Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro revela história real da paixão de brasileira por japonês durante a Segunda Guerra Mundial

O cabo Yamada, nascido em Tóquio, lutou pelo Brasil contra os nazistas, na Itália. Um soldado alemão o feriu com tiros de metralhadora. Ilma, sua noiva brasileira, jamais acreditou em sua morte

Romance conta a história de uma paixão e, paralelamente, rastreia a dura participação de pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial

Romance conta a história de uma paixão e, paralelamente, rastreia a
dura participação de pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial

“Amor Entre Guerras” (Planeta, 319 páginas), da jornalista Marianne Nishihata, é desses diamantes para o cérebro que, ante uma produção tão maciça da indústria editorial, às vezes passam batidos. Trata-se de um “romance entre uma carioca e um japonês que lutou pelo Brasil na Segunda Guerra Mundial”. As cartas trocadas entre o casal — algumas tão singelas quanto bonitas — são utilizadas para compor a história. Não é, mas trata-se quase de um romance epistolar.

Não é um romance para contar a história da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. É um romance de não-ficção sobre um amor poderoso que, parecendo impossível, se tornou factível. A guerra parece o grande tema e é, de fato, grande. Mas o amor, verdadeiro e intenso, do casal Alberto Tomiyo Yamada e Ilma Faria é o cerne — o real protagonista — do belíssimo livro. Numa carta de maio de 1944, Yamada escreveu para Ilma: “Considero perdidos todos os dias que não passo ao seu lado”.

Yamada nasceu no Japão e chegou ao Brasil, com a família, quando era bebê, em 1921. Registrado no país, tornou-se, portanto, brasileiro.

Um dia, em Mogi das Cruzes, a adolescente Ilma e o jovem Yamada se viram, por breves minutos, e uma química se deu entre ambos e seus destinos, desde então, criaram elos de aço. Apaixonaram-se. Aconteceu numa tarde de dezembro de 1940. A loira Ilma tinha 16 anos. Formavam um casal bonito e Ilma comparava Yamada ao ator americano Tyrone Power.

A família de Ilma, mais aberta à diversidade, aceitou o namoro. A família de Yamada, como queria que ele se casasse com uma jovem de origem japonesa, rejeitou-o (não queria miscigenação). Mas Ilma e Yamada enfrentaram os preconceitos familiares e se tornaram namorados.

Se a família de Yamada era um problema difícil, mas contornável, havia outro, tão drummondiano quanto, no meio do caminho: a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). “Prefiro ir para a guerra e morrer a não poder viver do seu lado”, dizia Yamada para Ilma.

Convocado pelo Exército, Yamada foi levado para Caçapava, no interior de São Paulo — integrava o 6º Regimento de Infantaria —, e, em seguida, para o Rio de Janeiro. Quando podia, sempre escapava para ver Ilma. “A saudade apertou de tal maneira que cheguei a dar os primeiros passos para a fuga”, escreve Yamada, em setembro de 1944, ainda no Brasil, para a amada. Certa feita, “Yamada viajou do Rio para São Paulo escondido dentro de um saco de café só para conseguir se encontrar com Ilma, que sempre ficava em êxtase quando o via fora de hora programada”.

Yamada quis se casar com Ilma antes de ir para a guerra, mas Frederico, pai da garota, não aceitou. Só ficaram noivos. “Se eu morrer na guerra, você vai continuar solteira?”, inquiriu Yamada. “Se você morrer na guerra, vou ser freira. Freira de Santa Terezinha”, replicou, convicta, a católica fervorosa.

O amor entre Ilma e Yamada era tão flamante que até o carteiro Ferreirinha envolveu-se com a história. Ele sofria com as dores de Ilma e até pedia informações a respeito do jovem Yamada.

Chegada na Itália

Em 1944, no navio General Mann, o cabo Yamada e milhares de outros soldados foram levados para a Itália para lutar contra os soldados do nazista Adolf Hitler. Para suportar a solidão, a ansiedade e o receio de bombardeiro, os soldados fumavam muito, sobretudo cigarros Yolanda. “Fumava-se por todo o navio, muitas vezes para abafar o mau cheiro de vômitos que frequentemente apareciam pelo chão”, relata Marianne Nishihata.

