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Novo presidente do Conselho Federal da OAB diz que lutará contra decisão polêmica do STF

[caption id="attachment_59792" align="alignright" width="620"]Cláudio Lamachia (Conselho Federal da OAB), com o advogado Márcio M. Cunha Cláudio Lamachia (Conselho Federal da OAB), com o advogado Márcio M. Cunha[/caption] O advogado Márcio M. Cunha ao lado do novo presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Pacheco Prates Lamachia, na cerimônia de posse da nova diretoria da entidade. Lamachia prometeu lutar contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da qual passa a poder prender todos condenados em segundo grau, afirmando que a entidade buscará meios para que todos tenham o direito ao contraditório e a recorrer em liberdade. No momento da manifestação, Lamachia foi aplaudido de pé, diante da presença dos ministros do STF Ricardo Lewandowski — presidente da Corte —, Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki e Gilmar Mendes. Por fim, Lamachia garantiu que vai lutar contra a permanência do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Conseguir se sentar em ônibus no Eixo Anhanguera é luxo de primeira grandeza”

Valéria Ramos onibusA cada dia, ando mais revoltada com o Eixo Trinda­de–A­nhanguera. Na segunda feira, 22, já peguei o ônibus lotado em Trindade. Como sempre ocorre, não era possível nem se mexer. Ao chegar à Praça A, todos têm de trocar de veículo, porque até certa hora da manhã o Eixo Trindade só vai até aquele ponto. O terminal da Praça A parece um formigueiro, tamanha a quantidade de gente. É desumano, deprimente, humilhante. Tive de esperar que passasse meia dúzia de ônibus para então conseguir entrar em um, no qual nem de longe havia a possibilidade de um banco para mim. Ou seja, fui de Trindade até o Centro de Goiânia sem sentar um só minuto. À tarde, na hora de voltar pra casa, qual foi a grande novidade? Nenhuma, todos os ônibus lotadíssimos. Por um milagre, quando cheguei ao Terminal Vera Cruz, consegui me sentar. Aleluia! No dia seguinte, a mesma novela. De manhã, meu ponto lotado, para variar. E novamente a troca na praça A foi da mesma forma. Ao voltar, à tarde, por um imprevisto no caminho que contarei a seguir, consegui me sentar quando chegava ao Vera Cruz. É que, simplesmente, depois de ter vindo em pé da Rua 20 (Centro) até o Terminal Padre Pelágio, peguei o ônibus para Trindade de um jeito que não dava para respirar, de tanta gente. Na primeira parada do Eixo depois da saída do terminal, eis que acontece uma coisa “linda”: o pneu estoura. Como pode isso? Um ônibus tão bom, tão lindo, tão confortável, todo pleno de manutenção? O motorista ligou para alguém, certamente explicando a situação. Enquanto não vinha um ônibus vazio para pegar o povo que ficou a pé, os que passavam, para lá de lotados, foram pegando mais pessoas entre aquelas que estavam ali. Quando chegou o ônibus reserva, mais da metade já havia se apertado nos outros que passaram. Mas bastava olhar a situação dos pneus do veículo para ver o descaso com o povo. Queria muito que alguém conseguisse a façanha de colocar os governantes no Eixo Anhanguera por uma semana. No horário de pico. Cedo e à tarde. Levando todos os chutes, empurrões, pontapés e grosserias, para que sentissem na pele o quão bons eles são. Ainda tem um agravante, que é a falta de educação do povo. Isso de certa forma é até compreensível, porque infelizmente a gente sabe que ninguém do poder público está se importando e que os ônibus são mesmo poucos. Assim sendo, é preciso entrar empurrando no primeiro que aparece, porque está todo mundo cansado da jornada de trabalho e quer chegar a todo custo em casa. E assim somos empurrados para entrar no ônibus. Já se sentar em um desses coletivos do Eixo é um luxo de primeira grandeza! Aquela lei da física segundo a qual dois corpos não ocupam o mesmo espaço, definitivamente foi derrubada nessa linha. Ali, no mínimo dez corpos ocupam o mesmo espaço. E o preço da passagem ainda sobe, com toda essa falta de estrutura? Somos tratados pior do que gado, porque em uma carreta de bois só colocam nela a quantia exata de animais que ali se comporta. No Eixo, não: enquanto há uma fresta de luz e ar, entra gente, porque, se não entrar com ele mesmo lotado, não se chega em casa. Outra coisa que dá revolta é ver vários ônibus vazios na fila, mas que não vão pegar o povo, que está esperando na plataforma. Eles têm de realmente dar tempo para que saiam entupidos de gente. É um descaso total, com falta de respeito e falta de segurança, sem um mínimo de dignidade. Outro dia ouvi uma pessoa dizer que ela precisava se mudar, para ficar mais perto do trabalho. Eu pensei cá com meus botões: ajuntei dinheiro por anos para comprar uma casa nova e agora eu tenho de me mudar porque o bus não funciona? Não deveria ser o contrário? Não é o transporte que tem de melhorar, já que eu pago, além da passagem, um monte de impostos? Estou mesmo revoltada. Meu filho, que morou nos Estados Unidos, tem mesmo razão de não querer mais ficar aqui. Está impossível viver neste País. Desculpem-me o desabafo, mas quem sabe assim possamos ao menos encontrar alguém que se importe com o povo.

