Novo Anel Viário da Grande Goiânia deve gerar economia milionária e melhorar trânsito na BR-153
21 maio 2026 às 09h33

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Uma economia anual superior a R$ 43,6 milhões e a mitigação de 15 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂). Esses são os principais benefícios estimados da operação do futuro Anel Viário Metropolitano de Goiânia, projeto que avançou recentemente após a aprovação do anteprojeto pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
O estudo avalia os impactos econômicos e ambientais do projeto, que prevê um contorno rodoviário de aproximadamente 44 quilômetros ligando municípios da Região Metropolitana, como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Hidrolândia e Goianápolis.
Integrado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, o empreendimento é apontado pelo setor produtivo como uma alternativa para reduzir gargalos logísticos na Região Metropolitana de Goiânia e melhorar o fluxo do transporte de cargas em Goiás.
A proposta também é vista pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) como uma medida capaz de diminuir o chamado “Custo Brasil”, expressão utilizada para definir despesas adicionais enfrentadas pelas empresas devido a problemas estruturais e logísticos.
Atualmente, o trecho urbano da BR-060 e o Anel Viário existente registram fluxo médio diário de aproximadamente 90 mil veículos, segundo dados citados pela Fieg. A expectativa é que a nova via funcione como corredor expresso para o transporte pesado, retirando parte significativa dos caminhões do trânsito urbano.
De acordo com análise da Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg, a velocidade média no trecho pode subir de 25 km/h para 70 km/h. Apesar de aumentar a distância média percorrida de 32 km para 44 km, o tempo de viagem será reduzido de 1h17 para cerca de 38 minutos.
Segundo o levantamento, a mudança também impactaria o consumo de combustível. Em veículos pesados, o consumo médio passaria de 1,4 km/l para 2,2 km/l, o que representaria economia líquida de 2,8 litros de combustível por viagem.
A projeção da Fieg indica economia diária de 17.020 litros de combustíveis, considerando veículos pesados, automóveis movidos a gasolina e etanol. O valor economizado por dia chegaria a aproximadamente R$ 119,5 mil, segundo cálculos baseados em preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A entidade afirma que a mudança deve reduzir o sistema de trânsito “anda e para”, considerado um dos fatores que elevam o consumo de combustível, aumentam o desgaste de veículos e encarecem o frete.
Além da redução nos custos logísticos, o estudo também projeta benefícios ambientais com a diminuição da emissão de poluentes decorrente da melhoria no fluxo de veículos pesados. A entidade estima redução de aproximadamente 41,9 toneladas de CO₂ por dia, resultado da diminuição do tempo de deslocamento e da operação dos motores em velocidade constante.
A Fieg também argumenta que o empreendimento pode fortalecer a competitividade industrial do Estado ao facilitar a conexão logística com as BRs 153 e 060. A Região Metropolitana de Goiânia responde atualmente por cerca de 36% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, segundo dados citados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estudo foi elaborado pelo Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fieg e considera dados do DNIT, da Confederação Nacional do Transporte (CNT), da ANP e metodologias do GHG Protocol e do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O que diz o setor produtivo
O setor industrial defende que o novo Anel Viário pode ainda ampliar a confiabilidade das cadeias de suprimentos, reduzir atrasos no transporte de cargas e estimular novos investimentos em Goiás.
O presidente da Fieg, André Rocha, afirmou que os estudos técnicos apontam que o novo Anel Viário pode reduzir custos logísticos, melhorar a mobilidade e até diminuir impactos ambientais provocados pelo tráfego intenso na BR-153.
Segundo ele, os levantamentos consideraram fatores como tempo de deslocamento, consumo de combustível, emissão de dióxido de carbono (CO₂) e custos de transporte. “Uma infraestrutura mais eficiente pode reduzir gastos com transporte, ampliar a competitividade e melhorar o ambiente para investimentos”, afirmou Rocha.
Ele destacou ainda que o impacto ambiental esperado é considerado positivo, especialmente pela redução no consumo de combustível e, consequentemente, na emissão de gases poluentes. “A melhoria no fluxo também tende a diminuir situações de congestionamento prolongado e contribuir para mais segurança viária, reduzindo riscos de acidentes”, acrescentou.
De acordo com o presidente da Fieg, acompanhar esses indicadores faz parte da estratégia da entidade de defender projetos que favoreçam a indústria e o desenvolvimento econômico do Estado. “A Federação atua defendendo melhorias que reduzam gargalos no transporte, ampliem a competitividade da indústria e favoreçam o desenvolvimento econômico de Goiás”, disse.

