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Aliado do PT, empresário Armando Monteiro Filho lidera em Pernambuco. Foto: Elza Fiuza/ Agência Brasil[/caption]
O levantamento do Ibope em Pernambuco é duplamente frustrante a Eduardo Campos (PSB), que entregou o governo do Estado há exatos quatros meses para entrar na corrida presidencial. Ele está atrás da reeleição da presidente Dilma e seu candidato a governador, Paulo Câmara, também socialista, caminha para a derrota no primeiro turno da eleição.
Como se fosse uma praga do pernambucano Lula pela deserção de Campos das antigas alianças com o PT, Dilma lidera a disputa no Estado com 41%. A seguir, o socialista ostenta 37 pontos. Aécio Neves (PSDB) figura na pesquisa com inexpressivos 6% de apoio.
Na corrida ao governo estadual, a liderança é de um aliado do PT, o empresário Armando Monteiro Filho (PTB), com 43% das preferências. Em segundo, Paulo Câmara (PSB) arrebata 11 pontos. Em terceiro, Zé Gomes (PSol), com 2%.
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Baldy, o candidato tucano na cidade[/caption]
Nesta semana, o PSDB inaugurará o comitê do candidato ao governo Marconi Perillo, na Praça das Mães, no Setor Central. A coordenação é do pastor Vitor Hugo de Queiroz. A inauguração faz parte da campanha da sigla em Anápolis, presidida por Valto Elias. Ele fala da ação com os partidos aliados para colocar a campanha nas ruas. “Não temos uma pesquisa, para informar cientificamente. Mas, com o cotidiano e as conversas que temos, observamos uma melhora substancial nas intenções de voto, por causa das políticas do governador Marconi na cidade”, diz Elias sobre a imagem do candidato. Ele afirma que por mais que haja uma boa avaliação da gestão de Antônio Gomide no município, também há reconhecimento das ações estaduais pela população.
Essa folha de trabalho será utilizada na campanha. “Nós temos que espalhar à população que fizemos. Como exemplos, as parcerias com a Prefeitura de Anápolis, o asfaltamento das ruas, investimento na saúde, pois as unidades que funcionam são as que recebem patrocínio do Estado como a Santa Casa, o Hospital Psiquiátrico, o Hospital de Urgências”, completa o presidente.
Na sexta-feira, 1° de agosto, o comitê do candidato a deputado federal Alexandre Baldy foi inaugurado. Marconi Perillo esteve no ato. Quando perguntado sobre o forte cabo eleitoral que é o governador tucano, Elias diz que Baldy não é o único. “Todas as candidaturas da base aliada são importantes para o projeto político de Marconi em Anápolis. É claro que Baldy é o candidato federal que representa Anápolis, mas temos muitos candidatos a deputado estadual, como José de Lima e Onaide Santillo, que darão consistência à campanha.”
O vereador Fernando Cunha é outro nome que contribuirá com o tucano. Segundo Elias, ele não se candidatou por não ter encontrado condições para colocar uma campanha nas ruas. O projeto à prefeitura em 2016 é assunto para o próximo ano.
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Garotinho tem 21% de apoio para voltar a governar o Rio de Janeiro. Foto: Renato Araújo[/caption]
A pesquisa do Ibope no Rio é simpática à reeleição da presidente Dilma no terceiro colégio eleitoral. Teoricamente, os quatro principais candidatos a governador fecham com a reeleição dela. Mas, certos mesmo, são os dois que lideram. Na ponta, Anthony Garotinho (PR) tem 21% de apoio para voltar a governar. Depois, Marcelo Crivella (PRB), com 16%.
A seguir, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) ostenta 15% de apoio para se reeleger. Em quarto lugar, Lindbergh Farias (PT) exibe 11% das preferências. Na realidade as bases peemedebistas estão rachadas pelo apoio de um grupo ao presidenciável Aécio Neves (PSDB), enquanto o próprio candidato petista reclama da falta de apoio de Dilma.
No Estado, o Ibope atribui a liderança presidencial a Dilma com 35%. Aécio recebe 15% das preferências de voto. Eduardo Campos (PSB) conquistou 5 pontos na pesquisa. É certa a realização do segundo turno de votação para governador, mas não é segura a previsão do nome que concorreria contra o favorito Garotinho.
Em 2009, a rede municipal de educação estava com déficit em salas de aulas e professores. Desde então, um trabalho sério foi ralizado. “A cidade não para de crescer. É um desafio muito grande e temos trabalhado bem e alcançado bons resultados”, diz a secretária de Educação, Virgínia Maria Pereira de Melo. “Montamos um planejamento e estamos reestruturando a rede física. São 92 unidades e outras serão construídas, além de reforma e ampliação.” A qualificação dos professores é outra ação. “Aqui o professor também é pago para fazer parte de grupos de estudo e, assim, se aperfeiçoar”, afirma Virgínia. O plano de cargos e salários foi aprovado e, assim, os professores recebem o piso. O uso de notebooks e espaços digitais foi uma conquista e continua em expansão. No cronograma constam três inaugurações de Centros Infantis.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, inaugurou com o prefeito João Gomes, o Centro de Artes e Esportes Unificados (Ceu) na terça-feira, 29, no Jardim Alvorada. Além de promover a cidadania em locais com alta vulnerabilidade social, políticas de prevenção à violência e inclusão digital são objetivos do centro. Os 3.000 m² construídos reúnem áreas esportivas, culturais e de lazer, além do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). “O Ceu tem equipamentos necessários para oferecer às crianças e jovens da região oportunidades de crescimento pessoal e profissional”, disse Gomes. A gestão do centro é compartilhada entre a prefeitura e a comunidade. O Ministério da Cultura (MinC) garante recursos para o funcionamento do espaço, através do edital Funarte de Ocupação dos Ceus das Artes.
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Petista Fernando Pimentel lidera a sucessão no Estado de Minas Gerais. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr[/caption]
No segundo maior colégio eleitoral, Minas, os números da pesquisa do Ibope oferecem ao PSB do presidenciável Eduardo Campos a oportunidade de ser decisivo, com a Rede da vice-presidenciável Marina Silva, no segundo turno para governador. Logo eles, Campos e Marina, que eram os menos pretensiosos quanto à eleição ao governo mineiro.
