Uma nova Comissão Especial de Inquérito (CEI) pode ser formada na Câmara Municipal de Goiânia para investigar denúncias de irregularidades e preços abusivos praticados por postos de combustíveis da capital. Batizada de CEI dos Combustíveis, a proposta foi cadastrada nesta quarta-feira, 20, no sistema interno do Legislativo — o Sistema Unificado de Administração Pública (Suap) — pelo vereador Ronilson Reis (SD), sob o número 185044. O documento, no entanto, ainda aparece como “rascunho” e aguarda apresentação formal. Para ser instaurada, a comissão precisa reunir assinaturas de pelo menos 14 parlamentares.

Ao Jornal Opção, Reis afirmou que o requerimento foi lançado inicialmente como um “questionamento” sobre o interesse dos vereadores em apurar as denúncias, mas que ainda não foi apresentado e não possui assinaturas. A reportagem ouviu 14 parlamentares sobre a proposta. Desse total, cinco se disseram favoráveis à investigação, embora tenham afirmado que ainda pretendem se aprofundar no conteúdo antes de assinar o requerimento. Outros cinco disseram que irão analisar o texto antes de se posicionar. Quatro vereadores afirmaram que não apoiam a criação da CEI.

Entre os parlamentares ouvidos, há o entendimento de que a comissão precisaria estar bem fundamentada para evitar o risco de não produzir resultados concretos.

Veja a posição dos vereadores ouvidos:

Coronel Urzeda (PL) afirmou que irá se debruçar sobre o tema e que só assinaria o requerimento caso a proposta tenha como objetivo “melhorar a vida da população”.

Fabrício Rosa (PT) disse que irá analisar o texto e consultar a bancada do PT, mas afirmou ser favorável a uma investigação aprofundada.

Willian do Armazém (PRTB) declarou apoio à proposta. Segundo ele, os preços cobrados em Goiânia justificam a apuração. “Também sou comerciante e quero o menor preço para a população”, afirmou.

Professora Ludmylla (PT) também defendeu a investigação e disse que os valores praticados em Goiânia destoam dos preços encontrados em cidades da Região Metropolitana. “Várias cidades em volta de Goiânia estão com preços menores, como Trindade e Senador Canedo. Como pode? Temos que bater de frente nisso”, disse.

Sanches da Federal (PP) afirmou que pode apoiar a proposta, desde que o requerimento esteja bem fundamentado. “As CEIs são temas complexos e têm de estar da forma correta para funcionar devidamente”, declarou.

Daniela da Gilka (PRTB) disse que ainda não tem posição definida e que irá acionar sua assessoria jurídica para avaliar o andamento da matéria.

Luan Alves (MDB) afirmou que precisa se inteirar melhor do tema, mas ponderou que “toda investigação parlamentar é plausível”.

Denício Trindade (UB) se posicionou contra a abertura da comissão. Para ele, o momento eleitoral não é adequado para a apresentação do requerimento. O vereador também afirmou que os Procons municipal e estadual já possuem competência para fiscalizar o setor. “Não é o momento disso agora. Vivemos em meio a uma crise econômica global e somos passíveis disso”, disse.

Wellington Bessa (DC) afirmou que não apoia a criação de CEIs. “Nunca assinei meu nome em uma CEI”, declarou.

Kátia Maria (PT) disse que ainda não tem opinião formada e que irá analisar o teor do requerimento.

Willian Veloso (PL) afirmou que não irá se posicionar antes de analisar o texto.

Thialu Guiotti (Avante) disse que não irá opinar enquanto a comissão não for formalmente apresentada.

Oseias Varão (PL) afirmou que ainda não tem posição formada e que irá verificar o texto antes de se manifestar.

Rose Cruvinel (UB) disse que vai estudar a proposta, mas de antemão não apoia a criação de CEIs.

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