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A TV Anhanguera conta com bons profissionais, seu jornalismo está mais agressivo, com o objetivo de superar a concorrência — que tem mais pegada, e com equipes menores, porém mais azeitadas —, mas continua pouco motivado. No afã de se “aproximar” da TV Serra Dourada — que supera o jornalismo da rival com frequência, segundo dados do Ibope — e da TV Record, a Anhanguera perdeu identidade com a Globo. Às vezes, em termos de seriedade jornalística, segue-se a Globo. Porém, em seguida, faz-se opção por um jornalismo modorrento, nada criativo, antigão — distanciando-se da rede. A Anhanguera, que permanece séria e tem uma equipe competente, precisa, com certa urgência, de um choque de criatividade e motivação (nada de otimismo em gotas, e sim no sentido de se fazer jornalismo com prazer e, portanto, com alegria). Jornalismo burocrático espanta telespectadores, que hoje têm dezenas, até centenas de opções, tanto em termos de televisão quanto de internet. A “fuga” para a internet — nem se fala dos canais por assinatura (cresce o número de pessoas que falam de séries e diminui o número de pessoas que falam de novelas) — parece que ainda não foi devidamente dimensionada pelos dirigentes do Grupo Jaime Câmara. Outro problema ao qual a Anhanguera precisa prestar mais atenção é a respeito da qualidade e da atualidade das informações de seu noticiário. Dada a rapidez do jornalismo que se faz na internet, e até nas emissoras de rádio e nos canais de jornalismo por assinatura, quando a Anhanguera noticia os fatos, por ser engessada pela grade de programação da Globo, eles estão “velhos”, pois foram comentados à exaustão em vários sites e portais o dia todo. A Anhanguera pode dar as mesmas informações, é claro, mas precisa nuançá-las. Porque, no momento, está chegando às casas dos telespectadores com um ar, digamos, déjà vu.
A nova legislação dizia bem assim: que cada família se virasse e tomasse tento dos seus doentes mentais, ao invés de atirá-los à clausura, ao abandono, ao esquecimento de um hospício cujos corredores tinham um cheiro de fezes mesclado ao eucalipto dos desinfetantes”
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“Teimosas Lembranças” contém histórias incríveis, como a do tenente brasileiro que desafiou o exército americano, na Itália, para liberar um pracinha rebelde[/caption]
Um belo livro acaba de ser publicado, mas não terá lançamento e possivelmente não será vendido nas livrarias — por desinteresse do autor, que não se considera escritor, quando, na verdade, o é e, mais, é um estilista da Língua Portuguesa. “Teimosas Lembranças”, do ex-governador de Goiás Irapuan Costa Junior, contém aquilo que se pode chamar de contos (ou crônicas) da vida real, ou, à maneira de Truman Capote, é possível indicar que são contos de não-ficção.
Usando a imaginação de maneira poderosa, Irapuan recria histórias reais, sem distorcê-las, mas tornando-as muito mais interessantes do que, possivelmente, foram na vida real. Para não ferir suscetibilidades, às vezes muda o nome das pessoas. Há uma delicadeza ímpar ao se contar histórias espinhosas. Pode-se dizer que há algo de insípido na vida cotidiana, isto para um observador desatento, o que não é o caso.
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Irapuan Costa Junior: o ex-governador de Goiás é um escritor nato, com imaginação poderosa[/caption]
Leitor frequente de livros em língua estrangeira (seu forte é o francês) — como um recente sobre Fidel Castro, o ditador cubano que adora mordomias —, Irapuan comprou num sebo o romance “The Fowler”, da inglesa Beatrice Harraden. Ao chegar em casa, percebeu que havia um dedicatória breve, de um homem para uma mulher. A partir daí, Irapuan, mostrando-se escritor consumado — senhor da forma e dono de uma imaginação fumegante —, recria a história de Neda e de M. Aranha. “Reflexões sobre uma pequena dedicatória” é o conto mais imaginativo e bem escrito do livro. É literatura pura. Puríssima.
“Chico Paraíba” merece figurar nos livros de história da Segunda Guerra Mundial. O pracinha Chico Paraíba foi preso pelos americanos, na Itália. O tenente Ithamar, oficial corajoso, enfrentou a arrogância dos militares de Roosevelt e Eisenhower, e libertou-o. A história é contada com graça e sutileza.