Valéria Ramos é secretária na Cúria Metropolitana (Arquidiocese de Goiânia).

Não devemos esquecer o pequeno Aylan

Desde o ataque às torres gêmeas do World Trade Center, nos EUA, o terrorismo faz parte do jogo político

Sem regulamentação por leis complementares, Plano Diretor de Goiânia vira peça de ficção

Com algo entre 60% e 80% ainda a ajustar naquilo que não é autoaplicável, lei tem apenas um ano de vigor até passar por revisão na Câmara de Goiânia

O que “De volta para o futuro” e José J. Veiga têm em comum

Brincar com o tempo é algo comum no cinema, sobretudo no hollywoodiano, mas muitos escritores provaram que isso também é possível na literatura

“Timon de Atenas” é a estreia da semana no Teatro Goiânia

[caption id="attachment_59778" align="alignright" width="620"]Com Tonico Pereira e Vera Holtz, peça é a principal atração cênica da semana Com Tonico Pereira e Vera Holtz, peça é a principal atração cênica da semana | Foto: Divulgação[/caption] “Timon de Atenas”, peça do dramaturgo inglês William Shakespeare, estará em cartaz em Goiânia entre os dias 4 e 6 de março. A montagem traz Vera Holtz no papel de Timon, em uma trama adaptada para os dias atuais. O espaço é o centro do poder de uma grande capital federal, como Brasília. As apresentações serão no Teatro Goiânia e os ingressos custam R$ 25, a inteira. Os ingressos já estão à venda na Fnac do Shopping Flamboyant, na Livraria Leitura, do Goiânia Shopping e na Pharmárcia Therapêutica, da Rua 83, no Setor Sul. Um adendo: no dia 5, será oferecido uma oficina de direção e interpretação com a equipe do espetáculo. A oficina, voltada para atores e diretores de teatro, é gratuita.

Vila Cultural precisa ser “encontrada” pela população

Ainda pouco conhecida de grande parte da população de Goiânia, a Vila Cultural Cora Coralina tem se revelado um espaço importante para a cultura em Goiânia. Com eventos simultâneos acontecendo durante todos os fins de semana, a Vila precisa ser “encontrada” pela população da capital goiana. Neste mês de março, por exemplo, acontecem lá: a Mostra de Arte Urbana no Brasil Central; o Festival Todas as Tribos; e as aberturas das exposições “20 anos Teatro Ritual” e “O Dobro”. Além disso, ainda ocorrem eventos paralelos, como o ciclo de cinema. A Vila Cultural fica ao lado do Teatro Goiânia, entre a Rua 3 e a Avenida To­cantins, no Centro da capital.

Qualificação

Nos dias 1º e 8 de março acontece no Culturama o curso “Estudos sobre o mercado de arte contemporânea no Brasil”. O curso, que tem como público alvo galeristas, artistas, colecionadores e estudantes de Artes Visuais, será ministrado pelo pesquisador Alessandro Elias da Silveira. O objetivo do curso é qualificar profissionais a fim de aprimorar o conhecimento sobre o mercado de arte no País. As inscrições podem ser feitas pelo telefone 3924-191 ou pelo site www.espacoculturama.com.br.

