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Justiça acompanha denúncia de abuso contra calungas

A Corregedoria-Geral da Justiça de Goiás (CGJ-GO) está acompanhando o andamento das investigações relacionadas a denúncias de abusos sexuais praticados contra adolescentes da comunidade calunga no município de Cavalcante, na região Nordeste de Goiás. Os supostos crimes foram divulgados pela imprensa nos últimos dias. O juiz auxiliar Ronnie Paes Sandre realizou reuniões, na quinta-feira, 16, com servidores do Fórum de Cavalcante, autoridades locais, advogados e representante do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO).

Sugestão de plebiscito para mudar eleição da OAB nacional

As eleições estaduais na OAB-GO ocorrem no fim deste ano. Elas se dão, como se sabe, por eleição direta. Todos os causídicos votam. Mas a eleição para bâtonnier federal se dá, anacronicamente, por via indireta. Na última sessão do Conselho Federal, que ocorreu na terça-feira, 14, foi colocada em pauta a possibilidade de realização de um plebiscito para consultar os advogados sobre as eleições diretas para escolha do presidente e da direção da OAB nacional. No entanto, o Conselho retirou a questão da pauta e criou uma comissão para analisar a eventual realização do plebiscito.

Rápidas

  • Supremo - O advogado Luiz Edson Fachin, de 57 anos, foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para a vaga aberta de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de ser confirmado, o nome de Fachin ainda terá de ser aprovado no plenário do Senado Federal. O indicado conquistou notoriedade no meio jurídico por novas teses envolvendo direito civil e família.
  • Corrupção – A OAB-GO  lançou essa semana campanha contra a corrupção e recebeu o apoio de diversas entidades civis. Abraçaram a causa, que é considerada um câncer em face do desenvolvimento do Brasil, a Asmego, por seu presidente Gilmar Coelho, e ainda as duas potências da Loja Maçônica do Estado de Goiás, a Associação Goiana de Municípios, a Associação de Bancos de Goiás, Tocantins e Maranhão (Asban),  a Federação dos Trabalhadores na Indústria nos Estados de Goiás, To­cantins e Distrito Federal (FTIEG-TO-DF) e a Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg).
  • Audiências de custódia – A Escola Superior da Magistratura do Estado de Goiás (Esmeg), a  As­sociação dos Magistrados do Es­tado de Goiás (Asmego) e a OAB-GO promoveram um debate com magistrados sobre o projeto Audiências de Custódia, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Tribunal de Justiça de São Paulo e Ministério da Justiça. l Jogos Nacionais da Magis­tratura — A Asmego participará, por meio dos magistrados do Es­tado de Goiás, dos Jogos Na­cionais da Magistratura, evento promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que será realizado em João Pessoa, de  29 de abril a 3 de maio.
  • Caso Wikipédia — O juiz federal Marcelo Guerra Martins, da 17ª Vara de São Paulo, deferiu pedido de antecipação de tutela para determinar que seja retirado trecho depreciativo do perfil do jornalista Carlos Alberto Sardenberg, na enciclopédia virtual Wikipédia. As críticas foram incluídas no perfil de Sardenberg e também no da jornalista Miriam Leitão no ano passado, por Luiz Alberto Marques Vieira Filho, que à época exercia função de chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério do Planejamento. Após ser identificado, ele pediu desligamento e foi exonerado do cargo.

Governo e servidores continuam diálogo em busca de consenso para fim da crise

Representantes do funcionalismo público começam a chegar a um acordo para encerrar paralisações e movimentos

