Notícias
O livro recente do historiador britânico Antony Beevor sobre uma ofensiva alemã, “Ardenas 1944 — A Última Aposta de Hitler” (Crítica), não está á altura de suas outras obras sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Beevor escreveu um excelente livro sobre Stalingrado, mas este seu último trabalho mais parece um relatório militar, feito por um oficial combatente, do que um relato de um historiador. A última ação ofensiva de Hitler mereceu do autor apenas uma narrativa bastante restrita no tempo, indo do início da ofensiva (15 de dezembro de 1944) até a sua cessação (25 de janeiro de 1945). Uma operação dessa envergadura começa antes de sua deflagração, pois envolve enormes preparativos de planejamento, mobilização de tropas e material, e ainda de informação e contrainformação. Também não termina no dia em que os atacantes são detidos, até porque alguns bolsões ainda resistem (nas Ardenas alguns grupamentos alemães combateram até 9 de fevereiro), e não começaram os contra-ataques. Há algumas omissões. O livro sequer menciona o nome do general paraquedista alemão Alfred Schlemm, por não ter feito parte da ofensiva. Contudo, esse oficial, encarregado de um setor defensivo na confluência dos rios Reno e Mosa, ofereceu severa resistência quando os americanos e ingleses passaram ao contra-ataque, no dia 8 de fevereiro, deixando preocupados os aliados. Tanto que no dizer de Eisenhower, Schlemm fez com que ele passasse “os piores 15 dias de minha vida”. Beevor também não menciona o fim de um dos principais chefes da ofensiva, o general Walter Model, que empurrado com suas tropas para o interior da Alemanha, matou-se em 16 de abril de 1945, pois acreditava que, se feito prisioneiro pelos americanos, por ter participado da invasão da União Soviética, seria entregue aos russos, que o enforcariam. Não estava, muito provavelmente, enganado. LEIA ENTREVISTA DE ANTONY BEEVOR NO LINK: https://jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/antony-beevor-diz-que-leitor-tem-fascinio-pelos-horrores-da-segunda-guerra-mundial-38567/
Morto sob tortura, Milton Soares de Castro era ligado a Brizola, havia sido filiado ao PC do B e decidiu fazer guerrilha na Serra do Caparaó
O historiador britânico sugere que generais alemães não tiveram coragem de contestar Hitler e por isso batalharam nas Ardenas
Projeto de lei que prevê reserva de 20% dos cargos de direção de empresas de capital aberto para executivas divide opiniões
O professor Sérgio Paulo Moreyra, da Universidade Federal de Goiás (e orientando de Sérgio Buarque de Holanda na USP), consegue ser historiador rigoroso, intérprete posicionado (mas objetivo) e escritor de texto delicioso. Ele está lançando dois livros pela Editora UFG: “Relações de Trabalho no Campo — O Caso da Escravidão Por Dívidas em Goiás” (236 páginas) e “Vida Sertaneja: Aspirações Metropolitanas — Alunos da Universidade de Coimbra Nascidos em Goiás” (235 páginas; a edição é primorosa).
Cuidadosa e criticamente, Sérgio Paulo disseca “a indiferença dos homens públicos de Goiás em relação ao destino do trabalhador ‘livre’. Quase sem exceção, os grandes nomes da política regional se mantiveram indiferentes diante do estratagema e do artifício legal montado pelos patrões contra os camaradas, como de resto se mantinham indiferentes à exclusão social da massa trabalhadora rural”.
Ao fazer o registro do quadro geral, Sérgio Paulo analisa, com rara felicidade, os principais personagens políticos de Goiás na Primeira República. Há personagens interessantíssimos, como o (quase) iluminista João Alves de Castro (pai de Aguinaldo Caiado de Castro, o coronel da FEB que comandou a tomada de Monte Castello na Itália, e bisavô do superintendente de Cultura do governo de Goiás, Aguinaldo Coelho). “Realizou o mais notável governo de Goiás na Primeira República.”

