“Marconi pode ser candidato à Presidência da República em 2018”

Novo presidente do PSDB goiano, Afrêni Gonçalves diz que realizações do governador goiano que inspiraram o governo federal são credenciais para um projeto nacional 

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O administrador de empresas Afrêni Gonçalves é uma espécie de “curinga” do governador Marconi Perillo, tendo ocupado diversas funções nos quatro governos do tucano. Atualmente, é diretor de Expansão da Saneago e uma de suas missões é acentuar o processo de modernização de processos. Ele faz um panorama do trabalho da empresa e diz que não há nenhuma intenção do governo em privatizá-la.

No campo político, Afrêni assumiu a presidência do diretório estadual do PSDB após um processo meio conturbado, mas recebeu o aval do governador, certamente com a missão de encaminhar o fortalecimento do partido nas eleições municipais do ano que vem. “Para isso, vou ouvir todas as instâncias do PSDB, além dos diversos segmentos da sociedade civil organizada”, promete. O tucano faz uma previsão: “Lula será candidato de novo em 2018, e Marconi tem todas as condições de disputar com ele e vencer”.

Afrêni Gonçalves foi concursado do privatizado Banco do Estado de Goiás (BEG), onde chegou a ser diretor de Recursos Humanos e presidente da Associação dos Servidores (Asbeg). É formado em Administração e trabalhou também no comércio. Foi deputado estadual por dois mandatos (de 1999 a 2007) — “Perdi as eleições seguintes não por falta de votos, mas porque não mudei de partido.” No pleito passado, ele obteve 20 mil votos e não se elegeu, quando candidato de sigla menor com menos de 9 mil votos conseguiu uma cadeira na Assembleia. Mas Afrêni faz questão de enfatizar: “Antes de ser político, sou um técnico”.

Euler de França Belém – O sr. foi eleito presidente do PSDB, mas com resistência de alguns deputados, que não compareceram ao evento. Há uma insatisfação?
Não. São seis deputados federais. Três estavam presentes no dia do evento. Dos três que não foram, liguei para o Delegado Waldir e ele me disse que tinha um compromisso com o deputado federal Heuler Cruvinel (PSD), em Rio Verde. Um batizado, me parece. Além disso, falou sobre a visita dos ministros Gilberto Kassab (PSB) e Kátia Abreu (PMDB). E ele me disse que conhece meu trabalho e que está disposto a me ajudar. Com os outros dois [Alexandre Baldy e Célio Silveira] eu não conversei.

Marcos Nunes Carreiro – Já houve definição sobre o primeiro vice-presidente? João Campos declinou e houve a indicação do Delegado Waldir…
João Campos recusou e Fábio Sousa indicou o Delegado Waldir, que também declinou, mas se comprometeu que iria se reunir em Brasília com os outros deputados para definir quem seria. Estou aguardando.

Euler de França Belém – Agora, é importante registrar o seguinte: deixar de ir a uma reunião do partido para ir a um batizado mostra que tem alguma coisa errada.
Não concordo, mas respeito, pois já tinham firmado compromisso. Muitos falam que o governador, por exemplo, não foi. Mas ele tinha um compromisso.

Cezar Santos – A verdade é que o processo não foi tranquilo e o governador precisou se impor para fechar no seu nome. Isso mostra que há algum problema.
O político que não se autovaloriza não é político. É preciso procurar ser protagonista. É preferível que ele peque pela ousadia que pela omissão. Acho que toda pessoa que consegue mandato eletivo precisa dizer: “Estou aqui”. Agora, o processo foi dessa forma e recebi telefonema de vários deputados estaduais e prefeitos. Não insisti para ser candidato. Meu nome foi colocado e fui aclamado. Fiquei muito feliz com a presença dos três federais. Valorizo mais o positivo que o negativo. Dos estaduais, apenas dois faltaram e um falou comigo. Marquinho [Pal­merston], de Caldas Novas, me ligou dizendo que tinha um compromisso. O outro [Nédio Leite] não. Mas estavam todos lá e foi muito boa a solenidade.

Euler de França Belém – Por qual motivo o sr. foi escolhido?
Em 1999, no meu primeiro mandato como deputado estadual, eu estava viajando com a família para Santa Catarina e uns três ou quatro deputados estavam brigando para serem escolhidos como líder do governo na Assembleia Legislativa. Na volta, recebi um telefonema informando que o governador queria falar comigo e eu fui o escolhido. Talvez por ele ter percebido que me identifico com o projeto dele. Lembro-me muito bem que na primeira reunião que Marconi fez no Palácio, em 1999, eu disse a ele: “O sr. precisa valorizar muito bem o seu mandato, pois o sr. derrotou o maior mito político de Goiás e isso significa que o povo colocou o sr. aqui para não ser mais um, mas para promover as profundas mudanças que o Estado precisa há muito tempo”. Nossa economia era praticamente agropecuária.

