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Nos dias 1º e 8 de março acontece no Culturama o curso “Estudos sobre o mercado de arte contemporânea no Brasil”. O curso, que tem como público alvo galeristas, artistas, colecionadores e estudantes de Artes Visuais, será ministrado pelo pesquisador Alessandro Elias da Silveira. O objetivo do curso é qualificar profissionais a fim de aprimorar o conhecimento sobre o mercado de arte no País. As inscrições podem ser feitas pelo telefone 3924-191 ou pelo site www.espacoculturama.com.br.
- Termina na segunda-feira, 29, a Mostra Anime Criativo, promovida pela Fundação Japão e pela Embaixada do Japão em parceria com a Secretaria de Cultura do DF. A mostra exibe cinco animes. Local: Cine Brasília. Entrada franca.
- Também em Brasília, no dia 2 de março, acontece o Seminário de Acessibilidade Cultural para Produtores. Promovido pela Secretaria de Cultura do DF, o seminário quer debater as dificuldades que pessoas com deficiência têm nos espaços culturais. Será no Auditório do Museu Nacional da República, às 9 horas.
Livro
Os Mortos
Está em pré-venda a edição bilíngue de “Os Mortos”, de James Joyce, traduzido por Tomaz Tadeu, conhecido pela tradução de "Mrs Dalloway", de Virginia Woolf.
Autor: James Joyce
Preço: R$ 47,00
Música
Sleepless
A banda de metalcore, Adept, lança seu novo álbum: “Sleepless”. Trata-se do quarto álbum de estúdio da banda sueca, que já pode ser encontrado para pré-venda.
Intérprete: Adept
Preço: R$ 49, 90
Filme
007 Contra Spectre
“007 Contra Spectre”, o novo filme do agente secreto mais conhecido do cinema, está disponível em DVD e Blue-Ray.
Direção: Sam Mendes
Preço: R$ 39,90
O cabo Yamada, nascido em Tóquio, lutou pelo Brasil contra os nazistas, na Itália. Um soldado alemão o feriu com tiros de metralhadora. Ilma, sua noiva brasileira, jamais acreditou em sua morte
A saída do vice-governador da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a ida dele para a Segurança Pública terá reflexos políticos maiores do que se possa imaginar inicialmente
O marxismo pôs um ovo da serpente na linguagem comum e quase todos repetem que a causa dos crimes é a desigualdade social. A maldade assassina de Natália Gonçalves tem pouco ou nada a ver com pobreza
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Reprodução/Facebook[/caption]
O iluminismo é o pai (Laio?) e o positivismo (Jocasta?), diria o filósofo britânico John Gray, é a mãe do marxismo (Édipo?). Os pensadores do iluminismo sugeriram, implícita ou explicitamente — e seus seguidores políticos, como os da Revolução Francesa, radicalizaram suas ideias, promovendo mudanças rápidas e drásticas —, que os principais problemas da Humanidade podem ser resolvidos, por assim dizer, num “golpe de força”. A vontade de mudar — que os leninistas chamariam mais tarde de voluntarismo —, impulsionada pela ação organizada, resultaria em mudanças conjunturais e, sobretudo, estruturais. Os marxistas — ou marxicidas, diriam seus desafetos — apropriaram-se da ideia, aperfeiçoaram-na e decidiram que era possível mudar o mundo, até com certa facilidade e, sobretudo, rapidez. Os indivíduos estavam “cansados” de ideias que indicavam que as mudanças seriam lentas ou se dariam apenas no plano espiritual.
Utilizando-se do iluminismo como servo, o marxismo precisava, porém, de um escravo — o positivismo. A ideia de mudanças lineares, de modos de produção sequenciais — comunitário, escravista, feudal, capitalista, socialista e, finalmente, comunista (o nirvana dos materialistas) —, de um mundo progressista, sempre avançando, é um assalto promovido pelo marxismo ao banco de ideias do positivismo. Posteriormente, o leninismo “aperfeiçoou” a ideia de um partido único e o parto estava feito: nascia o monstro — o comunismo como sistema. O resultado: mais de 100 milhões de mortos, apenas em dois países, a União Soviética e a China, no século 20. Nunca um sistema político havia matado tanto e de maneira tão ordenada — inclusive com cotas diárias.