Novo presidente do PSDB goiano, Afrêni Gonçalves diz que realizações do governador goiano que inspiraram o governo federal são credenciais para um projeto nacional
No livro “A Conquista do Brasil — 1500 a 1600” (Planeta do Brasil, 272 páginas), o escritor e jornalista Thales Guaracy torna a história mais viva.
É como se nós estivéssemos vendo os fatos acontecerem — no exato instante em que estão acontecendo — e, mesmo, participando deles. O jornalista pesquisa como historiador e escreve como os melhores escritores.
O músico-poeta fez show em Goiânia na semana passada e deixou uma questão: para onde apontam os dedos de seu trabalho, que vai muito além dos palcos?
O historiador Paulo Cesar Araújo não vai republicar a biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, para evitar novo conflito com os advogados do Rei.
Vai escrever uma nova biografia, com detalhes novos, quiçá mais picantes, e atualizados. O livro vai sair pela Editora Record.
É provável que, depois do terceiro livro sobre o cantor, o pesquisador terá de frequentar sessões com um psicanalista para livrá-lo da obsessão.
Grande parte desse tipo de filme vem dos EUA, mas isso não significa que apenas trabalhos de lá estejam entre as melhores
[caption id="attachment_38542" align="alignleft" width="620"]
Cena de “Uma história de amor e fúria”, que retrata o Rio de Janeiro no ano 2096[/caption]
Marcos Nunes Carreiro
Listas são sempre polêmicas. Por isso, já aviso logo que esta é fruto de escolhas únicas e inalienáveis deste que vos escreve. As justificativas estão postas e aceito questionamentos e novas listas feitas por você, caro leitor. Critique-me. A intenção da lista é mostrar que há enredos bem feitos e histórias fantásticas – se me permitem a ambiguidade do termo – nessas produções. Um fato importante é que não há apenas ganhadores de Oscar na lista, embora haja muitos.
A questão é: a lista foi feita tendo em mente apenas aqueles filmes “blockbuster”, isto é, de muita aceitação entre o público e, consequentemente, de excelente bilheteria. A única exceção, como verá o leitor, é a animação brasileira “Uma História de Amor e Fúria”, que entrou na pré-seleção de indicados ao Oscar de 2014, mas não teve “aquela” abrangência nas salas de cinema. A classificação por número é mais uma questão didática do que necessariamente pelo fato de uma animação ser melhor que a outra. Cada uma foi escolhida por um motivo em particular e, por isso, merece um lugar neste “cânone”. Veja:
1) Os Incríveis
A história da família Pêra merece o primeiro lugar desta lista por um simples motivo: esta animação foi responsável pela reformulação do papel do herói na sociedade. O filme mostra como as instituições sociais começaram a desprezar os (super) heróis, afinal, eles destruíam a cidade durante sua luta contra o crime. Os gastos públicos eram muito grandes e o custo-benefício passou a ser negativo. Pela primeira vez em animações de grande investimento, vimos a sociedade se (re)voltando contra os super-heróis, algo que agora veremos no cinema em Batman vs. Superman e Capitão América: Guerra Civil. “Os Incríveis” fez história.
2) Uma história de amor e fúria
O leitor pode pensar: “ora, esse filme não é um ‘bockbuster’. Que filme é esse, afinal?”. Bem, esta animação – que estreou nos Estados Unidos com o título “Rio 2096: A Story of Love and Fury”, em 2013 – foi a primeira produção totalmente brasileira a chegar com chances de ganhar o Oscar. Além de uma produção gráfica muito bem feita, o enredo contém belíssimos traços de metaficção historiográfica, pois reconta a história das lutas do Brasil de 1560 à atualidade e ainda ficcionaliza os conflitos do ano 2096. Isto é, retrata a história brasileira: da luta indígena pela sobrevivência à colonização à escassez de água que provavelmente atingirá o país no futuro. Essa animação deve ter lugar garantido em todas as listas do gênero.