Exportávamos matéria-prima in natura e, quando isso acontece, o Estado perde oportunidade de emprego e renda. E ele fez isso. Disse a ele: “Não tenha medo de tomar decisões, desde que elas sejam boas para a sociedade”. E ele tem respondido tanto a essa questão, que está no quarto mandato. Seus dois primeiros governos foram os que modificaram o rumo de Goiás.

Cezar Santos – Mas isso é passado. O sr. agora é presidente e o governador deve ter pensado em alguma missão especial. Qual é essa missão?
Ainda não falei com o governador. Mas eu sei: a missão é aproximar o partido do povo. Precisamos ouvi-lo. Sou a favor, por exemplo, dos encontros regionais. Precisamos mudar esse modelo. Fernando Henrique já dizia isso, pois o PSDB é tido como um partido de elite, o que não é verdade. O PSDB sabe equilibrar as ações necessárias, como o ajuste fiscal, com a responsabilidade social. É o ponto de equilíbrio entre o capital e o trabalho, o econômico e o social. Por isso, precisamos nos aproximar do povo e Marconi tem essa ideia. Então, darei seguimento ao trabalho feito por Paulo de Jesus [antecessor na presidência do PSDB], que foi muito bom, mas irei imprimir o meu jeito. Ouvirei a todos. Não tomarei decisões sem ouvir os deputados federais, estaduais, prefeitos, presidentes de diretórios e vereadores. Tenho algumas ideias e irei falar sobre elas quando nos reunirmos para que possamos reoxigenar o partido. Interiorizá-lo.

Cezar Santos – O PSDB tem diretórios montados e atuantes em todos os municípios?
Já pedi para fazer esse levantamento, mas ainda não sei. Temos cerca de 50 prefeitos e temos potencial para aumentar e muito esse número. Vamos trabalhar para isso com a concepção clara de que é preciso manter a base unida. A mesma atenção que Marconi concede a um deputado do PSDB, ele também dá a um deputado de outro partido que compõe a sua base. É assim com prefeitos também. Então, é lógico que como presidente do PSDB eu preciso me preocupar com o fortalecimento do partido, mas sem perder de vista o fato de que não podemos atrapalhar o governo, que é de coalizão. Quando se tem um governo de aliança, é necessário entender certas atitudes. Por exemplo, me disseram outro dia que um deputado tal afirmou não ter compromisso com ninguém. Isso é normal, pois o destino de um partido que não procura ser protagonista é acabar. Contudo, na hora certa, as decisões vão se afunilando e teremos a base unida para as eleições em todos os municípios, em especial as principais cidades: Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia.

Marcos Nunes Carreiro – O PSDB é forte na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, mas não detém as principais cidades do Estado, justamente essas que o sr. apontou. Em nome das alianças feitas com os partidos que compõem a base do governo estadual, o PSDB pode abrir mão dessas três cidades?
Mesmo com a lembrança de que o mais importante é a união da base, está na hora de o PSDB ser protagonista nisso. O partido já abriu mão várias vezes. O projeto das últimas eleições, por exemplo, com o nosso candidato Jovair Arantes (PTB), era “desentupir” Goiânia. O goianiense não percebeu isso, mas hoje está vendo que aquele projeto era certo. Então, nós temos quadros competentes com condições de fazer belas administrações em Goiânia, em Anápolis e Aparecida, assim como nos outros municípios em que não somos protagonistas.

Elder Dias – O PSDB já tem pré-candidatos para essas três cidades?
Alguém me disse certa vez que quem tem muitos candidatos não tem nenhum. Concordo em parte. É melhor ter várias opções e definir os critérios para escolher um, do que não ter nenhum. Tudo o que faço na vida, faço com critério para que a situação não fique à maré. O que penso e irei discutir com a executiva é: temos que ter critérios. Com base em quê? Em algumas variáveis básicas. A pessoa tem que ter liderança e capacidade de gestão. Este é o perfil básico e as pessoas confundem muito liderança com gestão. Líder é aquele que faz a coisa certa. Prioriza as prioridades. Nós não temos recursos de grande monta para ficar aí desperdiçando. Gestor é aquele que faz a coisa bem feita, que nós não podemos desperdiçar.

Marconi tem o perfil de líder e de gestor. Das variáveis que devem ser consideradas, essas têm que fazer parte. Para alguém ganhar eleição tem que ter densidade, votos. Mas tem que se preocupar com a administração.

Elder Dias – As pesquisas apontam para uma popularidade muito grande, como era de se esperar, para o Delegado Waldir e, abaixo, bem distante, Fábio Sousa, mais atrás Giuseppe Vecci e, praticamente, ninguém tem citado Jayme Rincón. Nessa combinação entre popularidade e gestão, Rincón vai ter que compensar isso para ser o candidato?
Também tem o deputado federal João Campos. Temos que respeitar quem tem votos. Só em Goiânia o Delegado Waldir teve mais de 100 mil votos. Jayme Rincón nunca foi político, mas temos que respeitá-lo, pois ele é um tocador de obra e é disso que Goiânia precisa. Ele nunca foi testado nas urnas como Waldir, mas ele não teve oportunidade ain­da. Isso tudo é relativo.