Caos em Goiânia: servidores da Saúde e da Educação entram em greve

[caption id="attachment_33388" align="alignnone" width="620"]page Grevistas no Paço (em cima) e em manifestação contra Câmara | Foto: Facebook; Marcello Dantas[/caption] Alexandre Parrode Mais uma semana, mais problemas para a gestão do prefeito Paulo Garcia (PT). Após lançar uma reforma administrativa que retira vários benefícios e ter orquestrado o “calote” no retroativo da data-base  dos servidores municipais na Câmara, o petista foi respondido com greve na saúde, na educação e também na Guarda Municipal — que acabou por voltar ao trabalho pouco depois. No entanto professores, diretores, médicos, odontólogos e até o Samu estão de braços cruzados cobrando os direitos retirados pela Prefeitura. De acordo com os sindicatos que representam os grevistas, não há interesse por parte do Executivo em negociação e apenas mudanças em alguns pontos da reforma foram oferecidas pelo prefeito. Dentre as alterações, está a padronização do quinquênio para todas as categorias com o porcentual de 10%. Conforme o  projeto inicial, o valor estava reduzido a 5%. O documento foi elaborado após reunião com vereadores — e sem alguns sindicatos, reclamam. Caso o Paço não ceda aos pedidos dos grevistas, estes  garantem que a greve está longe de um fim. O Sindicato Mu­nicipal dos Trabalhadores da Educação (Simsed) afirma que não irá recuar na exigência do retroativo da data-base, do pagamento de titularidades e progressões e dos 30% de gratificação dos auxiliares de atividades educativas. O Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego) exige, além da data-base,  a transição dos contratos de todos os médicos, passando-os de credenciados para Con­tratos por Tempo Determi­nado; o cumprimento do Plano de Cargos, Carreiras e Ven­cimentos em relação à progressão verti­cal e horizontal; melhores condições de trabalho e segurança. Até a última sexta, 17, unidades de saúde da capital só atendiam emergência e mais de 200 escolas estavam sem aula — cerca de 56% da rede.

Delegado Waldir vai a Curitiba ouvir presos da Lava Jato

Gostando ou não dele, é inegável a atuação parlamentar do Delegado Waldir (PSDB). Com pouco mais de dois meses na Câmara, o deputado federal mais bem votado de Goiás vem dando o que falar. O tucano é um dos dez integrantes da CPI da Petrobrás que vai a Curitiba nesta sexta-feira, 24, para ouvir os presos da Operação Lava Jato. A comitiva, liderada pelo presidente Hugo Motta (PMDB-PB), foi anunciada durante sessão na Câmara. Embora não tenha sido incluído no grupo original, Waldir solicitou que fizesse parte da comitiva e afirmou, inclusive, que arcaria com suas próprias despesas, caso fosse necessário. Eles devem visitar, também, o juiz da operação, Sérgio Moro.

Cunha fraqueja e adia votação da terceirização

O presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dá sinais de que perde força entre os parlamentares. Jurada para a última semana, a votação das emendas e destaques que visam alterar o texto do projeto de lei que regulamenta a terceirização no Brasil acabou sendo adiada para a quarta-feira, 23. Mesmo tentando minimizar o ocorrido afirmando que o acordo prevê o compromisso de diversos partidos (entre eles o próprio PT, contrário ao projeto), o entendimento em torno dele já não é mais da maioria e pode até haver uma reviravolta — o que contaria como ponto para o governo federal. Cunha tem a missão de reorganizar sua ampla base de apoio para, caso não haja consenso, aprovar “na marra” os destaques polêmicos. Sob o preço de perder autoridade na Casa. Sonho dourado do PT.

PT tem segundo tesoureiro preso: João Vaccari Neto

[caption id="attachment_33391" align="alignnone" width="620"]João Vaccari: depois de Delúbio Soares, também vai para a cadeia | Foto: Marcello Camargo/ABr João Vaccari: depois de Delúbio Soares, também vai para a cadeia | Foto: Marcello Camargo/ABr[/caption] O PT conseguiu uma façanha nunca antes vista na história deste País: com a prisão de João Vaccari Neto, conquistou o segundo tesoureiro atrás das grades. Sucessor do goiano Delúbio Soares, Vaccari foi preso na manhã da última quarta-feira, 15, em casa,  na capital paulista. A prisão do petista faz parte da 12ª fase da Operação Lava Jato. A Polícia Federal cumpriu também mandado de condução coercitiva contra a mulher do tesoureiro e de prisão temporária contra a cunhada dele, Marice Correa Lima, que é suspeita de envolvimento no petrolão. Ela estava foragida até a última sexta-feira, 17, quando se entregou a polícia. Vaccari foi denunciado criminalmente como operador de propina do PT no esquema de corrupção e é acusado de receber, pelo partido, um porcentual da diretoria de Serviços da Petro­brás quando a estatal era comandada por Renato Duque.