3) Wall.E
Nem é necessário falar largamente deste filme, que tem uma das histórias mais bem contadas tendo por recurso o não-diálogo. Afinal, Wall.E e Eva, dois robôs, não conversam por meio de palavras, que passam a ser quase desnecessárias ao entendimento de quem assiste, pois a linguagem não-verbal toma conta do imaginário e dá conta do enredo. A decisão por usar esse recurso estilístico é um dos grandes responsáveis por dar à animação o Oscar da categoria em 2009 – além, claro, da magnífica execução gráfica.
4) Happy Feet (1 e 2)
Os filmes são tão bonitos que sempre é preciso dizer: “Maldito cisco no olho”. Além da melhor trilha sonora já colocada em uma animação (sempre que vejo o filme preciso correr e ouvir Stevie Wonder depois), este filme traz “o” tema da atualidade: a necessidade de atenção às políticas ambientais. E faz isso com uma verossimilhança interna de dar inveja a muitos autores de ficção. O Oscar de 2007 foi mais que merecido a esta magnífica obra produzida pela Village Roadshow Pictures e pela Warner Bros.
5) A lenda dos guardiões
Não, esta animação não é aquela que conta a história do Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa, João Pestana e companhia (esse é A origem dos guardiões). Este filme conta a história de Soren, uma corujinha fascinada pelas histórias dos alados guerreiros míticos que travaram uma grande batalha para salvar a espécie de uma enorme ameaça. Por que ela está na lista? Porque seu roteiro é a mais absoluta prova de que é possível unir dois gêneros literários, pois é um híbrido da épica epopeia heroica e da fábula. E faz isso com uma influência enorme do escritor britânico J.R.R. Tolkien, o primeiro a hibridizar os gêneros – embora o tenha feito com a epopeia heroica e o conto maravilhoso.
6) Toy Story (trilogia)
Toy Story marcou a infância e adolescência de muitas pessoas. Isso porque Woody e Buzz Lightyear são os maiores exemplos de lealdade já vistos nas telas de cinema. É tanto que algumas crianças até quiseram escrever Andy na sola dos seus sapatos direitos – algumas de fato o fizeram. Além disso, o filme (Oscar em 1996 e 2011) foi pioneiro em criar verossimilhança interna para guiar uma trilogia, fazendo isso com uma sutileza sem tamanho. Toy Story são filmes que merecem estar em qualquer lista que trate de animações.
7) Como treinar o seu dragão
Prefiro infinitamente o primeiro filme ao segundo. Acho que deveria ter ganhado o Oscar em 2011 e concordo que “Como treinar o seu dragão 2” tenha perdido o deste ano, até porque “Big Hero” teve competências gráfica e de enredo muito maiores (aqui uma explicação: “Big Hero” só não está na lista porque não trouxe nada de exatamente novo para as telas. Gostei demais do filme; sim, os gráficos são os melhores já feitos; e o enredo é bom. Porém, a história do vilão contra um grupo de heróis é comum). Por que só o primeiro filme está na lista? Porque é o único que representa os dragões em sua complexidade e função mitológicas: a do supremo desafio, que nenhum homem consegue vencer por suas próprias forças. No segundo, uma vez domesticados pela “sociedade viking”, os dragões não têm mais sua função primitiva. Por isso, embora goste do segundo filme, não posso colocá-lo aqui.
8) Valente
O papel da mulher foi reavivado de maneira ímpar neste filme (algo que foi retomado em Frozen no ano seguinte, o que justifica a falta deste na lista). Não à toa, Valente foi o primeiro filme da Pixar a ter uma protagonista mulher e que ganhou o Oscar de Melhor Animação em 2013. Além disso, Valente conta melhor que nenhum outro filme a jornada heroica feminina. Como disse na apresentação, a classificação por número é mais uma questão didática. Valente poderia facilmente estar na primeira posição desta lista. É um filme e tanto!
9) Coraline
O stop-motion baseado no livro homônimo do autor britânico Neil Gaiman – autor de Sandman, a melhor história em quadrinhos já feita, na minha opinião – é uma das mais profundas histórias criadas para filmes do gênero. O principal aspecto do filme remete à função dos espelhos como delineada por Michel Foucault: a do meio termo entre a heterotopia e a utopia, isto é, um lugar entre dois mundos – o real e o imaginário. Um belo filme.