Rápidas

  • Termina na segunda-feira, 29, a Mostra Anime Cria­tivo, promovida pela Funda­ção Japão e pela Embaixada do Japão em parceria com a Secretaria de Cultura do DF. A mostra exibe cinco animes. Local: Cine Brasília. Entrada franca.
  • Também em Brasília, no dia 2 de março, acontece o Semi­nário de Acessibilidade Cultural para Produtores. Promovido pela Secretaria de Cultura do DF, o seminário quer debater as dificuldades que pessoas com deficiência têm nos espaços culturais. Será no Auditório do Museu Nacional da República, às 9 horas.

Lançamentos

Livro

Livro_Marca TextoOs Mortos Está em pré-venda a edição bilíngue de “Os Mortos”, de James Joyce, traduzido por Tomaz Tadeu, conhecido pela tradução de "Mrs Dalloway", de Virginia Woolf. Autor: James Joyce Preço: R$ 47,00

Música

CDSleepless A banda de metalcore, Adept, lança seu novo álbum: “Sleepless”. Trata-se do quarto álbum de estúdio da banda sueca, que já pode ser encontrado para pré-venda. Intérprete: Adept Preço: R$ 49, 90  

Filme

DVD007 Contra Spectre “007 Contra Spectre”, o novo filme do agente secreto mais conhecido do cinema, está disponível em DVD e Blue-Ray. Direção: Sam Mendes Preço: R$ 39,90

Livro revela história real da paixão de brasileira por japonês durante a Segunda Guerra Mundial

O cabo Yamada, nascido em Tóquio, lutou pelo Brasil contra os nazistas, na Itália. Um soldado alemão o feriu com tiros de metralhadora. Ilma, sua noiva brasileira, jamais acreditou em sua morte

Da zona de conforto para o olho do furacão

A saída do vice-governador da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a ida dele para a Segurança Pública terá reflexos políticos maiores do que se possa imaginar inicialmente

Não importa se Nathalia Zucatelli era de classe média. Seu assassinato deve ser pranteado pela sociedade