Nós temos estradas ainda para inaugurar até Mossâme­des; de Nerópolis até a BR-153; de Senador Canedo, Bela Vista, Hugo 2 e Credeq. É obra demais e Rincón já demonstrou sua capacidade. Temos que definir as variáveis para estabelecer o critério. Temos que respeitar todos que querem ser candidatos. Pior seria se não houvesse ninguém querendo ser candidato. Vecci já demonstrou competência desde a época em que era secretário do governo Santillo. Quando o governo Marconi estava escasso de recursos, ele criou o Plano de Ação Integrada de Desen­volvimento (PAI), teve o projeto, para ter uma coisa para fazer. Em época de crise tem que se tirar o “S”.

Portanto, nós temos Jayme Rincón, que já demonstrou sua capacidade, Vecci e os outros colegas que também são deputados federais, mas que ainda não os conhecemos como gestores. Neste momento temos que exercitar essa ferramenta que se chama diálogo. Marconi hoje é um dos políticos mais respeitado do Brasil. Ele em Brasília é muito respeitado. Temos que ajudá-lo em sua projeção nacional.

Euler de França Belém – Ele pode ser candidato a presidente da República?
Em 1998, ninguém falava em Marconi para o governo estadual. Ele era deputado federal e de repente surgiu como um raio. Ele começou com 2% e o concorrente com 84%, e ganhou a eleição. E está no quarto mandato. Como é que não respeita isso? O governo federal não vai continuar da forma que está, ou seja, inflação alta, e os ajustes que estão sendo feitos vão melhorar. O Brasil estando mal não interessa a ninguém que pensa no povo brasileiro.

Melhorando o cenário, vai aguçar o ex-presidente da República Lula da Silva a ser candidato. Com todo respeito ao governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), e sua densidade na região Sudeste, estou vislumbrando isso: que Lula será candidato, com as ferramentas que foram importadas daqui, como Cheque Moradia que inspirou o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Universitária o Prouni [Programa Universidade para Todos, do Ministério da Educação, criado pelo governo federal em 2004 inspirado no programa do governo goiano], o Renda Cidadã o Bolsa Família. Os principais programas sociais de Lula foram inspirados em Goiás. Temos que deixar de ser tímidos, pois lá fora Goiás é visto como o Estado que mais gera em­prego e como o PIB que mais cresce, mesmo com dificuldade.

Quando Marconi assumiu em 1998, a dívida representava quase 4% da receita. Hoje é menos do que 1%. Temos que ser ousados e Marconi é ousado.

Euler de França Belém – Os governadores de outros Estados estão vindo para Goiás conhecer o modelo goiano na área da saúde.
A imprensa já fez várias matérias mostrando o HGG de antes e o depois. E o Hugo também. Visitei o Hugo e um hospital particular para visitar um amigo. Estava parecendo que o particular era público e o público o privado. Mas as pessoas têm que diferenciar uma coisa: muito se mostra filas e outras mazelas em hospitais, e pensam que é culpa do Estado.

Acontece que a saúde foi municipalizada. Tem que saber separar o que é responsabilidade do Estado e da prefeitura. Veja que a Organização Nacional de Acre­ditação (ONA) concedeu 13 certificações e 5 são de Goiás. Se nós não valorizarmos isso, os outros não vão valorizar. O Hugo 2 não somente será o maior hospital do Centro-Oeste, mas das regiões Norte e Nordeste. O Hospital regional de Uruaçu está com as obras bem avançadas. O fato é que a mudança está para quem quiser ver.

Euler de França Belém – Por que o PSDB não investe em Aparecida de Goiânia que é o segundo maior município goiano?
É uma pauta que temos que ver. Temos que dar atenção não somente à Aparecida de Goiânia como também a Anápolis. O governador tem parceria com os prefeitos de Apare­cida, Maguito Vilela (PMDB), de Anápolis, João Gomes (PT), e Jataí, Humberto Machado (PMDB), mas é administrativa. Na hora da eleição cada um vai cuidar de seu partido. A tendência do partido que não se dispõe a ser protagonista é desaparecer.

O deputado Alexandre Baldy é jovem e muito desenvolto. É um grande quadro que temos em Anápolis e pode ser o nosso candidato a prefeito” | Foto: Renan Accioly

O deputado Alexandre Baldy é jovem e muito desenvolto. É um grande quadro que temos em Anápolis e pode ser o nosso candidato a prefeito” | Foto: Renan Accioly

Euler de França Belém – Em Aná­polis, o PSDB lançará o deputado federal Alexandre Baldy?
Baldy é um rapaz jovem e moderno, e eu o conheci como secretário e, depois, na política, também muito desenvolto; além do mais, ele tem vontade. É um grande quadro que nós temos para Anápolis.