Novos ministros no Turismo e no Direitos Humanos

A presidente Dilma Rousseff (PT) deu sequência à dança das cadeiras dos ministérios na última semana e empossou, em cerimônias-relâmpago — afinal, já está virando rotina — dois novos auxiliares. O ex-presidente da Câmara e candidato derrotado ao governo do Rio Grande do Norte em 2014, Henrique Eduardo Alves (PMDB), é o novo titular do  Turismo. Já o ministro demitido via imprensa, Pepe Vargas (que deixou as Rela­ções Institucio­nais) assumiu  a  Secretaria de Di­reitos Hu­manos da Presidência da República. Ambos discursos foram marcados por “agradecimento” e “compromisso” com a presidente Dilma. A ver quanto tempo duram nas novas funções. É o Big Brother Planalto.

Joaquim de Castro ganha o “passe” para o TCM

Durante sessão extraordinária, no início da noite da última quinta-feira, 16, a Assembleia Legislativa de Goiás votou a favor da indicação do ex-deputado Joaquim de Castro ao cargo de conselheiro do Tribunal de Conta dos Municípios (TCM). A votação foi realizada por meio de cédulas, após problemas técnicos no placar eletrônico do Plenário. A nomeação foi aprovada por 35 votos, contra 1 contrário. Ainda na quinta-feira, os deputados Renato de Castro (PT), Lincoln Tejota (PSD) e Sérgio Bravo (Pros) retiraram suas assinaturas do requerimento que indicava o deputado Cláudio Meirelles (PR) ao TCM — que também pleiteava a vaga, mas não tinha aprovação “superior”. Joaquim de Castro passou, naturalmente, a ser o único indicado. Cláudio Meirelles não ficou nada satisfeito com o ocorrido e está “cuspindo fogo”.

Marcelo Miranda recebe apoio de prefeitos de oposição

[caption id="attachment_33389" align="alignright" width="620"]Governador Marcelo Miranda durante reunião com  prefeitos em seu gabinete no Palácio Araguaia Governador Marcelo Miranda durante reunião com
prefeitos em seu gabinete no Palácio Araguaia[/caption] Numa articulação de seus interlocutores políticos, com o impulso do deputado federal César Halum (PRB), o governador Marcelo Miranda (PMDB) recebeu o apoio de dez prefeitos da região do Bico do Papagaio. Para selar o acordo entre os gestores municipais, o governador realizou um encontro em seu gabinete, na sexta-feira, 17. O governador falou que as diferenças políticas vivenciadas durante a eleição devem ficar para trás. “Fiquem à vontade, pois a Casa (Palácio Araguaia, sede do Executivo) é de todos. As eleições acabaram dia 6 de outubro, agora é trabalhar”, ponderou o peemedebista. Marcelo Miranda disse aos prefeitos que não está atrás de apoio político-partidário, mas de gente que quer trabalhar pelo Estado. E fez um apelo: “Vamos juntos mudar o cenário do Estado. Temos que qualificar e profissionalizar a nossa mão de obra, temos que prepara os nossos municípios”. “Quanto a mim”, considerou Halum, “o senhor pode me dar a missão que eu estou pronto para desempenhar; todos vieram desarmados para serem companheiros; os que se dispuseram a vir aqui hoje, foi para quebrar esse gelo e que são solidários para que o Estado possa retomar o ritmo, para que o Estado cresça”. Na avaliação do deputado estadual Ricardo Ayres (PSB), eleito pela oposição a Marcelo Miranda e hoje em sua base de apoio, prefeitos e governo estão em dificuldades e, por isso, defende a necessidade de uma integração entre o Estado e os municípios com o propósito de superar esse momento de crise. “Com união, vamos conseguir superar as dificuldades”, acredita o parlamentar socialista. Os prefeitos reconhecem as dificuldades por que passa o Estado, mas não deixaram de apresentar as demandas de seus municípios ao governador. Defenderam ações específicas para a Região do Bico precisa do apoio efetivo do governo do Estado. Jairo Mariano (PDT), prefeito de Pedro Afonso, afirmou que os gestores foram até o governador para discutir soluções. “Estamos aqui para discutir políticas de desenvolvimento estratégico para resolver os problemas dos nossos Municípios. Em Pedro Afonso, temos dificuldades de atração de empresas e estruturação, por exemplo. É um ano muito difícil, em que temos que enxugar onde não tem mais para onde enxugar”, lastimou.

Deputado quer audiência pública para debater paralisação de obras na BR-153

Deputado quer audiência pública para debater paralisação de obras na BR-153 O deputado federal Carlos Gaguim (PMDB) quer discutir em audiência pública com o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues (PR), a duplicação da BR-153 entre Anápolis (Goiás) e Aliança do Tocantins. O parlamentar quer saber os verdadeiros motivos da paralisação da obra, uma vez que a empresa vencedora da licitação, a Galvão Engenharia, foi citada na Operação Lava Jato, que investiga desvios de recursos da Petrobrás.