A dupla desejava não mais do que ter um palanque mineiro à disposição da chapa presidencial do PSB-Rede para marcar presença no Estado. Ocupar o território com candidato próprio, que poderia ser o ambientalista Apolo Heringer, como desejava Marina para colocar holofote sobre um militante da Rede, o partido que gorou no Tribunal Superior Eleitoral. No fim, ficaram com o ex-deputado Tarcísio Delgado.
Agora veio a pesquisa e colocou na liderança Fernando Pimentel (PT), velho amigo da presidente Dilma, com 25% da preferência dos eleitores. A seguir, o tucano Pimenta da Veiga, que representa o presidenciável e ex-governador Aécio Neves, como opção de 21% dos mineiros. Entre os dois favoritos, há um equilíbrio.
Aí, surgiu a incógnita Tarcísio Delgado (PSB). Abaixo deles, em terceiro, com 3% de apoio. Ele que entrou na disputa apenas para garantir o palanque, cedeu-se ao apelo de Campos e de seu próprio filho Júlio Delgado, deputado pelo PSB deles. Agora, todos eles podem decidir a eleição mineira em conjunto com a sucessão presidencial.
A incógnita está na tendência do PSB-Rede quanto aos dois segundos turnos, o de Minas e o presidencial. Campos fez história com o PT de Lula, de quem foi ministro da Ciência e Tecnologia. Depois se afastou do governo para ter vida própria com o PSB. Aproximou-se de Aécio Neves numa inclinação de ambos a aliança no segundo turno federal.
Veio Marina, levou a Rede, aliou-se a Campos e impôs a distância deles a Aécio. A inclinação anterior de Campos era apoiar o PSDB na disputa pelo governo de Minas. Mas Marina insistia na candidatura de Apolo Heringer, sem experiência eleitoral. Então se chegou a Tarcísio Delgado, deputado da antiga ala autêntica do MDB.
O movimento das contradições entre Campos e Marina sugere que, na negociação do segundo turno, eles podem assumir qualquer posição. Tanto apoiar Dilma ou Aécio quanto ter apoio do tucano se ele não chegar lá.
Na opção entre Pimentel e Pimenta, a decisão deve ser uma cláusula do acordo maior, o presidencial. Segundo o Ibope, Aécio tem 41% dos votos em Minas. Dilma, 31. Campos, 5 pontos.
Notícia satírica sobre overdose de maconha, que usou personagens de filmes no texto, foi reproduzida em portal do grupo antidrogas da Polícia Militar e “caiu na rede”. Não é a primeira vez no ano que instituições policiais sofrem com pegadinhas
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Tucano Geraldo Alckmim: pesquisas dão sua vitória no 1º turno em S. Paulo. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil[/caption]
A mais nova pesquisa do Ibope confirma que a reeleição de Dilma Rousseff ficará mais fácil se a presidente conseguir se colar ao mesmo tempo a dois candidatos ao governo paulista, Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT). Lula ficaria feliz com a possibilidade de levar um os dois governistas ao segundo turno contra a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin.
Há duas semanas, a pesquisa do Datafolha atribuiu a Alckmin a preferência de mais da metade dos eleitores paulistas, 54%. Agora, veio o Ibope e reduziu a opção pelo tucano à metade exata, 50 pontos. A cotação de Skaf também foi desvalorizada: desceu de 16% no Datafolha para 11 no Ibope. Padilha cresceu de 4% no Datafolha para 5 no Ibope.
Nas duas pesquisas, Alckmin seria reeleito em primeiro turno, mas o Ibope ofereceu, na hora certa, um estímulo ao PT-PMDB para trazer Skaf à companhia de Dilma. Se o peemedebista rebelde, em linha de queda ibopiana, se juntar ao PT, teria mais chance de um duelo em segundo turno contra o também decadente Alckmin — ou Padilha em ascensão.
O momento da recomposição entre candidatos teria de ser este, a dois meses do primeiro turno. Para os petistas, está passando da hora de Dilma conquistar Skaf para, pelo menos, reduzir a rejeição que recebe em São Paulo.
A diminuição viria com o apoio de eleitores e empresários que hoje estão com o peemedebista. Os amigos continuariam com Skaf apesar de Dilma ao lado do governadoriável? O Ibope atribuiu 30% dos votos no Estado a Dilma, 25 a Aécio e 6 pontos a Eduardo Campos (PSB).
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Guilherme Boulos, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino: guerra verborrágica em “debate” com argumentos que mais se assemelham a uma discussão de torcedor na arquibancada[/caption]
“Quando abro o jornal, sintonizo a rádio ou ligo a TV, quero que o jornalista me relate o que aconteceu de fato. Nada mais que isso. A partir do que eu ler, ouvir ou ver, formo minha própria opinião.” A frase vem de um amigo, professor, em uma conversa sobre a função da imprensa. Ele critica a batida expressão “formador de opinião”, muitas vezes atribuída a quem trabalha na imprensa.
Não dá para negar que jornalistas tenham acesso a um volume maior de informações que a média das pessoas sobre determinado assunto e, portanto, boa capacidade potencial de análise, o que não quer dizer que se torne uma fonte incontestável — por exemplo, para falar da minicrise diplomática entre Brasil e Israel será sempre melhor um PhD formado no Instituto Rio Branco que tenha uma comunicabilidade eficiente na mídia do que o melhor dos jornalistas. No melhor dos cenários, um jornalista é o que se convencionou chamar de especialista no genérico.
A expressão vale para a discussão de teorias políticas. Nesse sentido, um “debate” entre três colunistas de grandes veículos de comunicação da mídia nacional chamou a atenção na semana passada: Guilherme Boulos, professor, filósofo, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e colunista da “Folha de S. Paulo” contra Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, jornalistas e colunistas de “Veja”. Um embate claramente carregado de ideologias, mas de argumentos com a profundidade de um pires.