Rocha também ressaltou a importância da obra para o escoamento da produção goiana. Segundo ele, Goiás depende majoritariamente do transporte rodoviário para movimentar mercadorias e exportações, mas enfrenta dificuldades causadas pelo alto fluxo de veículos na BR-153.
“Hoje, o fluxo elevado na BR-153 gera lentidão, aumenta custos e impacta a logística. O Anel Viário busca melhorar essa circulação, reduzindo tempo de percurso e facilitando o transporte de cargas”, afirmou. Para ele, uma logística mais eficiente pode trazer ganhos diretos para o setor produtivo.
“A indústria ganha competitividade, reduz custos operacionais e melhora a previsibilidade nas entregas”, declarou. O presidente da Fieg também afirmou que a expectativa é de aumento da segurança no tráfego, com redução de congestionamentos e diminuição dos riscos de acidentes ao longo da rodovia.
Questionado sobre eventual participação da Fieg na elaboração do projeto, André Rocha afirmou que a responsabilidade técnica cabe aos órgãos públicos envolvidos na obra, mas destacou que a entidade acompanha discussões ligadas à infraestrutura e logística.
Segundo ele, a Federação também monitora indicadores relacionados à mobilidade, segurança viária e atração de investimentos para Goiás. A expectativa agora é pela continuidade das etapas técnicas e pela definição do cronograma de execução da obra.

Codego
O presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Luiz Antônio Oliveira Rosa, afirmou ao Jornal Opção que o novo Anel Viário deve ter impacto direto na expansão industrial e logística de Goiás. Segundo ele, a obra é considerada estratégica para preparar o Estado para os efeitos da Reforma Tributária e aumentar a competitividade na atração de empresas.
Para o dirigente, o principal benefício do projeto é separar o fluxo de veículos pesados do trânsito urbano, reduzindo congestionamentos e facilitando tanto o transporte de cargas quanto o deslocamento de trabalhadores.
“O Anel Viário faz essa ligação que dá um respiro para as empresas receberem as suas cargas em tempo mais ágil. Quando misturamos fluxo de carga com o fluxo urbano, dificultamos o tráfego como um todo”, afirmou.
Luiz Antônio destacou ainda que a melhoria da infraestrutura logística se tornou prioridade para Goiás diante das mudanças previstas na Reforma Tributária, que devem reduzir gradualmente o peso dos incentivos fiscais como fator de atração empresarial.
“A nova dinâmica do Estado de Goiás está totalmente ligada à logística agora. Com a Reforma Tributária, nós temos que investir em infraestrutura. Isso significa investir em anéis viários, condomínios logísticos e melhorias em distritos agroindustriais”, disse.
Segundo ele, obras desse tipo aumentam o interesse de empresas em se instalar no Estado. “Se a gente tem uma ótima localização, que é um fator de privilégio para Goiás, nós precisamos estar preparados para isso. Esse ponto é totalmente estratégico”, declarou.
O presidente da Codego afirmou que os efeitos do novo Anel Viário não devem se limitar a Goiânia, alcançando também municípios industriais da região metropolitana, como Aparecida e Senador Canedo, além de Anápolis.