Estudo mostra que há 34 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em Palmas

Dados servirão para construir o Plano de Enfrentamento à Violência Sexual da capital tocantinense, coordenado por Grupo de Trabalho do município Gilson Cavalcante Aproximadamente 34 mil crianças e adolescentes da capital estão em situação de trabalho infantil em Palmas. Foi o constatou o Diagnóstico da Situação da Infância e Adolescência, realizado pelo Grupo de Trabalho do Projeto Farol. O levantamento foi divulgado no final da semana passada e o documento servirá de subsídio para a construção do Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual. O Diagnóstico traz: a história do município; dados demográficos e socioeconômicos; informações sobre trabalho e renda; além de políticas envolvendo assistência social, educação, esporte e lazer, saúde e sistemas de garantias. Em relação à educação, na faixa etária de 0 a 6 anos, há uma quantidade de 5 mil crianças fora da escola, segundo dados disponibilizados pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Infância e Juventude do Ministério Público (Caopi). De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, existem 65.494 crianças e adolescentes em Palmas. Vale ressaltar ainda que, das 34 mil em situação de trabalho infantil, 1.630 crianças e adolescentes recebem atendimento no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Conforme relatório do Conselho Tutelar de Palmas, no ano de 2013, foram registrados 1.758 casos de violações dos direitos humanos de crianças e adolescentes. Entre essas violações estão: ameaças; negligência; maus-tratos; abandono; crueldade e infrações administrativas – com 993 registros –; aprisionamento – 7 registros –, violência psicológica – 114 registros; violência física – com 190 registros; violência sexual, abuso e exploração – com 310 denúncias registradas. O documento só será disponibilizado na íntegra após consulta pública para complementação de dados da rede de atendimento e da própria comunidade. O Plano Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual será apresentado no dia 18 de maio, em local a ser definido. Observa-se que os dados de violência sexual notificados na área da Saúde são de apenas 212 casos, o que nos possibilita avaliar que nem todos os casos receberam atendimento. Em relação aos casos notificados, referentes às violências, o abuso sexual se destaca com 23%. Quanto ao ato infracional praticado por adolescentes (de 12 a 18 anos) em 2014, atualmente, 315 cumprem medidas socioeducativas.

“Pedaladas” trazem risco de impeachment

Além de manobras fiscais, propina a funcionários da Petrobrás e posição do TCU apontando uso irregular dos Correios na campanha eleitoral complicam Dilma Rousseff

Vitamina D, mais uma ilusória busca pela saúde fácil

A venda de suplementos vitamínicos é um mercado que, sem se basear em resultados científicos, apresenta grande números financeiros, de dezenas de bilhões de dólares. Médico refuta qualquer eficácia da estratégia

Tim Weiner, prêmio Pulitzer, lança ampla e atualizada “biografia” do FBI

livro 2A Record lança “Uma História do FBI” (616 páginas, tradução de Alessandra Bonrruquer), do jornalista Tim Weiner, premiado com o Pulitzer. Há vários estudos sobre o FBI, mas o de Tim Weiner, repórter do “New York Times”, é considerado o mais amplo e atualizado. O FBI tem um pé fincado na legalidade e, para defendê-lo, põe o outro pé na ilegalidade. No caso do 11 de Setembro, o FBI e a CIA falharam olimpicamente.

“Temos traduzido a arrecadação em qualidade de vida para a população de Anápolis”

Com um ano à frente da administração do município, prefeito fala que continuará a priorizar a educação e dá a receita para ter bom trânsito com o Legislativo da cidade

PT foi criado para depurar a política mas detonou o sistema partidário brasileiro

Ao comprar apoio político, o PT praticamente dissolveu os principais partidos do país. Não há alternativa: a reconstrução passa pelo PT, pelo PSDB e pelo PMDB. Mas é preciso pensar no país e não em eleições