A baixa qualidade do “debate” foi captada pelo jornalista Rodrigo Hirose, que, em seu perfil no Facebook, comentou: “Guilherme Boulos (MTST e Folha) e Reinaldo Azevedo (dispensa apresentações) protagonizam em dois dos maiores veículos de comunicação um debate de altíssimo nível. Um diz que o outro baba e delira. Outro diz que um é ‘vigarista’ e ‘mau caráter’. Talvez essa seja mais uma pista pra entendermos os motivos da chamada ‘mídia tradicional’ ter cada vez menos leitores/telespectadores
/ouvintes.”
É bom ressaltar que Reinaldo, assim como Constantino — que entrou depois no debate acrescentando o adjetivo “pulha”, para qualificar Boulos — talvez sejam reconhecidos mais por causa da repercussão de seus blogs do que exatamente pelo que sai no papel do jornal. Em um dado momento, passaram a ter fãs. Ter fã é o mais grave dos alertas para qualquer jornalista. Mais sério do que isso, formou-se uma legião de seguidores em torno de suas figuras, o que é um sinal claro de que não restou lauda sobre lauda de jornalismo no que exprimem.
Como eles, há vários outros jornalistas nas redes sociais que também se orgulham de ter um lado. Ter lado é algo que nada tem de ilícito ou condenável. Orgulhar-se disso, entretanto, já deixa sob ressalvas tal profissional. E observar o que fazem na prática comprova que, mais do que “ter lado” e se “orgulhar”, muitos se mostram torcedores fanáticos daquilo que apoiam. Acreditaram, de fato, que devem ser, mais e mais, “formadores de opinião”.
E, assim como Reinaldo e Constantino cooperam para transformar a discussão política em Fla-Flus pelo time da direita, a esquerda também tem seus “artilheiros” nas redes sociais, como Paulo Henrique Amorim e Palmério Dória. Também eles “têm lado”. O que não se sabe — ou melhor, se sabe — é até que ponto isso converge para o bem do que se chama de jornalismo.
É preciso ressaltar que todo veículo tem, mais do que o direito, o dever de mostrar qual é sua linha editorial. Assim, nenhum leitor vai ver um editorial de “Veja” apoiando a estatização nem corre o risco de ver “Carta Capital” destacando os benefícios de incentivar o agronegócio. Mas fazer jornalismo posicionado é bem diferente de “torcer” por meio das informações de que dispõe.
De fato, a resolução dos problemas energéticos do Estado passa pela empresa. Mas é preciso ficar refém dessa questão? Especialistas respondem
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As discussões em torno do problema da energia, que começaram com a venda de Cachoeira Dourada, precisam de solução, não tão distante quanto se imagina[/caption]
Marcos Nunes Carreiro
A discussão da energia em nosso Estado passa, inevitavelmente, pela Companhia Energética de Goiás (Celg). Porém, é necessário haver alternativas, tanto de geração quanto de distribuição, para suprir a crescente demanda do Estado, sobretudo um que tem seu setor industrial em franco crescimento. Visando essa questão, o Jornal Opção ouviu especialistas goianos e de outros Estados para saber: quais são as possibilidades de solucionar o problema de energia em Goiás?
As possibilidades são muitas e, do ponto de visto técnico, todas viáveis. São as chamadas energias alternativas, isto é, aquelas que fogem à mais utilizada no Brasil: o sistema das hidrelétricas. Mas primeiro é necessário entender o sistema energético brasileiro. Há dois tipos de suprimento de energia no Brasil: um diz respeito à energia elétrica e o outro trata de combustíveis fósseis, com ênfase em petróleo e derivados e no gás natural.
Neste último caso, a estatal Petrobras é responsável por distribuir esses energéticos para todos os cantos do país. O exemplo mais usado para entender a questão é o das usinas termelétricas, que estão operando desde o final de 2012 e usam os derivados do petróleo como fonte de geração de energia. Caso da termelétrica de Campina Grande, no interior da Paraíba.
No que diz respeito à energia elétrica, o sistema brasileiro é interligado. Isto é, a rede de transmissão energética cobre quase a totalidade do território brasileiro, inclusive a região Norte, que era isolada, mas foi ligada ao sistema nos últimos anos. De fato, o Brasil é um dos poucos países que têm uma malha de transmissão que cobre um espaço territorial tão grande.
E isso só é possível porque o sistema brasileiro é predominantemente hidrelétrico.
A análise é do secretário nacional de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho. O secretário disse ao Jornal Opção que o sistema foi criado dessa forma, ainda nos anos 1950, justamente para aproveitar a diversidade hidrológica e distribuir a energia pelo país.
Ventura cita um exemplo: “Para esclarecer, pense que agora estamos com cheia no Rio Grande do Sul e com baixa no rio São Francisco, no Nordeste, e na bacia do rio Paraná, no Sudeste. Então, geramos no Sul e mandamos essa energia excedente para abastecer as regiões que precisam. E o inverso também ocorre em algumas épocas do ano.”
De acordo com ele, esse formato favorece o Brasil, pois, em comparação com outros países, consegue suprir — em um cenário cuja crise energética vivida pelo país está fora de questão — parte das demandas de todos os estados. “Os Estados Unidos, por exemplo, que têm um sistema predominantemente térmico, não podem produzir energia em Miami e mandar para Los Angeles. No sistema térmico, coloca-se a usina próximo ao local onde irá se utilizar da produção. É assim na Europa, no Japão e nos Estados Unidos”, diz.
Porém, o sistema energético brasileiro tradicional já não tem conseguido suprir todas as demandas, vide a crise que é falada periodicamente pela imprensa nacional. Assim, há a necessidade de criar novas hidrelétricas e de investir em outras fontes de energia.
Em relação a outras usinas hidráulicas, o secretário afirma que o país ainda possui potencial não aproveitado, em especial nos rios Madeira, Xingu e Tapajós, todos no Centro-Norte brasileiro. “Por isso, estamos dando prioridade às usinas situadas nessa região, como Belo Monte que está distante dos mercados do Nordeste e do Sudeste, mas que terá um sistema de transmissão de grande porte. Estamos fazendo o primeiro bipolo de corrente contínua de 800 kV que ligará a usina ao Sudeste”, explica.