No navio, o soldado mineiro Joaquim Evandro Teixeira perguntou para Yamada: “Vamos lutar pelo Brasil mesmo? Meu vizinho me disse que os norte-americanos serão nossos comandantes e que fomos obrigados a entrar nessa briga”. Embora estivesse indo para uma guerra na qual todos estavam bem armados, “Teixeira mal conseguia carregar uma arma”.

Depois de quatorze dias de viagem, os soldados chegaram em Nápoles. Estava frio. De cara, Yamada percebeu a névoa e a destruição da Itália. “Nápoles tinha sido semidestruída pelos alemães.” Os italianos estavam famintos. “Os nativos se aproximavam e ofereciam serviços em troca de comida, cigarro e chocolates. A expressão impressa em seus rostos era de um desânimo sem fim.”

Marianne Nishihata, jornalista: a escritora usa técnicas do romance para recriar uma bela história real, contada com sentimento mas sem pieguice

Marianne Nishihata, jornalista: a escritora usa técnicas do romance para
recriar uma bela história real, contada com sentimento mas sem pieguice

De Nápoles, os soldados foram levados para o Norte da Itália. Yamada pensava em Ilma e Ilma pensava em Yamada. Mesmo distantes, viviam um para o outro. “A primeira carta vinda da Europa levaria cerca de um mês para chegar até as mãos ansiosas da carioca de cabelos cacheados”, anota Marianne Nishihata. O cabo pertencia ao 1º RI, o Regimento Sampaio.

Ao contrário da maioria dos soldados, o cabo Yamada estava relativamente bem informado sobre os motivos da guerra e a respeito das alianças políticas e militares. Explicava aos companheiros que a missão deles era “livrar a população italiana dos nazistas”.

Os brasileiros não apreciavam a comida servida na Itália. “Os norte-americanos ofereciam rações enlatadas, que eram diferenciadas por letras. No barco onde estavam receberam a chamada ração C, composta de carne e vegetais. Estava fria e muitos homens não conseguiram engolir aquela gororoba de cor e cheio estranhos. Havia ainda suco de tomate e de laranja.” Embora quase não reclamasse de nada, Yamada lamentava a “falta de sal nas refeições”.

Em Livorno, um partigiani, armado com uma faca, confundiu Yamada com um soldado japonês, aliado da Alemanha. Para piorar, o uniforme verde-oliva era parecido com o dos nazistas. Ele falava “Brasile!”, “Brasile!”, mas o italiano não entendia e mantinha-se agressivo. Um soldado brasileiro, que falava italiano, conseguiu convencer o militante antifascista de que Yamada era brasileiro e, como os demais soldados, integrante do 5º Exército norte-americano. Para evitar novas confusões, os comandantes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) criaram um emblema, mostrando uma cobra fumando, para distinguir os militares do país.

Levado para Pisa, na Quinta San Rossore, Yamada encontrou-se com soldados brasileiros que estavam em combate, no Vale do Serchio. Eles “tinham obtido sucesso nas primeiras batalhas que travaram”. Entre os militares estava Antonio Sampaio, do 6º Regimento de Infantaria, que era amigo de Yamada.

As barracas eram de qualidade, mas “os colchões finos não conseguiam impedir que a umidade do chão enlameado se alojasse nos ossos dos pobres soldados. Alguns poucos homens ganharam a chamada cama de campanha, de lona de navio e com pequenos pés que a isolavam do contato direto com” o “chão. Não caía água por cima, mas o solo de terra batida onde os soldados dormiam permanecia encharcado o tempo todo”. O frio intenso era um inimigo quase tão poderoso quanto os alemães.

Ao chegar, Yamada pensou logo sobre as cartas que deveria escrever para Ilma. Mas descobriu que a censura era rígida. “Como todas as correspondências que chegam e que vão para o Brasil precisam ser lidas, o processo demora muito”, disse Antonio Sampaio. Ilma e Yamada haviam combinado que todos os dias, às 18 horas, um pensaria no outro e rezariam. Yamada tirava do bolso uma fotografia de Ilma, olhava-a — desgostoso, porque estava amassada —, acariciava-a e a beijava. “Posso dormir ao relento, fedido, sujo, mas meu coração estará limpo e pulsante para você”, disse para si mesmo Yamada, como se estivesse falando com Ilma.

Em Pisa, os militares do grupo de Yamada ficaram parados por mais de 35 dias, por falta de material para treinamento. Os soldados ouviam música, em rodas de samba. Cristóvão Alves era um dos violonistas. Eles viam filmes. Para conter o frio, passaram a usar uniformes e galochas americanos.