O marxismo pôs um ovo da serpente na linguagem comum e quase todos repetem que a causa dos crimes é a desigualdade social. A maldade assassina de Natália Gonçalves tem pouco ou nada a ver com pobreza [caption id="attachment_59759" align="alignright" width="620"]Reprodução/Facebook Reprodução/Facebook[/caption] O iluminismo é o pai (Laio?) e o positivismo (Jocasta?), diria o filósofo britânico John Gray, é a mãe do marxismo (Édipo?). Os pensadores do iluminismo sugeriram, implícita ou explicitamente — e seus seguidores políticos, como os da Revolução Francesa, radicalizaram suas ideias, promovendo mudanças rápidas e drásticas —, que os principais problemas da Humanidade podem ser resolvidos, por assim dizer, num “golpe de força”. A vontade de mudar — que os leninistas chamariam mais tarde de voluntarismo —, impulsionada pela ação organizada, resultaria em mudanças conjunturais e, sobretudo, estruturais. Os marxistas — ou marxicidas, diriam seus desafetos — apropriaram-se da ideia, aperfeiçoaram-na e decidiram que era possível mudar o mundo, até com certa facilidade e, sobretudo, rapidez. Os indivíduos estavam “cansados” de ideias que indicavam que as mudanças seriam lentas ou se dariam apenas no plano espiritual. Utilizando-se do iluminismo como servo, o marxismo precisava, porém, de um escravo — o positivismo. A ideia de mudanças lineares, de modos de produção sequenciais — comunitário, escravista, feudal, capitalista, socialista e, finalmente, comunista (o nirvana dos materialistas) —, de um mundo progressista, sempre avançando, é um assalto promovido pelo marxismo ao banco de ideias do positivismo. Posteriormente, o leninismo “aperfeiçoou” a ideia de um partido único e o parto estava feito: nascia o monstro — o comunismo como sistema. O resultado: mais de 100 milhões de mortos, apenas em dois países, a União Soviética e a China, no século 20. Nunca um sistema político havia matado tanto e de maneira tão ordenada — inclusive com cotas diárias. Mas o marxismo, um sistema bipolar (iluminista e positivista; John Gray aponta seu caráter religioso, ainda que laico), é responsável por outro mal — este mais difícil de ser extirpado: criou uma linguagem comum (George Orwell quase imaginou isto, ma non tropo). Todos (ou quase) falam como marxistas, mesmo quando não marxistas. Pode-se dizer que o marxismo é uma espécie de cristianismo da linguagem. A linguagem e o comportamento comuns estão impregnados pelo discurso marxista, fortalecido pela hegemonia dos comunistas na União Soviética (extinta em 1991) e na China. Morte de Nathalia Zucatelli Na segunda-feira, 22, Natália Gonçalves de Sousa, de 20 anos, matou Nathalia Araújo Zucatelli, de 18 anos. A primeira é assaltante; a segunda era estudante. Encontraram-se frente a frente. Nathalia Zucatelli não reagiu ao assalto — perpetrado por Natália Gonçalves e seu comparsa, Mateus Queiroz Aguiar. Ainda assim, como se fosse um personagem do escritor francês Albert Camus, o Meursault de “O Estrangeiro”, ou do escritor russo Fiódor Dostoiévski, o Raskólnikov de “Crime e Castigo, Natália Gonçalves matou Nathalia Zucatelli. Num vídeo, aparentando calma e capacidade de racionalização, Natália Gonçalves admitiu que, mesmo sendo assaltada, Nathalia Zucatelli comportou-se com relativa tranquilidade. No dizer da assassina: “A reação dela foi normal. Virou as costas e saiu”. Ao racionalizar, como se fosse uma Raskólnikov dos trópicos, Natália Gonçalves acrescenta: “Foi quando a moto acelerou e eu assustei”. Era noite, portanto, ao contrário de Meursault, a criminosa não pode mencionar o Sol como causa do susto. É provável que a racionalização, ainda sem orientação de advogados experimentados, é da própria assassina. Busca um atenuante: o tiro teria sido, por assim dizer, acidental. O assassinato deixaria de ser doloso para se tornar culposo. Tese que promotores de justiça e juízes raramente aceitam — dadas as evidências de que se pretendia matar e de que não houve reação alguma por parte da vítima. Ao delegado Clayton Camilo, que investiga o caso, a hábil Natália Gonçalves — econômica nas palavras, às vezes — contou uma história mais plausível. Estava com a arma engatilhada e atirou em Nathalia Zucatelli, que, se não estava, simulava certa calma. Talvez a tranquilidade dos jovens e dos bons — que acreditam que, dada a ideia de imortalidade (típica dos jovens, necessária para que não percam a esperança), sempre “escaparão” aos momentos ruins. É raro o jovem que acredita na maldade absoluta — como a de Natália Gonçalves. Por que, se Nathalia Zucatelli não reagiu e não deu importância alguma aos bens materiais, Natália Gonçalves a matou? Porque quis, admitiu a criminosa, que tem passagem pela polícia. No mesmo dia em que cometeu o crime mais grave que se pode cometer, contra vida, a jovem de cara fechada cometeu mais dois assaltos. Entrevistas rápidas não servem de base para se formatar um perfil preciso de um indivíduo. Mas, observando bem o semblante e escrutinando as palavras de Natália Gonçalves, é possível constatar ao menos três coisas. Primeiro, trata-se de um jovem obstinada, dessas que saem às ruas para matar ou, quem sabe, morrer. Sua postura física é de uma pessoa, mesmo presa, resoluta. Segundo, embora fale em pagar por seus “pecados”, não se mostra arrependida. Pagar “pecados” não é o mesmo que, por assim dizer, “renegeração”. Terceiro, racionaliza com frequência — inclusive parece entender a hegemonia de um discurso típico da esquerda mas comprado por quase todos: a origem social dos crimes. Numa tentativa sutil de “atenuar” a barbárie que cometeu, Natália Gonçalves quase teoriza: “Ele [Mateus] me chamou para fazer um assalto e eu estava precisando de dinheiro... Meus filhos estavam sem água e sem energia, e eu aceitei”. A teoria do social como produtor de crimes é manqué. A maioria dos pobres é decente e trabalhadora. Se a teoria estivesse certa, a maioria dos pobres seria criminosa. O crime às vezes tem origem difusa. Em alguns casos, os criminosos sentem certo prazer com suas atividades, com a violência. Noutros, sobretudo no crime organizado, unem-se o prazer e a vontade de ganhar dinheiro. No caso de Natália Gonçalves, é muito provável que tenha cometido crimes na segunda-feira — e, possivelmente, em vários outros dias —, não por que precisava necessariamente comprar água e pagar energia. É bem possível que queria dinheiro para outras coisas — como se divertir e comprar drogas (crack, maconha). Mas sugerir que o crime tem vínculo com o social — Natália Gonçalves sabe das coisas —, se não justifica o assassinato, ao menos o “atenua”. A má consciência da sociedade, formatada e sedimentada pelo discurso da esquerda — que a transforma em culpada, quando é vítima —, se torna uma produtora de dúvidas, de questionamentos infrutíferos. Os criminosos se tornam vítimas — párias sociais — e as pessoas de bem, sobretudo se tiverem alguma renda razoável, passam a ser consideradas “culpadas”. Urge retomar parcialmente a discussão do início do texto. Na semana passada, ante a repercussão e a comoção — justíssimas — geradas pela morte de Nathalia Zucatelli, na porta do Colégio Protágoras, onde estudava, pôde-se ouvir, em vários lugares, determinados discursos que merecem exame da Filosofia, da Antropologia, da Sociologia, da Psiquiatria e da Psicanálise. Não é o que se pretende fazer aqui. O que se pretende é insistir que o marxismo “introduziu” o ovo da serpente em quase todos os indivíduos. Por isso é que se comentava, e não apenas en passant, que a grande repercussão tem origem no fato de que se trata de uma filha da classe média, assassinada na porta de um colégio particular. Este tipo de comentário é desumano, mas é típico da racionalização da esquerda, quer dizer, pessoas que não são de esquerda — que estão próximas da direita — adotam discurso de esquerda. “Se fosse um po­bre, se fosse uma pessoa da periferia, a sociedade não estaria tão mobilizada”, disseram muitos, quase todos com formação universitária. Procede que é preciso “prantear” todos os mortos. Mas Nathalia Zucatelli não era pobre, não era classe média, não era rica. Isto não importa. Era um indivíduo, um ser humano, uma cidadã de bem. Morreu porque certamente tinha doçura no coração, porque “virou as costas e saiu”, acreditando que o mal tinha “pernas curtas”, sem nenhuma reação. Há, por fim, um aspecto pouco examinado. Casos como o do assassinato geram uma mobilização social, a sociedade sai de certo marasmo e se posiciona. O próprio governo de Goiás trocou o secretário de Segurança Pública. O vice-governador José Eliton assumiu o cargo com um discurso mais duro, mais posicionado. Ao contrário dos iluministas, temos poucas certezas. Mas uma delas é que, além de investir em educação — uma arma letal contra o crime — é mesmo preciso ser duro com os criminosos. Duríssimo. O tom do discurso de José Eliton é o correto. A polícia — assim como a sociedade — precisa sentir-se “protegida” pelo secretário. Discursos bambos ou flácidos são úteis aos criminosos e contribuem para paralisar a polícia. Tolerância zero com o crime — não com a lei — é o novo recado. Ele funciona. Até os criminosos entendem esta linguagem.