Mas o marxismo, um sistema bipolar (iluminista e positivista; John Gray aponta seu caráter religioso, ainda que laico), é responsável por outro mal — este mais difícil de ser extirpado: criou uma linguagem comum (George Orwell quase imaginou isto, ma non tropo). Todos (ou quase) falam como marxistas, mesmo quando não marxistas. Pode-se dizer que o marxismo é uma espécie de cristianismo da linguagem. A linguagem e o comportamento comuns estão impregnados pelo discurso marxista, fortalecido pela hegemonia dos comunistas na União Soviética (extinta em 1991) e na China.
Morte de Nathalia Zucatelli
Na segunda-feira, 22, Natália Gonçalves de Sousa, de 20 anos, matou Nathalia Araújo Zucatelli, de 18 anos. A primeira é assaltante; a segunda era estudante. Encontraram-se frente a frente. Nathalia Zucatelli não reagiu ao assalto — perpetrado por Natália Gonçalves e seu comparsa, Mateus Queiroz Aguiar. Ainda assim, como se fosse um personagem do escritor francês Albert Camus, o Meursault de “O Estrangeiro”, ou do escritor russo Fiódor Dostoiévski, o Raskólnikov de “Crime e Castigo, Natália Gonçalves matou Nathalia Zucatelli.
Num vídeo, aparentando calma e capacidade de racionalização, Natália Gonçalves admitiu que, mesmo sendo assaltada, Nathalia Zucatelli comportou-se com relativa tranquilidade. No dizer da assassina: “A reação dela foi normal. Virou as costas e saiu”.
Ao racionalizar, como se fosse uma Raskólnikov dos trópicos, Natália Gonçalves acrescenta: “Foi quando a moto acelerou e eu assustei”. Era noite, portanto, ao contrário de Meursault, a criminosa não pode mencionar o Sol como causa do susto. É provável que a racionalização, ainda sem orientação de advogados experimentados, é da própria assassina. Busca um atenuante: o tiro teria sido, por assim dizer, acidental. O assassinato deixaria de ser doloso para se tornar culposo. Tese que promotores de justiça e juízes raramente aceitam — dadas as evidências de que se pretendia matar e de que não houve reação alguma por parte da vítima.
Ao delegado Clayton Camilo, que investiga o caso, a hábil Natália Gonçalves — econômica nas palavras, às vezes — contou uma história mais plausível. Estava com a arma engatilhada e atirou em Nathalia Zucatelli, que, se não estava, simulava certa calma. Talvez a tranquilidade dos jovens e dos bons — que acreditam que, dada a ideia de imortalidade (típica dos jovens, necessária para que não percam a esperança), sempre “escaparão” aos momentos ruins. É raro o jovem que acredita na maldade absoluta — como a de Natália Gonçalves.
Por que, se Nathalia Zucatelli não reagiu e não deu importância alguma aos bens materiais, Natália Gonçalves a matou? Porque quis, admitiu a criminosa, que tem passagem pela polícia. No mesmo dia em que cometeu o crime mais grave que se pode cometer, contra vida, a jovem de cara fechada cometeu mais dois assaltos.
Entrevistas rápidas não servem de base para se formatar um perfil preciso de um indivíduo. Mas, observando bem o semblante e escrutinando as palavras de Natália Gonçalves, é possível constatar ao menos três coisas.
Primeiro, trata-se de um jovem obstinada, dessas que saem às ruas para matar ou, quem sabe, morrer. Sua postura física é de uma pessoa, mesmo presa, resoluta.
Segundo, embora fale em pagar por seus “pecados”, não se mostra arrependida. Pagar “pecados” não é o mesmo que, por assim dizer, “renegeração”.
