Um homem de 50 anos foi preso pela Polícia Civil de Goiás nesta quarta-feira, 21, suspeito de provocar um incêndio criminoso em uma revenda de veículos seminovos no Setor Aeroporto, em Goiânia. Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por vingança após uma desavença comercial envolvendo a transferência de um veículo.

A prisão ocorreu durante a Operação Rastro Inflamável, deflagrada pela 1ª Delegacia Distrital de Polícia (1ª DRP). Além do mandado de prisão preventiva, os policiais cumpriram buscas na residência e na empresa do investigado.

De acordo com o delegado Fernando Alves Barbosa Martins, responsável pelo caso, imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para identificar o suspeito. Os vídeos mostram toda a movimentação do homem antes do incêndio, incluindo o momento em que ele compra gasolina em um posto de combustíveis próximo ao local.

“Nós conseguimos identificar a placa do veículo nas câmeras das imediações e traçar todo o percurso feito pelo autor antes de chegar na garagem. Ele comprou cerca de quatro litros e meio de gasolina em um posto próximo, utilizando cartão de débito, colocou o combustível em um galão branco e seguiu para o local”, explicou o delegado ao Jornal Opção.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito utilizou um Fiat Idea branco durante a ação criminosa. O veículo foi apreendido durante a operação, assim como o cartão utilizado na compra do combustível.

O incêndio aconteceu na madrugada do dia 12 de abril e destruiu completamente um carro da revenda. Ainda conforme a investigação, o fogo colocou em risco imóveis vizinhos e moradores da região, já que nos fundos da garagem existe um condomínio residencial com central de gás próxima ao local atingido.

“A perícia apontou que havia risco real de propagação do incêndio. Poderia ter ocorrido uma tragédia ainda maior”, afirmou Fernando Alves.

As investigações apontaram que o suspeito havia adquirido o Fiat Idea branco junto ao proprietário da garagem, mas ficou insatisfeito porque a transferência do veículo para seu nome não foi concluída. Segundo o delegado, após a morte do pai do investigado, a situação do carro teria se tornado mais complexa, o que gerou atritos entre as partes.

“O próprio autor disse em depoimento que agiu por vingança. Houve premeditação. Ele planejou a ação após não aceitar a negativa do comerciante em resolver a situação da documentação”, disse.

Ainda segundo a polícia, o suspeito não possui antecedentes criminais relevantes, tendo apenas um registro anterior relacionado a medida protetiva envolvendo a ex-companheira. Ele responderá por incêndio doloso, crime cuja pena pode ser aumentada devido ao risco causado à vizinhança e às demais pessoas que estavam próximas ao local do incêndio.

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