Os populistas Iris e Waldir vão enfrentar os gestores Vecci, Vanderlan, Bittencourt e Virmondes

[caption id="attachment_59757" align="alignright" width="620"]Iris Rezende, Waldir Soares, Vanderlan Cardoso, Adriana Accorsi, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt e Virmondes Cruvinel: diferentes perspectivas de como gerir Goiânia Iris Rezende, Waldir Soares, Vanderlan Cardoso, Adriana Accorsi, Giuseppe Vecci, Luiz Bittencourt e Virmondes Cruvinel: diferentes perspectivas de como gerir Goiânia[/caption] Goiânia está assistindo, na campanha eleitoral deste ano — que já começou, menos para os que não entendem de política —, um embate entre as forças do populismo, representadas por Iris Rezende, do PMDB, e Waldir Delegado Soares (sem partido), e as forças dos gestores-modernizadores, representadas por Giuseppe Vecci, do PSDB, Vanderlan Cardoso, do PSB, Luiz Bittencourt, do PTB, Virmondes Cruvinel (ou Francisco Júnior), do PSD, e Adriana Accorsi (ou Luis Cesar Bueno), do PT. As pesquisas que circulam nos bastidores apontam que os populistas são, por enquanto, favoritos. Motivos principais: são políticos mais “visíveis” e em geral apresentam propostas mais espetaculares. Populistas tendem a aparecer aos olhos dos leitores como políticos que resolvem qualquer coisa e, por vezes, com uma canetada. Mudanças assim não são substantivas, mas parte do eleitorado parece acreditar em propostas radicais e em soluções miraculosas. Um dado curioso a respeito de Iris Rezende — um cientista político diria que é sua contradição básica — é que, apesar de populista, é um gestor experimentado (dado a deixar a dívidas pesadas para os sucessores). Waldir Soares não tem experiência em termos de gestão e faz o gênero populista da linhagem de Jânio Quadros, o presidente que renunciou em 1961. Giuseppe Vecci é o exemplo cabal de gestor, de político modernizador, com formação técnica de primeira linha. Exatamente por isso tem dificuldade com o discurso populista e não se entusiasma com tapinhas nas costas. Dada sua experiência como planejador de vários governos, desde o governo de Henrique Santillo, na década de 1980, seu projeto de governo tende a ser crível. Vanderlan Cardoso mostrou eficiência como prefeito de Senador Canedo e no mundo empresarial. Luiz Bittencourt é engenheiro, foi presidente do Crea e da Assembleia Legislativa e deputado federal. É experimentado. Virmondes Cruvinel e Francisco Júnior têm menos experiência administrativa, mas têm visões técnicas apuradas — assim como Adriana Accorsi e Luis Cesar Bueno.

