Novo anel viário da BR-153 gera temor entre comerciantes; entenda por quê
20 maio 2026 às 16h29

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A licitação das obras do anel viário que pretende retirar o tráfego de caminhões e ônibus da BR-153, no perímetro urbano de Goiânia e Aparecida de Goiânia, deve ser lançada ainda neste mês, segundo informações divulgadas pelo governo federal e por integrantes da bancada goiana. O projeto, considerado estratégico para reduzir acidentes e congestionamentos na região metropolitana, também gera preocupação entre comerciantes instalados às margens da rodovia, que temem queda no faturamento e até o fechamento de estabelecimentos.
O anel viário pretende desviar o fluxo de veículos pesados do trecho urbano da BR-153, transferindo a circulação de caminhões e ônibus para uma nova rota fora da área central da capital e de Aparecida de Goiânia. A expectativa das autoridades é melhorar a mobilidade, reduzir o número de acidentes e diminuir os congestionamentos diários enfrentados por motoristas.
Para quem depende economicamente do movimento da rodovia, porém, o cenário é de incerteza.
Martins de Oliveira, que trabalha em um restaurante localizado em um posto às margens da BR-153, afirma que cerca de 70% do faturamento do estabelecimento vem justamente de caminhoneiros e passageiros de ônibus.
“Tem muitos caminhoneiros que encostam para abastecer, dormir e fazer alimentação. Também tem embarque e desembarque de passageiros. A maior parte do faturamento aqui vem desse pessoal que está viajando”, afirma.

Segundo ele, a retirada do tráfego pesado pode causar forte impacto financeiro no comércio local. “Vai ser praticamente um desastre. Esses 70% representam a parte lucrativa do restaurante. Tirando isso, nosso lucro vai ser totalmente desviado”, afirma.
Apesar da preocupação econômica, Martins reconhece que a mudança pode trazer benefícios para o trânsito da capital. “Por um lado, é bom, porque evita acidentes e engarrafamentos. Tem gente que fica duas ou três horas parada na BR. Mas tem comércio que vai fechar ou vai precisar mudar de lugar”, avalia.
Há mais de 20 anos trabalhando em uma borracharia às margens da rodovia, Delcimar Pereira também teme prejuízos. Segundo ele, cerca de 90% da clientela é formada por caminhoneiros.

“A maioria dos meus clientes são motoristas de caminhão. O caminhoneiro para aqui porque o pneu estoura, compra pneu e faz serviço. Querendo ou não, isso deve prejudicar cerca de 30% do movimento”, afirma.
Já o empresário Sérgio Machado Mendonça, proprietário da Casa da Embreagem, acredita que a retirada do fluxo pesado deve trazer ganhos importantes para a mobilidade urbana. “Vai ser excelente. Diminui o fluxo de veículos aqui na BR, reduz atropelamentos e engarrafamentos. Vai ser 100% positivo para Goiânia”, diz.
Segundo ele, acidentes são frequentes no trecho urbano da rodovia. “Todos os dias acontece acidente aqui na porta. Tem muito engavetamento e muito trânsito”, relata.

Mesmo reconhecendo que parte do comércio pode ser prejudicada, Sérgio entende que o projeto é necessário. “Reconheço que vai melhorar muito o trânsito e reduzir os acidentes. Por outro lado, prejudica a parte do comércio. Mas, futuramente, pode ser melhor para todo mundo”, pondera.
Morador da Vila Moraes, às margens da BR-153, Josemir Reinaldo dos Santos acompanha há mais de seis décadas o movimento intenso de caminhões e ônibus na região. Aos 80 anos, ele afirma que já ouviu inúmeras vezes promessas sobre a retirada do tráfego pesado do perímetro urbano de Goiânia e Aparecida de Goiânia, mas acredita que a mudança pode trazer benefícios para a segurança no trânsito.
“Eu acho bom. Isso é antigo, já ouvi falarem nisso há muitos anos. O importante é tirar essas carretas daqui, porque acontece muito acidente”, afirma.

JJosemir, que já teve uma mercearia na região, diz ter presenciado durante décadas os impactos do fluxo intenso de veículos na BR-153. “Acidente acontece demais. Carreta batendo em carro pequeno… isso acontece muito”, relata.
Apesar de reconhecer os possíveis impactos econômicos para os comerciantes locais, ele considera necessária a retirada do tráfego pesado da área urbana. “O projeto é bom. Hoje eu estou aposentado, mas quem trabalha no comércio vai sentir”, afirma.
O projeto do anel viário da Grande Goiânia vem sendo discutido há anos e ganhou novo impulso com a destinação de recursos da bancada federal goiana. A proposta prevê a criação de um novo corredor para veículos pesados, retirando o tráfego de longa distância da região urbana da BR-153 e melhorando a fluidez do trânsito na capital e em cidades vizinhas.
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