Notícias
[caption id="attachment_15702" align="alignleft" width="324"]
Aécio saiu no lucro ao ficar de fora do confronto entre Dilma e Marina[/caption]
As pesquisas sobre os presidenciáveis, reveladas durante a semana, mostram que o tucano Aécio Neves foi o único a crescer no Datafolha e no Ibope. Mas não recuperou o patamar que tinha no Datafolha quando Marina Silva (PSB/Rede) entrou no lugar de Eduardo Campos. Agora, Marina caiu no Datafolha e estacionou no Ibope. Dilma subiu no Datafolha e caiu no Ibope.
A semana começou com o Ibope na terça, 16. Dilma com 36%, em queda de três pontos em relação aos 39% que tinha uma semana antes, quando se divulgou o saque de bilhões de reais pelo PT na Petrobras, delatado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa. Há dois meses, com Marina no jogo, tinha 34%. Marina perdeu um ponto: tinha 31% e foi a 30%. Ao entrar em cena tinha 29%. Aécio subiu quatro pontos: saiu dos 15% e voltou aos 19% de há um mês.
No Datafolha de sexta-feira, 19, Dilma se apresentou estável, com 37%, um a mais do que tinha uma semana antes, os mesmos 36% tinha quando Marina surgiu. Marina apresentou queda de três pontos: desceu de 33% para 30%. Entrou em cena com 21% em agosto. Aécio subiu dois pontos: foi de 15% a 17%. Com Marina no jogo, tinha 20% em agosto.
A rejeição de Dilma é parelha nas duas pesquisas: 32% no Ibope contra 33% no Datafolha. A de Marina é discrepante: de 14% no Ibope foi a 22% no Datafolha, ambas na mesma semana. A rejeição de Aécio está dentro do empate técnico, com a margem de erro de 2% nas duas pesquisas: com 19% no Ibope, subiu a 21% no Datafolha.
Num segundo turno medido pelo Ibope, Marina superaria a Dilma por três pontos: 43% a 40%. No Datafolha, Marina também bateria Dilma, mas por dois pontos: 46% a 44%. Aécio perderia o segundo turno para qualquer uma das duas. No Ibope, Dilma teria 44% contra 37% de Aécio. No Datafolha, Dilma venceria com 49% contra 39% de Aécio.
Analistas do Datafolha, Mauro Paulino e Alessandro Janoni afirmam que Aécio foi quem mais ganhou com o confronto de falas entre Dilma e Marina. Eles escreveram que o tucano saiu no lucro porque esteve fora da guerra entre as duas candidatas e ainda tratou de relacionar ambas ao continuísmo do PT, no qual Marina fez carreira:
– A estratégia da campanha de Aécio de reuni-las (Dilma e Marina) sob o rótulo de continuísmo e de se posicionar como o candidato da “mudança de fato”, parece ter surtido efeito em parte. Em 15 dias, o tucano oscilou positivamente três pontos percentuais, destacando-se entre os mais escolarizados e ricos.
[caption id="attachment_15698" align="alignright" width="620"]
Entrevista do filósofo José Arthur Giannotti constrangeu, mas, pelo menos, sacudiu o tucanato em São Paulo[/caption]
Quando vinha a Brasília nos anos 90, o filósofo José Arthur Giannotti se hospedava com honras políticas e intelectuais na residência presidencial do Alvorada, a convite do casal de cientistas sociais Ruth e Fernando Henrique Cardoso. Os três professores de humanidades na Universidade de São Paulo, onde foram expurgados pela ditadura, mas reabilitados com honras.
Giannotti desembarcava na cidade para reuniões do Conselho Nacional de Educação, que integrava com o charme intelectual e político de amigo íntimo e hóspede costumeiro, mas discreto, do casal presidencial. Agora, aos 84 anos, Giannotti provocou constrangimento no PSDB ao romper a antiga discrição com uma entrevista de fim de semana ao “Estadão”.
Incomodado com o desempenho modesto do presidenciável Aécio Neves nas pesquisas, Giannotti acusou o PSDB de não saber se articular como oposição. Diagnosticou que o partido ficou sem discurso desde a guinada do PT de Lula para o centro; e não soube se reorganizar, como o filósofo declarou ao repórter Pedro Venceslau:
— Quando você não tem uma oposição organizada, em geral quem ocupa esse espaço é uma dissidência da base aliada.
Lúcido, Giannotti se referiu a Marina Silva, presidenciável pelo PSB/Rede depois de construir a carreira política no PT. Não é que Aécio acusa a concorrente de ainda seguir uma vocação petista? Pois é. Além do mais, antes de Marina, o candidato do PSB era Eduardo Campos, que saiu da base aliada do Planalto para ocupar o vazio visto pelo filósofo, quando Aécio era o virtual concorrente tucano.
Aécio Neves? “Voltará a ser o que sempre foi: uma liderança, mas não mais a ponta da pirâmide”, previu Giannotti que da eleição presidencial sairá “um PSDB estilhaçado”, tendo paulistas novamente na liderança de um partido dividido. À esquerda, José Serra, agora líder na disputa pela vaga no Senado. À direita, o governador Geraldo Alckmin, virtualmente reeleito.
