Por trás da corrida por data centers e terras raras, Goiás enfrenta desafio para ampliar distribuição de energia
11 julho 2026 às 08h46

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O rápido crescimento econômico de Goiás trouxe um novo desafio para o Estado: garantir que a infraestrutura elétrica acompanhe o ritmo da expansão urbana, da industrialização e da chegada de setores altamente intensivos em consumo de energia. Enquanto o governo estadual aposta em inteligência artificial, mineração de terras raras, data centers e atração de novas indústrias, a ampliação da capacidade de distribuição de energia tornou-se uma das prioridades para evitar que o desenvolvimento esbarre em limitações da rede elétrica.
O tema ganhou força recentemente após o secretário estadual de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), Joel Sant’Anna, afirmar, em entrevista ao Jornal Opção, que Goiás produz energia suficiente, mas ainda precisa ampliar sua capacidade de distribuição para atender à nova realidade econômica do Estado. Segundo ele, o fortalecimento da infraestrutura elétrica é peça fundamental para consolidar projetos estratégicos.
“Com a chegada dos data centers, cresce a demanda por energia. Isso impulsiona novos investimentos em geração eólica, produção de baterias e modernização da infraestrutura elétrica. Também será necessário ampliar a rede de distribuição da Equatorial, porque Goiás já produz mais energia do que consegue distribuir”, afirmou o secretário.
Segundo Joel, o desafio não está apenas na produção de energia, mas em fazer com que essa capacidade chegue às indústrias, aos grandes empreendimentos tecnológicos e às cidades em expansão. Para ele, a ampliação da rede elétrica faz parte da mesma estratégia que envolve mineração de terras raras, inteligência artificial, instalação de laboratórios científicos e atração de investimentos internacionais.
“CEIA, data centers, mineração e os acordos firmados com Japão e Estados Unidos fazem parte de uma mesma estratégia de desenvolvimento”, resumiu.

Crescimento urbano exige reforço da rede
Na prática, essa transformação já está sendo percebida pela distribuidora responsável pelo fornecimento de energia no Estado.
A Equatorial Goiás está construindo uma nova subestação na região do Setor Três Marias, em Goiânia, com previsão de entrada em operação ainda neste segundo semestre. A estrutura beneficiará diretamente mais de 378 mil consumidores e foi planejada para atender principalmente ao crescimento da região Sul da capital, onde bairros como Parque Amazônia registram intensa verticalização, novos empreendimentos imobiliários e expansão do comércio.
Segundo o Executivo de Manutenção da Equatorial Goiás, Matheus Queiroz, o aumento da demanda energética foi o principal fator que motivou o investimento.
“Nos últimos anos, a região passou por bastante desenvolvimento. Surgiram novos condomínios, vários comércios e serviços. A demanda por energia cresceu significativamente e isso gerou a necessidade de modernizar e ampliar a nossa rede para acompanhar esse crescimento”, explicou em entrevista ao Jornal Opção.
A nova subestação integra um conjunto de investimentos voltados à modernização do sistema elétrico goiano e deverá aumentar a capacidade da rede, reduzindo riscos de sobrecarga e ampliando a confiabilidade do fornecimento.
Crescimento não acontece apenas em Goiânia
Embora a capital concentre alguns dos maiores investimentos imobiliários do Estado, a expansão do consumo de energia não está restrita à Região Metropolitana.
De acordo com Matheus Queiroz, o avanço econômico ocorre praticamente em todas as regiões goianas.
“Goiás cresce como um todo. Norte, Sul, Leste e Oeste apresentam aumento da demanda por energia. É um crescimento bastante uniforme, e por isso a Equatorial trabalha continuamente para expandir e modernizar sua infraestrutura em todo o Estado.”
Segundo ele, a empresa mantém um planejamento permanente para identificar regiões estratégicas e antecipar investimentos capazes de acompanhar a evolução econômica dos municípios.
Data centers e indústria mudam o perfil do consumo
A nova economia que Goiás pretende construir também altera o perfil do consumo energético.
Projetos ligados à inteligência artificial, processamento de dados, mineração de minerais estratégicos e indústrias de alta tecnologia exigem fornecimento contínuo, confiável e com elevada capacidade instalada.
Questionado sobre esse novo cenário, Matheus afirma que a distribuidora já considera essas tendências em seu planejamento.
“Além das novas subestações, estamos modernizando diversas unidades existentes em Goiás. São obras de ampliação, automação e reforço da infraestrutura para que a rede acompanhe as novas necessidades do mercado.”
Embora ressalte que projetos como data centers possuem demandas específicas, ele afirma que a estratégia da empresa é preparar o sistema elétrico para crescer junto com o Estado.
Verticalização também aumenta o consumo
O crescimento da demanda energética não está relacionado apenas à instalação de grandes indústrias.
Segundo Matheus, a verticalização das cidades também exerce forte impacto sobre a infraestrutura elétrica.
“Quando surge um condomínio vertical com 200 ou 300 apartamentos concentrados em um mesmo espaço, há um aumento muito significativo da carga naquela região. Isso exige adaptações da rede para garantir segurança e qualidade no fornecimento.”
Além dos empreendimentos residenciais, grandes centros comerciais e o setor industrial continuam entre os maiores consumidores de energia em Goiânia.
Planejamento de longo prazo
Embora não detalhe todas as obras previstas para os próximos anos, a Equatorial afirma que mantém um amplo programa de investimentos em expansão e modernização da rede em Goiás.
Segundo Matheus Queiroz, diversas intervenções estão em andamento em diferentes municípios, envolvendo novas subestações, ampliação da capacidade instalada, automação dos sistemas e incorporação de novas tecnologias.
“A gente vem realizando investimentos importantes em todo o Estado. São diversas obras de modernização e ampliação para acompanhar o crescimento de Goiás.”
No segmento de distribuição, a empresa também afirma que adapta continuamente sua operação ao avanço da micro e minigeração distribuída, especialmente da energia solar, modalidade que cresce de forma acelerada em todo o país.
O Ministério de Minas e Energia (MME) informou, com exclusividade ao Jornal Opção, que o governo federal prevê a implantação de novas subestações em Mundo Novo como parte de um pacote de obras voltado ao reforço do sistema elétrico no noroeste de Goiás e no Vale do Araguaia.
As intervenções fazem parte de estudos elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo a pasta, o principal eixo do projeto é a criação da Subestação Mundo Novo 2, com capacidade de 230/138 kV, considerada estratégica para ampliar a oferta de energia e garantir maior estabilidade no fornecimento à região.

Energia passa a ser ativo estratégico
Para especialistas do setor de desenvolvimento econômico, infraestrutura elétrica deixou de ser apenas um serviço essencial e passou a representar um diferencial competitivo na disputa por investimentos.
No caso de Goiás, essa discussão ganha relevância justamente no momento em que o Estado busca consolidar uma nova matriz econômica baseada em tecnologia, inovação e mineração estratégica.
A combinação entre produção de energia, expansão da rede de distribuição e segurança no abastecimento pode ser determinante para atrair empreendimentos bilionários nos próximos anos.
Se, por um lado, Goiás já desponta nacionalmente pela produção agropecuária e pela força industrial, por outro, a capacidade de levar energia com confiabilidade aos novos polos de desenvolvimento poderá definir a velocidade com que o Estado conseguirá transformar projetos anunciados em investimentos efetivamente instalados.