Luiz Antônio afirmou que a logística se tornou o principal desafio para a expansão industrial goiana. “O nosso maior desafio hoje é justamente o investimento em infraestrutura”, pontuou. Durante a entrevista, o presidente da Codego revelou que a companhia trabalha em um novo modelo de planejamento urbano voltado à criação de moradias próximas aos distritos industriais.
Segundo ele, a proposta busca reduzir deslocamentos longos entre residência e trabalho, inspirada no conceito de “cidade de 15 minutos”, defendido pelo urbanista dinamarquês Jan Gehl. “Nós estamos desenhando com os prefeitos regiões para criar habitação de interesse social próxima aos distritos. Precisamos facilitar para que as pessoas morem mais próximas do trabalho”, afirmou.
O dirigente destacou que o Anel Viário também pode estimular a expansão urbana organizada nas áreas próximas ao traçado da obra. “Quando você faz essa interligação do Anel Viário, você está facilitando vir a habitação também, não é só a indústria”, disse.
Questionado sobre a preocupação de comerciantes instalados às margens da BR-153, como postos de combustíveis e restaurantes, que temem perda de movimento após a construção do anel viário, Luiz Antônio minimizou os impactos negativos.
Segundo ele, a tendência é de crescimento contínuo do fluxo de veículos na região, ainda que parte do tráfego pesado seja redistribuído. “Não vai ter prejuízo. O fluxo vai continuar aumentando porque a economia cresce e o número de veículos também aumenta. O que acontece é que o trânsito deixa de ficar super sobrecarregado”, afirmou.
Ele comparou a situação ao Anel Viário de Anápolis, que, segundo ele, ainda convive com o fluxo tradicional nas vias urbanas. “O fluxo antigo não desaparece. Nem todo mundo usa imediatamente o Anel Viário. As pessoas vão aderindo aos poucos”, explicou.
Ao final da entrevista, o presidente da Codego afirmou que o principal impacto econômico esperado com a obra é fortalecer a imagem de Goiás como um Estado preparado para receber investimentos.
“O Estado está sinalizando aos empresários que aqui já estão e aos que virão que existe preocupação com melhoria da infraestrutura. Quem quer investir busca facilidade de transporte, e isso é muito bom para Goiás”, concluiu.

Fecomércio avalia que novo Anel Viário vai refletir em cidades vizinhas
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, afirmou ao Jornal Opção que o novo Anel Viário deve gerar impactos diretos na mobilidade urbana, no comércio e na atração de investimentos logísticos para Goiás.
Segundo ele, a obra é aguardada há mais de duas décadas e representa uma das principais intervenções de infraestrutura previstas para a região. Baiocchi destacou que o projeto pretende retirar o fluxo de caminhões e veículos pesados do trecho urbano da BR-153, especialmente entre Hidrolândia e Teresópolis de Goiás, reduzindo congestionamentos e melhorando a circulação dentro da capital.
O Anel Viário vai trazer benefícios não só para o comércio, mas para toda a cidade, principalmente para os municípios cortados pela BR-153. Esse trecho entre Hidrolândia e Teresópolis praticamente virou uma avenida urbana. Quando você tira o trânsito pesado da área urbana, toda a cidade ganha, afirmou.
De acordo com o presidente da Fecomércio, a melhoria da mobilidade deve favorecer diretamente o setor comercial, ao facilitar o deslocamento de consumidores e trabalhadores. “O comércio ganha porque haverá mais facilidade de trânsito e mais oportunidades para os clientes chegarem aos estabelecimentos. Sem dúvida, o comércio será beneficiado diretamente com uma mobilidade melhor”, disse.
Marcelo Baiocchi também ressaltou que o projeto do Anel Viário passou por reformulações ao longo dos anos. Segundo ele, dois projetos anteriores acabaram perdendo a validade antes de saírem do papel.
“Essa é uma obra esperada pelos goianienses há mais de 20 anos. Dois projetos chegaram a caducar. Agora, o novo traçado foi ampliado em arco, mas ficou até mais curto. Pelo benefício que traz, proporcionalmente não é uma obra tão cara e é uma das mais importantes para a infraestrutura da Região Metropolitana de Goiânia”, afirmou.

