Presidente do Conselho de Ética da Alego diz que caso Amauri x Major Araújo não terminará “em pizza”; punição é algo concreto
19 maio 2026 às 18h54

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O presidente do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), deputado estadual Charles Bento (MDB), afirmou, nesta terça-feira, 19, que o colegiado irá discutir punições para os deputados Major Araújo (PL) e Amauri Ribeiro (PL) após os recentes embates ocorridos no plenário. Segundo ele, a cena registrada dentro da Casa ultrapassou os limites aceitáveis e exige uma resposta institucional.
Charles Bento explicou que, até pouco tempo, os conflitos haviam cessado. “Até então eu pensei que as coisas estavam pacíficas. Tanto é que vocês podem observar que até a própria deputada Bia, ela deu uma recuada. O próprio Amauri Ribeiro também. Aqueles embates calorosos que tinha aqui na Assembleia, eles tinham cessado. Só que apareceram novos problemas, novos debates e, agora, com o Amauri Ribeiro e o deputado Major Araújo”, disse.
Ele confirmou que já convocou uma reunião híbrida com os membros da comissão para avaliar medidas, nesta quarta-feira, 20. Ao ser questionado sobre a suposta omissão do Conselho em casos anteriores, o presidente negou. “Não, na verdade, ele não foi omisso. Nós passamos pelo período de recesso, voltamos só em fevereiro, e de lá para cá a gente tenta pela harmonia. Não aconteceu mais nenhum excesso. Tivemos diálogo com os deputados, pedimos que se atentassem a isso, e eles recuaram”, falou.
“Hoje você pode observar que tanto a deputada Bia quanto o deputado Amauri não tiveram mais nenhum embate. Infelizmente isso não aconteceu por parte de um deles, e agora nós vamos entrar em discussão no Conselho de Ética para decidir o que vamos fazer”, completou.
Sobre os processos anteriores, Charles Bento afirmou que eles devem avançar. “Eu acredito que sim. Eu acho que tem que dar andamento e dar um fim nisso. Que seja pela punição, ou que seja pela absolvição, ou que seja por uma advertência, mas ele vai andar”, disse.
O presidente explicou que as punições cabíveis serão definidas em conjunto com a comissão. “Tem que ver o regimento interno e, igual eu falei, nós vamos discutir primeiro junto à comissão. Eu acho que a punição não pode ser igual para todos, cada um excede um pouco mais. Por isso tem que ter essa discussão”, apontou.
Ele reforçou que a responsabilização é uma possibilidade concreta. “Vai, com certeza. Eu acredito que através de uma punição talvez possa amenizar, porque se ficar sem fazer nada, vai continuar e quem sabe pode ir até para as vias de fato, como já aconteceu aqui dentro. Talvez essas punições nós estaremos aí prestando um favor a eles mesmos, a conservação dos seus próprios mandatos. Porque se a gente não fizer isso, pode ser que, além das vias de fato aqui dentro, aconteça lá fora. Apesar de lá fora não ser responsabilidade nossa, se a gente puder evitar um mal maior, seja aqui dentro ou seja lá fora, eu acho que é importante”, disse.
Ao ser questionado se o debate eleitoral pode agravar os ânimos, o deputado respondeu que sim. “Com certeza. O debate tá chegando, o eleitoral. Apesar de eles estarem do mesmo lado, entre aspas, talvez seja mais ameno”, contou.
Charles Bento também rejeitou a ideia de que os processos terminem “em pizza”. “Graças a Deus, o Conselho de Ética nunca tinha sido acionado, foi a primeira vez. Eu não acredito que tenha terminado em pizza. Do momento que a gente consegue coibir que aquelas discussões sejam cessadas, o objetivo foi alcançado. Terminaria em pizza se continuasse travando um com o outro e não resolvesse nada. Então, eu não acredito que tenha terminado em pizza, não. E desse caso também não vai terminar. Talvez a gente possa comer uma pizza para comemorar o resultado depois, mas terminar em pizza jamais”, finalizou.
Major Araújo prepara representação
Em coletiva de imprensa, o deputado estadual Major Araújo detalhou que está preparando duas representações contra o colega Amauri Ribeiro. Segundo ele, o parlamentar tem histórico de agressões e teria levado um coronel armado ao plenário da Alego para intimidá-lo.
“Eu estou instruindo o pedido puxando a ‘capivara’ do deputado Amauri porque ele tem várias passagens por agressão. São várias pessoas que já foram agredidas, alguns processos na justiça, alguns foram filmados. Eu estou instruindo com tudo isso para mostrar que ele é agressivo e para respaldar mais ainda a nossa representação. E eu tô fazendo duas representações: uma pela tentativa de agressão aqui, que sempre ocorre quando ele perde o debate, e a segunda em razão do dia seguinte, quando ele trouxe para cá um coronel trajado de pistoleiro, armado, burlou a fiscalização toda da Assembleia, entrou pela garagem, estacionou na vaga de deputado e introduziu esse sujeito armado no plenário para intimidar”, afirmou.