Fontes alternativas
Na fala do secretário Altino Ventura é possível notar que, além de criar novos meios de gerar energia, é necessário também fortalecer as linhas de transmissão. Nesse ínterim, Ventura defende o incentivo à produção de energia oriunda de novas fontes. A energia eólica é a principal aposta do governo federal. A proposta é que, com 140 parques eólicos, o Brasil possa contar com aproximadamente 4 Gigawatts (GW) de produção. Um número deveras considerável. Porém, o governo tem enfrentado problemas na construção das linhas de transmissão. Sem elas, a energia gerada não poderá chegar aos consumidores, logo, não adianta. Ventura garante que grande parte dessas questões já foi ou está sendo resolvida. O investimento em novas fontes visa sanar a demanda de Estados que não são geradores de energia, como o Sergipe, que praticamente não produz energia elétrica, sendo atendido pelo sistema interligado. Isto é, energia gerada pelas hidrelétricas dos outros Estados e distribuída pelas 64 distribuidoras do Brasil. É assim em outros Estados do Nordeste brasileiro. E o Nordeste deverá ser a região mais beneficiada pelos parques eólicos. Isso porque é a região brasileira com maior “vocação” para a energia eólica, pois conta com uma grande quantidade de ventos. O Rio Grande do Sul também tem um potencial razoável, o que já não é o caso de Goiás. Uma região que poderia gerar algo nesse sentido é o Distrito Federal, sobretudo Brasília por ser uma região de planalto. Mesmo assim, a produção eólica não seria muito grande.É impossível que o país se desenvolva apenas com energias alternativas?
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Altino Ventura: “Não se pode contar exclusivamente com energias alternativas, mas isso não significa que elas não possam ajudar”[/caption]
Dados do Ministério de Minas e Energia mostram como a questão energética é distribuída no Brasil: as hidrelétricas ainda são responsáveis por 47% da expansão do sistema de geração brasileiro. Ou seja, é o carro-chefe. 20% são de usinas eólicas com capacidade de crescimento até 2023, visto que o governo federal tem entendido que esse tipo de energia tem grande potencial competitivo. E 14% da expansão energética brasileira vem da cogeração por biomassa, principalmente pelo bagaço da cana; 15% é de gás natural. E as demais fontes, como a nuclear (2%), é puramente complementar no Brasil.
É possível perceber que, embora as hidrelétricas ainda ocupem maioria esmagadora do setor energético brasileiro, as energias chamadas de alternativas — isto é, aquelas que fogem ao meio mais utilizado no Brasil — estão crescendo. Contudo, de acordo com o secretário nacional de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, é primordial que as hidrelétricas continuem atuando.
O argumento é de que as energias alternativas podem representar uma parte interessante no suprimento energético brasileiro, mas não podem ocupar o lugar principal, pois são interrompíveis. “É impossível atender a demanda de energia elétrica do Brasil apenas com essas fontes. O principal motivo é que elas são interruptivas. O vento não é contínuo, à noite não há sol e a biomassa é ligada à safra.”
Porém, a questão principal de incentivar a criação de novos meios de gerar energia diz respeito a auxílio. Afinal, um ponto levantado por muitos é o da extenuação do potencial hidrológico brasileiro, ou seja, o do uso contínuo e desregrado, favorecido ainda pelas mudanças das condições climáticas que o planeta tem sofrido. Assim, seria possível preservar as hidrelétricas utilizando essas novas fontes.
Por exemplo, enquanto os parques eólicos estiverem funcionando, com muito vento, o mercado é atendido com essa energia, resultando em menos geração nas hidrelétricas. Quando a eólica não estiver com o mesmo potencial, utiliza-se da produção que foi economizada na hidrelétrica. Assim, é possível dizer que os reservatórios funcionem como baterias naturais.
O mesmo raciocínio serve para a biomassa. Esse tipo de cogeração é ligado, irremediavelmente, à produção que visa suprir também a demanda por álcool no mercado nacional e açúcar tanto em território brasileiro quanto estrangeiro. Logo, não é possível ter essa energia como principal, pois não se irá produzir cana-de-açúcar apenas para gerar energia. Porém, ela pode saldar uma parte da demanda, o que alivia de certo modo o sistema como um todo.
Das energias alternativas, a solar é a mais cara, embora também possa ser viável, caso haja a atração da indústria de painéis fotovoltaicos para território nacional.
Usinas de biomassa representam nova alternativa em Goiás
O Estado que desponta na utilização de biomassa para cogeração de energia é, indiscutivelmente, São Paulo. Isso acontece porque as maiores usinas de etanol estão em território paulista. Mas Goiás não fica muito atrás. Atualmente, segundo dados da Secretaria de Indústria e Comércio (SIC), das 171 empresas que produzem energia limpa e que estão inseridas nos benefícios oferecidos pelo Produzir/Fomentar, parte esmagadora é formada por usinas produtoras de álcool/etanol, que produzem energia alternativa a partir da biomassa utilizando o bagaço da cana de açúcar. E entre 2013 e o fim do primeiro semestre de 2014, foram assinados mais dois protocolos de intenção com empresas ligadas ao ramo de energia renovável. A primeira é a Nova Geração Bioenergia SPE, que estuda construir uma unidade na cidade de Jandaia para produzir etanol e energia a partir da biomassa da cana. O investimento previsto é de R$ 220 milhões. A segunda é a Eletroima Engenharia de Energias Ltda. A empresa planeja construir uma unidade industrial para fabricação de painéis fotovoltaicos em Gameleira de Goiás com investimentos de R$ 23 milhões. Fora ela, há ainda um pedido de licenciamento na Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) para a construção de um parque solar na cidade de Silvânia. O pedido está sob análise. Segundo o secretário de Indústria e Comércio, William O’Dwyer, a produção de energias alternativas faz parte do plano estratégico desenvolvido pelo Estado, visto que é uma tendência mundial. Por isso, ele aponta que há uma linha de crédito especial voltada para os micro e pequenos empreendedores interessados em investir em energia renovável. De acordo com o secretário, o financiamento, que varia entre R$ 2 mil e R$ 25 mil, inaugura o programa Crédito Produtivo da SIC – Energias Renováveis, criado com base na demanda crescente de energia “renovável, sustentável e inesgotável como, por exemplo, a energia solar. Essas empresas serão beneficiadas por uma redução significativa dos seus custos, além de contar com uma fonte limpa, renovável e ilimitada. Hoje, a empresa que investe em sustentabilidade se diferencia no mercado”, avalia William.A pioneira na cogeração