A fala de Giannotti constrangeu, mas, pelo menos, sacudiu o PSDB em São Paulo. Um grupo de políticos tucanos e empresários amigos se juntou numa reunião social, na noite de terça. FHC, ainda elétrico aos 83 anos (no fim deste setembro, Ruth teria um ano a mais, como o filósofo Giannotti), com base no consenso do grupo, apontou o rumo para Aécio, com eles ali na festa:
— O chumbo grosso deve se concentrar no PT e, portanto, na Dilma.
Na opinião de FHC, o discurso de Aécio, tendo Marina como alvo preferencial, serviria apenas para nutrir a reeleição da presidente petista, mesmo que também vinculasse a ambientalista ao petismo. O chumbo grosso contra Dilma poderia chamar de volta os eleitores que o tucano perdeu para Marina. Ele seria mais uma opção contra o PT.
A reunião de terça foi preparada com cuidado. O pretexto era uma homenagem ao governador Alckmin, mas os tucanos trouxeram de Salvador o prefeito ACM Neto. Ele representava ali a solidariedade do DEM, antigo aliado do partido. Neto se contrapunha ao líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), aquele que cedo jogou a toalha e defendeu a adesão a Marina.
Houve planejamento, mas os tucanos também receberam ajuda da sorte. Naquela noite, o país soube da nova pesquisa do Ibope que apontou avanço de Aécio, recuo de Marina e Dilma sem sair do lugar. O presidenciável tucano ressurgia com possibilidade de ir ao segundo turno.
Com o novo prestígio de Aécio, o PSDB pode, no mínimo, negociar uma posição mais forte junto a um futuro governo Marina em troca de apoio no segundo turno da eleição. Com um pouco mais de jogo tático e sorte, o tiroteio da concorrente Dilma contra Marina poderá continuar a conter a rival e, no ricochete, empurrar o próprio Aécio ao segundo turno.
Um dos principais responsáveis pelo destaque do Estado no ranking do Ideb, o deputado federal e ex-secretário diz que a oposição precisa pesquisar mais para não propor o que já existe
[caption id="attachment_15695" align="alignright" width="620"]
Marina Silva tirou vantagem dos ataques petistas e lembrou pobreza da infância
Já Dilma Rousseff ironizou ao dizer que “não chega lá quem se sente coitadinho”[/caption]
As aparências não enganam. A origem social humilde é mais visível na presidenciável Marina Silva (PSB/Rede) do que no robusto figurino da presidente Dilma Rousseff (PT). No entanto, o contrassenso da insistência de Dilma em enfrentar aparências e acusar Marina de tramar o fim dos programas sociais transforma a oposicionista em vítima.
Os petistas dizem que a adversária é que se passa por vítima. Mas quem a induz ao papel no teatro da sucessão presidencial? Marina não se queixa de sua origem, sequer a mencionava antes. É a pressão das mentiras de Dilma e seus marqueteiros que leva Marina a invocar sua infância e adolescência na miséria de um seringal no Acre. Evocar como prova de pobreza.
A seu favor no confronto, Dilma conta com a acomodação da clientela pobre dos programas sociais, que pode considerar que tudo está bom demais nas mãos da presidente, como agora. Se melhorar, pode estragar — desconfiará o cliente passivo diante da promessa de aperfeiçoamento no Bolsa Família vindas de Marina e do presidenciável Aécio Neves (PSDB).
Marina não dispõe da mesma riqueza de imagens ameaçadoras aos pobres filmadas pelo aparelho governista para a propaganda na televisão. Mas possui a fala mais bem articulada entre os principais concorrentes. Além disso, Marina pode manejar a emoção com mais convicção e empatia na persuasão do povo.
Na noite de terça-feira, 16, Marina surgiu na propaganda de televisão com um discurso filmado em comício de Fortaleza. Com emoção, defendeu-se de mais um ataque dilmesco mentiroso. “Nós vamos manter o Bolsa Família! Sabe por quê? Porque eu nasci lá no Seringal Bagaço”, situou a origem na floresta do Acre. Com a voz trêmula, foi em frente:
— Eu sei o que é passar fome. Tudo o que a minha mãe tinha era um ovo para oito filhos, um pouco de farinha e sal com uma palhinha de cebola picada. Eu me lembro de ter olhado para o meu pai e a minha mãe e perguntado: “Vocês não vão comer?” E minha mãe respondeu: “Nós não estamos com fome.” Eles não comiam há mais de um dia.
Antes, no domingo, 14, Marina visitou a pobreza na periferia de Brasília. Assegurou aos pobres que não suspenderia o Bolsa Família e outros programas sociais. Em recado a Dilma, acalmou a petista quanto a retaliação. “Presidente, a senhora fique tranquila que não vai receber de mim o mesmo tratamento que está fazendo comigo”, esclareceu e emendou:
“Quem tem essa história, não na teoria, mas no sangue, no corpo magro, não acaba com o Bolsa Família”, invocou a origem humilde em defesa de política social para a população mais modesta. Na véspera, Marina declarou na campanha que é perseguida pelo governo “por ser filha de pobre, preta evangélica.
Dilma pegou o depoimento da concorrente e convocou a imprensa ao palácio residencial no domingo para criticar a lamúria marineira. “Quem levar isso para campo pessoal não vai ser uma boa presidente”, diagnosticou a angústia de Marina como uma fraqueza impensável na Presidência da República e, com arrogância, sentenciou como se desejasse humilhar:
— Não pode chegar lá quem se sente coitadinho.
