O que é amar e ter Obsessão?
30 junho 2026 às 08h42

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A vida é meio complicada. A grande maioria das vezes amar e ser amado é uma luta tão grande que sempre perdemos. Às vezes chegar em alguém e ser realmente sincero com o que sentimos é algo tão difícil, por medo, que acaba nos fazendo perder algo tão valioso na vida. Obsessão nos coloca isso na pele.
Bear (Urso) é alguém que já me enxerguei há alguns anos: um homem inseguro que tem medo de rejeição e, mas importante, faria o mais fácil para ser amado, ser aceito. Em um pedido ele viu a solução para seus problemas, mesmo de forma apressada e-ou impulsiva (não tem barra no meu teclado).
Lá, em seu pedido, ele decidiu acabar com a vida da pessoa que ele mais amava em prol de seu bem-estar. Bear escolheu a si mesmo, e não a quem ele ama.
A decisão, no entanto, foi necessária para colocar sua vida em um espiral de ciúmes, maluquices, obsessão (nome do filme) e problemas impossíveis de recuar. Ele viu sua vida pacata se tornar perfeita e, após um tempinho, se tornar insuportável. O pedido de Bear duraria apenas até sua morte.
Do outro lado vemos uma nova Nikki, não a que lá vivia, mas uma nova versão meio que possuída por um amor que não existia, um amor forçado, um amor que para sua nova versão parecia normal, mas que para a antiga pedia a morte constante, como se fosse o maior castigo. Em um ponto ela fala “eu nunca estive com você, você sempre esteve com ela”, ela tinha se tornado uma coadjuvante em sua própria vida e apenas a nova Nikki existia.
Curry Barker, a quem conheço de suas esquetes, assim como conhecia Jordan Peele, é um maníaco do cinema de terror moderno. Aqui ele coloca a realidade, o desejo, a paixão como algo quase perseguidor. Sempre com o mesmo mote: cuidado com o que você deseja.
Para quem está passando pelo que estou passando de forma mais recente, isso aqui me mostrou que nossos desejos, nossas vontades muitas vezes chegam ao outro de outra forma. Aqui prometi não dar spoilers, pois não gostaria disso na minha primeira vista desse filme (só que tudo apareceu no meu TikTok e Instagram nos últimos 30 dias), mas é necessário falar da genialidade de tudo.
A escrita de Obsessão é uma das mais bem feitas não só para o gênero, mas para o cinema nos últimos anos. Vemos a decadência de uma Nikki e, mais importante, de Bear, que sofre por viver com suas escolhas mas recusa aceitar que foram erradas.
O ego desse personagem nos faz odiar a mulher que ele escolheu amaldiçoar, mas às vezes perdoá-lo por sua escolha, como se ele fosse a vítima. Bear é aqui o verdadeiro vilão não só para o público, mas para si próprio. Ele escolheu colocá-la em um espiral de sofrimento e ele escolheu deixá-la viver isso por grande parte do filme e, no fim, não para salvá-la, mas para se salvar, ele escolheu por fim aquilo.
Agora, não sabemos o destino de Nikki. Não após tudo que ela fez por amar alguém que não merecia seu amor. Alguém que a escolheu para pôr em sofrimento eterno a troca de ego. A vítima, aqui, teve uma redenção pífia, mas suficiente para sabermos que seu algoz teve a punição máxima.
Obsessão não é sobre amor ou relacionamento, é sobre mostrar que nossas escolhas impactam a vida de quem nos amamos. Eu gostaria bastante de fazer aquele pedido hoje, mas entendo que, no fim, não valerá a pena pôr alguém em sofrimento eterno em troca do meu prazer.
Que venha a temporada de premiações.
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