Major Araújo relembrou que já foi punido pela Comissão de Ética em outro episódio. “Eu já vi a comissão de ética funcionar aqui uma vez comigo, eu fui punido. Foi no caso com o Talles Barreto, então eu levei uma censura verbal pública. Dessa vez funcionou. E de lá para cá, sinceramente, nunca mais funcionou. Teve episódio comigo e ele, num mandato passado, não funcionou, com a Bia não funcionou, com o Mauro Rubem não funcionou. Quando ele falou que dava um tiro, isso eu estou instruindo também no meu processo. Ele disse que a Lucíula do Recanto merecia um tiro na cara. Para mim foi uma ameaça clara. Eu espero que funcione agora”, disse.
O deputado defendeu que sua reação foi em legítima defesa. “Se entenderem que eu ameacei, tudo bem, podem fazer. Mas o que eu fiz foi reagir. Eu tenho limitação física, não vou brigar com um peão desse. Eu vou reagir da forma que eu posso, que eu tenho condições”, contou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de representação no Conselho de Ética do PL, Major Araújo disse que estuda o caso. “Aqui no plenário é problema do plenário. Lá, quem foi agredido e acusado foi o Wilder. Ele deveria fazê-lo. Eu vou estudar com meu advogado, até pensei em fazer uma representação lá também, mas não sei se posso fazê-lo em defesa de terceiro. Se houver possibilidade, nós vamos fazê-lo também”, explicou.
Sobre a acusação de ameaça de morte feita por Amauri Ribeiro, o deputado rebateu. “Ele falou que é ameaça de morte. Não, eu ameacei reagir. Nunca ameacei ninguém de morte. Eu não tenho histórico agressivo, nunca agredi ninguém em público. Quem tem essa prática aqui é o Amauri Ribeiro. Isso é notório, tanto no plenário como fora dele. Em Jussara, um cidadão não quis pegar na mão dele, levou um tapa. Em Piracanjuba, perante as câmeras, ele bateu em um cidadão que concorreu para prefeito. Essa prática tem que acabar”, disse.
Major Araújo afirmou que tomará providências jurídicas em várias instâncias. “Eu vou exigir da mesa, vou representar no Conselho de Ética, mas farei outras representações, especialmente com relação ao coronel, na corregedoria da PM, na própria justiça, queixa-crime contra familiares que me ameaçaram. Vou protocolar também junto ao delegado geral para que ele abra inquérito devido com relação aos fatos”, apontou.
Bia de Lima critica omissão
A deputada estadual Bia de Lima (PT), que também é autora de uma das ações que tramitam na Comissão de Ética contra Amauri Ribeiro, afirmou que a falta de punições anteriores contribuiu para o agravamento dos conflitos recentes na Alego.
“Já se vão quase três anos desse imbróglio todo e, efetivamente, punição alguma. E não venha me dizer que não tenha sido continuamente atacada, agredida, xingada, achincalhada aqui quase todos os dias. O que falta, às vezes, na Comissão de Ética é as pessoas ficarem mais presentes nas sessões e acompanhar o desenrolar e, principalmente, se colocar, quem sabe, na pele nossa aqui, do que é o enfrentamento e o xingamento cotidiano que a gente vem enfrentando”, disse.
Segundo a parlamentar, se medidas mais severas tivessem sido tomadas anteriormente, os episódios recentes poderiam ter sido evitados. “Eu disse ao presidente do Conselho de Ética que se tivesse provavelmente tomado uma medida mais severa, mais séria e punido o agressor, provavelmente não teríamos tido as últimas ações vexatórias que nós temos vivido aqui na Assembleia”, afirmou.
Ao ser questionada se acredita que os deputados envolvidos serão punidos desta vez, Bia de Lima respondeu que “é minha esperança”.
Presidente da Alego
O presidente da Alego, Bruno Peixoto (UB), afirmou que já encaminhou ao Conselho de Ética duas representações relacionadas à briga ocorrida no plenário da Casa. Segundo ele, a medida busca garantir punição aos envolvidos e evitar novos episódios de violência durante as sessões.
Peixoto destacou que conversou diretamente com o deputado Charles Bento, presidente do Conselho de Ética, e cobrou agilidade na análise dos casos. “Já assinei encaminhando para ele as duas representações e nós vamos trabalhar com muita energia para que haja punição e evitar excessos aqui no plenário. Não é admissível”, declarou.
O presidente ressaltou que, apesar da necessidade de punição, será assegurado o direito à ampla defesa dos parlamentares citados nas representações. “Já, evidentemente, existe o direito à ampla defesa daqueles que ora se sentirem ofendidos com a representação, mas nós vamos exigir por parte do Conselho de Ética, e estou cobrando, para que seja com muita celeridade”, completou.
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