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Na OAB é assim: o vice não assume, em caso de renúncia do presidente. Na verdade, Os integrantes do Conselho Seccional se reúnem e elegem o sucessor para o mandato-tampão. A escolha se dá, de modo indireto, entre os conselheiros. Os nomes mais cotados são: Sebastião Macalé (é o candidato natural), Júlio Machado, Júlio César Meirelles, Flávio Borges, Pedro Paulo Medeiros
Se deixar a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás, para ocupar um cargo no governo Marconi Perillo em 2015 — claro que se o tucano for reeleito —, Henrique Tibúrcio (PSDB) passa a ser cotado para disputar a Prefeitura de Goiânia, ou então para ser vice de Jayme Rincon (PSDB).
O único problema é que, em 2016, a chapa não deverá ser pura e Rincon e Tibúrcio pertencem ao mesmo partido, o PSDB. É provável que o deputado federal Sandes Júnior, do PP, será indicado para a vice.
O fato é que o governador Marconi Perillo está preparando Tibúrcio para voos políticos bem altos.
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Marconi Perillo e Júnior Friboi: os dois podem ser aliados no primeiro turno ou, pelo menos, no segundo turno[/caption]
Marqueteiros, pesquisadores, pesquisadores e cientistas políticos não dizem que será barbada, mas concordam que há uma tendência de o governador Marconi Perillo (PSDB), candidato à reeleição, ser o líder no primeiro turno. A disputa pela segunda vaga ficaria entre Iris Rezende (PMDB), Vanderlan Cardoso (PSB) e Antônio Gomide (PT). Com a tendência, dada a polarização histórica, de Iris ser o segundo colocado e, portanto, ser o nome para disputar o turno seguinte com o tucano-chefe.
Os mesmos especialistas avaliam que o segundo turno vai ser duríssimo para quaisquer candidatos que chegarem lá — Marconi, Iris, Vanderlan ou Gomide. No segundo turno há a tendência de uma candidatura encorpar-se mais do que a outra. É fato que, em 2010, as oposições se uniram, com Vanderlan Cardoso, Antônio Gomide e Iris Rezende — o candidato que disputou com Marconi —, mas nada adiantou. O tucano foi eleito, com uma votação apertada. Mas, como no futebol, 1 a 0 é o mesmo que 10 a 0. O que importa mesmo é ganhar, ser eleito. O resto são firulas acadêmicos ou filigranas úteis para jornalista escrever artigos especulativos.
O segundo turno tende a ser duro para Marconi se for formatada uma aliança que inclua Iris, Vanderlan e Gomide. Mas uma defecção está configurada de antemão. Se Iris for para o segundo turno contra Marconi, o empresário Júnior Friboi tende a pôr sua máquina eleitoral e financeira à disposição do tucano. Porque o objetivo do empresário, que se considera traído, é mais derrotar Iris, para assumir uma espécie de espólio do PMDB — com vistas à disputa de 2018 (quando Iris terá 85 anos e, certamente, não disputará mais eleições) —, do que derrotar Marconi.
Há um porém relevante. No segundo turno, ao contrário de no primeiro turno, o quadro nacional vai pesar em Goiás. A tendência é que o candidato do PSDB, Aécio Neves, dispute o segundo turno contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e é praticamente certo que o senador mineiro terá o apoio do candidato a presidente do PSB, Eduardo Campos. Sendo assim, talvez seja possível que Campos “puxe” Vanderlan para uma composição com Marconi Perillo, com o objetivo de enfraquecer o PT e o PMDB tanto local quanto nacionalmente.
Portanto, não é provável que Marconi fique isolado, com sua aliança tradicional — com PSDB, PSD, PP, PTB, PR, os partidos mais sólidos de sua base política —, contra uma mega-aliança em torno de Iris Rezende. No caso de segundo turno entre Vanderlan e Marconi — Iris e Ronaldo Caiado ficam com o primeiro. Se o segundo turno for entre Marconi e Gomide, Iris tende a ficar com o petista, mas Vanderlan pode ficar com o tucano.