O economista norte-americano Thomas Sowell afirma que os intelectuais acadêmicos criaram um mundo que recompensa e admira as pessoas por violarem as normas sociais e, com isso, destroem a coesão que sustenta a sociedade
Apreensão de avião com R$ 500 mil e material de campanha pode prejudicar o candidato a duas semanas do pleito
[caption id="attachment_15665" align="alignleft" width="251"]
Marcelo Miranda pode sofrer com nova intervenção da Justiça eleitoral devido ao novo caso. Porém, ainda há muitos fatos a serem esclarecidos[/caption]
Gilson Cavalcante
A duas semanas da eleição, a apreensão de um avião com R$ 504 mil e milhares de panfletos políticos do candidato ao governo Marcelo Miranda (PMDB), na cidade goiana de Piracanjuba, está envolvo de mistérios e a cheira armação. A Polícia Civil de Goiás vai ter que dar explicações convincentes para a operação. O que causa estranheza é o fato de que os presos mudaram o depoimento feito à polícia, deixando claro a tentativa de ligar a apreensão do material ao candidato.
O dinheiro, segundo a polícia, havia sido sacado horas antes na Caixa Econômica Federal, cujos pacotes ainda estavam envoltos no papel do banco. Quatro pessoas que estavam na aeronave foram presas, sob a alegação de lavagem de dinheiro. Estaria a Caixa, uma instituição financeira oficial lavando dinheiro? Pelo que se sabe, não é proibido transportar dinheiro em espécie no país, sacado de um banco oficial.
O advogado e jornalista Luiz Armando Costa, em seu site, faz a seguinte indagação: “A pessoa que vai transportar R$ 504 mil supostamente ilegais para uma campanha eleitoral ao governo iria carregar junto uma prova do destinatário da grana? Iria transportar junto uma carteira de identidade do beneficiário do dinheiro ilegal?”.
Essa historinha mal contada tem apenas um objetivo: tentar jogar o eleitorado e a sociedade contra Marcelo Miranda, imputando a ele um crime eleitoral.
A polícia informou à imprensa que o fato será comunicado à Justiça Eleitoral do Estado e, caso haja “indícios” de que o dinheiro seria utilizado na campanha de Marcelo Miranda, antes mesmo de o caso ser apurado, politicamente a candidatura do peemedebista poderá ser contaminada, pois seria baseado em meras suposições. “Com base em evidências, como se nota, frágeis, que não sustentam os meios que irá dar base aos fins já antecipadamente colocados pelo delegado responsável”, considera o advogado.
Luiz Armando conta que a aeronave é de propriedade do empresário Ronaldo Japiassu, que seria amigo de Marcelo Miranda e que teria mantido contratos com o governo quando ele era governador. Portanto, há seis anos. O empresário mantém o contrato com o atual governo. O último, assinado em 20 de junho de 2014, para execução da lama asfáltica, no valor de R$ 17,4 milhões, em bairros de Porto Nacional. Contrato esse assinado pelo ex-presidente da Agtrans, Kaká Nogueira (coordenador da campanha do governador e candidato à reeleição, Sandoval Cardoso, do SD) e Ronaldo Japiassu, dono da Construtora Alja Ltda. O mesmo Káká Nogueira é também o maior doador até aqui da campanha do cunhado Sandoval, com R$ 1,8 milhão.
“Aliás, amigo por amigo, um dos presos (Douglas Alencar, figurinha carimbada aí na praça e de livre trânsito no núcleo do grupo siqueirista) postava nas redes sociais, até dias atrás, fotos viajando com Eduardo Siqueira, dentro de pequenas aeronaves (o que faz supor uma assessoria muito próxima), nos seus deslocamentos na campanha de deputado estadual, linkando a foto dos dois juntos, apertadinhos, na aeronave, com o slogan ‘Um novo caminho’, por sinal da campanha do ex-secretário”, atesta o advogado e jornalista.
Agora, resta aguardar o desfecho desse episódio. A Procuradoria Regional Eleitoral do Tocantins (PRE-TO), segundo sua assessoria de comunicação, está acompanhando o caso, mas não pode falar nada, enquanto não tiver acesso ao flagrante. O procurador-regional Álvaro Manzano não havia recebido nenhum documento sobre o caso até o final da tarde de sexta-feira, 19, data de fechamento desta edição.
Os acusados detidos não terão dificuldades para se livrar da acusação e ganharem liberdade, segundo Luiz Armando. Já a suspeita sobre Marcelo Miranda, plantada no consciente popular, “não sairá com a mesma facilidade na proporção de sua amplificação pelos governistas”.