Euler de França Belém – O deputado federal João Campos pode disputar em Aparecida?
Tanto em Aparecida quanto em Goiânia, ele pode. Afinal, foram sucessivas eleições e ele aumentou a votação dele. Na primeira, para deputado federal, poucas pessoas acreditaram que ele seria eleito e ele surpreendeu e aumentou a votação. Nós temos muitas pessoas boas e por isso mesmo precisamos ter critério na definição. Quem for preterido não será por ter sido alijado. Por isso, os critérios para que ninguém se sinta desprestigiado. É preciso clareza e transparência.

Cezar Santos – Voltando a Goiânia, o novo presidente do metropolitano, Rafael Lousa, deu uma declaração que suscitou controvérsias, ao dizer que o melhor é a base ter um candidato apenas. Como o sr. avalia essa questão?
Dentro de sua casa, se a família está toda unida é muito melhor. Nós temos que trabalhar sem menosprezar ninguém e com estas duas alternativas. No primeiro momento, temos que trabalhar para união da base para ter um candidato imbatível, em Goiânia. Vocês conhecem a fábula do elefante? Nos circos, uma cordinha apenas segura o elefante. Por que ele continua preso? Porque ele não tem noção de sua força. A partir do momento que nós, da base aliada do PSDB, tivermos noção da nossa força, ninguém segura. Se o elefante tivesse noção de sua força, ele não permitiria ficar preso em um cubículo minúsculo.

Cezar Santos – A fábula do elefante é bonitinha, mas o que tem acontecido nas últimas eleições é diferente. A base se une e é batida pelo PMBD de Iris Rezende e pelo PT.
Sim, mas nunca houve nesse período uma união e digo uma união que não seja só de conversa, mas sim de atitudes concretas, de posturas, das pessoas unirem razão com emoção, pois tem que ter coração.

Cezar Santos – Mas, estrategicamente, dois nomes da base poderiam garantir o segundo turno. Não seria interessante?
É uma alternativa, mas também pode dar oportunidade para outro, que não seja nós. O tiro pode sair pela culatra. Eu não sei se o ex-prefeito Iris será candidato. Nós temos que ter noção da nossa força, baseados naquilo que foi feito no Estado sob o governo de Marconi Perillo.

Temos a região Metro­politana, o diretório que será muito bem conduzido com o Rafael Lousa –– um rapaz bom e idealista que cuidará mais diretamente. Eu mesmo ficarei mais em nível estadual, ainda que dê respaldo aqui também. Nós temos uma pessoa acima de todos nós, que é o líder maior, Marconi Perillo. A partir do momento que tivermos consciência da força da nossa união, a viabilidade de vitória é concreta.

Marcos Nunes Carreiro – Vanderlan Cardoso (PSB) está mesmo conversando com o governador Marconi para uma possível aliança no segundo turno?
O ex-prefeito de Senador Ca­nedo teve expressiva votação em Goiânia e há na imprensa a propositiva de que ele quer ser candidato. Vanderlan deve ser respeitado. Porém, é como eu disse antes, lançando mais de um, você divide, enfraquece e alguém de fora se apropria. Isso depende muito do posicionamento dele. Ele virá para base aliada? Ele será da base do Marconi? Isso deve ser clareado até outubro.

Eu tenho falado que não vou tomar nenhuma decisão sem ouvir todos os atores: os deputados federais, estaduais, os prefeitos, os diretórios. Paulo de Jesus continuará como tesoureiro, João Meirelles como secretário-geral, o segundo-vice é Gustavo Sebba, o primeiro, eu estou aguardando os federais. Vi que as lideranças e muita gente quer participar. Se soubessem o quanto de telefonemas eu já recebi de pessoas que querem participar comigo, eu estou falando para todos eles “Coloquem suas ideias do que temos que fazer”. É preciso agregar.

Euler de França Belém – O que o sr. fará quanto à comunicação do partido, pois o Estado não é pequeno. Por exemplo, não é necessário trabalhar bem uma rede na internet?
É fundamental. Existe um círculo sem o qual não se chega a lugar algum, até mesmo na política. Primeiro, a base da pirâmide é a informação. Se a pessoa estiver desinformada, tudo vai por água abaixo. Ao contrário, ela tem uma chance de se conscientizar e assim ela valoriza e mobiliza, defende. Tudo na vida é assim. Se você não disser ao seu filho por que serão cortados alguns gastos, explicar que está apertado, ele dirá que você é chato. Portanto, é necessário contar que a dívida está maior que a receita e outras coisas. Se na vida pessoal é desse modo, imagina na profissional. Na política é mais ainda. Nós temos que trabalhar em uma estrutura de comunicação até nacional, pois eu quero ter algo padronizado, uniformizado de todo partido. O PSDB precisa ter uma linguagem. Por exemplo, na época em que o Fernando Hen­rique saiu da Presidência da República, nós não tivemos capacidade para defender a privatização da telefonia. Tinha colegas meus, do BEG [Banco de Estado de Goiás, que foi privatizado], que tinham 50 linhas telefônicas, que eles compravam para investir. Não tivemos capacidade, não tivemos coragem de encarar e defender que a privatização foi o me­lhor para o País. E o que o PT está fazendo agora? As rodovias estão todas aí, só mudaram o nome para concessão. O que o Estado puder fazer para tirar o gesso, para que a administração seja mais célere, mais hábil, tem que tirar. Não tem exemplo mais certo que as organizações sociais na Saúde em Goiás, que deram um padrão de excelência nas unidades do Estado.

