Ao Jornal Opção, a secretária de Educação, Giselle Pereira Campos, anunciou, nesta quarta-feira, 13, que a prefeitura entrou com recurso na Justiça contra o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), em razão da greve deflagrada pela categoria não ter apresentado um plano atendimento.

Ela afirmou que a manifestação causa “estranheza” à administração, já que reivindicações estariam sendo atendidas e medidas já foram encaminhadas para garantir melhorias salariais e estruturais.

Giselle explicou que a prefeitura está realizando um estudo de impacto financeiro sobre o plano de carreira dos servidores administrativos, que já prevê progressões salariais a cada dois anos. “Nenhum servidor da rede ganha menos que um salário mínimo. Quando isso acontece, a prefeitura complementa o salário desses servidores”, disso.

Segundo ela, o reajuste do piso do magistério foi protocolado na Câmara Municipal no dia 13 de abril, antes mesmo da greve, e o prefeito já havia anunciado em vídeo o pagamento do piso.

A secretária reforçou que o movimento de paralisação prejudica diretamente as famílias e as crianças. “Quem fica prejudicado por tudo isso são as crianças com relação ao aprendizado, as famílias, as mães que precisam trabalhar”, disse.

Ela acrescentou que a prefeitura tem investido na educação, convocado concursados e enviado projetos de reajuste, mas que o impacto financeiro do plano de carreira exige cautela. “Esse impacto projeta para muitos anos na frente e pode inviabilizar o limite prudencial de gastos”, alertou.

Um outro ponto foi a decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que determinou que 70% da rede deve estar funcionando durante a greve. Giselle criticou o sindicato por não ter apresentado o plano de atendimento exigido pela Justiça dentro do prazo inicial de 24 horas, solicitando dilação para 72 horas.

“Isso mostra uma total falta de planejamento por parte deles. Como as famílias vão se organizar? Nem a ata da assembleia que fizeram sexta-feira eles enviaram para a gente”, afirmou.

Ela informou que a prefeitura já entrou com recurso, mas aguarda o prazo determinado pelo desembargador Gustavo Ventura. Caso não haja cumprimento da decisão, a greve pode ser declarada ilegal. “São 120 mil crianças que precisam ser atendidas, e a prefeitura tem muita responsabilidade com relação a isso. Essas crianças se alimentam nas escolas; isso influencia até na segurança alimentar delas”, ressaltou.

Giselle reiterou sua estranheza diante da paralisação. “Me causa muita estranheza alguns líderes puxarem essa greve sem um motivo claro, já que as reivindicações estão sendo atendidas”, disse.

Ela também agradeceu às famílias que têm colaborado diante das dificuldades e manifestou solidariedade às que não estão sendo atendidas. “Tem servidores que querem voltar a trabalhar e não estão conseguindo porque não se cumprem os 70% que a Justiça mandou”, completou.

A secretária afirmou que a prefeitura seguirá estudando o impacto financeiro e chamará os servidores para novos encontros assim que houver posicionamento concreto.

“Nós já estamos estudando. Semana retrasada tivemos reunião para fazer o estudo desse planejamento financeiro. Não é simples, porque altera todo o plano de carreira deles. Mas vamos continuar e, assim que tivermos algum posicionamento, vamos chamar os servidores para conversar”, garantiu.

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