A sucroalcooleira Jalles Machado, localizada em Goianésia, atualmente não apenas produz toda a energia que consome como produz a mais para vender o excedente. A empresa foi a primeira em Goiás a implantar a cogeração de energia elétrica a partir do bagaço da cana. A central termoelétrica da Jalles Machado tem capacidade para gerar 40 MWh (Megawatt-hora), o suficiente para abastecer uma cidade com 150 mil habitantes. Os gastos com a cogeração não são grandes, visto que a empresa já possui a matéria-prima: o bagaço da cana de açúcar que sobra da produção principal da empresa. A equipe técnica da empresa explica ainda que dos 40 MWh produzidos aproximadamente 12 MWh são utilizados pela Jalles Machado, somando-se indústria, consumo agrícola e administração. O restante é vendido ao sistema, o que gera lucro. Além disso, segundo os técnicos da empresa, as vantagens tanto econômicas quanto ambientais da cogeração são grandes quando comparadas às usinas hidrelétricas, visto que os custos da implantação de uma usina termoelétrica baseada na biomassa são, em média, 50% mais baratos que os de uma central hidrelétrica, além de evitar inundações de terras férteis, a necessidade de desapropriações e ainda contar com a redução dos investimentos em linhas de transmissão.Tudo esbarra em resoluções do governo federal
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Gelson Cruz, da UFG, defende menos burocratização e leis mais claras para que os investimentos sejam feitos | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Pensando em Goiás, as duas melhores alternativas seriam: pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), visto que o estado não conta com grandes rios, e a cogeração por biomassa. Das duas, entretanto, o caminho da biomassa seria o melhor. A análise é do professor da escola de engenharia elétrica da Universidade Federal de Goiás (UFG) Gelson Cruz Júnior.
Segundo ele, a cana-de-açúcar não é a única matéria-prima utilizada na cogeração de energia elétrica. O farelo de soja — grão cuja produção goiana é terceira no ranking nacional — também pode ser usado. “Além disso, é possível também plantar eucaliptos para usá-los na alimentação da usina”, conta o professor.
Como já foi dito, a questão principal de investir em energias alternativas é aliviar o sistema. O professor lembra que países europeus já têm feito isso, sobretudo no que diz respeito à energia solar. “Na Europa funciona, pois cada casa que fizer investimento em painéis solares deixa de consumir certo quantitativo de energia do sistema”, relata. O problema da energia solar, no Brasil, ainda é o preço. “Mas é possível que o governo interfira na questão, assim como fez com a energia eólica”, declara Cruz.
Contudo, a questão realmente central para o professor são as questões político-administrativas. Segundo ele, as distribuidoras, em geral, estão passando por dificuldades no Brasil, dadas algumas decisões equivocadas do governo federal no que diz respeito às tarifas, por exemplo.
“O governo federal tomou algumas decisões equivocadas. Algumas linhas de alta tensão que viriam para Goiás foram colocadas a leilão, mas não houve interessados e as outras que estavam sendo construídas não foram entregues no prazo. Temos esse problema de acesso às linhas de transmissão. Então, o cenário está um pouco confuso e as empresas têm tido que lidar com isso”, avalia o professor.
Para ele, as questões de licenciamento ambiental, por exemplo, devem ser esclarecidas, pois são burocráticas demais, o que afasta investimentos privados. Gelson conta que tem conhecimento de situações de empresas na região Norte, que, para ter acesso à determinada área para mapear uma usina, precisou da autorização das tribos.
Tudo certo, pois as terras são garantidas por lei aos indígenas. “Contudo, a tribo só aceitou fazer acordo se o contato fosse intermediado por uma pessoa específica, que cobrou um valor pelo serviço. Ou seja, não há regras específicas para isso e a preocupação é justamente essa: investir sem garantias de retorno. E não adianta apresentar políticas de curto, pois elas não resolvem. No setor energético, o planejamento tem que ser feito de 10 a 20 anos antes. Alternativas existem, mas é preciso que elas sejam exploradas”, diz.
Monitoramento
“Smart grid”, palavras em inglês para “rede inteligente”. Essa é uma opção levantada por Gelson Cruz: através de um “smart grid”, é possível monitorar a demanda de cada consumidor para, a partir disso, negociar em valores com os consumidores, apontando seus hábitos de consumo. “Isso melhoria o sistema e faria com que o Estado conseguisse atender melhor a população no que diz respeito à energia.” Contudo, o professor lembra que questões assim também esbarram em resoluções do governo federal. “A Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] precisa regular a questão, pois o sistema funcionaria como o monitoramento que é feito pelos servidores de internet. Seria uma solução para aproveitar melhor a energia e a rede que se tem”, analisa.“Vivemos em um país de dois salários mínimos”
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Especialista Carlos Barreira Martinez: a questão política impede que os problemas de energia sejam solucionados[/caption]
Um dos maiores especialistas na questão energética brasileira é o professor do Centro de Pesquisas Hidráulicas e de Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Barreira Martinez. Ele aponta que, do ponto de vista técnico, não apenas Goiás, como o Brasil, tem plenas condições para resolver seus problemas com o fornecimento de energia elétrica.
Porém, para o professor, a solução dos problemas de energia está nas questões político-administrativas. Martinez apresentou soluções, mas, em todas as respostas relativas aos questionamentos voltados para as soluções dos problemas energéticos, relembrou: “Do ponto de vista técnico, é possível, mas é preciso querer.” Acompanhe:
1) Celg: Martinez, que conhece bem o Estado de Goiás e acompanhou de perto o desenvolver da Celg, começa falando sobre a venda da usina de Cachoeira Dourada, leiloada pelo Estado, em 1997, durante a gestão de Maguito Vilela (PMDB).
“Vou utilizar o exemplo de Minas Gerais, meu Estado. Nós temos um conjunto de usinas. Atualmente, vivemos um problema de vazão, é verdade, mas temos um diferencial importante: a empresa. Quando a Cemig [Companhia Energética de Minas Gerais] e a Celg eram empresas coirmãs e que andavam na mesma linha, tudo estava bem. Porém, em determinado momento, a Celg se transformou em instrumento político. Deu no que deu. Espoliaram o Estado”, lembra.