Antes de entrar na batalha, Yamada ouviu que os brasileiros estavam indo bem, tendo conquistado várias cidades, como Bozzano, Massaroza, Camaiore. Ficou triste ao saber que Antenor Oliveira, um soldado com o qual havia mantido contato em Caçapava, havia falecido depois que o jipe em que estava tombou no Vale do Serchio.

“O primeiro revés dos expedicionários brasileiros aconteceu em Castelnuovo di Garfagnana, e o episódio mudou o rumo do segundo e do terceiro escalão. Ficou decidido que a tropa brasileira se retiraria do Serchio e partiria para o Vale do Reno. O objetivo era dominar a estrada que ligava Pistoia a Bolonha, denominada 64”, anota Marianne Nishihata.

Certo dia, Yamada encontra-se com um alemão, de 45 anos, que havia desertado. Ele contou que “não aguentava mais o frio e o cansaço que passava no alto dos Apeninos”. O soldado, loiro e alto, disse para o cabo brasileiro: “Você, japonês, encontrou seus irmãos na Itália? Eu vi vários deles andando por aí. Você deveria estar com eles”. Tratava-se do “442º Regimento de Infantaria norte-americano, formado apenas por descendentes de japoneses nascidos nos Estados Unidos”.

O soldado Sampaio disse a Yamada que a missão de seu grupo seria liberar a estrada 64 “de qualquer ameaça dos alemães. Disseram que ‘precisamos abrir a estrada para que o IV Corpo do Exército norte-americano continue a avançar”. Ele acrescentou: “Os companheiros do 6º Regimento estão esgotados, tem até arma que não funciona, pouca munição”. “Os brasileiros tinham como missão retirar os soldados de Hitler da região e, para isso, precisariam tomar o estratégico Monte Castello, para depois dominar toda a região” de “Bolonha, importante ponto de encontro de estradas, e chegar ao Vale do Rio Pó”, esclarece Marianne Nishihata. “Monte Castello ficava a sudoeste de Bolonha e estava a quase mil metros de altitude, na estrada 64.”

Numa estrada, um jipe tombou e um soldado morreu esmagado. O veículo trafegava atrás do caminhão de Yamada, que ficou abalado. O 2º Batalhão do 1º Regimento, do qual fazia parte, dirigiu-se para o vilarejo de Borgo Capane, na província de Bolonha. À noite, seu grupo foi informado que substituiria o regimento de São Paulo, o 6º RI. “Os homens foram enviados para o Monte Castello.”

“Nem todos os soldados tinham recebido o material que deveriam usar no campo de batalha e isso atormentava Yamada, que já carregava nas mãos o fuzil Springfielg, fabricado pelos norte-americanos desde o século 18 e usado durante a Primeira Guerra Mundial. Muitos de seus colegas estavam com pequenas armas que ele nem ao menos reconhecia”, assinala Marianne Nishihata. “O próprio Springfield estava obsoleto e não era mais usado pelos norte-americanos na guerra.” Eles “portavam o chamado rifle Garand, uma arma mais moderna e confiável e que foi cedida apenas a alguns sargentos.”

O grupo de Yamada avançou e o 1º batalhão permaneceu “como reserva dos americanos”. Usavam geradores de fumaça para evitar que os alemães, que estavam no Monte Castello, não vissem os soldados brasileiros.

Os alemães atacaram, de maneira agressiva e constante. “Fogos de morteiro caíram a vinte metros de Yamada.” Ele reagiu. “Foi a primeira vez que realmente atirou contra o inimigo na guerra. Seu batismo de fogo aconteceu da pior maneira, jogado na linha de frente sem a devida preparação. Enquanto ouvia os disparos dos alemães, Yamada tentava revidar com seu fuzil, menos barulhento.”

Nas proximidades do Monte Castello, quando o soldado Cristóvão queria voltar para resgatar três pracinhas feridos ou mortos, Yamada racionalizou: “Não dá, Cristóvão. Se você for pode ser atingido. Não podemos voltar”. No dia 25 de novembro de 1944, os expedicionários “sofreram novo revés em Monte Castello”. Satsuki Nakasone, uma das fontes do livro, estava lá. Muitos homem morreram no bombardeio alemão.