O senador Wilder Morais planeja articular dobradinhas com o PSDB nas três maiores cidades de Goiás

[caption id="attachment_59754" align="alignright" width="620"]Sandes Júnior, Silvio Benedito e Pedro Canedo: vices em Goiânia, em Aparecida de Goiânia e em Anápolis? O primeiro é mais certo.  O segundo e o terceiro são dúvidas. Cúpulas querem a aliança Sandes Júnior, Silvio Benedito e Pedro Canedo: vices em Goiânia, em Aparecida e em Anápolis? O primeiro é mais certo. O segundo e o terceiro são dúvidas. Cúpulas querem a aliança[/caption] O senador Wilder Morais, presidente do PP em Goiás, só pensa em duas coisas na vida: dinheiro e reeleição. Dono da Construtora Orca, de vários imóveis — como shoppings, dezenas de lotes e apartamentos —, o empresário não tem problema com dinheiro. Na área financeira, sua vida está resolvida. É no campo da política que tenta “acertar-se”. Em Brasília, é apontado como um dos “darlings” do presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB. Porém, como aprendeu que só é forte na Corte quem é forte na província, o político goiano “grudou” no governador Mar­coni Perillo, do PSDB. Na eleição para prefeito, seu projeto número um é manter-se unido ao tucano, bancando seus candidatos e exibindo lealdade em tempo integral. Em especial nas três principais cidades de Goiás — Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis —, o PP deve acoplar-se ao projeto tucano. Em Goiânia, o deputado federal Sandes Júnior, a pedido de Wilder Morais, pode retirar sua candidatura a prefeito para ser vice do candidato do PSDB, Giuseppe Vecci. Sandes e Vecci são amigos e, em Brasília, são inseparáveis. Popular na capital, se for indicado para vice, servirá como contraponto ao discurso mais técnico do tucano. Mas há quem aposte que o vice do parlamentar será Luiz Bittencourt, do PTB. Em Anápolis, Pedro Canedo, do PP, pode ser vice de Fernando Cunha Neto, do PSDB. Se tem mais estatura política do que Cunha Neto, o médico Pedro Canedo não tem um partido forte a bancá-lo. Em Aparecida de Goiânia, o PP tem pré-candidato a prefeito. Trata-se do cartorário Tanner de Melo. Mas é provável que o coronel Silvio Benedito seja convidado a filiar-se ao PP para ser vice do candidato do PSDB — Alcides Ribeiro ou Ozair José. A mulher de Silvio Benedito, Iracema Borges (gerente da Caixa Econômica Federal do Setor Pedro Ludovico), é presidente do PSDB de Aparecida. Mas a cúpula tucana não quer chapa pura na cidade — o que tende a empurrar Silvio Benedito para o PP. Nas demais cidades de Goiás, o PP, com Wilder apostando na sua aliança de 2018 — planeja ser candidato a senador, ao lado do governador Marconi Perillo (comenta-se que pode ser seu suplente) —, vai fazer o jogo do PSDB. Porém, onde o PSDB não tiver candidato, o PP vai procurar emplacar seus nomes. É o caso de Inhumas, onde o partido planeja emplacar o ex-prefeito Abelardo Vaz (que rejeita a incumbência, mas vai acabar sendo imposto pelo grupo do deputado Roberto Balestra). Em Rio Verde, cidade mais importante do Sudoeste goiano, o PP deve apostar todas as suas fichas na candidatura do deputado Lissauer Vieira.