Num ponto todos concordam: o que importa mesmo, tanto no primeiro quanto no segundo turno, é o candidato — e não necessariamente suas alianças. Porque o eleitorado, cada vez mais independente, escolhe para governar não aquele político indicado pelos líderes, e sim aquele que avalia como mais capaz de governar e modernizar o Estado. Acrescente-se que, no segundo turno, as estruturas políticas e financeiras pesam menos.
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José Mário Schreiner: candidato a deputado federal, deve perder o apoio de Ronaldo Caiado[/caption]
Candidato a deputado federal pelo PSD, o produtor rural, ex-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) e ex-vice-presidente da poderosa Confederação Nacional da Agricultura José Mário Schreiner está numa situação complicada — entre a cruz e caldeirinha, como se dizia nos tempos de antanho. Crente de que o deputado federal Ronaldo Caiado iria compor com o governador Marconi Perillo, disputando mandato de senador, Schreiner fechou uma aliança com ele — herdando seu apoio e suas bases eleitorais. No entanto, com a defecção do democrata para o lado de Iris Rezende, Schreiner não sabia o que fazer, na semana passada.
Filiado ao PSD, Schreiner apostava que Vilmar Rocha seria o vice de Marconi Perillo e que Caiado iria a senador. Agora, por fidelidade partidária, tem de apoiar Vilmar para o Senado, sonegando apoio ao aliado Caiado. Mas, se fizer isto, perde o apoio do democrata e de parte dos produtores rurais.
Na semana passada, Caiado, observando a saia justa de Schreiner, planejava apoiar outro candidato a deputado federal, possivelmente Tanner de Melo, de Aparecida de Goiânia. Há quem aposte que Schreiner pode desistir da disputa. Mas, em conversas com aliados, ele disse que vai manter a candidatura.
Com uma atuação estratégica, Marcus Vinícius Queiroz organizou a campanha que reelegeu Juan Manuel Santos em um acirrado segundo turno
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William O’Dwyer (centro) e engenheira Waléria Câmara em vistoria à obra / Foto: Milena Assis[/caption]
Na sexta-feira, 20, o secretário de Indústria e Comércio, William O’Dwyer, vistoriou as obras do Centro de Convenções de Anápolis, às margens da BR-153. A ida dele ao local, um mês depois da última vistoria, é justificada pelas grandes intervenções que serão feitas a partir de agora. Algumas dessas obras dizem respeito às vias de acesso, o asfaltamento de vias internas e a finalização dos auditórios, que terão capacidade para 150 lugares, cada. A vistoria foi acompanhada pela engenheira da SIC Waléria Câmara e pelos engenheiros Júlio César Ramalho, Robson Lobo e Reinaldo Bastos, que trabalham diretamente na obra.
O secretário diz que as obras estão em ritmo acelerado, sempre reafirmando que o local será um marco não somente para a cidade de Anápolis, como para toda a região Centro-Oeste, dada sua amplitude. “É uma obra importante e mais: feita com extrema qualidade. É possível dizer que será a melhor obra feita em Goiás nos últimos anos, em termos de material e qualidade de construção”, afirma William, que tem acompanhado o serviço de perto, desde que tomou posse como secretário, no fim de abril. Cumprindo o cronograma, a primeira etapa da obra deverá ser entregue no próximo mês, sendo que a inauguração está prevista para o fim deste ano.
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João Gomes: “Houve um calor maior, mas logo os ânimos se acalmaram” / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Na semana passada, um vídeo causou polêmica nas redes sociais ao mostrar o prefeito de Anápolis, João Gomes, “batendo boca” com um morador. No vídeo, João Gomes aparece gritando com uma pessoa, que o teria xingado momentos antes durante uma manifestação dos moradores do Jardim Primavera I. Porém, não há cenas mostrando o momento que o morador ofende o prefeito. O vídeo foi compartilhado centenas de vezes, sobretudo no Facebook.