O dirigente da Fecomércio avalia que os congestionamentos na BR-153 afetam diretamente a atividade econômica da capital, sobretudo nos horários de pico. “Tem trecho que poderia ser feito em 15 minutos e leva horas. Isso impacta diretamente a economia de Goiânia porque muitas pessoas evitam passar pela região em determinados horários e acabam deixando de frequentar centros de consumo e empreendimentos instalados ali”, declarou.
Segundo Baiocchi, a retirada do fluxo pesado da rodovia deve melhorar significativamente a circulação de veículos urbanos. “O Anel Viário vai tirar praticamente todo o trânsito pesado desse trecho. Com isso, vai circular ali basicamente quem está dentro do perímetro urbano de Goiânia e cidades vizinhas. A mobilidade vai melhorar significativamente”, afirmou.
Além dos efeitos sobre o trânsito, o presidente da Fecomércio acredita que a obra deve fortalecer Goiás como polo logístico nacional. Ele citou a presença do Porto Seco de Anápolis, da Ferrovia Norte-Sul e da malha rodoviária como fatores estratégicos para atração de centros de distribuição.
“Nós temos rodovias que cruzam o Brasil de norte a sul e de leste a oeste, além da Ferrovia Norte-Sul e do aeroporto internacional. A logística acompanha os centros de consumo e os modais de transporte”, disse. Para Baiocchi, o novo corredor viário deve ampliar o interesse de operadores logísticos e investidores imobiliários pela Região Metropolitana de Goiânia.
“Esse projeto atrai investimentos de centros de distribuição porque é uma ligação importante entre Sul, Sudeste, Norte e Nordeste do país. Goiânia já é muito procurada por operadores logísticos e o Anel Viário será uma área de grande valorização econômica”, afirmou.
O presidente da Fecomércio também defendeu que a redução do tempo de deslocamento para caminhões poderá diminuir custos do transporte rodoviário e refletir no preço final das mercadorias.
“O frete pesa muito no custo dos produtos. Quando um trecho que poderia ser feito em minutos leva horas, isso encarece a operação. Com a redução do custo logístico, o impacto tende a chegar diretamente ao consumidor”, concluiu.

Acieg destaca atração de investimentos para o Estado com a obra
O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Rubens Fileti, afirmou ao Jornal Opção que o novo Anel Viário é uma obra estratégica para o desenvolvimento econômico de Goiás e deve gerar impactos positivos para o comércio, a logística e a atração de investimentos para o Estado.
Para o presidente da Acieg, o trânsito intenso de caminhões na BR-153 dentro do perímetro urbano de Goiânia prejudica diretamente a atividade econômica da capital. “Esse trânsito acaba afastando o comércio em geral. Quando a gente tem um trânsito muito pesado nesse perímetro urbano, isso gera muito atraso de entrega, aumenta muito o custo operacional e reduz a eficiência das cadeias de abastecimento”, afirmou.
De acordo com ele, os impactos vão além da região cortada pela rodovia e atingem toda a cidade. “Isso acaba onerando as mercadorias não só para a região adjacente, mas para Goiânia inteira”, disse. Fileti destacou ainda que a retirada do fluxo de caminhões das áreas urbanas pode reduzir custos logísticos e até refletir no preço final pago pelo consumidor.
“Quando temos redução de tempo de deslocamento, consumo de combustível, desgaste de frota e custo com frete, toda a cadeia logística ganha com isso. Cria condições favoráveis para chegar na ponta, que é o consumidor final”, explicou.
Na avaliação do dirigente empresarial, o tráfego pesado já afeta significativamente a mobilidade e a dinâmica econômica de Goiânia. “Hoje Goiânia já tem um fluxo intenso de veículos pesados nesses corredores urbanos estratégicos. Vemos constantemente congestionamentos quilométricos. Se acontece alguma coisa, a cidade trava”, afirmou.
Ele citou ainda os horários de pico como um dos principais gargalos urbanos da capital. “No início da manhã e no final do dia isso acaba virando um transtorno muito grande para todo mundo”, disse. Apesar de o projeto do Anel Viário ser voltado principalmente ao transporte de cargas, Fileti acredita que a obra também deve melhorar o trânsito urbano para os demais motoristas.
“O Anel viário deve contribuir muito para a melhoria da fluidez do trânsito até da própria cidade, pois vamos conseguir retirar grande parte do tráfego de caminhões das áreas urbanas”, afirmou. Segundo ele, Goiânia segue uma tendência observada em grandes centros urbanos internacionais.
“Se a gente for para outras grandes cidades do mundo, você percebe que existem várias vias compondo esse fluxo urbano. Acho que Goiânia está indo no caminho super correto fazendo isso”, avaliou. Rubens Fileti afirmou que o setor produtivo considera o Anel Viário uma das principais obras de infraestrutura para o futuro do Estado.
“O setor produtivo enxerga isso como uma obra estratégica para o futuro de Goiânia e de Goiás também. Essa é uma demanda de muitos anos que o fórum empresarial e as entidades de classe vêm solicitando”, declarou. O presidente da Acieg também acredita que o projeto pode fortalecer ainda mais Goiânia como polo logístico nacional, especialmente diante da chegada de grandes centros de distribuição à Região Metropolitana.

