O Ministério Público de Goiás (MPGO) abriu investigação para apurar três contratos de shows realizados em Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal. Os certames, que somam R$ 1,164 milhão, envolvem representantes artísticos e a Goiás Turismo.

Em auto obtido pelo Jornal Opção, a 20ª Promotoria de Justiça apontou indícios de irregularidades denunciadas ao órgão, como possível uso eleitoral da máquina pública, falhas de planejamento e publicidade, além de desvirtuamento de termos de cooperação.

As apresentações ocorreram em outubro de 2025, durante a 3ª edição do “Festival do Bem”. Entre os shows citados estão os de Maiara & Maraísa, no valor de R$ 680 mil; Gian & Giovani, por R$ 250 mil; e Fred & Fabrício, por R$ 234 mil.

Segundo a promotora de Justiça Carmem Lúcia Santana, a investigação se concentra em quatro eixos. Os dois primeiros tratam do suposto uso da estrutura pública para apoio eleitoral a candidatos ligados ao gestor municipal e do possível desvirtuamento de termos de cooperação, no qual a Goiás Turismo centralizaria a execução e contrataria artistas por inexigibilidade de licitação separadamente.

A promotora também aponta possível afronta aos prazos de planejamento e publicidade previstos na Lei nº 14.133/2021 para contratações artísticas. Segundo o documento, houve publicações na véspera dos shows e extratos divulgados apenas após a realização das apresentações.

“Os shows aconteceram no município de Cidade Ocidental/GO e iniciaram em 27 de outubro de 2025, com a publicação do extrato saindo apenas em 3 de novembro de 2025, portanto após a realização do evento”, afirma o auto.

Ao final, o MPGO requisitou à Goiás Turismo a entrega de documentos referentes às apresentações, incluindo planilha detalhada de convênios e contratos de 2025, cópia integral dos processos específicos, relação de servidores envolvidos — inclusive comissionados e ocupantes de funções de confiança — e pareceres jurídicos da Procuradoria Setorial sobre as contratações por inexigibilidade.

Ao Jornal Opção, o presidente da Goiás Turismo, Paulo Henrique, afirmou que a autarquia não foi notificada até o momento pelo Ministério Público.

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