“Temos de antecipar a defesa do governo”

galeriaEuler de França Belém – Qual o seu recado para juventude do PSDB?
A juventude do PSDB é muito atuante. No dia da posse, ela determinou a solenidade e eu disse que quero ouvi-los, valorizá-los, bem como o PSDB Mulher, para fazer algo consensual, unido. É preciso unir todas as pessoas, sejam idosas, jovens, modernos, tradicionais, mulher, homem, em prol de uma causa.

Cezar Santos – O sr. foi deputado e há uma constatação de que o governo está apanhando muito na Assembleia e nem sempre há uma reação a altura por parte dos deputados da base aliada. Como o sr. percebe isso?
Eu não me ative a isso, mas nós temos uma base muito boa. O líder do governo hoje, Jose Vitti (PSDB), é muito competente, muito preparado. Eu vejo uma base bem unida. Eu ainda não vi isso (falta de reação da base aliada na Assembleia). Ainda assim, nas conversas que terei nas próximas semanas, eu quero reunir com toda nossa bancada, e discutir com ela e com o Gustavo Sebba [líder da bancada tucana] para reunir os deputados nossos, que são sete –– a Lêda Borges saiu para ser secretária –– e saber sobre isso. Talvez, eles precisem ser mais bem monitorados. Lembro-me do dia que saiu as notícias sobre a Saneago (tarifa) e teve toda aquela repercussão. Um deputado da base teve a humildade de dizer que nós tínhamos que ter antecipado, foi falha nossa, ele me pediu e eu enviei os dados para fazer a defesa. Mas a oposição que vai à Tribuna vai fazer palanque, não interessa a informação. Portanto, eu quero, na reunião com os deputados da base, ver se eles precisam de um melhor monitoramento, até porque, em minha opinião, eles estão indo bem. Eu mesmo, quando deputado, com um projeto que poderia dar mais polêmica, antes de ir para Assembleia, eu me reunia com o governador. Talvez, isso seja uma falha nossa, do Executivo.

Euler de França Belém – Quem cuidará da Fundação do partido, que deve ser uma usina de ideias?
O Instituto Teotônio Vilela (ITV), nós temos que trabalhar em conjunto. Tenho algumas ideias para promover palestras, para melhorar o nível dos políticos. O presidente é o Marco Antônio Sperb. Eu quero conversar com ele, pois precisamos fazer um trabalho juntos.

Estou com nomes muito bons. Eu quero trazer essas pessoas que têm ideias. Quero envolver o meio acadêmico. Buscarei todas as forças para me ajudar. Não farei nada sozinho e só da minha cabeça. Quero ouvir todas as pessoas. Quando deputado, eu aprovei projetos de lei envolvendo todos os segmentos da sociedade, só que fui muito tímido e não ia para tribuna.

Mas fiz um trabalho assim, ouvindo todos. Tenho trabalhos prestados nos Con­selhos de Economia, de Ad­mi­nistração, na OAB, Crea e ou­tros. Quanto mais participativa for a sociedade organizada, já que não temos como ouvir todo o mundo, mais chance nós temos de acertar. Eu tenho condição para isso, se não tivesse, eu não toparia a presidência do PSDB. Não é fácil, verdade. Mas quem quiser moleza, melhor não nascer, não é mesmo?

Euler de França Belém – Quando a água da barragem do João Leite co­meçará efetivamente a ser usada?
A barragem é a mais importante obra que temos em Goiás. Ela foi inaugurada em 2005, no governo Marconi Perillo. Depois, no governo Alcides Rodrigues (então no PP), foi construída a chamada ombreira, nas laterais, e o então presidente Lula até participou da entrega dessa parte da obra. De lá para cá, foram marcadas várias datas para dar funcionalidade. A última data foi em março passado. Mas a obra sofreu paralisação, houve atraso de recursos federais, as contrapartidas também não deram certo, projeto teve de ser refeito, enfim… Retomamos a obra agora e temos a previsão de que fiquem prontas no final deste ano a elevatória e a estação de tratamento. E no primeiro semestre de 2016, vamos dar funcionalidade à obra, ou seja, desviar o Meia Ponte na região Noroeste de Goiânia, Goianira e Trindade e o João Leite, o chamado “linhão” que vamos licitar agora, com debêntures que estamos colocando no mercado, no valor de R$ 118 milhões. O “linhão” vai pegar a região Leste, do Jardim Guanabara e Setor Novo Mundo até Aparecida de Goiânia. Com isso, toda a região Metropolitana de Goiânia, que vai ficar muito bem servida de água até o ano de 2045. Para isso foram feitos aditivos no contrato, a empresa já está acelerando o trabalho e estamos muito animados. O nosso foco principal é essa obra.