Ele citou empresas como Shopee e Mercado Livre, que já possuem operações logísticas na região. “A capacidade de atrair mais investimentos para Goiás vai ser infinita. Com os problemas de trânsito que já temos, as grandes empresas continuam vindo. Se essa obra se concretizar, isso pode ser um fator muito importante para atrair novos empreendimentos”, afirmou.
Segundo Fileti, novas companhias do setor logístico já avaliam investimentos em Goiás e observam diretamente a infraestrutura viária da região. “As empresas fazem impacto de trânsito, então isso é muito importante que aconteça”, pontuou.
Questionado sobre o receio de comerciantes instalados às margens da BR-153, como postos de combustíveis, borracharias e restaurantes voltados ao público caminhoneiro, Fileti afirmou acreditar que o Anel Viário deve gerar valorização econômica das regiões próximas ao traçado.
“Nós temos um feedback muito forte de que essas obras impulsionam ainda mais o desenvolvimento econômico das regiões”, disse. Segundo ele, embora alguns negócios sejam hoje fortemente dependentes do fluxo de caminhões, a melhoria urbana pode abrir novas oportunidades comerciais.
“Pode ser que hoje esteja focado só nos caminhoneiros, mas vão surgir novas oportunidades que talvez eles ainda não estejam enxergando, porque outro tipo de cliente não chega por causa do trânsito”, afirmou. O presidente da Acieg também prevê expansão imobiliária nas áreas beneficiadas pela obra.
“A expansão imobiliária nessas regiões vai fazer uma valorização muito grande dos empreendimentos. Vai favorecer demais a valorização econômica dessas áreas”, declarou. Ao defender a importância do projeto, Fileti afirmou que logística é um dos pilares fundamentais para o crescimento econômico sustentável.
“Tudo aquilo que tem muito sucesso começa pelos pilares, principalmente energia e logística. A logística é um dos grandes pilares”, afirmou. Para ele, o Anel Viário representa um passo decisivo para consolidar o desenvolvimento econômico goiano.
“Não existe desenvolvimento sustentável sem infraestrutura eficiente. Esse é um grande passo para que a gente possa ter um Estado, uma cidade e setores cada vez mais pujantes dentro da nossa região”, concluiu.