A polêmica gerada pelo vídeo é minimizada quando contextualizado. A coluna falou com João Gomes, que deu sua versão dos fatos. Ele conta que há mais ou menos um ano, os moradores da região fizeram esse mesmo movimento, do qual o próprio João Gomes não tira a razão.
Segundo ele, foi feito o asfalto num bairro adjacente — ou seja, do outro lado da rodovia GO-560 —, mas o Jardim Primavera I ficou sem asfaltamento. Assim, os moradores do bairro ficaram ressentidos. “E é legítimo isso, porque a poeira lá é realmente muito ruim e incomoda os moradores. Além disso, é importante dizer que a Saneago está trocando a adutora da região e, por conta disso, uma parte grande da cidade, inclusive a que envolve o Jardim Primavera I, ficou sem água por três dias. Ou seja, a insatisfação dos moradores é legítima. E por isso, fui lá e andei com os moradores na poeira para reconhecer a situação. E junto conosco levamos as máquinas, que não vão sair de lá enquanto não acabarem o asfalto”, frisa o prefeito.
João Gomes relata que, ao saber do protesto, que contou com queima de pneus, foi ao encontro dos moradores. “Assim, logo quando chegamos, houve ali um calor maior, mas logo os ânimos se acalmaram. Falei com os moradores, os bombeiros tiraram os pneus que tinham sido usados no protesto e tudo se resolveu.”
O problema, segundo o prefeito, foi que uma pessoa de fora do movimento e que nem sequer é do bairro, passou do ponto nas provocações a ele. “Infelizmente, a provocação foi muito forte e eu o chamei para provar o que ele falou, mas não houve briga, tanto que depois esse mesmo morador pediu às pessoas que estavam comigo, inclusive alguns policiais e outros servidores da prefeitura, para falar comigo. Eu disse que tudo bem, ele veio a mim, me pediu desculpa, reconhecendo que havia exagerado e que entrou no jogo que haviam armado ali, justamente para filmar tal situação. Eu aceitei suas desculpas e nós nos abraçamos ali mesmo no meio da rua. Tudo certo”, declara o prefeito.
Em relação ao que se ventilou sobre a retirada das máquinas, o prefeito disse que houve um problema com o convênio que assegurava a verba e, por isso, a empresa retirou as máquinas do local. “Por um interesse da empresa, que ficou alheio à prefeitura”, afirma. Contudo, João Gomes assegura que o problema já foi resolvido. “A obra é grande. São R$ 9 milhões. A galeria, que é o mais demorado e mais caro, já está pronta. Acredito que nesta semana o asfalto começa a ser colocado.”
Obra inaugurada recentemente, o Planetário Digital e Observatório Astronômico de Anápolis está tendo um razoável sucesso. Desde sua inauguração, em janeiro deste ano, o espaço tem recebido uma média de 5 mil visitantes por mês. O planetário foi inaugurado com a presença do astronauta brasileiro Marcos Pontes, que, na ocasião, palestrou para estudantes — que são o público majoritário do local. Quem visita o planetário conta geralmente com uma série de atividades, como sessões de cúpula com observação no deck ao céu aberto; e visita aos painéis que atualmente contam com uma mostra internacional de Astronomia organizada pela Nasa e pela comunidade europeia, além de poder observar o céu pelo telescópio. Telecóspio esse que foi adquirido por uma licitação internacional, sendo melhor, inclusive, do que os das Universidades de Brasília (UnB) e Federal de Goiás (UFG). Estudantes das redes municipal e estadual, além de alunos da rede privada, têm horários especiais de visita ao planetário. Outras cidades também prestigiam o espaço. Segundo a equipe que gerencia o local, já foram registrados público de Goiânia, Brasília, Silvânia e Valparaíso.