Requerimento ao STF esquenta o clima na CPI do Igeprev
O deputado estadual Sargento Aragão (Pros) protocolou m requerimento, em regime de urgência, na CPI do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado (Igeprev). O deputado requer ao Supremo Tribunal Federal (STF) informações sobre o inquérito que tramita em segredo de Justiça e envolve o deputado federal e candidato ao Senado Eduardo Gomes (SD), o candidato a deputado estadual Eduardo Siqueira Campos (PTB) e o ex-presidente do Igeprev, Rogério Vilas Boas. O inquérito liga os investigados com o doleiro Fayed Traboulsi, no caso dos desvios de recursos do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins (Igeprev). De acordo com Aragão, os nomes deles estariam na caderneta do doleiro informando a entrega de altas quantias de dinheiro. “E que dinheiro é esse que eles deveriam receber do envolvido com o escândalo do Igeprev?”, questionou o autor do requerimento. O doleiro, preso na Operação Miqueias deflagrada pela Polícia Federal (PF), em 2013, é apontado como integrante de um esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos de fundos de pensão que teria movimentado R$ 300 milhões, em um ano e meio. Baseado nisso, Aragão apontou ainda que a CPI deve convocar todas as pessoas que tiveram assento no Conselho do Igeprev. “Todos devem ser convocados na condição de testemunhas. E se mentirem vão sair da CPI algemados”, declarou. Mudança de foco O governador Sandoval Cardoso (SD) enviou à Assembleia Legislativa, na semana passada, projeto sugerindo a reforma do Igeprev. O projeto vem justamente no momento em que o órgão está sob investigação, o que causa estranheza. Na mensagem encaminhada ao Legislativo, o governador destaca modificações nos conselhos Fiscal e de Administração do instituto e na formação do quadro técnico, que deverá ser formado exclusivamente por servidores públicos. O projeto prevê que o Conselho de Administração seja composto por representantes de servidores do Legislativo, Judiciário, Ministério Público estadual (MP-TO), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Defensoria Pública, além de quatro integrantes dentre os servidores do Executivo, sendo um representante dos inativos e dois indicados pelas categorias militares do Estado, sendo um formado pelos inativos. Segundo projeto, o conselho se completa com outros 11 membros indicados pelo governador do Estado. Já o Conselho Fiscal da entidade será formado por nove membros indicados pelo chefe do Executivo, quatro representantes dos servidores do Executivo, um deles dos inativos, e indicados pelos servidores do Legislativo, Judiciário, MP-TO, TCE e Defensoria Pública.Sandoval abandona sabatina
O governador e candidato à reeleição, Sandoval Cardoso (SD), reafirmou seu compromisso com a categoria de servidores públicos ao ser sabatinado pelas centrais sindicais no início da semana passada, em Palmas. Contudo, argumentando que tinha que participar de um comício, o candidato deixou a sabatina. “Vou ter que me ausentar, pois já vamos para mais de três horas de sabatina. Tenho um comício onde há três mil pessoas me esperando e não posso fazer isso com elas. Quero parabenizar e agradecer a oportunidade”, disse o candidato, tentando justificar o abandono do debate. O candidato ao governo pelo Pros, senador Ataídes Oliveira, aproveitou a retirada de Sandoval para ironizar a situação: “O Tocantins está no mato sem cachorro. O [Marcelo] Miranda , já que não veio, devia ter mandado o pai dele vir porque é ele quem vai governar; e o Sandoval agora deve ter recebido uma ligação de Eduardo Siqueira Campos, já que ele é batedor de carimbo dele.” Em dado momento, Sandoval foi chamado de “mentiroso” por alguns servidores, quando afirmou que o governo estava cumprindo com vantagens e benefícios dos funcionários públicos. O candidato Marcelo Miranda (PMDB) não compareceu. De acordo com a sua assessoria, o candidato teve que fazer uma viagem devido a uma emergência familiar.Controvérsias em ação do MPF contra Marcelo Miranda
[caption id="attachment_15664" align="alignleft" width="620"]
Marcelo Miranda pode sofrer com outros processos. Dessa vez, o MPF cita-o em uma ação de mais de 10 anos, o que gerou questionamentos[/caption]
O advogado Solano Donato, que faz parte da equipe jurídica da coligação liderada pelo candidato ao governo Marcelo Miranda (PMDB), disse não entender o motivo da abertura de uma nova ação do Ministério Público Federal (MPF-TO) sugerindo o bloqueio dos bens do candidato.
O principal questionamento é em relação à abertura de uma ação que há mais de 10 anos existe e na qual não havia citação do nome de Marcelo Miranda, quando era governador. Segundo o advogado, até o fechamento desta edição, Marcelo Miranda ainda não havia sido notificado.
A nova ação proposta pelo MPF-TO decreta o bloqueio dos bens não apenas do ex-governador, mas também de Henrique Barsanulfo Furtado e Eduardo Henrique Saraiva Farias pela contratação da Oscip Brasil para gerir 14 hospitais públicos no Estado e pelo desvio de recursos públicos, em 2003 e 2004. A ação proposta, que culminou com a indisponibilidade dos bens decretada pela Justiça Federal, foi proposta em 30 de abril deste ano.
Na avaliação do advogado, a Oscip Brasil foi contratada há 11 anos. “Uma Ação Civil Pública (ACP) aberta há seis anos teve sentença proferida há três anos e oito meses pela condenção das pessoas requeridas e responsáveis no caso. Porém, Marcelo Miranda não foi citado. E agora, em período eleitoral, o MPF abre uma ação penal citando o candidato a pagar pelo mesmo montante que outras pessoas que já foram condenadas em primeira instância”.
Donato considerou estranha a postura do MPF-TO ao explicar que a contratação da Oscip Brasil foi realizada em 2003 e naquela época, segundo ele, o Ministério Público entrou com ação de improbidade administrativa em face dos gestores e da empresa, pedindo aplicação de multa e bloqueio de bens.