A história da cachorrinha Fumaça lembra, na maneira de contá-la, um conto do russo Anton Tchekhov.
A odisseia lancinante de Emília e André parece saída de um conto (ou romance; “Dom Casmurro”, por exemplo) de Machado de Assis, tal a perspicácia do narrador, que vai nos enredando, conduzindo-nos para um rumo e, no fim, a história toma outro caminho — doloroso, trágico.
“O Vulto da Outra” é um conto da vida real que, nas mãos de Hitchcock, daria um filme de suspense (ou, talvez, dramático), como “Um Corpo Que Cai”. Ou, quem sabe, “Rebeca — A Mulher Inesquecível”. O engenheiro Alexandre apaixona-se por Marta, mas ela morre. Deprimido, passa a beber. Tempos depois, casa-se de novo, com uma nova Marta, ao menos na aparência. Entretanto, se era semelhante, dado ao estilo sugerido (ou imposto) por Alexandre, Irene não era Marta — e tudo acabou mal.
Poderia dizer ao leitor: “Nasce um escritor”. Mas seria impreciso. Irapuan é escritor há muito tempo — o que provam seus textos publicados no Jornal Opção. Só não havia publicado um livro, por falta de vaidade.
Fica-se na torcida para que nos dê outros livros. Há algum tempo que tento convencê-lo a escrever um livro sobre Jack London. O escritor norte-americano não é nenhum James Joyce ou William Faulkner. Mas é daqueles autores que quando se pega um de seus livros e se lê as duas primeiras páginas não se para mais. Trata-se de um notável contador de histórias, que puxa o leitor para uma espécie de imersão profunda, sugerindo que também está participando delas. Irapuan é um jacklondófilo. Sabe tudo sobre a obra e sobre a vida do autor de “Caninos Brancos”, “O Chamado Selvagem” e “O Lobo do Mar” (um belo romance filosófico).
A obra é apresentada pelos escritores Hélio Moreira (autor de um ótimo romance sobre Couto Magalhães) e Aidenor Aires. As ilustrações são de Amaury Menezes.
Com saída do ministro Joaquim Barbosa do Supremo, a expectativa é de que o ministro Roberto Barroso vá dar vida mais fácil aos mensaleiros condenados
Depois de distorcer as palavras de Ana Paula, filha de Iris Rezende — a jovem teria atacado Júnior Friboi quando as gravações indicam que estava criticando o governo tucano —, o “Pop” comete mais um erro. No seu lançamento como vice de Iris, o deputado federal Armando Vergílio não disse que o governador Marconi Perillo promete e não entrega. Basta checar as gravações para verificar que não há nenhuma fala do presidente do Solidariedade a respeito. O “Pop” tem como apresentar gravações para se defender? Não tem, garante Armando Vergílio. Na verdade, a fala é de Silvio Souza, aliado de Armando Vergílio. A suposta fala do deputado foi a deixa para o vice do governador Marconi Perillo, José Eliton, ser acionado rapidamente por Jarbas Rodrigues Jr., da coluna “Giro”, e fazer a defesa do governo. Como a editora-chefe Cileide Alves sabe, tudo está muito ensaiadinho para ser jornalismo. Mas não sabe o que está realmente acontecendo debaixo de seus olhos de Capitu. As competentes editoras Cileide Alves e Silvana Bittencourt precisam ficar mais atentas àquilo que as empresas às vezes chamam de controle de qualidade. A editoria política tem falhado com frequência e o jornal raramente publica correções.
Ricardo César e Pedro Palazzo, dois repórteres competentes e experientes, deixaram a redação do “Pop”. O primeiro escapou da “escravidão” das edições de fim de semana. Ricardo César estaria sendo “discriminado”. O segundo pretendia ficar no jornal, mas, ao assumir a assessoria do vereador Elias Vaz (PSB), candidato a deputado estadual, foi convidado a se retirar. Cileide Alves disse ao jornalista que era eticamente incompatível trabalhar como repórter e assessor. A editora-chefe tem razão. Mas por que é incompatível só para Pedro Palazzo? Em três ou quatro anos, o “Pop” perdeu alguns de seus melhores repórteres — todos eles empregados noutros lugares, e com salários bem maiores —, por falta de uma política salarial adequada e de um ambiente de trabalho menos conflituoso. Uma lista mínima inclui: Rodrigo Craveiro (saiu há mais tempo; está no “Correio Braziliense”), Almiro Marcos (Correio), Vinicius Sassine (“O Globo”), Deire Assis (trocou o jornal por uma agência de publicidade), Marília Assunção, Pedro Palazzo, Ricardo César. Uma verdadeira redação, e de alta qualidade.
