Entre panelas, fornos a lenha e filas constantes no estande mais disputado do festival, um nome acabou se destacando na 2ª edição do Goiás Gastronomia: o do chef mineiro Gil Guimarães. À frente da Baco Pizzaria e da Casa Baco, o chef foi apontado pela organização como o participante mais procurado e elogiado do evento realizado em Goiânia neste mês de maio.

Com quase três décadas dedicadas à gastronomia, Gil construiu uma trajetória rara no cenário brasileiro: foi pioneiro na pizza napolitana no país, tornou sua pizzaria uma das mais premiadas de Brasília e transformou ingredientes do Cerrado em assinatura culinária.

“A gente já ganhou 25 vezes o prêmio da melhor pizza de Brasília”, afirma o chef em entrevista ao Jornal Opção. “Também já fomos eleitos duas vezes a melhor pizza do Brasil pela revista Prazeres da Mesa.”

A história da Baco começou há 27 anos, depois de uma temporada de estudos na França. Formado em panificação e vinho, Gil voltou ao Brasil decidido a construir algo diferente. “Eu estudava padaria e vinho na França. Quando eu volto, abro a Baco”, relembra.

O que veio depois ajudou a moldar o novo mercado de pizzarias artesanais no país. A Baco se tornou a primeira pizzaria brasileira certificada pela Associação da Vera Pizza Napolitana, entidade internacional que reconhece estabelecimentos que seguem rigorosamente a tradição de Nápoles.

Pizza produzida na Baco Pizzaria | Foto: Redes Sociais

“A gente faz pizza napolitana. Faz a pizza como se faz em Nápoles”, explica. “Todas essas pizzarias que vêm agora fazendo fermentação longa vieram depois da Baco. Não estou falando que fizeram por causa da gente, mas a gente começou antes.”

No Goiás Gastronomia, o público pareceu entender rapidamente a diferença. Segundo o chef, o segredo está na soma entre técnica, produto e obsessão pelos detalhes. “Acho que é a técnica bem-feita, experimentação, produtos muito bons, muito bem escolhidos, forno muito quente”, resume.

Mas limitar Gil Guimarães à pizza talvez seja simplificar demais sua cozinha. Nos últimos anos, o chef ampliou o trabalho autoral através da Casa Baco, restaurante que mistura fogo, brasa e ingredientes brasileiros com forte influência do Cerrado, da Amazônia e das cozinhas regionais.

“A Casa Baco é a casa onde a gente faz comida no forno a lenha, na parrilla, no fogão a lenha. Tudo na lenha, tudo na brasa”, conta. “A gente trabalha muito com produtos dos pequenos produtores, produtos do Cerrado, produtos da Amazônia.”

A conexão com Goiás, aliás, não parece passageira. Durante a entrevista, Gil admitiu que existe interesse em expandir para Goiânia após a repercussão no festival.

“Se quiser levar a Baco para Goiânia, eu abro com você aí”, brincou. Ele fez a proposta ao chef goiano Ian Baiocchi.

Entre os sabores mais pedidos da casa estão clássicos como marguerita e burrata, mas também receitas autorais inspiradas na culinária regional, como a pizza Cerratense — uma síntese do trabalho que transformou Gil Guimarães em um dos chefs mais respeitados do Centro-Oeste.

No fim das contas, talvez o destaque no Goiás Gastronomia tenha vindo justamente disso: enquanto muitos chefs ainda buscam identidade, Gil parece ter encontrado a dele há muito tempo — e ela passa inevitavelmente pela lenha, pelo Cerrado e pela ideia de que tradição e inovação podem dividir a mesma mesa.

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