2) Soluções para Goiás: O especialista afirma que Goiás é rico e que possui muitas possibilidades de energia. Contudo, salienta: é mais importante querer do que ter. “Podem ser pequenas centrais hidrelétricas, ou interligação com redes de transmissão para receber energia de hidrelétricas convencionais, ou centrais térmicas, etc. Goiás é forte em agronegócio e produz mecanismos que tornam isso possível. Mas é preciso querer”, diz o professor.
Acontece que Martinez não acredita na existência de um pacto pela mudança no Brasil. Segundo ele, o pacto feito foi pela conveniência, “em um país de dois salários mínimos, no qual a população abaixo disso sofre muito e quem pretende ganhar mais do que isso paga a conta”. Logo, em sua visão, todos os problemas, e não apenas os da área energética, estão ligados aos acordos políticos costurados nos últimos 40 ou 50 anos.
— Acredito que viveremos uma crise em breve. Não é à-toa que a imprensa internacional vem criticando tanto o Brasil nos últimos tempos. É um alerta, pois estamos fazendo tudo errado. As elites brasileiras firmaram um acordo entre si e fazem o que bem entendem
— Quem são as elites?
Ora, os grupos políticos, os bancos e as empreiteiras. E a população tem achado bom, porque nos últimos 50 anos tem se manifestado pouco. Esse é o pano de fundo dos nossos problemas. E não irá mudar.
— E quais serão as consequências disso?
— Acredito que em 50 anos teremos um padrão de vida muito semelhante ao da Índia. Não que iremos andar para trás, mas porque eles irão avançar e nós ficaremos.
— Por que o senhor acredita nisso?
— No Brasil, demora-se dez anos para tomar uma decisão. Porém, quando tomada, querem fazer a obra em apenas um ano. Assim, o viaduto cai, não é verdade? Observe a Coreia do Sul. Aquele país era um lixo na década de 50 e 60. Olha o que eles viraram.
— E isso se deve a…
— Postura. Algo que nós não temos. Nossa sorte, ou azar, é que somos um país rico. Temos recursos. Por isso, hoje nós vendemos commodities e fazemos pequenos serviços. Ou seja, um país de dois salários mínimos.
Maioria dos candidatos ao governo aposta em novas formas de geração
Como dito no início da matéria, inevitavelmente, a solução da energia em Goiás passa pela Companhia Energética de Goiás (Celg). Contudo, como avaliaram os técnicos ouvidos, é possível criar novas alternativas que ajudem a solucionar o problema energético no Estado. E alguns candidatos enxergam a questão. O Jornal Opção apurou com cada um e utilizando seus respectivos planos de governo, quais são suas propostas para o setor energético.Marconi Perillo (PSDB):
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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O governador Marconi Perillo começa seu plano de governo falando sobre o que fez durante este mandato, como: investimento de 20% na recuperação do sistema de distribuição de energia; o acordo de federalização da Celg; criação do núcleo de energias renováveis; apoio a projetos de produção de energia renovável a partir da biomassa; e implantação dos sistemas de aquecimento solar e modernização do sistema de energia.
Mas há propostas: a principal delas é “assegurar, em parceria com o governo federal, o suprimento energético necessário ao desenvolvimento socioeconômico de Goiás, com foco na eficiência energética, na produção de energia limpa e renovável e na ampliação da rede de transmissão e distribuição”.
As outras fazem parte do plano de metas para atingir esse objetivo. Entre elas:
- Criar o Programa de Promoção da Eficiência Energética e Energias Renováveis;
- Interagir com o governo federal para que a Celg federalizada tenha garantia de recursos para investimentos em linhas de transmissão e distribuição necessárias no estado, assim como recursos para investimentos no sistema de alta tensão substituindo gradualmente a energia rural monofásica pela trifásica;
- Fortalecer a Celg G&T para geração e transmissão de energia elétrica e a exportação de energia para outras regiões;
- Desenvolver um amplo programa de eficiência energética abrangendo prédios públicos, agricultura, indústria, comércio e residências, além de incentivar a produção industrial em Goiás de componentes utilizados na geração de energia renovável;
- E apoiar projetos de produção de energia limpa e renovável de fontes da biomassa, biogás, eólica, solar e hidroelétrica (pequenas centrais hidroelétricas e centrais geradoras hidroelétricas) e apoiar o programa de florestas plantadas.
Iris Rezende (PMDB):
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Foto: Fernando Leite[/caption]
A principal proposta de Iris Rezende é solucionar o problema da Celg como forma de resolver os problemas de falta de investimentos em capacidade energética. Para isso, o peemedebista propõe:
- Aumentar a geração de energia no Estado, utilizando fontes renováveis, em especial a cogeração através do bagaço da cana e biocombustíveis;
- Garantir a eletrificação para todas as unidades da agricultura familiar, inclusive assentados da reforma agrária;
- Investir na expansão em média tensão e alta tensão, com ampliação de subestações, troca de transformadores e construção de alimentadores;
- Construção de linhas de transmissão, como a Morrinhos-Serra de Caldas-Rio Quente, na região Sul do estado;
- Promoção de melhorias de redes de média tensão em toda a área de concessão, além da automação completa de redes e subestações;
- E atendimento das necessidades energéticas urgentes como, o programa Minha Casa Minha Vida e eletrificação de propriedades rurais, no programa Luz Para Todos, além das demandas do setor produtivo.