Num dos combates, Cristóvão foi ferido, “atingido no coração”. Yamada “se levantou e começou a fazer uma massagem cardíaca no amigo. (…) Negro, alto, forte e com uma cicatriz profunda no queixo”, Cristóvão “segurava nas mãos uma foto da família”. Percebendo que o soldado não reagia à massagem, Antonio Sampaio gritou: “Yamada, ele está morto”. “O abatimento por conta de Cristóvão foi tamanho que Yamada não conseguia nem ao menos escrever cartas para Ilma.”

O cabo Yamada lutou bravamente contra os nazistas e quase perdeu a vida ao ser metralhado por um soldado alemão, na Itália

O cabo Yamada lutou bravamente contra os nazistas e quase perdeu a vida ao ser metralhado por um soldado alemão, na Itália

“Morte” de Yamada

No Brasil, Ilma recebia parte do soldo de Yamada. Até que, um dia, o pagamento foi suspenso e a jovem recebeu um aviso devastador: “Alberto Tomiyo Yamada morreu em combate”. O mundo da garota desmoronou.

Ilma retirou da bolsa uma fotografia do amado. “Acariciou o rosto de Yamada delicadamente e sentiu cada poro da pele do noivo. Duas lágrimas pesadas saíram com dificuldade de seus olhos e caíram em cima da foto.” Contra as evidências, ela gritava para as pessoas: “Ele não morreu, não”. Até a mulher do presidente Getúlio Vargas, Darcy Vargas, procurada por Ilma, saiu em busca de informações. Não adiantou. Yamada estava “morto”.

“Faz o meu noivo voltar para mim, Santa Terezinha”, dizia Ilma, aparentemente ensandecida. “Não adianta vocês chorarem. Tenho certeza de que Yamada não morreu.”

Como ocorreu a “morte” do bravo Yamada? Chamado para compor uma patrulha, o cabo “colocou a foto [de Ilma] dentro do capacete, com a ajuda de um pequeno pedaço de chiclete que mascava e que serviu para colar a imagem da noiva no fundo do acessório de aço”. Ele disse para si: “Para onde eu for, você vai comigo, Ilma”.

O parceiro de Yamada na patrulha era o pracinha Bruno Müller. Seu chefe era o sargento Vasquez.

Durante as investigações do terreno, Yamada percebeu um alemão “por trás do sargento Vasquez” e gritou: “Bruno!” Ao se virar, um alemão disse: “Heil Hitler!” Apareceu outro alemão, e Yamada gritou “Bruno! Bruno!”

“O alemão atirou três vezes em direção a Yamada. O corpo do brasileiro pendeu para o lado de fora da janela e despencou lá de cima direto na neve, de bruços. Escondido na lateral da igreja, Bruno viu o ataque a Yamada. Ele percebeu que alguém tinha entrado no local e escapou da torre, sem ser visto”, reporta Marianne Nishihata. Yamada estava no chão, ensanguentado. Bruno avaliou que estava morto (os tiros foram de metralhadora) e fugiu.

No Brasil, quase apontada como louca, Ilma continuava dizendo: “Mamãe, ele está vivo. Acredite em mim”. Mas tudo indicava que Yamada estava “morto”. O comando militar, tanto na Itália quanto no Brasil, admitia sua morte. Darcy Vargas disse: “Ilma, infelizmente não tenho boas notícias. Acabo de ser informada de que o seu noivo, Alberto Tomiyo Yamada, realmente está morto e não se encontra em nenhum hospital de campanha da FEB na Itália. Minha equipe andou por todos os locais de atendimento médico e não o encontrou. Eu sinto muito, minha filha”.

Triste, lamentável: Yamada estava mesmo morto. Mas a fé de que o noivo estava vivo deixava Ilma ativa, viva.

Um dia, no Rio de Janeiro, aparece um soldado da FEB, Rufino Santos, com uma carta. Parecia ser um diplomata de outro mundo, o dos mortos. A carta tinha o símbolo da American Red Cross. Bem, então Yamada estava mesmo morto.

Pois é: a carta era do morto que estava vivo, mas ferido — sim, Yamada. “Fui ferido em combate. Queria levar isso ao seu conhecimento antes, porém não o pude devido à censura.”

O tom de suspense é, na verdade, de Marianne Nishihata, que conduz a história com mão de mestre, “torturando” os leitores que, claro, estão na torcida (quem sabe, quase às lágrimas) por Ilma e Yamada.