Goiás melhora estradas e consolida Ferrovia Norte-Sul
A infraestrutura de transporte em Goiás apresentou avanços importantes em 2025, principalmente na qualidade das rodovias e na expansão da Ferrovia Norte-Sul, mas ainda enfrenta gargalos estruturais que afetam a competitividade da indústria e do agronegócio.
É o que aponta o Relatório de Infraestrutura de Goiás – Transporte 2026, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra). O estudo avalia os modais rodoviário, ferroviário, hidroviário e aeroportuário e conclui que Goiás vive um momento de “consolidação logística”, embora ainda dependa fortemente do transporte rodoviário.
Na malha rodoviária, a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostrou melhora significativa na qualidade das estradas avaliadas. O total de trechos classificados como “ótimo” ou “bom” no estado geral das vias cresceu 68% entre 2024 e 2025, passando de 2.140 quilômetros para 3.592 quilômetros.
A sinalização foi o item com maior avanço. Segundo o relatório, os trechos considerados “ótimos” ou “bons” praticamente triplicaram, alcançando 5.405 quilômetros em 2025. Apesar da melhora, a Fieg alerta que parte relevante da malha ainda apresenta problemas estruturais.
Mais da metade das rodovias avaliadas possui limitações geométricas, como pistas estreitas e traçados inadequados, o que compromete a segurança e a capacidade de escoamento da produção. O relatório afirma que os desafios logísticos continuam impactando diretamente o custo do transporte de cargas e a competitividade da indústria goiana.
Entre as prioridades apontadas estão investimentos permanentes em manutenção, modernização e ampliação de corredores estratégicos, especialmente nas regiões de Anápolis, Rio Verde e nos eixos ligados às BRs-153 e 060. No modal ferroviário, a Ferrovia Norte-Sul aparece como o principal destaque positivo do levantamento.

Em 2025, o trecho central da ferrovia movimentou 8,712 milhões de toneladas em Goiás, volume 20,4% maior que o registrado em 2024 e quase 160% acima do registrado no início das operações, em 2021. Segundo a Fieg, a ferrovia deixou de ser apenas uma alternativa logística e passou a representar um “ativo principal de viabilidade econômica e ambiental” para a indústria e o agronegócio.
O crescimento da Norte-Sul tem sido impulsionado principalmente pelo transporte de fertilizantes, combustíveis, farelo de soja, grãos e contêineres. O relatório também destaca que o aumento do transporte ferroviário ajuda a reduzir o fluxo de caminhões nas rodovias, diminuindo custos de manutenção e acidentes.
Em contrapartida, a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) continua perdendo participação. A movimentação caiu para 1,442 milhão de toneladas em 2025, volume 3% inferior ao registrado no ano anterior. A entidade atribui a retração à falta de investimentos e à indefinição sobre a renovação da concessão ferroviária junto ao governo federal e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O transporte hidroviário também aparece no relatório como um modal subutilizado em Goiás. Embora o Porto de São Simão tenha potencial estratégico para o escoamento de grãos pela Hidrovia Paranaíba–Paraná–Tietê, a movimentação segue abaixo do pico histórico registrado em 2013.
A Fieg aponta que problemas ligados à estiagem, falta de dragagem e dependência da gestão dos reservatórios hidrelétricos prejudicam a navegabilidade e limitam o crescimento do setor. O estudo ainda chama atenção para a concentração das operações em um único grande operador logístico, o que aumenta a vulnerabilidade econômica da hidrovia.
No setor aeroportuário, o levantamento mostra crescimento consistente da movimentação de passageiros em Goiás. Em 2025, o estado registrou 3,857 milhões de passageiros, alta de 11,4% sobre 2024 e o melhor resultado da série histórica.
A Fieg afirma que o fortalecimento da malha aérea beneficia diretamente setores industriais de maior valor agregado, especialmente o polo farmacêutico de Anápolis, ao facilitar a circulação de executivos, técnicos e cargas de alta complexidade.
Já o transporte aéreo de cargas apresentou retração em 2025, após anos de crescimento. Segundo o relatório, a queda pode estar ligada à desaceleração econômica e à maior utilização dos modais rodoviário e ferroviário, considerados mais competitivos para determinados tipos de carga.

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