Terceiro, racionaliza com frequência — inclusive parece entender a hegemonia de um discurso típico da esquerda mas comprado por quase todos: a origem social dos crimes. Numa tentativa sutil de “atenuar” a barbárie que cometeu, Natália Gonçalves quase teoriza: “Ele [Mateus] me chamou para fazer um assalto e eu estava precisando de dinheiro... Meus filhos estavam sem água e sem energia, e eu aceitei”.
A teoria do social como produtor de crimes é manqué. A maioria dos pobres é decente e trabalhadora. Se a teoria estivesse certa, a maioria dos pobres seria criminosa. O crime às vezes tem origem difusa. Em alguns casos, os criminosos sentem certo prazer com suas atividades, com a violência. Noutros, sobretudo no crime organizado, unem-se o prazer e a vontade de ganhar dinheiro.
No caso de Natália Gonçalves, é muito provável que tenha cometido crimes na segunda-feira — e, possivelmente, em vários outros dias —, não por que precisava necessariamente comprar água e pagar energia. É bem possível que queria dinheiro para outras coisas — como se divertir e comprar drogas (crack, maconha). Mas sugerir que o crime tem vínculo com o social — Natália Gonçalves sabe das coisas —, se não justifica o assassinato, ao menos o “atenua”. A má consciência da sociedade, formatada e sedimentada pelo discurso da esquerda — que a transforma em culpada, quando é vítima —, se torna uma produtora de dúvidas, de questionamentos infrutíferos. Os criminosos se tornam vítimas — párias sociais — e as pessoas de bem, sobretudo se tiverem alguma renda razoável, passam a ser consideradas “culpadas”.
Urge retomar parcialmente a discussão do início do texto. Na semana passada, ante a repercussão e a comoção — justíssimas — geradas pela morte de Nathalia Zucatelli, na porta do Colégio Protágoras, onde estudava, pôde-se ouvir, em vários lugares, determinados discursos que merecem exame da Filosofia, da Antropologia, da Sociologia, da Psiquiatria e da Psicanálise. Não é o que se pretende fazer aqui. O que se pretende é insistir que o marxismo “introduziu” o ovo da serpente em quase todos os indivíduos. Por isso é que se comentava, e não apenas en passant, que a grande repercussão tem origem no fato de que se trata de uma filha da classe média, assassinada na porta de um colégio particular. Este tipo de comentário é desumano, mas é típico da racionalização da esquerda, quer dizer, pessoas que não são de esquerda — que estão próximas da direita — adotam discurso de esquerda. “Se fosse um pobre, se fosse uma pessoa da periferia, a sociedade não estaria tão mobilizada”, disseram muitos, quase todos com formação universitária.
Procede que é preciso “prantear” todos os mortos. Mas Nathalia Zucatelli não era pobre, não era classe média, não era rica. Isto não importa. Era um indivíduo, um ser humano, uma cidadã de bem. Morreu porque certamente tinha doçura no coração, porque “virou as costas e saiu”, acreditando que o mal tinha “pernas curtas”, sem nenhuma reação.
Há, por fim, um aspecto pouco examinado. Casos como o do assassinato geram uma mobilização social, a sociedade sai de certo marasmo e se posiciona. O próprio governo de Goiás trocou o secretário de Segurança Pública. O vice-governador José Eliton assumiu o cargo com um discurso mais duro, mais posicionado. Ao contrário dos iluministas, temos poucas certezas. Mas uma delas é que, além de investir em educação — uma arma letal contra o crime — é mesmo preciso ser duro com os criminosos. Duríssimo. O tom do discurso de José Eliton é o correto. A polícia — assim como a sociedade — precisa sentir-se “protegida” pelo secretário. Discursos bambos ou flácidos são úteis aos criminosos e contribuem para paralisar a polícia. Tolerância zero com o crime — não com a lei — é o novo recado. Ele funciona. Até os criminosos entendem esta linguagem.
