Em entrevista ao Flow Podcast, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado, apresentou um plano de governo que tem como pilar central o resgate da soberania nacional. Para ele, o Brasil atual comporta-se como uma economia dependente e vulnerável, tanto no cenário diplomático quanto no controle do próprio território frente ao crime organizado.

Caiado criticou duramente a atual condução da política externa brasileira, que classificou como medíocre e ideologizada. Segundo o ex-governador, o Brasil perdeu a capacidade de ser um player internacional relevante. “Um presidente da República ele tem que ter o Itamaraty para negociar com todos. Eu não posso… vetá-lo porque ideologicamente eu não concordo”, afirmou.

Ele defendeu que o país precisa sair de uma posição de passividade nos embates comerciais: “Nós estamos preparado para um bom debate… não é simplesmente você ficar numa numa numa tese de provocação e de outro de ajoelhamento”. O objetivo, segundo Caiado, é deixar de ser apenas um exportador de matéria-prima. “Daí você continuou vendendo para o Brasil como a época de colônia é isso que você tá fazendo”, pontuou ao criticar a falta de investimentos em tecnologia.

A ameaça da “Mexicanização” e o modelo de Goiás

A soberania territorial também foi um ponto central. Caiado alertou que o crime organizado já infiltrou a economia de mercado e as instituições, o que ele chama de processo de “mexicanização”. “O Brasil não vai ser uma Venezuela, o Brasil vai ser o México porque o crime organizado já tomou conta da economia de mercado”, advertiu.

Para combater essa realidade, ele propõe medidas drásticas como a criação de uma força transnacional e a classificação de faccionados como terroristas. “Vou decretar um primeiro dia meu… terrorismo para todos faccionados”. Ele destacou que o sucesso em Goiás deve-se à postura firme: “Para enfrentar o crime você tem que ter pessoal e autoridade moral. Se você não tiver, você não corrige”.

Tecnologia e Educação como estratégias de Estado

O ex-governador apresentou a exploração de terras raras e a Inteligência Artificial como as “joias da coroa” para a soberania tecnológica. Em vez de exportar minerais brutos, ele propõe a transferência de tecnologia. “O acordo que eu fiz foi para que nós pudéssemos ter no estado a separação… transferência de tecnologia para nós para nós não ficarmos vendendo matéria bruta”.

Na educação, Caiado ligou o desempenho pedagógico à segurança pública. “Você tira o bandido que é o comandante do bairro, você eleva o nível da educação… e você vai tirando o jovem do crime e colocando ele no trabalho”. Goiás, atualmente em primeiro lugar no IDEB, serve como seu cartão de visitas para o plano nacional.

Crítica à polarização e à ética política

Ao abordar a economia, Caiado comparou o governo atual a uma “Dilma 2”, criticando o endividamento das famílias e as taxas de juros. Ele se posicionou contra privatizações cegas, defendendo que o Estado deve manter papel social em áreas como saneamento e crédito.

Por fim, Caiado defendeu que o Brasil precisa de um presidente com história e conduta ilibada, criticando o uso da presunção de inocência como escudo político. “O candidato a presidente não devia ter o direito de ter a presunção da inocência… tem coisa que não é ilegal, mas é imoral”. Para ele, a próxima eleição não pode ser pautada pelo ódio: “Não pode ser uma eleição de jogo de revanche”. “A soberania brasileira no meu governo não será atacada por nenhum país e nem pelos traficantes, nem pelos narcotraficantes e nem pelos corruptos”, concluiu.

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