Euler de França Belém – A BR-153 terá de ser desviada por causa da barragem?
Pelo mapa que foi traçado, isso não ocorrerá. A estrutura que foi feita na obra suporta a quantidade de água. Quem passa pela rodovia não percebe, mas, ao lado da mureta de proteção, há outra mureta, chamada de escape. O que é preciso fazer é uma manutenção adequada. Temos um gestor do reservatório, o Tinil, [engenheiro civil Ivaltemir Tinil Carrijo, gerente de operações da barragem do João Leite], que cuida de lá como da própria mãe. Ali foi feito um estudo profundo. O que talvez tenhamos de aprimorar é a questão da sinalização, para possibilitar uma adequação melhor da velocidade dos veículos naquela área.

Euler de França Belém – Dizem que o novo reservatório tem capacidade para abastecer a região metropolitana durante 25 anos. Mas, e depois, onde vamos buscar água?
Estive uma tarde com pessoas mais experientes, que já passaram pela Saneago, e nessa reunião coloquei essa pergunta – até porque seria a primeira questão que o governador nos faria, como realmente fez: “E depois do João Leite, qual alternativa teremos?”. Bom, temos algumas alternativas que o mapa hidrográfico da região nos possibilita. A primeira alternativa é o Ribeirão Caldas [região leste do município de Goiânia]. Estamos sintetizando o trabalho para apresentar ao colegiado e também ao governador. Os estudos para a barragem do João Leite começaram há 37 anos.

Euler de França Belém – É verdade que há um aquífero no subsolo de Aparecida de Goiânia?
Em Aparecida, pelo menos na região à esquerda da BR-153, sentido Goiânia-São Paulo, temos uma grande rocha. Quando passei pela Asbeg [Associação dos Servidores do Banco do Estado de Goiás], furamos um poço artesiano do qual jorrou uma quantidade imensa de água. Depois, esse volume foi diminuindo e então chamei um geólogo. Ele nos disse que aquela redução era normal e ficaria com vazão de 2 mil litros. Nós havíamos perfurado em uma região de cratera dessa rocha.

Presidente do PSDB goiano e diretor da Saneago, Afrêni Gonçalves: “­Não há razão para privatizar a empresa; ela é rentável” | Fernando Leite/Jornal Opção

Presidente do PSDB goiano e diretor da Saneago, Afrêni Gonçalves: “­Não há razão para privatizar a empresa; ela é rentável” | Fernando Leite/Jornal Opção

Elder Dias – A Saneago se preocupa com o adensamento do município de Goiânia?
Em nossa área na Saneago há uma superintendência que cuida da emissão dos atestados de viabilidade técnico-operacional. Isso é a base para tudo. Assim, o empreendedor imobiliário ou outra pessoa que entrar com requerimento vai ter a resposta sobre se há viabilidade ou não para rede de água ou de esgoto. Se não tiver viabilidade para implantação, a pessoa então terá a opção de fazer um projeto independente, com seu poço artesiano ou fossa séptica com sumidouro.

Quando cheguei à Saneago, havia um represamento de cerca de 500 requerimentos, para o Estado inteiro. Passamos a validade dos documentos para dois anos e agora vamos implantar o Portal do Empreendedor, para facilitar a vida do empresário ou preposto. Hoje, a pessoa tem de ir até a em­presa e fazer o processo pessoalmente. A partir desse portal, tudo será de modo eletrônico, como fizemos à frente da Bolsa Univer­sitária, na OVG [Organiza­ção das Voluntárias de Goiás]. Assim, vamos acabar com lobbies ou jeitinhos. Por enquanto, ainda no mo­do atual, estamos estabelecendo um prazo de 60 dias para responder aos requerimentos. Quando o portal estiver na ativa, a pessoa poderá proceder o requerimento de sua casa ou de seu escritório mesmo; se faltar algum documento, o próprio sistema vai rejeitar a ação – somente com tudo “ok” é que haverá o processamento, com a emissão de um protocolo, a partir do qual haverá o prazo de 60 dias para o recebimento do atestado, com viabilidade ou sem viabilidade. Essa é uma das grandes inovações que estamos fazendo, acabando com o QI (Quem Indica). É uma empresa de capital misto, mas é uma empresa.

Euler de França Belém – A Saneago será privatizada?
Não. Não tem razão para isso, pois a empresa é viável.

Euler de França Belém – Alguns municípios que municipalizaram a água, como Catalão, começam a sofrer falta de água. Há possibilidade de a Saneago retomar algumas dessas concessões?
Sim, temos interesse. Já conversei com o prefeito Jardel Sebba (PSDB) sobre isso. A Saneago tem a concessão de 225 municípios. Dos 21 cujas concessões não te­mos, 4 são mais expressivos, maiores: Senador Canedo, Catalão, Caldas Novas e Mineiros. A Sane­ago está sempre aberta e mostrando a importância de ter novamente a concessão. Lembro que em Catalão a municipalização foi muito mais uma questão política, o prefeito era outro [o atual deputado Adib Elias, adversário peemedebista do governo estadual], não foi questão técnica.

