequados”, disse.
Ele acrescentou que o Enade confirmou essas deficiências, mostrando que as denúncias tinham fundamento.
Rafael também comentou sobre o impacto direto na assistência à população. “O médico vem de um histórico de confiança extrema da sociedade. Antes, quando se graduava, havia certeza de que tinha boa formação. Isso corre risco de se abalar com os resultados do Enade e com a ausência do Profimed. Se você começa a questionar a boa formação e entende que está aquém do nível mínimo aceitável, isso impacta diretamente na assistência”, explicou.
Ele criticou o atual sistema de registro profissional, que não avalia a qualidade da formação. “Hoje, se você tem o diploma e entrega seus documentos, já sai com o registro. Não tem nenhum crivo para saber se você tem boa formação ou não. E aí vai cair no mercado e começar a atender. Claro que todo médico quer trazer benefício, mas pode haver deficiência no atendimento logo após sair da faculdade”, alertou.
Um outro ponto abordado foi a concentração de médicos nos grandes centros e a escassez em regiões mais afastadas. Martinez lembrou que a justificativa para abrir mais escolas médicas era justamente fixar profissionais no interior, mas o resultado foi diferente.
“O que aconteceu foi o inverso. Onde existiu interesse financeiro, as faculdades foram abrindo, principalmente em capitais. Não se traduziu em política pública, ficou no interesse econômico”, disse.
Ele acrescentou que a fixação de médicos em áreas remotas depende de condições adequadas de trabalho e remuneração. “Não é só aumentar o número de formação, você tem que dar bom local de trabalho, boa remuneração. O problema é chegar num local onde não pode nem pedir exame porque não tem”, afirmou.
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