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Iris Rezende, Waldir Soares, Vanderlan Cardoso, Adriana Accorsi, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt e Virmondes Cruvinel: diferentes perspectivas de como gerir Goiânia[/caption]
Goiânia está assistindo, na campanha eleitoral deste ano — que já começou, menos para os que não entendem de política —, um embate entre as forças do populismo, representadas por Iris Rezende, do PMDB, e Waldir Delegado Soares (sem partido), e as forças dos gestores-modernizadores, representadas por Giuseppe Vecci, do PSDB, Vanderlan Cardoso, do PSB, Luiz Bittencourt, do PTB, Virmondes Cruvinel (ou Francisco Júnior), do PSD, e Adriana Accorsi (ou Luis Cesar Bueno), do PT.
As pesquisas que circulam nos bastidores apontam que os populistas são, por enquanto, favoritos. Motivos principais: são políticos mais “visíveis” e em geral apresentam propostas mais espetaculares. Populistas tendem a aparecer aos olhos dos leitores como políticos que resolvem qualquer coisa e, por vezes, com uma canetada. Mudanças assim não são substantivas, mas parte do eleitorado parece acreditar em propostas radicais e em soluções miraculosas. Um dado curioso a respeito de Iris Rezende — um cientista político diria que é sua contradição básica — é que, apesar de populista, é um gestor experimentado (dado a deixar a dívidas pesadas para os sucessores). Waldir Soares não tem experiência em termos de gestão e faz o gênero populista da linhagem de Jânio Quadros, o presidente que renunciou em 1961.
Giuseppe Vecci é o exemplo cabal de gestor, de político modernizador, com formação técnica de primeira linha. Exatamente por isso tem dificuldade com o discurso populista e não se entusiasma com tapinhas nas costas. Dada sua experiência como planejador de vários governos, desde o governo de Henrique Santillo, na década de 1980, seu projeto de governo tende a ser crível. Vanderlan Cardoso mostrou eficiência como prefeito de Senador Canedo e no mundo empresarial. Luiz Bittencourt é engenheiro, foi presidente do Crea e da Assembleia Legislativa e deputado federal. É experimentado. Virmondes Cruvinel e Francisco Júnior têm menos experiência administrativa, mas têm visões técnicas apuradas — assim como Adriana Accorsi e Luis Cesar Bueno.
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Sandes Júnior, Silvio Benedito e Pedro Canedo: vices em Goiânia, em Aparecida e em Anápolis? O primeiro é mais certo. O segundo e o terceiro são dúvidas. Cúpulas querem a aliança[/caption]
O senador Wilder Morais, presidente do PP em Goiás, só pensa em duas coisas na vida: dinheiro e reeleição. Dono da Construtora Orca, de vários imóveis — como shoppings, dezenas de lotes e apartamentos —, o empresário não tem problema com dinheiro. Na área financeira, sua vida está resolvida. É no campo da política que tenta “acertar-se”. Em Brasília, é apontado como um dos “darlings” do presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB. Porém, como aprendeu que só é forte na Corte quem é forte na província, o político goiano “grudou” no governador Marconi Perillo, do PSDB.
Na eleição para prefeito, seu projeto número um é manter-se unido ao tucano, bancando seus candidatos e exibindo lealdade em tempo integral. Em especial nas três principais cidades de Goiás — Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis —, o PP deve acoplar-se ao projeto tucano.
Em Goiânia, o deputado federal Sandes Júnior, a pedido de Wilder Morais, pode retirar sua candidatura a prefeito para ser vice do candidato do PSDB, Giuseppe Vecci. Sandes e Vecci são amigos e, em Brasília, são inseparáveis. Popular na capital, se for indicado para vice, servirá como contraponto ao discurso mais técnico do tucano. Mas há quem aposte que o vice do parlamentar será Luiz Bittencourt, do PTB.
Em Anápolis, Pedro Canedo, do PP, pode ser vice de Fernando Cunha Neto, do PSDB. Se tem mais estatura política do que Cunha Neto, o médico Pedro Canedo não tem um partido forte a bancá-lo.