10) A viagem de Chihiro
Oscar de 2003, esta animação japonesa, além de trazer à tona o tema da viagem (presente em quase todas produções do gênero, até porque é a ferramenta principal para qualquer autor de uma narrativas fantásticas), “A viagem de Chihiro” é uma das melhores animações de todos os tempos. Sério! É uma sequência tragicômica com uma competência gráfica incrível e um roteiro fantástico. Preciso assistir de novo. Se o leitor ainda não conhece, veja!
Obra de Victor Aguiar de Amorim retrata a história de Goiás, do período imperial à construção de Goiânia, desvendando as entranhas das disputas de poder
[caption id="attachment_38548" align="aligncenter" width="620"]
Neymar treina no Monumental em Santiago para o jogo contra Colômbia | Foto: Rafael Ribeiro / CBF[/caption]
Depois do jogo em que a seleção brasileira foi derrotada pela seleção colombiana na quarta-feira, 17, por 1 a 0, o narrador esportivo Galvão Bueno, ao fazer a pergunta “por que Neymar anda tão nervoso?”, por certo não leu as reportagens “A sujeira do jogo bonito” (título da capa; o interno é “Cartão amarelo para Neymar”) e “Goleada de inconsistências”, da revista “Época”, que também pertence ao Grupo Globo.
A “Época” conta que Neymar (da Silva Santos Jr.) e seu pai, também Neymar, estão sendo investigados pela Receita Federal e pelo Ministério Público Federal no Brasil. Na Espanha, são réus num processo rumoroso.
O jogador e sua família estariam no time dos sonegadores. As “ações do Fisco devem culminar na maior multa já aplicada pela Receita a um esportista” brasileiro. O procurador federal Thiago Lacerda também denuncia o clã Neymar por falsidade ideológica.
A seleção brasileira, deveriam acrescentar Galvão Bueno, Caio e Casagrande, está jogando muito mal não apenas devido à chamada “teoria da neymardependência”. De fato, o time depende da criatividade do craque do Barcelona. Mas o problema central é que, ao contrário do time espanhol — que tem Messi e Suarez —, a seleção brasileira é fraca. Neymar às vezes entrega um diamante para um colega e, adiante, recebe um cascalho.
Depois da saída do diretor de redação Hélio Gurowitz, com a ascensão de João Gabriel de Lima (ex-“Veja”), a “Época” perdeu o ar burocrático e está com matérias mais densas e, ao mesmo tempo, mais criativas. A revista está menos amarga. Jornalismo é uma atividade amarga, ao menos no geral. “Época” está provando que pode ser um pouco mais bem-humorada.
Livro
Pare de acreditar no governo
Autor: Bruno Garschagen
Preço: R$ 38 - Record
A seguinte pergunta tem instigado pensamentos: por que os brasileiros não confiam nos políticos, mas amam o Estado? A resposta está na nova publicação da Ed. Record.
Música
Deja Vu
Intérprete: Giorgio Moroder
Preço: R$ 24,90 - Sony/BMG
Com participações de Britney Spears, Sia, Kylie Minogue e outros nomes de peso, Giorgio Moroder, propulsor da disco music, quebra o jejum de 30 anos sem álbum inédito.
Filme
Clube dos Cinco
Direção: John Hughes
Preço: R$ 16,90 - Universal Pictures
Em comemoração ao trigésimo aniversário de lançamento do filme, o clássico Clube dos Cinco ganha uma nova versão em DVD e, agora, também em Blu-Ray.
Imagine escutar, em uma noite só, a trilha sonora de Star Wars, Harry Potter, Indiana Jones e A Lista de Schindler? Se não conseguiu imaginar tanta beleza, não se preocupe, pois essa noite existirá. É a “Noite com Clássicos de Cinema” da Orquestra Filarmônica de Goiás. Será um concerto especial regido pelo maestro britânico Neil Thomson — já mais que acostumado às terras goianas — na noite da quinta-feira, 25, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. A entrada, acredite, é franca!

