As críticas à condução da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltaram a expor divergências dentro do bolsonarismo sobre quem deve comandar a estratégia eleitoral rumo às eleições de 2026. Após a viagem do senador aos Estados Unidos, aliados passaram a questionar publicamente a atuação da equipe responsável pela comunicação e, principalmente, do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha indicado por Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, integrantes do PL afirmam que Marinho passou a concentrar boa parte das decisões políticas e estratégicas da pré-campanha, o que gerou insatisfação em diferentes grupos ligados ao ex-presidente. Parlamentares e dirigentes do partido avaliam que existe um movimento para desgastar o coordenador e reduzir sua influência na estrutura eleitoral.

As críticas ganharam força nas redes sociais e passaram a envolver influenciadores e aliados históricos de Bolsonaro. Um dos principais ataques veio do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, que afirmou que “a campanha de Flávio não existe” e sugeriu uma reformulação completa da equipe.

Entre as mudanças propostas por Wajngarten estão a indicação de Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, para coordenar a campanha; do publicitário Duda Lima para a comunicação; de Walter Longo para o planejamento estratégico; e de Antônio Costa Neto, o Toninho, na criação das peças publicitárias. Ele também defendeu maior participação de representantes do agronegócio, dos segmentos evangélico e católico, da segurança pública, da saúde, da educação e do varejo nas decisões da campanha.

A proposta foi interpretada por integrantes do PL como uma tentativa de reduzir o protagonismo de Rogério Marinho e ampliar o espaço de outros grupos políticos na condução da candidatura. Apesar disso, interlocutores próximos a Flávio afirmam que não há intenção de promover mudanças na coordenação.

Marcello Lopes, por exemplo, deixou oficialmente a campanha após o desgaste provocado pelo caso envolvendo o financiamento do filme Dark Horse. Embora continue próximo de Flávio Bolsonaro, aliados dizem que não existe previsão de seu retorno ao núcleo formal da campanha. Já Duda Lima tem afirmado que não pretende integrar a equipe, enquanto Walter Longo e Toninho também já não fazem parte da estrutura.

Outro crítico da atual estratégia é o influenciador Paulo Figueiredo. Após a agenda internacional de Flávio Bolsonaro, ele afirmou que a viagem foi mal aproveitada pela equipe por falta de entrevistas, divulgação de imagens e uma coletiva de imprensa que ampliasse a repercussão política do senador.

Apesar das manifestações públicas, integrantes da coordenação negam qualquer crise interna. Reservadamente, afirmam que as críticas partem de pessoas que ficaram fora da campanha e agora tentam recuperar espaço por meio da pressão pública. Também rejeitam a tese de que o deputado Eduardo Bolsonaro participe de qualquer articulação contra Rogério Marinho.

Lideranças do PL também saíram em defesa do coordenador. O líder da bancada na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), classificou as críticas como injustas e destacou a dificuldade da missão atribuída a Marinho. No Senado, o líder do partido, Carlos Portinho (PL-RJ), elogiou a atuação do colega e afirmou que ele é uma das principais referências políticas da legenda.

Diante das divergências, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tem adotado um discurso de conciliação. Segundo ele, a prioridade da direita deve ser preservar a unidade interna para chegar fortalecida à disputa presidencial.

Embora haja cobranças por mudanças na estratégia, integrantes da campanha argumentam que a equipe vem obtendo resultados positivos, citando a melhora do desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto como um indicativo de que o planejamento será mantido.

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