“Àquela época, o Marcelo Miranda não fez parte da ação, pois ele não é ordenador de despesa, não contrata e não paga. Agora, às vésperas da eleição, surge uma nova ação, uma ação penal e colocam o nome dele? Eu pergunto: por que no período eleitoral? Por que o Marcelo Miranda? Ele não tem nada a ver com isso. É realmente uma situação preocupante e o mais preocupante ainda é o MPF estar enviando release para a imprensa falando do caso. Qual é o interesse nisso depois de 11 anos?”, indagou o advogado.
Marcelo Miranda diz que é ficha limpa e desafia adversários políticos
O candidato a governador Marcelo Miranda (PMDB) declarou, em entrevista ao Jornal Anhanguera, que foi absolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por 7 votos a 0. “Acabou. Àqueles que tinham dúvidas da minha candidatura eu digo: eu sou ficha limpa”. O candidato falou sobre suas propostas de governo e declarou que seu primeiro ato, caso seja eleito governador, será realizar uma operação emergencial na Saúde, o S.O.S. Saúde, dando um choque de gestão para melhorar a área da UTI. Ele afirmou que pretende fazer isso montando uma equipe técnica competente para levantar tudo o que está faltando e resolver os problemas. Reconheceu alguns erros da gestão passada na questão da contratação de terceirizados e garantiu que não trabalhará mais com a Ocisp Brasil. “Eu reconheço que não deu certo e não vamos tratar da Oscip Brasil”, assegurou. Ainda sobre a saúde, respondendo sobre a crise em 2007, Marcelo Miranda disse que o eleitor o conhece e, se houve erro, ele procurou melhorar e saiu do governo com um alto índice de aprovação. “Hoje eu sou um Marcelo com mais experiência. Vamos montar uma equipe competente e levantar tudo o que está faltando. Não quero voltar ao passado”, disse. Questionado sobre o “Governo Mais Perto de Você”, programa que levou à cassação do candidato no passado, o ex-governador disse que o programa não confrontou o Judiciário. “Tinha orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa. No programa nós resgatamos o cidadão que estava lá na ponta, pessoas que não tinham certidão de nascimento ou condição de sonhar com carteira de habilitação, levamos exames de mamografia e de útero. Eu não vejo isso como um confronto”, disse ao assegurar que o programa será “aperfeiçoado”. Inverdades O desembargador Eurípedes Lamounier proibiu a Coligação A Mudança que a Gente Vê e o seu candidato ao governo do Estado, Sandoval Cardoso (SD), de divulgarem no seu programa a inverdade de que o candidato Marcelo Miranda disputa a eleição por força de liminar, na clara tentativa de passar ao eleitorado uma situação de insegurança jurídica que não existe. Em sua decisão, o desembargador Eurípedes Lamounier afirma categoricamente que o candidato Marcelo Miranda não concorre por força de liminar, mas por deferimento do registro de sua candidatura pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), e confirmação concedida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E o desembargador vai além ao comentar outras afirmações referentes ao deputado estadual Marcelo Lelis (PV), ao afirmar que “configura mensagem sabidamente inverídica a afirmação de que o ex-candidato a vice-governador foi cassado, quando, na verdade o mesmo teve seu registro negado”. O desembargador fixou multa diária no valor de R$ 10 mil para a coligação governista em caso de descumprimento da medida. Sua decisão, segundo a assessoria de Marcelo Miranda, prova mais uma vez, aquilo que o TRE e o TSE já reconheceram: “Marcelo Miranda é ficha limpa, tem candidatura devidamente registrada, está apto para disputar as eleições e, se eleito, será diplomado e tomará posse no dia 1º de janeiro de 2015. Incapazes de ganhar o voto do eleitorado, os adversários insistem em burlar a lei e espalhar mentiras que em nada contribuem para o processo democrático”, explicou a assessoria do candidato peemedebista.Ministério Público puxa a orelha do prefeito de Palmas, Carlos Amastha
[caption id="attachment_15667" align="alignleft" width="616"]
Prefeito Carlos Amastha precisa publicar informações sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida[/caption]
A prefeitura de Palmas tem menos de 30 dias para prestar informações detalhadas na internet, sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida. A recomendação é do MPF-TO, baseada na Portaria nº 595, do Ministério das Cidades, que estabelece a obrigatoriedade da publicidade dessas informações na internet. O prefeito Carlos Amastha (PP), no entanto, vem desobedecendo a orientação.
O procurador da República Fernando Antônio Alves de Oliveira Júnior recomenda que sejam disponibilizadas no site do governo municipal as seguintes informações: nome de todos os candidatos cadastrados no município em qualquer modalidade do programa; todos os candidatos que já foram contemplados até hoje para projetos já implementados, desde a criação do programa na capital, bem como aqueles candidatos já escolhidos para projetos em vias de implementação; a classificação dos candidatos e os critérios de hierarquização utilizados para sua classificação.
A Recomendação faz parte do Inquérito Civil instaurado em 12 de março deste ano, para apurar irregularidades no Programa Minha Casa, Minha Vida em Palmas e tem como principal objetivo dar efetividade ao princípio constitucional da publicidade, possibilitando que toda a sociedade fiscalize os critérios utilizados e as pessoas beneficiadas, de maneira a endereçar o programa aos seus legítimos destinatários: as famílias necessitadas.