Então, vejo toda a possibilidade de retomarmos essa concessão. A Saneago tem experiência de décadas, tem estrutura.

Euler de França Belém – O vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano (PMDB), está numa luta para não permitir o aumento da tarifa da Saneago em 32%. Como o sr. se posiciona?
Isso é falta de informação da parte de Agenor. Tenho relacionamento e amizade com ele e quero convidá-lo a ir à Saneago para que nossa equipe técnica o informe da situação. Essa tarifa é de acordo com a lei federal 11.445 e a lei estadual 14.939, que determinam que de quatro em quatro anos seja feito o realinhamento, que não foi feito ainda. Os dados técnicos consideram muitas variáveis, como gasto com energia, que apontaram para esse índice de 32,4% aprovado pela AGR [Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos]. Mas o governador Marconi Perillo, sempre sensível à questão das dificuldades que as pessoas estão passando, determinou que fosse aplicado agora em julho 16%. Depois se verá como aplicar os 32,4%.

Euler de França Belém – O vice-prefeito diz que uma lei federal determina que só pode ter reajuste de tarifa de 12 em 12 meses. A Saneago alega agora que não é um aumento, e sim um reajuste. Ele diz que isso é uma forma de burlar a lei, porque já foi dado um aumento em março de 2,4%, então só poderia aumentar em março de 2016.
Está prevista, de acordo com lei estadual 14.939, a revisão tarifária periódica para os serviços de distribuição de água e esgotamento sanitário somente agora foi aplicada, ou seja, de 2004 para cá só agora foi aplicada. Na composição desses índices estão inseridos custos operacionais impulsionados pelos aumentos de energia, índices inflacionários e amortização dos investimentos realizados. Falei de três variáveis, mas são uns 12, e eles apontaram esse porcentual de 32,4%. O fato de ser aplicado agora apenas 16% foi por questão de sensibilidade do governador e temos de respeitar. Oportunamente serão definidas as datas em que serão aplicados os resíduos (dos 32,4%).

Elder Dias – Então não é um reajuste normal?
É uma revisão tarifária. Há diferença entre revisão e reajuste, vou ler (tira do bolso um papel com anotações). A diferença fundamental entre os processos está no fator tempo. O reajuste tarifário visa recompor a perda decorrente do efeito inflacionário que incidiu sobre os custos da companhia no ano anterior, enquanto que a revisão tarifária contempla um período maior e reflete os investimentos e custos operacionais para que a empresa possa ter equilíbrio nos contratos firmados com os municípios atendidos. A revisão tarifária está prevista nas leis 11.445 e 14.939. A lei estadual, como não poderia ser diferente, foi aprovada na Assembleia em 2014. O que está faltando é a pessoa se informar, o que ela não faz quando não tem interesse, é uma questão política.

Quem quer entender, vai aonde de direito e pergunta: por que é esse valor? Temos todos os dados, planilhas que explicam tudo. Veja: Para atender a legislação, foi realizada uma consulta pública aberta a toda a população, onde também foram convidados para participar do processo Procons, Ministério Público, associações de municípios, a reunião foi aberta.

Reafirmando, a reação (do vice-prefeito) eu respeito, mas é política. Oposição tem de reagir mesmo, isso é normal. Agora vou convidar o vice-prefeito para ir à Saneago, ou eu e um ou dois técnicos da empresa vamos ao encontro dele, e explicamos para ele entender o que está acontecendo. Acho que está faltando ele se informar melhor com relação a esse tema.

Cezar Santos – Há uma negociação entre Saneago e Prefeitura de Goiânia?
Sim, estamos em negociação sobre a renovação da concessão. O plano municipal de saneamento básico da prefeitura está no foco. Fizemos um cronograma para que ele seja elaborado, mesmo porque a partir de 2016 não se conseguirá recursos sem ter o plano municipal de saneamento básico, de acordo com essa lei 11.445. Muitos municípios estão elaborando seus planos, o de Goiânia estava parado e assim que assumi a diretoria de Expansão, já que essa parte também é afeta a ela, fui pessoalmente ao professor Pedro Wilson [ex-secretário de Meio Ambiente de Goiânia], que me disse já ter designado um engenheiro para cuidar do assunto. Numa segunda vez, o processo estava em fase licitatória e agora o prefeito passou o assunto para o secretário Jeovalter Correia [Finanças], que está fazendo essa interlocução com nossa equipe técnica. Foi estabelecido um cronograma.

Cezar Santos – A impressão é que o vice-prefeito assumiu pessoalmente uma bandeira política sobre isso, já que nem os petistas batem com tanta veemência nessa tecla.
É uma posição política, ele deve ter suas razões e eu respeito. Mas já que ele não procura a Saneago, eu vou procurá-lo.

Euler de França Belém – Dos 225 municípios que a Saneago tem concessão, quais têm sistema de saneamento básico completo, água e esgoto? Anápolis tem?
Cem por cento são pouquíssimos. Anápolis tem água universalizada, mas há obras em andamento e outras a iniciar para universalizar também o esgoto. No geral, a média de Goiás está bem acima da média nacional.