Ferido gravemente pelos alemães, Yamada havia sido encontrado por soldados americanos e operado por um especialista dos Estados Unidos, que conseguiu salvá-lo. O cabo estava internado em um hospital de Livorno.

Mas o soldado Rufino deu um aviso funesto: “Ele não pode andar. Ele está muito mal”. Yamada havia sido operado pelo médico americano David Gibson. Chegou a fazer uma colostomia de emergência.

O médico brasileiro Marcelino Alvarenga explicou para Yamada: “Cerca de vinte centímetros do seu intestino foram retirados e parte do que restou está para o lado de fora do seu corpo, agora, mas isso é temporário. Suas fezes serão armazenadas diretamente em uma bolsa coletora que está junto ao seu corpo”.

Yamada só pensava numa coisa: avisar Ilma. Mas o médico cortou-o: “O senhor precisa é de descanso”. O soldado Tim Campbell, que salvara Yamada, deu-lhe um envelope com a fotografia de Ilma. “Yamada chorou e agradeceu.” O brasileiro e o americano se entenderam, emocionados.

Tentaram trazer Yamada para se tratar no Brasil. “Doutor, pode me matar, mas eu não vou voltar antes de reverter essa cirurgia.” Aí o médico mexeu no seu ponto fraco: “Mas que coisa é essa, agora? Não quer reencontrar sua noiva?” Yamada: “Certamente que quero, mas amigos me avisaram que os operados que voltaram ao Brasil estão morrendo e ninguém sabe o motivo. Quase morri na guerra e, se retornar vivo, será com saúde”.

Com esforço voltou a andar e a cirurgia foi revertida. Chegaram a dizer a Ilma que Yamada havia enlouquecido. Em junho de 1945, ele voltou para o Brasil. Estava magro.

Ilma e Yamada se casaram em 1946. A primeira filha ganhou o nome de Teresinha, o nome da santa de devoção de Ilma. Ele tiveram mais cinco filhos.

Yamada morreu em 2002, aos 81 anos; Ilma, em 2009. Entrevistada por Marianne Nishihata, Ilma disse: “O que eu mais gostava era dos olhinhos dele. Eu apertava aqueles olhos, que hoje já não posso mais olhar. Foi um amor”.

Se Marianne Nishihata fosse americana, e não brasileira, seu romance já estaria em fase de adaptação para o cinema. A jornalista, gerente de produto digital na Editora Abril, é uma prosadora de primeira linha.

[E-mail do autor da resenha: [email protected]]

Militares citados no livro “Amor Entre Guerras”

Alberto Tomiyo Yamada (cabo)
Antenor Oliveira (morre na guerra)
Antonio Sampaio
Bento Assis Miranda (cabo)
Bruno Müller
Cristóvão Alves (morre na guerra)
Fumiya Yamamoto (morre na guerra)
Joaquim Evandro Teixeira
José (ou Eduardo) Vasquez (sargento)
Mascarenhas de Moraes (general)
Narciso Batista
Paulo Antunes
Rufino Santos
Satsuki Nakasone

O soldo do militar que participava da guerra

“O militar que estava em combate ganhava três vezes mais do que os que ficaram no Brasil, e, por conta disso, o pagamento dos soldados da FEB era dividido em três cotas: uma fixa em liras, que eles recebiam na Itália; outra era destinada à família, que retirava o dinheiro na chamada Pagadoria Central, cuja sede era no Rio de Janeiro; e uma terceira que ia para um fundo de previdência, depositado na Caixa Econômica Federal em nome do combatente, e que seria retirada quando os expedicionários voltassem da guerra. Caso o soldado morresse, a quantia entraria no seu espólio.

“Quem quisesse guardar a parte do salário que era recebido na Itália também podia fazer isso, e o valor era também incorporado no fundo de previdência.” (Do livro “Amor Entre Guerras”, página 237)

carta

Uma resposta para “Livro revela história real da paixão de brasileira por japonês durante a Segunda Guerra Mundial”

  1. Avatar EvandroJGC disse:

    Caramba, linda história! E bem contada. De forma romântica, mas sem inventar.
    Daria um bom filme mesmo.
    Um “Porto das Pérolas”, hein? Heheh!

  2. Avatar Julio disse:

    Um amor mais forte que a guerra… um casal que fez de suas vidas uma das mais lindas historias de amor!

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