San Tiago Dantas e Sobral Pinto ganham novas biografias. Memórias de Pio Corrêa e Roberto Campos são do balacobaco. Há um estudo lacunar mas de qualidade sobre Milton Campos. Falta pesquisar Petrônio Portella
“Magia ao Luar” é uma comédia romântica repleta de mau-humor, desencanto e citações filosóficas que, no final, sorri de forma inocente e apaixonada justificando uma das principais premissas do filme: a vida é indiscutivelmente um fardo, e cada pessoa necessita (tanto) de distração (quanto de mentiras) para seguir em frente
[caption id="attachment_15655" align="alignleft" width="300"]
“Paradiso”, romance de Lezama Lima, é o “Grande Sertão: Veredas” de Cuba, uma obra-prima universal[/caption]
A Alemanha tem uma tradução respeitada de “Grande Sertão: Veredas”, romance de Guimarães Rosa. O escritor mineiro, que sabia alemão — foi cônsul em Hamburgo —, dialogou com o tradutor e aprovou seu trabalho. Mas uma editora encomendou outra tradução (para 2015), que está sendo feita por Berthold Zilly, professor universitário na Alemanha. Zilly está dando aulas em Florianópolis, mas sobretudo está se inteirando das coisas do Brasil, do uso da língua no cotidiano e não formalmente, para traduzir Guimarães Rosa com menos imprecisão. A complicada teia que envolve erudito e coloquial na sua prosa às vezes confunde até leitores brasileiros, mesmo especialistas. Zilly quer capturar a riqueza linguística e a língua viva, oralizada.
O romance “Ulysses”, de James Joyce, recebeu três traduções no Brasil, grandes empreendimentos culturais de Antônio Houaiss, o pioneiro, de Bernardina Pinheiro (tida como autora da versão mais pedestre, o que não significa baixa qualidade) e, a mais recente, de Caetano Galindo. Uma tradução melhora a outra e torna o livro mais legível.
Agora, o Brasil terá duas traduções de “Paradiso”, de Lezama Lima (1910-1976), o Guimarães Rosa cubano. Havia a tradução de Josely Vianna Baptista, de excelente qualidade, publicada pela Editora Brasiliense. Porém, sondada pela Estação Liberdade, Josely Vianna decidiu retraduzir o livro, resgatando ainda mais a sua relevância literária.
Porém, a Editora Martins garante ter os direitos autorais da obra no Brasil, adquirida do Estado cubano (que, por sinal, não costuma pagar direitos autorais para escritores estrangeiros) e está ameaçando processar a Estação Liberdade para impedir a circulação da tradução de Josely Vianna. A Martins encomendou sua própria tradução à poeta Olga Savary.
A briga judicial pode retirar pelo menos uma tradução do mercado — talvez até as duas. Para os leitores, o que importa mesmo é ter duas edições que possam ser comparadas. Li a primeira tradução feita por Josely Vianna. É de uma excelência rara. O leitor certamente fica com a impressão de que Lezama Lima, um artífice da palavra, escrevia em português, não em espanhol, tal a perícia da tradutora.
É provável que a Justiça decida pela circulação da tradução da Martins, a de Olga Savary, o que será uma infelicidade para o leitor — dada a alta qualidade do trabalho tradutório de Josely Vianna.
Professor da UFT analisa o cenário político vivido pelo Tocantins nos últimos anos e diz que há muito a ser revisto
[caption id="attachment_15645" align="alignleft" width="300"]
Eça de Queiroz: em sua carta, o escritor português fala das mortes dos escritores ingleses Thomas Carlyle e George Eliot (Mary Ann Evans)[/caption]
Bristol, ao Fevereiro 1881.
Querido Ramalho
O seu tempo é precioso; portanto, sem considerações gerais armadas em pórtico, vou direito ao meu caso. Venho pedir-lhe que se encarregue de uma missão: ir ao Diário de Portugal, e exigir em meu nome, aos cavalheiros que dirigem esse jornal, uma explicação. Aqui lhe ponho os fatos, condensados, e nas linhas essenciais:
Quando eu estive em Lisboa, o Malheiro pediu-me que escrevesse para o Diário um romance: apelou urgentemente para a nossa velha amizade, e deu-me razões determinantes. Para o satisfazer, interrompi a Capital, estragando-a para sempre, creio eu, porque vejo agora que não poderei recuperar o fio de veia e de sentimento em que ela ia tratada; e faltei aos meus compromissos com o Chardron. O contrato com o Malheiro era eu dar-lhe uma novela de vinte e cinco a trinta folhetins, com a remuneração de trinta libras, preço de amizade. Apenas o trabalho ia em meio, reconheci que tinha diante de mim um assunto rico em caracteres e incidentes e que necessitava um desenvolvimento mais largo de “romance”. Comuniquei isto ao Malheiro, que se alegrou — e para fazer pacientar os leitores do jornal, presenteei o Diário com uma novela: o Mandarim (grátis!!!)
Mal vira porém que eu ia fazer um romance tratei de lhe assegurar uma existência mais longa que as das folhas volantes de um jornal: ocupei-me da sua aparição em livro. O Chardron aceitava as minhas propostas (se bem me lembro, uns quatrocentos mil réis em dinheiro e mais uns livros, etc.) mas com a razoável condição de que o romance (a esse tempo já com o título decidido: Os Maias) seria primeiro impresso e remetido para o Brasil, depois publicado em Lisboa no folhetim do Diário: isto era justo para evitar a contrafação sobre os folhetins remetidos daí para o Rio. O Malheiro, porém, recusou esta combinação: isto é, ele não tinha direito de recusá-la; suplicou-me que a não efetuasse, com receio de que o Chardron, apenas publicado o romance, o pusesse traiçoeiramente à venda em Portugal. O receio era pueril, mas eu cedi ao Malheiro — perdendo desde logo as excelentes ofertas do Chardron!