No fim da última semana, o secretário de Indústria e Comércio e Cônsul Honorário da Alemanha em Goiás, William O’Dwyer, recebeu os embaixadores do Canadá, Jamal Khokhar; da Alemanha, Wilfried Grolig; e da Áustria, Marianne Feldmann. A reunião aconteceu em Anápolis e foi considerada como um jantar em homenagem a Goiás. O jantar antecedeu o encontro realizado na embaixada do Canadá, em Brasília. Como adiantado aqui, o secretário foi a Brasília para tratar de assuntos comerciais que beneficiam Goiás frente a aproximadamente 17 países, fora Canadá, Alemanha e Áustria. Já há previsão de conversas sendo realizadas com dois empresários canadenses, embora ainda não se saiba seus nomes. É certo, porém, que há notícias de bons investimentos a serem realizados no Estado.
Pela lei eleitoral, os políticos que detêm mandato não podem comparecer, nos três meses que precedem o pleito, a inaugurações de obras públicas. Assim, como as eleições são no dia 5 de outubro deste, os governantes têm até o dia 5 de julho para participar de inaugurações e eventos semelhantes. Dessa forma, tendo em vista que a construção do Centro de Convenções de Anápolis está a todo o vapor, mas tem data de entrega prevista apenas para o fim do ano, o governador Marconi Perillo pode participar de uma inauguração simbólica da obra até o dia 5 de julho. A informação é de um tucano aliado de longa data do governador. Contudo, ele não confirmou se haverá, de fato, a solenidade. Por enquanto, cogita-se a possibilidade, uma vez que o Centro de Convenções é a menina dos olhos do governador em Anápolis.
“Obrigado governador, por mais este grande presente a nossa cidade”, disse Jânio Darrot, ao divulgar evento inédito no Estado
A crise do PMDB, dividido entre Iris Rezende e Júnior Friboi, pode reduzir ainda mais sua importância no plano nacional. Líderes acreditam que o partido, se o quadro não melhorar até setembro, deve fazer no máximo dois deputados federais — Iris Araújo, que tem o apoio de Iris Rezende, e Daniel Vilela, que é bancado pelo pai, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Peemedebistas acreditam que Pedro Chaves, um dos deputados federais mais qualificados do PMDB, pode não ser reeleito. A crise tomou tal dimensão que Marcelo Melo, que era tido como potencialmente eleito, pode não disputar e deve apoiar Chaves. É outra grande perda para o partido.
Na tarde da quarta-feira, 18, o PMDB anunciou sua composição de chapa majoritária com nomes que em outros tempos estiveram associados à base aliada e ao governador tucano, Marconi Perillo. Os pré-candidatos ao senado, Ronaldo Caiado, e a vice, Armando Vergílio, se juntaram a Iris Rezende, que disputará o governo. O “espirito de goianidade” e “necessidade de mudança” são a motivação para composição. Vergílio disse: “Nós dialogamos com todas as forças políticas e tivemos em Iris Rezende a receptividade de todas as nossas propostas. Este é o melhor caminho”.
Caiado reafirmou sua coerência e alegou o uso da máquina governamental com motivos puramente eleitorais, por parte de Perillo. “Isso é o que existe de mais retrógrado. Usar a máquina de governo para querer calar as pessoas e sufocar as lideranças. Isso é crime eleitoral”, afirmou. No dia seguinte, o democrata anunciou que entrará com representações contra o governo estadual, por improbidade administrativa.
Aliados do empresário Júnior Friboi, os deputados federais Sandro Mabel e Pedro Chaves compareceram ao evento, no escritório de Iris, e enalteceram a posição dos pré-candidatos. Chaves afirmou que Friboi não vai voltar. “Não é candidato.”