Em Aparecida de Goiânia, o PP tem pré-candidato a prefeito. Trata-se do cartorário Tanner de Melo. Mas é provável que o coronel Silvio Benedito seja convidado a filiar-se ao PP para ser vice do candidato do PSDB — Alcides Ribeiro ou Ozair José. A mulher de Silvio Benedito, Iracema Borges (gerente da Caixa Econômica Federal do Setor Pedro Ludovico), é presidente do PSDB de Aparecida. Mas a cúpula tucana não quer chapa pura na cidade — o que tende a empurrar Silvio Benedito para o PP.
Nas demais cidades de Goiás, o PP, com Wilder apostando na sua aliança de 2018 — planeja ser candidato a senador, ao lado do governador Marconi Perillo (comenta-se que pode ser seu suplente) —, vai fazer o jogo do PSDB. Porém, onde o PSDB não tiver candidato, o PP vai procurar emplacar seus nomes. É o caso de Inhumas, onde o partido planeja emplacar o ex-prefeito Abelardo Vaz (que rejeita a incumbência, mas vai acabar sendo imposto pelo grupo do deputado Roberto Balestra). Em Rio Verde, cidade mais importante do Sudoeste goiano, o PP deve apostar todas as suas fichas na candidatura do deputado Lissauer Vieira.
A direção política de um meio de comunicação é dada muito mais pelos proprietários do que pelos editores
Os apoiadores de Iris Rezende acenderam as luzes amarelas. Suas pesquisas indicam uma ascensão perigosa e vertiginosa do deputado federal Waldir Delegado Soares. Os iristas não entendem direito o que está acontecendo, por quais motivos, o delegado Waldir está consolidando-se, de maneira rápida, na disputa pela Prefeitura de Goiânia. [relacionadas artigos="59750"] Mas as pesquisas recentes sugerem duas coisas. Primeiro, a segurança pública está na ordem do dia e o discurso de Waldir Soares é preciso e duro a respeito. A população exige uma segurança pública mais eficiente e firme — o discurso do delegado parte disso. Quer dizer, corresponde ao anseio da sociedade. Aposta-se que a posição independente de Waldir Soares em relação aos grupos poderosos, com uma atitude desafiadora, está contribuindo para sua ascensão. Com diz um marqueteiro, não se deve superestimar nem subestimar Waldir Soares. Ele representa uma força considerável e ainda não decifrada integralmente por cientistas políticos, marqueteiros, pesquisadores e políticos. É um fenômeno popular, com profunda sintonia com determinados setores da sociedade goianiense, que, possivelmente, não se sentem representados por nenhum político ou grupo político.
Ante o crescimento do deputado federal Waldir Delegado Soares, que parece ter conquistado o apoio dos deserdados mas também dos jovens que militam na internet — e que podem ser tudo, menos deserdados —, cientistas políticos e pesquisadores começam a avaliar a possibilidade de um segundo turno entre o delegado e um candidato da base do governador Marconi Perillo. [relacionadas artigos="59735"] A tese é a seguinte: Waldir Soares e Iris Rezende estão disputando praticamente o mesmo eleitorado. Durante a campanha, a partir de certo momento, é possível que um passe a “canibalizar” o outro. O resultado é que um vai crescer mais e o outro tende a ser puxado para baixo. Aí poderá ocorrer uma surpresa: um candidato da base governista pode, por exemplo, suplantar Iris Rezende — se este for o canibalizado no processo — e disputar o segundo turno com o delegado Waldir Soares. Quando se fala “base do governador Marconi Perillo” devem ser incluídos Giuseppe Vecci, do PSDB, Luiz Bittencourt, do PTB, e Virmondes Cruvinel (ou Francisco Júnior), do PSD. Mas não se pode descartar Vanderlan Cardoso, do PSB, que está meio em cima do muro. Quer pertencer à base do tucano-chefe, mas sabe que os espaços estão fechados, dada a quantidade de candidatos governistas. Porém, se Iris Rezende for arrancado do páreo, por um possível crescimento vertiginoso de Waldir Soares, não está descartado, logicamente, que Vanderlan poderá disputar com o líder do PSB o segundo turno. A disputa pela Prefeitura de Goiânia, daqui a sete meses — que passam rapidamente, quase num passe de mágica —, pode reservar surpresas. Poucas ou muitas, não se sabe.