Thomas Pynchon destaca a música de Tom Jobim no romance Vício Inerente

[caption id="attachment_33348" align="alignright" width="620"]Tom Jobim: o músico brasileiro, visto como quase americano nos Estados Unidos, é mencionado positivamente pelo romancistaThomas Pynchon Tom Jobim: o músico brasileiro, visto como quase americano nos Estados Unidos, é mencionado positivamente pelo romancistaThomas Pynchon[/caption] O romance “Vício Inerente” (Companhia das Letras, 459 páginas, tradução de Caetano W. Galindo), de Thomas Pynchon, é uma divertida e, às vezes, precisa história dos anos psicodélicos-maconheiros-hippongos da década de 1970. Mesmo quem não viveu intensamente os anos 70 — sexo, drogas e rock’n’roll — perceberá o quanto Thomas Pynchon descreve bem o período. Se o filme homônimo, de Paul Thomas Anderson, captar cerca de 50% do ambiente febril e habilmente descrito pelo prosador já vale a pena vê-lo. Sob o pretexto de contar uma história de detetive — pode-se sugerir que se trata de uma sátira aos autores que escrevem romances policiais —, no caso Larry Sportello, o Doc, Thomas Pynchon conta, por meio de uma linguagem fina e aguçada, a história da década de 1970 a partir de uma descrição atenta do comportamento dos indivíduos e de sua arte, notadamente, a música. Um dos pontos fortes são os comentários musicais. A música de Tom Jobim — “Desafinado” e “Samba do avião” — ganha destaque. [caption id="attachment_33349" align="alignright" width="300"]O romance Vício Inerente, de Thomas Pynchon, é uma poderosa  interpretação comportamental e cultural da década de 1970 O romance Vício Inerente, de Thomas Pynchon, é uma poderosa
interpretação comportamental e cultural da década de 1970[/caption] Trecho das páginas 200 e 201: “Carros passavam com as janelas abertas e dava para ouvir pandeiros lá dentro marcando o tempo do que quer que estivesse no rádio. Jukeboxes tocavam nas cafeterias das esquinas, e violões e harmônicas em quintaizinhos de prédios de apartamentos. Por todo esse pedaço de encosta noturna havia música. Lentamente, em algum ponto à frente dele, Doc tomou consciência de saxofones e de um gigantesco naipe de percussão. Alguma coisa de Antonio Carlos Jobim, que se revelou estar vindo de um bar brasileiro chamado O Jangadeiro”. “Alguém estava fazendo um solo de tenor, e Doc, num palpite, decidiu pôr a cabeça ali dentro, onde uma multidão considerável estava dançando, fumando, bebendo, e vendendo os seus serviços, e ao mesmo tempo ouvindo respeitosamente os músicos, entre os quais Doc, não muito surpreso, reconheceu Coy Harlingen. A mudança da sombra lamurienta que ele tinha visto pela última vez em Topanga era impressionante, Coy estava de pé, com a parte de cima do corpo sustentada em um arco atento em torno do instrumento, suando, dedos soltos, arrebatado. A música era ‘Desafinado’”. Na página 203, o narrador volta à música de Tom Jobim: “Os músicos estavam pingando no palco de novo, e quando Doc percebeu, Coy estava mergulhando em um complexo arranjo improvisado de ‘Samba do Avião’, como se isso fosse tudo que ele achava que tinha para pôr entre si e o jeito com que, achava, tinha fodido a sua vida”. Coy Harlingen é saxofonista. A tradução é quase perfeita, com erros de revisão que não atrapalham a leitura: “a” entourage (“o”) e “divido” (dividido). E mais alguns. Suponho que transpor a literatura de Pynchon seja um trabalho de Hércules. Percebe-se que Caetano Galindo quase cria uma “língua” — busca equivalentes em português (“bicho”, “ai cacilda”, “surfadélico”, “mermão”, “hippiefóbico”, “salto-altando embora”) para a gíria americana — para decifrar Thomas Pynchon. O autor de “O Arco-Íris da Gravidade” e “Vineland” pode ser mais bem entendido na era Google. Sem o Google e outros sites de busca, e mesmo com consulta a enciclopédias, era praticamente impossível entender sua prosa enviesada, rica em menções à cultura americana — no sentido amplo mesmo, e não livresco.