Medidas são estabelecidas para reduzir criminalidade na Grande Goiânia
Com o agravo diário da violência na cidade, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) informou sobre uma ação, com o enfoque em 15 bairros, para amenizar a criminalidade. Os bairros somam 16% da população e 27% dos homicídios ocorridos, desde janeiro de 2013. A medida foi estabelecida na quarta-feira, 18, e conta com a atuação de 40 policiais militares em horários e áreas específicas, quando o número de crimes é maior. O superintendente-executivo da SSP-GO, coronel Edson Costa de Araújo se reuniu, no dia seguinte, com diretores da Secretaria de Administração Penitenciária e Justiça (Sapejus) para discutir medidas quanto à organização do sistema prisional. No inicio da semana, Marconi Perillo (PSDB) havia decretado estado de emergência em relação ao sistema. Já a Polícia Militar deflagrou a Operação Prioridade Duas Rodas, na grande Goiânia, para amenizar os assassinatos cometidos por motociclistas. As abordagens já estão sendo realizadas e drogas e armas foram apreendidas.
Déficit na balança comercial
O coordenador-geral do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), Regis Bonelli, anunciou a estimativa, no seminário de Análise Conjuntural na terça-feira, 16, que a balança comercial feche o ano de 2014 com déficit de US$ 2 bilhões. O Produto Interno Bruto (PIB) tem previsão de crescimento em 1,6% com inflação em 6,7%. Bonelli afirmou que o risco não está no setor externo e, embora não sejam boas, as perspectivas não representam nenhuma catástrofe. “Para o ano que vem, a nossa previsão [de crescimento do PIB] é um pouco pior do que para este ano, mas tem boas expectativas de que tudo melhore a partir daí”, concluiuTransporte público em greve
Em quinta audiência de conciliação, motoristas de ônibus e sindicato, que representa as empresas do Transporte Coletivo da Grande Goiânia, não entraram em acordo e greve da categoria deve ser deflagrada nesta segunda-feira, 23. O encontro foi no auditório do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na capital. O efetivo mínimo de ônibus que deverá circular durante a paralisação foi discutido. A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho, Janilda Guimarães, propôs o porcentual de 50%, em horários de pico, e 30%, nos demais horários. Já o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (Setransp) defendeu o porcentual em 80% e 50%, findando em desacordo. Reajuste de 10% sobre o salário, 23% sobre o ticket-alimentação e a volta da manobra ou indenização de 250 reais são reinvindicações da categoria.Rússia contesta Estados Unidos
O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, anunciou na sexta-feira, 20, que a Rússia contestará as sanções impostas ao país, pelos Estados Unidos, devido à crise na Ucrânia. “Os Estados Unidos aplicaram sanções contra a Rússia que vão ter consequências negativas para o comércio externo. Decidimos contestar essas sanções na Organização Mundial do Comércio (OMC)”, declarou Medvedev, durante um fórum internacional, em São Petersburgo. O chefe do governo considera um procedimento complicado, pois os Estados Unidos dominam a OMC, e afirmou que esse procedimento “permitiria avaliar [sua] imparcialidade e objetividade”.China proíbe “trabalhos críticos” da imprensa
A Administração Estatal de Imprensa, Publicação, Rádio, Cinema e Televisão chinesa anunciou, na quarta-feira, 18, que seus jornalistas “estão proibidos de realizarem trabalhos críticos a não ser que tenham recebido aprovação do seu local de trabalho”. A decisão é um agravo da repressão, em um país, cujas restrições à imprensa estão entre as mais rígidas do mundo. O objetivo do governo chinês é justificado na intenção de evitar extorsão, notícias pagas e reportagens falsas. Quem escrever criticamente, sem autorização, pode ser acusado pela Justiça, perder a carteira profissional e, ainda, ser expulso do Partido Comunista, caso seja membro. Recentemente, lançaram uma forte ofensiva contra rumores online, cujos internautas que escreverem mensagens difamatórias e forem republicadas 500 vezes, podem enfrentar pena de prisão.