O Plano Nacional de Sanea­mento considera universalização 80% de esgoto. Alguns municípios goianos têm esse índice, Itumbiara, Morrinhos, Goianésia…

Euler de França Belém – Fala-se que no mundo inteiro o setor que mais tem recursos é o saneamento básico. É verdade?
Goiás teve o privilégio de ser um dos Estados que mais carreou recursos. O governador Marconi tem uma grande facilidade para conseguir recursos, mas umas duas ou três obras nós perdemos porque os projetos não estavam adequados. Quando estivemos no ministério, o secretário nos disse que Goiás, apesar de ser governado por oposição, foi o Estado que proporcionalmente mais recebeu recursos. Estamos sendo muito bem atendidos no Ministério das Cidades, o que não estava acontecendo antes. Para se ter uma noção, havia uma obra de esgoto em Luziânia, no Jardim Ingá, que estávamos pra perdê-la, com R$ 89 milhões já assegurados, por causa do projeto defasado. Marcamos uma audiência extra na Gerência de Gestão de Qualidade do ministério, que nos atendeu e nos deu o prazo que precisávamos para licitar de novo a obra dentro de um projeto realista.

Cezar Santos – Essa questão de bons projetos é importante para o sucesso da obra, coisa que no Brasil não é levado muito a sério, não?
Verdade, países desenvolvidos dão muito valor ao projeto, já no Brasil é comum anunciar coisas como PAC não sei o quê, e só então se vai fazer projetos. Temos que inverter isso, ou seja, ter o projeto primeiro.

Na Saneago temos uma área de projetos, ligada à diretoria que estou dirigindo, com uma equipe competentíssima, muito elogiada em Brasília. O corpo técnico da Saneago é respeitado nacionalmente. Autoridades da Sabesp (SP), da Caesb (DF), das empresas de sa­neamento do Paraná, de Pernam­buco, todos respeitam os nossos técnicos. Então, em nossa gestão, comandada pelo presidente José Taveira, estamos aproveitando o pessoal técnico. Para trabalhar comigo na diretoria, não levei nenhuma pessoa comigo. Defini os três superintendentes ligados a mim com nomes do próprio corpo técnico.

Elder Dias – Os técnicos da Saneago, assim como os da Celg, realmente são sempre muito bem avaliados. Isso quer dizer que o problema das empresas estatais, suas deficiências, é mesmo de gestão?
Uma equipe de governo é geralmente heterogênea. O governador Marconi Perillo tem sido feliz, colocando pessoas competentes nos lugares- chave, o que o tem ajudado a transformar o Estado de Goiás. Ele sabe aliar o perfil técnico ao perfil político. Não basta a pessoa ter apenas esse lado técnico – não basta ser técnico rígido, porque aí se torna um “pirotécnico”.

Euler de França Belém – A Bolsa Universitária beneficiou quantas pessoas até hoje?
Até quando eu saí, eram 153 mil. Eu saí no início de janeiro. Agora deve ser algo em torno de 160 mil.

Euler de França Belém – E quantas pessoas já formadas?
Não tenho esse dado, mas me deixe dizer uma coisa: quando eu estava lá, havia uma evasão muito grande. Às vezes, o aluno estava no início do curso e, se tivesse uma reprovação, era eliminado. Então, nós fizemos o seguinte: o aluno poderia ter até uma reprovação por semestre. Para esta medida não ser entendida como estímulo à reprovação, implantamos o regime do mérito. Ou seja, o valor do benefício é o aluno quem define. O valor inicial é “x”, mas pode subir de acordo com a média acadêmica do aluno. E um dado importante: o Plano Na­cional de Educação estabeleceu, na década passada, que teríamos nos primeiros dez anos deste século 30% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos cursando o ensino superior.

Chegamos em 2011 e a taxa era menos de 13%. Goiás, se não fosse a Bolsa Universitária e a Universidade Estadual de Goiás (UEG), teria cerca de 8% ou 9%. Graças a esses dois fatores, Goiás está próximo de ter 20% desses jovens no ensino superior. Ou seja, muito maior que a taxa brasileira. Tanto é que o Bolsa Universitária inspirou o Prouni. Eu me formei graças ao crédito educativo e, por isso, quando cheguei à secretaria, disse ao governador que comigo não teria a interferência de pedidos pessoais. A resposta que recebi dele foi a seguinte: “É assim que eu quero”. E tanto ele quanto sua esposa, Valéria, nunca pediram nada fora da rédea. Apro­vamos tudo na Assembleia Legis­lativa e isso fez com que quase 160 mil jovens tivessem acesso ao ensino superior.

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Epaminondas

Marconi poderia também se candidatar a Papa, já que seu partidário não tem modéstia em usar a velha tática de cacifar alto eleições que estão longe para tentar arrecadar capital político e sair candidato em cargos bem mais modestos.