Políticos usam a vida fitness nas redes para ampliar alcance e engajamento na pré-campanha
27 abril 2026 às 12h53

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A vida fitness tem povoado os perfis de políticos e pré-candidatos nas eleições marcadas para outubro de 2026 em um movimento por busca de engajamento e de ampliar o alcance nas redes sociais e acessar públicos menos engajados com o conteúdo político. A prática é observada tanto em nível nacional quanto local, incluindo postagens de exercícios físicos, caminhadas e hábitos saudáveis, em uma tentativa de dialogar com diferentes nichos de audiência.
O fenômeno atinge desde lideranças nacionais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até nomes do cenário regional, como o governador de Goiás Daniel Vilela, além de prefeitos, deputados e pré-candidatos em diferentes níveis.
A estratégia, segundo o especialista em marketing político Pedro Ernesto Carneiro não é nova, mas ganha novos contornos com a dinâmica das redes sociais. Ele pontua que a exposição da vitalidade física já era utilizada como ferramenta de construção de imagem, sobretudo entre políticos mais velhos.
“Na época do Iris Rezende, por exemplo, isso era uma forma de mostrar vitalidade. Havia uma preocupação com a capacidade física do político de cumprir o mandato, especialmente pela idade. Hoje, isso ainda aparece, como no caso do presidente Lula, que publica vídeos caminhando ou pedalando, reforçando essa ideia de energia mesmo na terceira idade”, explica.
Apesar disso, o uso desse tipo de conteúdo está mais associado a estratégia de alcance e de busca por novos públicos do que à construção de imagem institucional. Trata-se, por tanto, segundo Carneiro, de uma estratégia de “acesso de comunidades que normalmente não consomem conteúdo políticos”. “O mundo fitness, assim como gastronomia ou entretenimento, tem grande apelo e permite essa entrada”, completa.
Discursos não são mais únicos
Apesar do potencial de visibilidade, Carneiro ressalta que esse tipo de conteúdo tende a gerar engajamento passivo. “São conteúdos curtos, simples, com muitas visualizações e curtidas, mas pouca profundidade. Eles aquecem métricas, mas não necessariamente constroem vínculo político consistente”, diz.
O especialista aponta ainda que o cenário atual das redes sociais, especialmente do Instagram, tem valorizado mais o engajamento ativo — como compartilhamentos e interações mais densas — em detrimento de conteúdos superficiais. “O Instagram hoje privilegia a construção de comunidade. Isso reduz a eficácia de estratégias baseadas apenas em exposição e repetição”, avalia.
Outro fator que impulsiona a adoção da tendência é a própria dinâmica interna da classe política. Segundo Carneiro, há um efeito de replicação entre candidatos. “Os políticos acompanham uns aos outros. Quando um começa a adotar determinado formato, os demais replicam. Isso gera uma redundância de conteúdo, em que todos fazem praticamente a mesma coisa”, afirma.
Além do fitness, a lógica de inserção em diferentes nichos tem sido aplicada a outros segmentos, como música, cultura e estilo de vida. A estratégia está relacionada a uma mudança mais ampla no marketing político digital, que passa pela segmentação e pela chamada microssegmentação de discurso.
“Hoje não existe mais um discurso único que alcance todo o eleitorado. As campanhas precisam dialogar com diferentes grupos, em momentos específicos, com mensagens direcionadas. Isso exige uma produção maior de conteúdo e uso intensivo de ferramentas de segmentação”, explica.
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