Propus então ao Malheiro que editássemos nós ambos o livro. Êle recusou-se também, e com muito critério, porque, sem experiência nem relações, corríamos a um prejuízo certo.
Durante todas essas negociações, o manuscrito inicial de Os Maias ia-se completando. Instei, pois, com o Malheiro, para que me deixasse resolver de qualquer modo a questão da edição em volume. Depois de longos silêncios, renovadas instâncias minhas — o Malheiro aparece-me com uma brilhante proposta: uma firma editora de Lisboa oferecia-se a publicar o livro, dividindo ao meio os produtos comigo. E os detalhes da proposta eram ainda mais belos: a edição seria rica, seis mil exemplares, para começar, etc., etc. Imagine Você, querido Ramalho, a minha alegria: escrevi ao Malheiro uma carta de reconhecimento comovido: e como via nessa proposta uma pequena fortuna (o Malheiro afiançava-mo) decidi logo fazer não só um romance, mas um romance em que eu pusesse tudo o que tenho no saco. A ocasião, confesse, era sublime para jogar uma enorme cartada. Havia na proposta uma coisa vaga: era que eu não devia comunicar com a firma —meus manuscritos, provas, notas ao revisor, etc., tudo deveria ir pelas mãos do Malheiro ou do Sr. Tomás Sequeira. De fato, na proposta, o meu nome não aparecia: o contrato era feito entre o Malheiro e o editor; o Malheiro é que devia receber os proventos e passar-mos a mim; enfim, era como se fosse o Malheiro que escrevesse o livro. Isto era vago e confuso — mas desde que o Malheiro estava no negócio — era como se estivesse eu mesmo: eu tenho tanta confiança nele como em mim; o que me incomodava era não poder comunicar diretamente com os revisores. — Mas, enfim, trabalhava com grande esperança, dia e noite, e Os Maias estavam um robusto e nédio livro em dois volumes, um verdadeiro éclat para o burguês. Uma das condições é que apenas eu começasse a fazer a cópia, iria remetendo os capítulos um a um, e as provas me seriam “logo remetidas sem demora”. Você sabe que isto é indispensável ao meu processo de trabalho. E o Sr. Tomás Sequeira escreveu-me dizendo que tudo estava pronto, à espera do original, e a imprensa impaciente!
Remeti os dois primeiros capítulos, enormes, setenta páginas de impressão. E esperei ansiosamente as provas. Passaram quinze dias, um mês, dois meses, três meses. Nada! Comecei a inquietar-me e (idiota!), remeti o terceiro capítulo, outras trinta páginas de impressão. Recomecei a esperar: passaram-se quinze dias, um mês, mês e meio. Nada! Nem provas, nem carta. Nada. Escrevi, ansioso, ao Malheiro, suplicando que me dissesse onde estavam as provas — o que fora feito do meu manuscrito? O Malheiro, apesar de repetidas instâncias, não me respondeu. Aflito já, dirigi-me ao Sr. Tomás Sequeira, numa carta humilde, patética, em que lhe implorava uma linha num bilhete de visitas. O Sr. Sequeira não se dignou responder-me. E aqui estou!
Afianço-lhe, sob palavra de honra, que estas coisas monstruosas e indignas são exatas. Eu, por enquanto, porém, não quero tomar uma resolução forte. Quero que Você, primeiro, arranque a esses cavalheiros a resposta que eles me recusam a mim.
Quero que Você não saia do Diário de Portugal, sem que lhe tenha sido declarado:
— Quais são as razões de uma tal descortesia?
— Qual a intenção do jornal a respeito da publicação de Os Maias?
— Por que não me foram mandadas as provas?
— Onde está o meu manuscrito?
Estava última pergunta é importante, querido, porque, burro que sou, inutilizei o manuscrito inicial desses capítulos: só tenho a cópia que mandei.
Para completar os renseignements, devo dizer-lhe: que o Malheiro já pagou Os Maias; que o romance está pronto no manuscrito inicial: que há (para diante do terceiro) outros capítulos copiados, e quase prontos: que a suspensão das provas, e a suspensão de tudo, fez que eu suspendesse, ou abrandasse a atividade do trabalho.
Confio esta questão à sua amizade, querido — e desde este momento fico, portanto, tranquilo. Se for necessário tomar qualquer resolução, tome-a. E faça desta carta, se quiser, uso para com esses senhores.
Pode Você imaginar o espanto e a melancolia em que estou — vendo que depois de ter sacrificado a Capital, os interesses que me fazia o Chardron e quase um ano de trabalho incessante — recebo em paga, desconsideração, desprezo e a destruição de muitas esperanças. É duro.
Enquanto a Os Maias — eu mesmo suponho um razoável trabalho — e isto aumenta a minha indignação... Basta de Maias.
Eu já não ouço de Você há períodos — a não ser pela Gazeta de Notícias. Estranha maneira de receber notícias de um camarada: mas ela basta-me; prefiro que Você não me mande da sua prosa manuscrita — contanto que me faça ler artigos como aquele sobre a estátua do Herculano — ou as impressões da Traparia. Estas últimas verdadeiro acepipe de gourmet.