Vanderlan Cardoso (PSB):
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Van| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Vanderlan Cardoso tem um plano para o setor de energia baseado na infraestrutura de transmissão e distribuição de energia que, segundo ele, atualmente não atende à crescente demanda. Vanderlan afirma que o fornecimento de energia em Goiás é de baixa qualidade e apresenta alto índice de interrupções. Além disso, o pessebista enxerga que, atualmente não existem políticas para incentivar a produção de energia alternativa renovável. Assim, se eleito, Vanderlan pretende:
- Promover a implantação de sistemas de produção de energia fotovoltaica conectada à rede como política de inserção de fontes alternativas renováveis na matriz energética do Estado;
- Promover a implantação sistema de micro geração de energia elétrica fotovoltaica distribuída com compensação do consumo Energia, por meio da redução de impostos e financiamento do custo de implantação com juros subsidiados;
- E induzir a implantação e utilização de coleta de água pluvial para redução da demanda por água potável por meio da ampliação dos incentivos na implantação da micro geração de energia elétrica fotovoltaica;
Em relação à Celg, Vanderlan diz em seu plano de governo que há um sucateamento da plataforma energética do Estado de Goiás em especial das subestações e linhas de transmissão e distribuição, sendo necessários investimentos para a ampliação da infraestrutura de geração, transmissão e distribuição inferiores aos pactuados com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Antônio Gomide (PT):
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Foto: Fernando Leite[/caption]
A proposta do petista Antônio Gomide, apresentada em seu plano de governo, é recuperar a Celg com uma gestão eficiente e transparente, para gerar e distribuir energia de qualidade no campo e na cidade. Segundo ele, isso deverá ser feito com a retomada dos investimentos. “Goiás tem energia. Todos querem investir no estado e temos potencial para ser a unidade federativa que oferece mais energia. Logo, o que está ocorrendo atualmente é uma anormalidade”, declara.
Contudo, mesmo acreditando no potencial hidrelétrico de Goiás, Gomide não descarta realizar investimentos em fontes de energia alternativa, caso seja eleito. Segundo o petista, opções como energias eólica e solar, além de termelétricas deverão ser viabilizadas por meio de estudos. “Deveremos olhar o custo das alternativas que podem ser instaladas em determinadas regiões, dada a vocação de cada setor geográfico de Goiás. As próprias universidades podem auxiliar o governo nisso”, explica.
Alexandre Magalhães (PSDC):
Alexandre Magalhães vê Goiás como um exportador de energia que, entretanto, não possui segurança no abastecimento de energia por parte da integração nacional do sistema de distribuição. Ele diz: “A Celg encontra-se em situação imprópria para afiançar o ritmo de crescimento vivenciado em Goiás. Assim, é necessário que tanto o tema seja priorizado nas relações do governo estadual com o governo federal, quanto tomar providências locais para aumentar a geração e melhorar a distribuição de energia.”
Dessa forma, segundo o governadoriável, é preciso:
- Melhorar a distribuição de energia rural, evitando perda de matérias-primas e produtos de origem animal e vegetal;
- Garantir a qualidade de energia fornecida ao sistema de irrigação rural;
- Implementar programa de apoio à implantação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs);
- Consolidar o apoio à produção de energia derivada de biomassa de forma mais efetiva;
- E concretizar as negociações de empréstimos quanto ao passivo da Celg e implantar uma gestão profissional focada à sua recuperação e expansão, de forma a contemplar as necessidades do setor produtivo.
Marta Jane (PCB):
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Reprodução[/caption]
A candidata pelo PCB tem sua proposta principal na mudança do atual modelo de geração de energia em Goiás. Ela se refere à questão das hidrelétricas. Para Marta, o sistema de barragens, embora produza energia limpa, traz muitos danos humanos, assim como para o meio ambiente.
“As inundações tornam praticamente irrecuperáveis tanto o sistema ambiental do local como a preservação do bioma cerrado. Fora isso, há a questão da desterritorialização das pessoas que moram à beira dos rios, gerando inclusive o movimento dos desabrigados de barragens”, diz. Assim, a candidata acredita que o governo deve investir no estudo e na implementação de energias alternativas, assim como de biocombustível.
Em relação à Celg, Marta diz que o entende ser necessário resgatar os investimentos, mas primeiro é preciso entender como aconteceu o processo de endividamento da estatal. “Normalmente no âmbito do Estado são produzidos grandes rombos nos patrimônios públicos, o que gera a inoperância e produz uma incompetência em produzir aquilo que a empresa está destinada a produzir. Esse processo de degradação gera os argumentos em defesa da privatização e isso precisa ser averiguado”, conclui.
Weslei Garcia (PSol):
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Weslei Garcia[/caption]
Para Weslei Garcia, o foco é fortalecer e reestruturar a Celg, principalmente no interior, pois “ela não possui a mesma estrutura que tem na capital. No Entorno do Distrito Federal, por exemplo, a situação é lamentável”. Após a reestruturação da Celg, inclusive com concurso público imediato, a principal proposta de Weslei é utilizar um software gratuito para mapear a otimizar as ações da empresa.
“Existe um software gratuito, o gvSIG, que será usado em parceria com a Universidade Estadual de Goiás, para mapear Goiás e criar um banco de dados sobre o consumo da população. A partir desses dados, poderemos planejar melhor e, inclusive, implantar a produção de energias limpas, como a eólica e a solar. O modelo que pretendemos adotar é holandês”, explica.Entrevistar professor universitário não é tarefa fácil. Primeiro, porque a maioria tem restrição a falar algo fora do que considere de sua alçada acadêmica. Ou seja, um antropólogo que trabalhe com etnias indígenas tende a não se supor habilitado para falar de questões de gênero, por exemplo. Para o jornalista que “quer” um entrevistado, antropólogo é antropólogo e isso basta. Pesando os dois lados, o bom senso indica, de fato, que se fale daquilo sobre o qual se tenha domínio. No caso, o melhor que o repórter tem a fazer é pedir à fonte uma indicação mais avalizada para tratar de sua pauta. Um segundo ponto é que mestres e doutores têm, não raramente, alguma queixa sobre as reportagens em que sejam citados. Muitos deles, então, passam a ficar ainda mais arredios à imprensa, por acharem que os jornalistas não confirmam, no papel, aquilo que eles realmente quiseram dizer ao serem entrevistados. Por isso é preciso ressaltar o comentário do professor Dione Antonio de Carvalho de Souza Santibanez, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ele foi fonte da matéria “Morte do garoto Bernardo: quais os limites da crueldade humana?”, do repórter Frederico Vitor, do Jornal Opção. Ao ler a matéria, comentou: “É muito bom ler um texto e ver que o repórter foi cuidadoso para escrever exatamente aquilo que a gente repassou.” Da nova safra de repórteres da área política, Frederico formou-se pelas Faculdades Alves Faria (Alfa) e integra a equipe do jornal há dois anos.