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Lula muda o tom e esbraveja, fazendo Fernando Henrique o responder[/caption]
A confrontação com o PSDB quanto a corrupção seria a quarta troca de foco na campanha do PT. Antes houve uma guinada quando o partido deixou de lado o seu tradicional mote para infundir esperança no eleitor e partiu para o contrário: transmitir medo quanto à volta dos tucanos ao poder, o que seria a redução de programas sociais.
Como numa ejaculação precoce, a campanha do medo não funcionou porque veio antes da hora. O tema está mais para o fim da propaganda eleitoral, para uma cartada final se foi o partido quem perdeu a esperança em urnas risonhas. Além disso, a Justiça vetou o tema que antecipava acusações a possíveis posições dos adversários.
A seguir veio a opção de Lula pelo ataque agressivo à oposição, aquele “partir para cima” tipo olho por olho, dente por dente. Vigorou até o episódio do Itaquerão, quando Lula radicalizou na sua antiga tendência a estimular a luta de classe com aquela história de que rico não tolera a presença de pobre na universidade ou na viagem de avião. Veio então o ódio de classe.
Os riscos de troca de focos de uma campanha começam pelo fato de que repassam insegurança do partido ou candidato quanto ao sucesso nas urnas. A instabilidade de tema pode chegar ao ponto em que denota desespero. Seria o fim da picada para quem se oferece aos eleitores como líder ou comandante certo para aquele momento de cisão sobre governo.
Além disso, veja-se o tema do ódio. Lula não acompanhou a presidente Dilma no desafio de ir ao estádio para o início dos jogos da Copa, mas no dia seguinte estava com a sucessora em Recife, onde inaugurou o discurso para transformar a candidata em vítima do ódio da oposição e de elites brancas.
Com agressividade e mau humor maior ainda do ritmo que mantinha ultimamente, Lula defendeu ferozmente a presidente contra a hostilidade popular insuflada pela mídia. Naquela ênfase, procurou apagar a imagem de omisso que deixou no estádio. Era um esforço para mostrar presença intensa capaz de mudar a imagem de uma ausência anterior. Conseguiu.
Tanto Lula conseguiu mostrar presença que a oposição reagiu, também numa escalada de tom nas discussões de campanha. Contestou com os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). A mudança de comportamento retirou FHC de seu sossego e o levou a duelo verbal com Lula.
Deu no que deu. Conforme a pesquisa do Ibope divulgada em seguida, na quinta-feira, a massa de eleitores rejeitou o bate-boca entre os políticos. Todos foram reprovados numa dimensão que ampliou o desencanto popular quanto a políticos.
O meu professor de psicologia costumava tornar os temas mais compreensíveis dando exemplos. Certo dia, referindo sobre “sincretismo infantil” explicou-o da seguinte maneira: “Entende-se por sincretismo infantil”, disse ele, “aquela fase da criança na qual ela ainda não distingue entre a parte e o todo. É a fase na qual a criança ao ver, por exemplo, uma árvore, vê-a como um todo. Ela ainda não distingue que a árvore é formada por um tronco, muitos galhos, hastes, folhas e eventualmente flores. Em regra, esta fase vai, aproximadamente, até aos 3 anos de idade”.
O Dicionário Aurélio menciona que o termo é do campo da Psicologia sem citar explicitamente que se trata de um termo da Psicologia Infantil. Aurélio interpreta-o assim: “Percepção global e indistinta da qual surgem, depois, objetos distintamente percebidos”. A explicação de Aurélio corresponde à explicação do meu mestre embora a dele tenha sido mais simples e mais compreensível.
Passaram os anos, nunca esqueci esta singela explicação tampouco aprofundei o tema. Especialistas do ramo que me perdoem, caso não tenha eu reproduzido corretamente a definição.
Em todo caso, o sincretismo infantil existe. É um termo real e específico do campo da Psicologia Infantil para explicar uma realidade, isto é, um fenômeno natural no desenvolvimento da criança em seus primeiros anos de vida.