Je me’n suis leché les babouines. Que justa sobriedade, que bom gosto, que finura, que intensidade de expressão! Você é o demônio; como é que Você consegue tirar do seu interior todas essas belas coisas?
Por aqui nada de novo — e o que há contrista suficientemente o coração do homem livre, e não menos os interesses do homem pensante. Estão fazendo da Irlanda uma Polônia e dando ao mundo o espetáculo da Inglaterra governando pela lei marcial, como o Czar. Este Gladstone que nos aparecia como o cavaleiro andante das verdades eternas, sai-nos um representante estreito das classes proprietárias do anglicanismo, e de uma espécie de cesarismo filosófico-religioso em que os gênios cristãos devem governar pela força e produzir o progresso autoritariamente... Ninguém o entende, é um tiranete pesado de velhice.
O nosso Carlyle foi-se. Outro tiranete, também: um devoto da força do idealismo heroico, dos gênios providenciais. Mas que alma forte, sincera, pura — que alma de profeta! A Inglaterra chorou-o dignamente: toda a imprensa durante dois dias ocupou-se só dele; a sua memória foi celebrada no Parlamento; todos os professores em todas as universidades e institutos dedicaram a Carlyle o dia da lição; e em todos os templos os pregadores do dia, nas mais pequenas aldeias, fizeram do púlpito o elogio do velho filósofo. Foi um nobre luta da inteligência. Morreu de velhice, extinguindo-se como uma lâmpada, sem doença e sem dor; nos últimos momentos emergiu do coma e disse, com serenidade, para os lados: “Adeus!” Os mais ilustres homens de ciência e arte estavam junto dele.
A morte de George Eliot, a grande romancista, também outro desgosto. Enfim, a Inglaterra está em sorte.
Esquecia-me dizer-lhe — que espero que Você me responda sobre a questão Maias, ou pela volta do correio, ou no dia seguinte. Não aceite as desculpas portuguesas — de “não recebemos as cartas”, ou “lá mandaremos a resposta”, ou “isso é com o editor”. Eu, o editor não sei quem é. Só tenho negócio com Malheiro e Sequeira. A esses deve Você arrancar a explicação. Confio em si, querido. — Os meus respeitos aos pés da Sra. D. Emília e de suas filhas — e formidável abraço do seu irmão em letras
Queiroz
Nota: O Jornal Opção não “corrigiu” trechos em que parece haver problemas, como “vou direito ao meu caso” e “‘Os Maias’ estavam”. A carta é endereçada a Ramalho Ortigão.
Em diálogo com autores-profetas, Carpeaux reflete sobre os riscos à civilização, oferecidos pela Segunda Guerra Mundial, e expõe as próprias angústias de exilado, entrincheirado com a liberdade
O inglês Orlando Figes é um dos maiores estudiosos da história russo-soviética. Seu livro “Sussurros”, sobre o stalinismo e a vida privada na União Soviética, é uma pesquisa exaustiva e muito bem escrita. “El Baile de Natacha — Uma Historia Cultural Rusa” (Edhasa, 828 páginas) é, num só volume, um dos melhores estudos sobre a cultura russa. Figes estuda detalhadamente a história da Rússia e reserva um belo e longo capítulo para discutir a cultura no período soviético. Boris Pasternak e Óssip Mandelstam ganham registros ímpares. No último capítulo discute a cultura russa no estrangeiro, abrindo espaço para Yevgeni Zamyatin (1884-1937) — cujo romance “Nós” é a base para o romance “1984”, de George Orwell — e Vladimir Nabokov, autor de “Lolita” e “Ada”, que, a despeito de escrever em inglês e de sua ocidentalização, permaneceu russo por toda a vida, inclusive na profunda admiração por Púchkin, Nikolai Gógol, Liev Tolstói, Tchekhov, Mikhail Liérmontov e Ivan Turguêniev. Curiosamente, Nabokov desprezava Dostoiévski como “grosso” e, portanto, autor do segundo time.
Está passando da hora de alguma editora brasileira traduzir o livro de Figes, um erudito que escreve com o máximo de legibilidade, coisa típica dos estudiosos ingleses. Antony Beevor escreveu: “Um estudo maravilhoso, exaustivo, magnífico... uma delícia de leitura”. Difícil discordar. “Um desses livros que nos obrigam a perguntar: como pudemos viver sem ele até agora?”, escreveu Robin Buss, no “Independent on Sunday”.
O título do livro tem a ver com o baile de Natacha Rostov no romance “Guerra e Paz”, de Liev Tolstói.
Os apoiadores de Vanderlan Cardoso têm verdadeira adoração por Mário Rodrigues, o pesquisador-chefe do Grupom. O instituto tem uma tradição de seriedade e competência, até agora não questionada. Porém, bastou o Grupom apontar que o governador de Goiás, Marconi Perillo, tem chance de ser eleito no primeiro turno, verificados os votos válidos, para um grupo de jornalistas começar a duvidar da qualidade do instituto de pesquisa.
Ao final da campanha, repórteres conscienciosos deveriam verificar a falta de veracidades de alguns candidatos. Por exemplo: um dos candidatos a governador tem dito, com frequência, que está “garantido” para o segundo turno. Está mesmo? É preciso anotar o que todos disseram e, contados os votos, mostrar quem estava dizendo a verdade, ou meramente fazendo política e, para tanto, sacrificando-a.