O esquemático Eduardo Galeano queria revolucionar e não entender a América Latina

[caption id="attachment_33339" align="alignright" width="257"]“As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano: livro renegado e ruim de um autor devotado mais à  mudança social do que à interpretação  rigorosa dos fatos históricos “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano: livro renegado e
ruim de um autor devotado mais à
mudança social do que à interpretação
rigorosa dos fatos históricos[/caption] Na década de 1980, os estudantes eram divididos assim: revolucionários (PC do B), reformistas (PCB e PT), reacionários (que não pertenciam à esquerda) e alienados. Alienados eram aqueles que preferiam estudar a participar das reuniões das tendências estudantis e dos partidos que as dirigiam. Nessa categoria, vista como maus olhos — só menos mal vista do que os agentes infiltrados —, no curso de História da Católica, a Universidade Católica de Goiás (UCG) — estavam, entre outros, Antônio Luiz de Souza (brilhante, hoje professor da PUC e do WR), Sérgio Murilo (aluno questionador, hoje advogado atuante) e eu. Nós três éramos vistos como “sem ideologia”, porque, denunciavam, líamos “tudo”, e não tínhamos interesse algum pelas “cartilhas” de Stálin e Enver Hoxha — então guias geniais do PC do B. Mas não deixamos de ler, é claro, dois manuais do sub-do-sub: “As Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, e “Ge­nocídio Americano — A Guerra do Paraguai”, de Júlio José Chiavenato. Na época, o historiador Francisco Doratioto ainda não havia publicado o excelente livro “Maldita Guerra — Nova história da Guerra do Paraguai”. Mesmo assim, suspeitávamos do livro de Chiavenato, dados seu primarismo e, sobretudo, sensacionalismo. Mas o livro que primeiro nos encantou e, depois, nos desencantou foi mesmo “Veias Abertas”. Porque era uma interpretação geral da América Latina, com “amplo” painel — “integrador” — da história da região e sua inserção na história universal. Lembro-me de, um dia, sentado na calçada da Faculdade de História — o nome era outro, mas é assim que a chamo —, quando o padre Luís Palacín, historiador espanhol que eu admirava e com quem discutia a literatura de Liev Tolstói, passou, sempre apressado, com suas “pernaltas” e magreza franciscana (era jesuíta), me viu com “Veias Abertas” e perguntou: “Está lendo?”. “Estou”, respondi. “Que pena!”, lamentou. No dia seguinte, Palacín, com sua discrição habitual, me sugeriu a leitura de “História da América Latina”, do historiador argentino Tulio Halperin Donghi. Li. De fato, é muito melhor. É um estudo rigoroso, não é um livro de combate direto às ditaduras latino-americanas e seus apoiadores externos — leia-se Estados Unidos. Na década de 1980, para a esquerda, não importava tanto a seriedade dos estudos, e sim o engajamento político-ideológico de seus autores. Se fossem de esquerda, poderiam cometer erros, falsear dados, esquematizar a análise, e, mesmo assim, seriam lidos, usados no dia a dia e “perdoados”. Aos poucos, percebemos que “Veias Abertas” não se tratava de um livro de interpretação da história da América Latina — que parte da esquerda depreciava, chamando de “Latrina” —, e sim de um livro de combate, um manual revolucionário disfarçado de livro sério. Um roteiro para a ação e um “ataque” ao imperialismo. Mais tarde, o próprio Eduardo Galeano — que morreu na semana passada — renegou o livro, sugerindo que era “esquemático” e “tedioso” e que, na época, não tinha a formação intelectual adequada para formular uma análise tão abrangente, que demandava pesquisas sérias. Pesquisas que não havia feito e, por isso, substituía-as por opiniões radicais. Como dissemos, trata-se de um livro escrito para ser uma guia de orientação da esquerda. Uma arma de combate intelectual e um manual para a ação política contra governos pró-americanos. Por isso o livro, datado, “morreu”. Não é como “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, “Formação do Brasil Con­temporâneo”, de Caio Prado Júnior, e “Os Donos do Poder”, de Raymundo Faoro — obras sólidas, que podem ser questionadas mas não renegadas. O que Eduardo Galeano tem de melhor é sua prosa sobre futebol e assuntos tão leves quanto. Risíveis são acadêmicos que passaram a vida toda acreditando nas ideias de Eduardo Galeano tentando justificá-lo, quando o próprio jornalista e escritor não queria nem aceitava mais fazê-lo. Eles deveriam fazer o mesmo que o uruguaio: admitir a baixa qualidade da obra. Galeano disse que, se tivesse de lê-la novamente, desmaiaria de tédio. A esquerda já havia sido enganada antes pelo “filósofo” francês Louis Althusser, que também teve de desmascarar-se para que os esquerdistas passassem a vê-lo como empulhador.