Justiça concede liberdade a dentista investigada por causar deformações em pacientes em Goiânia
01 junho 2026 às 12h48

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A Justiça de Goiás concedeu, nesta segunda-feira, 1º, liberdade provisória à cirurgiã-dentista Valéria Martins Ribeiro, investigada por supostamente realizar procedimentos estéticos irregulares que teriam deixado pacientes com deformações faciais e sequelas permanentes.
Segundo a liminar, um dos fatores considerados para a concessão da soltura foi o fato de a profissional ser mãe de uma criança de apenas um ano de idade, que depende dos cuidados maternos.
Apesar da liberdade concedida, Valéria deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica durante o andamento das investigações e do processo criminal.
A decisão ocorre em meio ao avanço do inquérito conduzido pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), que apura denúncias de pacientes que alegam terem sofrido mutilações, deformidades e complicações graves após procedimentos realizados pela dentista em uma clínica localizada no Setor Bueno, em Goiânia.
Até o momento, mais de 20 pessoas já procuraram as autoridades para denunciar a profissional. Parte das supostas vítimas se organizou em um grupo de mensagens para compartilhar relatos, reunir documentos e acompanhar o andamento das investigações.
Segundo a Polícia Civil, as apurações começaram após denúncias de pacientes que relataram sequelas permanentes decorrentes de procedimentos estéticos realizados por Valéria. A investigação aponta que a dentista não possuía habilitação profissional para executar determinados procedimentos cirúrgicos e estéticos que estariam sendo ofertados em sua clínica.
Entre os procedimentos investigados estão intervenções como lipo de papada, rinoplastia, blefaroplastia, lifting de sobrancelhas, otoplastia e outras cirurgias faciais que, segundo a apuração, exigiriam especializações e habilitações específicas não registradas pela profissional.
Durante a operação que resultou na prisão preventiva da dentista, realizada no último dia 28 de maio, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, interditou a clínica com apoio da Vigilância Sanitária e determinou o sequestro de aproximadamente R$ 600 mil em bens.
Em depoimentos ao Jornal Opção, pacientes relataram sequelas permanentes, assimetrias faciais, traumas psicológicos e suposto abandono após os procedimentos. Algumas vítimas também afirmam terem sido intimidadas com ameaças de processos judiciais após publicarem avaliações negativas sobre os atendimentos.
Nas redes sociais, Valéria acumulava mais de 74 mil seguidores e se apresentava como “Nº 1 em Lipo de Papada”, alegando ter realizado milhares de procedimentos ao longo da carreira.
A defesa da dentista sustenta que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação e afirma que irá se manifestar de forma técnica após a análise completa da documentação do caso.
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