O termo sincretismo é usado também em outras áreas do saber humano, se bem que com distintas conotações. Encontramo-lo na Filosofia, na Etnografia, na Antropologia, nas Artes, especialmente na pintura, bem como em várias religiões como no cristianismo, no budismo, no hinduísmo, no islamismo e em outras ciências.
O que por definição não existe é a expressão “sincretismo geográfico”. É uma invenção minha, uma artimanha estilística, para explicar lapsos muito comuns na mídia europeia em relação ao Brasil. “Sincretismo geográfico, portanto, não existe na realidade, mas existe na prática como demonstram os exemplos concretos que encontrei em jornais, folhetos de propaganda, cartazes, letreiros luminosos, paredes pintadas e outros meios de poluição visual. Também a TV fornece, nesses dias da Copa, fartos exemplos.
Os exemplos comprovam que alguns jornalistas, redatores e profissionais, não só da área da publicidade, têm um problema que bem poderíamos chamar de “sincretismo geográfico” cuja definição poderia ser a seguinte: “Trata-se de uma anomalia mental que se manifesta na fase adulta de indivíduos com faculdade intelectual subdesenvolvida cujos sintomas consistem em verem um Continente, por exemplo a América Latina, como um todo, como se o Continente fosse um país só”.
Os exemplos a seguir não deixam dúvida quanto a existência desta anomalia. Na internet encontrei a seguinte frase: “A cidade do Rio de Janeiro, a metrópole sul-americana, apresenta o seu completo esplendor durante o carnaval”. Neste caso, o Rio, antes de ser cidade brasileira, é a metrópole sul-americana.
Um jornal alemão anuncia um espetáculo musical com o título “Canções de amor da América Latina” seguido com a seguinte informação: “No programa “Monday Sessions” participará a cantora Dorothee Götz que apresentará uma seleção de títulos, selecionados pessoalmente pela cantora, de seu álbum “Brasilian Love Song Book”. Neste exemplo quem vai ao espetáculo, na esperança de ouvir canções de amor da América Latina, acaba ouvindo brazilian love songs.
Um político de um dos Estados da Alemanha perdeu a eleição, o cargo e a reputação, mas teve uma oferta de uma grande empresa alemã para um cargo de chefia em sua filial brasileira no Rio de Janeiro. Em um encontro regional de seu partido o político convidou alguns amigos para visitá-lo em seu novo posto de trabalho, no Rio de Janeiro, “a fim de tomar uma boa caipirinha com vocês”. Um jornal local registrou a notícia e um leitor enviou uma carta à redação na qual perguntou: “Que tal seria se o político convidasse também o sr. Friedrich Wegner (nome alterado) para visitá-lo na América do Sul?”. Neste exemplo o Rio de Janeiro e a América do Sul também são a mesma coisa. Além disso, visitar alguém na América do Sul! Onde?
Outro exemplo com o seguinte título: “Brasil atrai montadoras” seguido com um texto que é típico para o sincretismo geográfico: “Apesar de os automóveis da classe alta ocuparem apenas um pequeno segmento do mercado a Audi, BMW e a Daimler investem fortemente na América do Sul”. Neste caso é o Brasil que atrai as montadoras mas todas elas investem na América do Sul. Afinal onde, em que país?
Outro exemplo da área industrial com o título: “BASF investe 500 milhões de euros” seguido com o seguinte texto: “O maior grupo mundial da área química, a BASF, investirá 500 milhões de euros numa nova fábrica no Brasil. Trata-se do maior investimento da centenária história da BASF na América do Sul... Em Camaçari a BASF construirá o primeiro complexo industrial para a produção de ácido acrílico e superabsorventes na América do Sul”. Como vemos, Brasil, Camaçari e América do Sul parece um todo!