O vice-presidente Michel Temer distribuiu a amigos uma versão severa sobre uma conversa que manteve, por telefone, no começo da semana, com o candidato do PMDB ao governo paulista, empresário Paulo Skaf, O vice teria exigido que Skaf fizesse campanha ao lado de Dilma no Estado. Do contrário, não se justificaria o partido ter Temer na chapa presidencial do PT. Na primeira parte, a ordem de Temer seria uma tentativa de obter tudo do empresário, ou seja, a dominação pelo vice. No outro capítulo, o nada: Skaf acata o chefe ou devolve ao PMDB a candidatura a govenador. Seria um ultimato no sentido do dá ou desce, mas como funcionaria isso? Com toda a experiência de empresário bem sucedido em São Paulo, Skaf se renderia na política? O questionamento começa por Temer. Ele possui autoridade para dar ordem sumária ao PMDB, mesmo que seja o de seu Estado, São Paulo? Uma das razões de sua volta à presidência do partido não foram negócios eleitorais que comandantes petistas no Nordeste começaram a fechar no mercado paralelo com o PT? Além do mais, Skaf, vai sair no grito se tem nas costas dez anos como presidente da poderosa Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo? E se Skaf se retirar da disputa, quem o PMDB colocará na vaga em condições de somar seus votos ao do petista Alexandre Padilha e provocar um segundo turno em que um deles concorreria contra a reeleição do tucano Geraldo Alckmin? A importação de Skaf, vindo das indústrias, por si é uma prova da carência de lideranças do PMDB em São Paulo. Se o partido ainda tivesse poder no Estado, o candidato a governador seria Michel Temer, que no Palácio dos Bandeirantes estaria mais bem servido do que no Palácio do Jaburu, onde dorme em Brasília o vice-presidente da República. A penúria de lideranças no PMDB paulista explica porque o partido não disputa o governo do Estado desde 2002, quando concorreu com o deputado e pastor evangélico Lamartine Posella, a quem restou o quinto lugar. O último peemedebista a governar foi Luiz Antonio Fleury, que se retirou do mandato em janeiro de 1995. O candidato do partido à vaga de Fleury, em 1994, era Barros Munhoz, que ficou em quarto lugar. O governador eleito foi Mário Covas, que inaugurou os 20 anos de domínio do PSDB sobre o Palácio dos Bandeirantes. Em 1998, Orestes Quércia (PMDB) tentou a volta ao governo paulista depois de quatro anos, mas ficou em quinto. Covas foi reeleito. Desde que Fleury saiu, há 20 anos, a melhor chance para o PMDB é agora, com a possibilidade de Paulo Skaf estar no segundo turno. Ele contraria Michel Temer e se recusa a ser o segundo candidato do Planalto, além de Padilha (PT) porque, em seu espírito empresarial, tem noção de que não será governador sem superar o tucano Alckmin e o petista Padilha.
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Imagem do vídeo viral nas redes: jornalista é surpreendida por resposta sincera de menino que preferia jogar videogame a estudar[/caption]
Circula, principalmente por meio do aplicativo WhatsApp, um curto vídeo, de dez segundos, em que uma jornalista fala ao vivo sobre a falta de professores em uma determinada escola. Enquanto caminha com algumas mulheres e uma criança, ela relata o problema e resolve emendar com a fala de um menino de cerca de 5 ou 6 anos, a quem, então, dirige o microfone: “...porque não dá para ficar em casa só jogando videogame, né João?” A criança responde, de bate-pronto: “Dá!”.
Pautas ao vivo são sempre algo que deixa o repórter com um frio na barriga. Mas muitos profissionais, no afã de se mostrarem simpáticos, alinhados com um jornalismo mais “solto” colaboram para fatalidades como essa. Perguntar a uma criança dessa idade se ela quer brincar ou ir para a escola, imaginando que ela responderá que prefere estudar, é algo no mínimo temerário. Na gíria das redes, o menino “trollou legal” a repórter.
Não teria sentido a presidente Dilma Rousseff pensar em medidas pessoais contra o Santander por causa da crítica à deterioração econômica. Até porque, quando se trata de presidente da República, não há como separar a pessoa física da jurídica. Ainda mais a partir de um episódio cercado por tanto simbolismo institucional. Em consequência, a via de resposta teria o mesmo circuito institucional. Há também o fato de que a crítica não se dirigiu ao comportamento pessoal de Dilma, mas a política de governo que prejudica o desempenho econômico. Como empresa a quem os correntistas confiam depósitos e investimentos, cabe ao banco retribuir com orientações de mercado. A circunstância de campanha eleitoral tende a aguçar e não a suavizar a análise. A crítica à condução econômica veio numa espécie de prestação de contas que o Santander distribuiu a 40 mil correntistas com mais de R$ 10 mil de renda mensal. Trata-se de uma análise do ambiente que envolve variáveis políticas à disposição de investidores e governo na definição de negócios e políticas. Convém que se conheçam também as pessoas que captam investimentos. Os espanhóis que comandam o Santander são atrevidos com propensões dominadoras sobre os clientes. Se com o correntista é assim, imagine-se como será com a engrenagem do pessoal interno, de onde viria aquela crítica econômica. O cliente mal atendido pode ir ao Procon, e o funcionário? A chefia suprema do Santander insinua que demitiu uma analista. Mas será que demitiu mesmo? Naquela estrutura de dominação, a subalterna ousaria criticar o governo brasileiro? Ainda mais que as coisas na Espanha vão mal e renderam apenas 7% do lucro do banco no ano passado, o que aumentou mais a dependência ao Brasil, de onde vieram 27% da renda. Os concorrentes, possivelmente, são os que melhor conhecem o modo de atuação do Santander num mercado agressivo. Eles se assustaram com a reação de Dilma e perguntam a si mesmo se precisam ter mais cautela na divulgação de suas orientações a investidores. A boca miúda, como se dizia antigamente, teme-se que o governo intervenha mais e policie as análises financeiras.
Dilma transformou em desafio um recado do Banco Santander a correntistas, enquanto Michel Temer caminha para um impasse com o PMDB de São Paulo