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Divulgação[/caption]
De um experimentado analista político: “Ao aceitar o desafio de gerir a Secretaria de Segurança Pública, o vice-governador José Eliton saiu da zona de conforto para a zona de risco. Porém, se melhorar a segurança pública do Estado, notadamente em Goiânia, sai consagrado e se tornará um candidato a governador, em 2018, dos mais consistentes e competitivos”.
Quando o procurador de justiça Demóstenes Torres assumiu a Secretaria de Segurança Pública, com um rigoroso de apoio à polícia, muitos de seus críticos sugeriram que, se tinha alguma pretensão política, estaria começando a enterrá-la. Ledo engano. O procurador consagrou-se e, em seguida, elegeu-se e reelegeu-se senador.
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O que não se pode é assumir o cargo de secretário e não entender a especificidade do que é a polícia. Se o secretário é proativo, se não procura ficar enviando policiais para a Corregedoria, por motivos sem importância, a segurança pública melhora rapidamente.
No entanto, se o secretário quiser posar de mocinho dos direitos humanos para as redes sociais e as mil ONGs de desocupados, vai contribuir para paralisar a polícia e, portanto, para aumentar a criminalidade.
O secretário José Eliton, ao contrário de outros técnicos, entende isto muito bem. Seu discurso inicial foi extremamente bem recebido pelos policiais. Aliás, os policiais sabem que, como vice-governador, ele terá mais autoridade para pressionar o governo do Estado na busca por recursos e mais mão de obra qualificada.
Por sua capacidade de articulação — tem se revelado um diplomata eficiente, abrindo portas (e nunca arrombando portas abertas) —, José Eliton também poderá melhorar as relações com o governo federal.
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Foto: Jornal Opção[/caption]
A entrada de um grupo tido como mais duro no comando a Polícia Militar é apontada, por um ex-secretário de Segurança Pública, como meio caminho andado para conter ou pelo menos reduzir a violência em Goiás.
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A Polícia Militar e a Polícia Civil agem com mais eficiência e rigor quando sentem que o secretário de Segurança apoia suas ações legais com firmeza.
No combate ao crime, e não há outra saída — a polícia dos Estados Unidos, por exemplo, é uma das mais duras e, por isso, eficazes —, a polícia ser tão protegida quanto o cidadão comum, de bem. Se os policiais são pressionados, e se são levados à Corregedoria pelos motivos menos comezinhos, a tendência é que peguem mais leve com os bandidos.
Rigoroso, com formação jurídica de primeira linha, o secretário José Eliton é uma legalista. Mas sabe que, no combate ao crime, não há meio-termo. É preciso ser duro. Duríssimo. De cara, a polícia apreciou suas declarações e, por isso, vai agir com rigor e a eficiência tende a anotar.
Pode-se dizer que a mídia goiana exagerou na cobertura do assassinato da estudante Nathalia Zucatelli? As emissoras de televisão deram uma cobertura mais excessiva e sensacionalista do que os jornais e sites. Mas a cobertura extensa acabou por contribuir para que o governo tomasse providências e mudasse em parte do comando da Polícia Militar, tanto na cúpula quanto na operação. A overdose de notícias, portanto, pode ter sido mais positiva do que negativa.
A saída da crítica de cinema Rute Guedes não foi benéfica para os leitores de “O Popular”. A repórter sintetizava e comentava os filmes, às vezes com precisão. Agora, no máximo, o jornal transcreve comentários publicados na “Folha de S. Paulo”. São textos enviados pela agência FolhaPress.