O “Pop” publica na edição de terça-feira, 17, manchete explosiva, sugerindo uma guerra na capital: “Goiânia já tem 30 homicídios em cinco dias”. O jornal acrescenta: “Goiânia vive dias sangrentos. Desde o dia 12, em média, uma pessoa é assassinada a cada três horas na capital. Foram 30 homicídios em cinco dias — onze de domingo para segunda. Entre as vítimas, Taynara Cruz, 13 anos, morta no domingo por um motoqueiro em praça no Bairro Goiá”. Roberto Civita, falecido dirigente da Editora Abril, dizia que jornalista não sabe contar. Pode ser o caso da reportagem do “Pop”. Deixando de lado a matemática à Fradique Mendes do “Pop”, examinemos os dados: se foram 30 mortes em cinco dias, então são seis casos por dia. Como um dia tem 24 horas, então é um assassinato a cada quatro horas e não três como atesta a tabuada do jornal (6x3: 18; 6x4: 24 ou, se o leitor preferir, 24 horas divididas por seis, que resultam em quatro).
A secretária de Justiça do governo de São Paulo, Eloisa Arruda, disse, numa nota a respeito de refugiados haitianos, que o governador do Acre, Tião Viana (PT), estava se comportando como “coiote” (estaria “enviando” haitianos para São Paulo). O petista processou tanto a secretária quanto a jornalista que publicou a notícia, Vera Magalhães, da “Folha de S. Paulo”, alegando que cometeram crime de “injúria”. O advogado da “Folha”, Luiz Francisco de Carvalho Filho, sustenta que a repórter limitou-se a exercer “sua função de informar”. O Portal Imprensa conta que Tião Viana disse que incluiu a jornalista em cumprimento a uma exigência legal: “A desistência da ação em relação à jornalista representaria também a desistência da ação em relação à secretária”. Noutras palavras, mesmo não sendo sua intenção, o petista está praticamente “isentando” a repórter. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo divulgou nota na qual repudia a ação por considerar como “desproporcional e ilegítimo o uso do direito penal como restrição à liberdade de expressão”.
As imobiliárias de Goiânia estão aos poucos se libertando do “Pop”. Como o jornal está na internet apenas para assinantes, significando que pode ser acessado por poucas pessoas — fora do Estado, nem pensar, porque o jornal é distribuído apenas em Goiás —, as imobiliárias estão criando seus próprios sites e anunciando casas e apartamentos. Assim, gastam menos e expõem seus negócios de maneira mais ampla. Se o “Pop” não tomar uma providência, seus “Classificados” vão se tornar obsoletos brevemente. Acrescente-se que o setor imobiliário pretende se libertar dos jornais, não apenas do “Pop”, nos próximos meses ou anos — caminhando, a curto ou médio prazo, para uma presença mais forte na internet.
O ex-deputado federal Chico Abreu (PR) será o primeiro suplente do candidato a senador pelo PSD, Vilmar Rocha. Trata-se de uma indicação do PR da deputada federal Magda Mofatto. A escolha também se deve ao fato de que Abreu tem forte presença política em Aparecida de Goiânia, município da Grande Goiânia que tem o segundo maior eleitorado de Goiás, perdendo apenas para a capital e superando Anápolis. Com o PR na chapa majoritária, a aliança do governador Marconi Perillo, que já tem o PSD de Vilmar Rocha e o PP do vice-governador José Eliton, fica mais robusta. O empresário Luciano Martins Ribeiro, diretor-presidente das lojas Novo Mundo, é cotado para a segunda suplência.
