Após extradição de condenado, filho de Valério Luiz diz ainda esperar uma conclusão justa para o caso
07 julho 2026 às 12h58

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O advogado Valério Luiz Filho afirmou, em entrevista ao Jornal Opção, que ainda espera uma “conclusão justa” para o processo que apura o assassinato de seu pai, o radialista esportivo Valério Luiz. Embora quatro dos cinco condenados já tenham recebido sentença, a ação ainda não transitou em julgado e continua em fase recursal.
O caso teve um novo desdobramento na última segunda-feira, 6, com o início do cumprimento da pena do açougueiro Marcus Vinícius Pereira Xavier, condenado a 14 anos de prisão por participação no crime.
Quando saiu o mandado de prisão do Marcos Vinícius, a Justiça já sabia que ele estava em Portugal. Inclusive, no julgamento do júri, ele foi ouvido por videoconferência”, afirmou.
Relembre o caso
Marcus Vinícius, de 41 anos, é um dos quatro condenados por participação no planejamento do assassinato do jornalista Valério Luiz, morto em 2012. Ele foi sentenciado a 14 anos de prisão. Embora não tenha sido o executor do homicídio, recebeu cerca de R$ 9 mil para auxiliar na organização do crime.
À época, era proprietário de um açougue próximo à emissora de rádio onde a vítima trabalhava. Segundo a investigação, o estabelecimento serviu de base para a execução do homicídio: a arma utilizada foi escondida no local, o atirador vestiu roupas pertencentes a Marcus Vinícius e a motocicleta usada na fuga era de propriedade de seu pai.
Ainda conforme as investigações, Marcus Vinícius também atuava como informante da polícia, condição que, segundo a acusação, lhe garantia certa proteção em troca de informações sobre criminosos.
De acordo com Valério Filho, Marcus Vinícius já havia sido preso em Portugal em outras duas ocasiões. A primeira ocorreu em 2005, antes do assassinato de Valério Luiz, por uma tentativa de homicídio cometida com arma branca.
A segunda prisão ocorreu após ele deixar o Brasil. Solto preventivamente em 2013, Marcus fugiu para Portugal, onde foi localizado em 2014 após fotografias publicadas por sua esposa nas redes sociais indicarem sua presença nas cidades de Caldas da Rainha e São Martinho do Porto. Cercado pela polícia portuguesa, tentou escapar pulando do terceiro andar de um edifício, mas foi capturado e extraditado para o Brasil. Depois de permanecer cerca de um ano preso, voltou a ser colocado em liberdade por decisões judiciais e retornou legalmente a Portugal, onde viveu nos últimos anos trabalhando na construção civil.
Uma coisa curiosa é que obtivemos acesso a alguns vídeos em que ele fazia pregações em uma igreja evangélica de lá”, relatou Valério Filho.
Após ser novamente extraditado para o Brasil, Marcus Vinícius participou de audiência de custódia no último sábado, 4, e foi encaminhado ao sistema prisional. Atualmente, está recolhido na Casa de Prisão Provisória de Aparecida de Goiânia (Cepal).
Além dele, foram condenados o empresário Maurício Sampaio, apontado como mandante do crime, Ademá Figueredo e Urbano de Carvalho. Desses, apenas Urbano permanece foragido. Segundo Valério Filho, ele é frequentemente visto circulando por Rio Verde, apesar de ainda não ter sido localizado pelas autoridades.
Apesar das condenações, o advogado ressalta que o processo permanece em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Atualmente, os condenados respondem, em conjunto, a um Agravo em Recurso Especial, que questiona a decisão que negou seguimento a um recurso anterior. A expectativa é que essa etapa seja concluída em meados de 2027, permitindo o trânsito em julgado da ação.
O caso foi marcado por sucessivos atrasos processuais. Entre 2014 e 2022, o andamento ficou praticamente paralisado em razão de diversos recursos apresentados ao STJ e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse período, a defesa conseguiu anular o processo duas vezes — uma em cada tribunal superior —, decisões posteriormente revertidas pela acusação.
Também contribuíram para a demora um incidente de insanidade mental apresentado por um dos réus, posteriormente considerado fraudulento, além da suspensão das sessões do Tribunal do Júri durante a pandemia de Covid-19.
Em 2022, o julgamento ainda foi adiado em três ocasiões: em abril, porque Maurício Sampaio compareceu sem advogado; em maio, após defensores abandonarem o plenário e serem multados; e, em junho, porque um dos jurados desapareceu antes da sessão.
Somente em novembro daquele ano o júri foi finalmente realizado, resultando na condenação dos envolvidos. O cumprimento das penas, entretanto, começou apenas anos depois.
Para Valério Filho, o avanço do processo representa um raro exemplo de responsabilização de pessoas influentes no país.
É bom ver esse processo tão difícil, que demorou tantos anos, se encaminhando para o final. Uma conclusão que não é feliz, mas é justa, pelo menos. Quando acontece algo desse tipo no Brasil, é muito raro ver um homem poderoso como Maurício Sampaio ser condenado. Então, dá um lampejo de esperança de que a Justiça nem sempre acontece, mas é possível de acontecer.”
O Jornal Opção tentou localizar a defesa de Marcus Vinícius, mas não obteve contato. O espaço permanece aberto para manifestação.
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