Um jornal alemão publica artigo sobre o prefeito de uma cidade, uma personalidade conhecida no sul da Alemanha. O artigo inclui dados biográficos onde se lê: “Formação: Após concluir o ensino médio, o prefeito Fulano de Tal fez uma aprendizado na área de transportes e em prosseguimento estudou Ciências Econômicas na Universidade de Paderborn e nos Estados Unidos. Encarregado pela Fundação Friedrich-Ebert, trabalhou vários anos na América do Sul”. Trabalhou na América do Sul? Onde? Entre o Canal do Panamá e a Tierra del Fuego há inúmeros países.
Um exemplo do comércio. Na caixa do correio encontro um folheto de uma loja chique da cidade no qual vejo a seguinte aberração: “Camisetas-Benchmarking. +invariáveis há 20 anos, +algodão sul-americano, +embalagem dupla por 29,00 euros”. Algodão sul-americano! Afinal donde vem o algodão? Do Brasil? Da Guiana Francesa? Do Chile ou quiçá de uma país chamado América do Sul?
No folheto de uma grande cadeia de supermercados vejo a foto de uma embalagem com a seguinte inscrição: “Rosbife sul-americano”! Curiosamente, o concorrente deste supermercado anuncia, com foto semelhante, um “Filé de peixe sul-americano”. Donde será que vem o rosbife sul-americano? Dos pampas argentinos? Do Uruguai? De alguma fazenda de Goiás?
Tentei descobrir a procedência do filé de peixe sul-americano. Casualmente encontrei o gerente quando me encontrava no supermercado. Mostrei-lhe a embalagem e perguntei: “Donde vem este filé de peixe sul-americano?” O homem pegou a embalagem, fitou-a, fitou-a longamente e disse: “Da América do Sul! Está escrito na embalagem”. Desisti.
Já que estamos presenciando o Mundial de Futebol registro um exemplo típico de sincretismo geográfico referente a este esporte. Em agosto de 2011 houve uma partida amistosa entre as seleções do Brasil e da Alemanha. Na época Mano Menezes era o técnico da seleção brasileira. O encontro teve lugar no Estádio do VfB em Stuttgart. A Alemanha venceu por 3 a 2. Mano Menezes, em entrevista à imprensa, comentou: “Desde que sou técnico da Seleção Brasileira, já faz um ano, foi este o primeiro jogo no qual o adversário nos superou em todos os sentidos”.
No dia seguinte o maior jornal local alemão comenta:”A interpretação de Mano Menezes foi muito franca o que não facilita as coisas para o técnico da Seleção Sul-Americana”.
No dia da abertura da Copa um jornal alemão escreve o seguinte: “Com a cerimônia de abertura e o jogo entre o país anfitrião e a Croácia começa hoje, em São Paulo, o Campeonato Mundial de Futebol. A equipe sul-americana entra em campo carregando um enorme peso: ela terá que conquistar o sexto título”. A Seleção Brasileira é a equipe sul-americana.
Não é somente na mídia escrita que se ouvem tais “sincretismos geográficos”. Durante os jogos da Copa em andamente é comum na TV ouvir falar da equipe uruguaia como sendo a equipe sul-americana. O mesmo já se ouviu da equipe chilena, da argentina, da colombiana... Todas elas, antes de serem chilena, argentina ou colombiana, são sul-americanas.
Além disso, no que diz respeito à pronúncia, ouve-se coisas engraçadíssimas. As cidades ou os estádios nos quais são realizados os jogos, falados pelos homens e mulheres da TV, soam pra doer: Curitchiba, Guiaba, Portalechre, Sankpaulo, Fortaletza, Retzife, Maracaná... e a “Marcha Real”, o hino nacional da Espanha, passou a ser a “Marca Real”.
Terça-feira, 17 de junho, teve lugar a partida entre a Bélgica e a Argélia em Belo Horizonte. No momento em que a Argélia fez o primeiro gol o comentarista saiu com a seguinte observação: “Os africanos estão complicando a vida dos belgas”. Sincretismo geográfico também em relação à África! Estão realmente vendo a árvore como um todo. Desliguei a televisão.