Ao lançar um portal interativo (hospedado na plataforma Oximity.com), que terá a participação de colaboradores do Brasil (como Sílvia Moretzsohn, professora da Universidade Federal Fluminense) e do mundo, a Mídia Ninja, na opinião de um de seus coordenadores, Felipe Altenfelder, pretende “mudar a relação com os leitores. Eles podem logar e produzir conteúdo dentro da plataforma”. Numa entrevista ao Portal dos Jornalistas, Altenfelder diz que, “mais do que trabalhar com correspondentes, temos pessoas que são colaboradoras. Como dá visibilidade às pautas, vai permitir que cada vez mais gente possa se comunicar”. Não fica claro, mas fica a impressão de que a Mídia Ninja pretende trabalhar com uma espécie de trabalho quase escravo. “Na lógica colaborativista, é preciso saber fazer barato. Informação não é commodity, mas prestação de serviço público”, teoriza, mas sem explicar se vai ou não ter exploração do trabalho alheio. O Portal dos Jornalistas pergunta sobre quem vai financiar o portal, e Altenfelder garante que não será o governo federal. “Não tem dinheiro do governo. Somos um veículo que defende políticas públicas. Propomos uma nova forma de se relacionar”, informa. Porém, como fazer jornalismo custa dinheiro, mesmo que às vezes pouco dinheiro, Altenfelder não soube, ou não quis, explicar como a Mídia Ninja vai financiar o portal. Ele revela como vai ser o novo milagre da multiplicação dos pães. Até agora, a Mídia Ninja tem sido de um amadorismo atroz. Como, então, vai competir com a mídia dominante?
NO YOUTUBE
Duelo de Campeões
Título original: The Game of Their Lives
EUA, 2005
Gênero: Drama
Diretor: David Anspaugh
Com: Gerard Butler, Wes Bentley, Costas Mandylor
O sonho de um grupo de rapazes de Saint Louis (EUA), atletas amadores de futebol, é bem pretensioso: jogar a Copa do Mundo de 1950, no Brasil, pelos Estados Unidos. Os jovens começam a treinar e passam por um teste para a escolha do time que representará o país no Mundial. Baseado na história real que vai ter seu ápice do lendário jogo contra a Inglaterra em Belo Horizonte.
NA PRATELEIRA
Guia Politicamente Incorreto do Futebol
Autor: Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior
Editora: Leya Brasil
Páginas: 416
Um livro para desconstruir grandes mitos do futebol. Esse é o objetivo do “Guia Politicamente Incorreto do Futebol”, dos jornalistas Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior. Eles contestam situações tidas como absolutas como o “talento acima da média da seleção brasileira de 82, derrotada pela Itália na Copa da Espanha, que eles consideram que era “ingênua” e “autoconfiante” e que não se preocupava em estudar os adversários. A chatice de Galvão Bueno, a falta de escrúpulos de Ricardo Teixeira, a liberalidade da Democracia Corintiana, tudo é posto em xeque no trabalho dos autores.
O que James Joyce escreveu de melhor já está publicado em inglês e português: “Dublinenses”, “Um Retrato do Artista Quando Jovem”, “Ulysses” e “Finnegans Wake”. Mas, como se trata de um dos maiores escritores do século 20, qualquer rascunho é publicado com estardalhaço. Talvez não seja o caso de “Finn’s Hotel” (Companhia das Letras, 160 páginas, tradução de Caetano Galindo). “No início dos anos 1990, o surgimento de um manuscrito causou alvoroço entre os estudiosos de James Joyce. Encontrado em meio a seus papéis e anotações, Finn’s Hotel foi anunciado como embrião daquele que seria o mais enigmático dos livros do irlandês, o gargantuesco e caudaloso Finnegans Wake. “Todavia, uma longa briga judicial privou os leitores do acesso ao texto. Apenas agora, mais de duas décadas depois de sua aparição, é que 'Finn’s Hotel' chega às mãos dos fãs de Joyce. “Tremendamente claro e acessível, é composto de onze pequenos contos, que poderiam ser chamados de fábulas, sobre a história da Irlanda. “Não se sabe ao certo as intenções de Joyce com o manuscrito, e se essas histórias de fato compõem uma versão anterior do Finnegans Wake. Ainda assim, estão lá Humphrey Chimpden Earwicker, protagonista do ‘Wake’, bem como um esboço inicial da magnífica carta de Anna Livia Plurabelle, uma das peças mais belas da língua inglesa.” A edição “traz uma nova tradução do poema ‘Giacomo Joyce’, também traduzido por Galindo”.
O Brasil sofre da saudade de uma vida que nunca viveu e do medo de um inverno rigoroso descrito por profetas da Unicamp
O deputado federal Ronaldo Caiado, do DEM, “entregou-se” ao candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende. Mas pode perder suas bases eleitorais. Mas o que sai chamuscada de fato é a ideia de que se trata de um político coerente

