A prisão do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), provocou um novo desgaste na articulação política em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Nos bastidores, dirigentes da federação PP-União Brasil avaliam que o episódio praticamente encerrou qualquer possibilidade de apoio ao senador na disputa eleitoral.

Canella, que é apontado como pré-candidato ao Senado pelo União Brasil no Rio de Janeiro e aliado de Flávio, foi preso na quarta-feira, 8, durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Segundo a PF, um fuzil foi encontrado no veículo do ex-prefeito durante a ação.

Integrantes da direção do União Brasil afirmam que a reação do PL após a prisão aumentou o desconforto entre as legendas. Um dos motivos é a percepção de que setores do partido de Flávio passaram a defender, nos bastidores, que Canella deixasse a disputa pelo Senado para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, abrindo espaço para um nome do PL na chapa majoritária.

Mesmo com a prisão, dirigentes do União sustentam que Canella ainda pode reverter a situação judicial e permanecer como candidato ao Senado. Por isso, interpretam as movimentações do PL como uma tentativa de enfraquecer a candidatura do aliado.

Outro ponto de insatisfação foi a ausência de manifestações públicas ou de gestos políticos de apoio por parte de Flávio Bolsonaro após a operação. Lideranças do União esperavam algum tipo de posicionamento em defesa do ex-prefeito, ainda que de forma reservada, mas afirmam que isso não ocorreu.

O episódio reforça o distanciamento entre a federação PP-União Brasil e o projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro. No PP, a relação já vinha desgastada desde que o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira, passou a ser investigado no caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Desde então, Ciro já vinha sinalizando que não pretendia apoiar a candidatura do senador do PL.

Com o novo impasse, a construção de uma aliança entre Flávio Bolsonaro e a federação PP-União Brasil fica ainda mais distante às vésperas das convenções partidárias.

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