O Plano Safra 2026/2027, apresentado nesta quinta-feira, 9, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), passou a incluir linhas de financiamento para sistemas de armazenamento de energia por baterias, ampliando os incentivos à transição energética no meio rural.

A novidade foi incorporada aos programas Inovagro e Prodecoop, que agora permitem o financiamento de baterias destinadas ao armazenamento de energia gerada por fontes renováveis nas propriedades rurais.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), os juros dessas linhas variam entre 8% e 12,5% ao ano. No Plano Safra anterior, as taxas ficavam entre 8,5% e 14,5%. Apesar da redução, a entidade destaca que os custos do crédito seguem elevados em razão da taxa Selic.

Atualmente, mais de 800 mil propriedades rurais brasileiras utilizam sistemas de geração de energia solar fotovoltaica, somando mais de 6,3 gigawatts (GW) de potência instalada.

Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta, no entanto, que o novo Plano Safra continua pressionado pelo elevado custo do crédito. Embora o volume total de recursos tenha alcançado R$ 525,1 bilhões — alta nominal de 1,7% em relação ao ciclo anterior —, o reajuste pela inflação medida pelo IGP-DI (2,5%) indica uma retração real de 0,8%.

O estudo também mostra uma mudança na distribuição dos recursos. Os financiamentos para custeio e comercialização caíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, enquanto os recursos destinados a investimentos cresceram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões.

Apesar do aumento dos investimentos sugerir maior incentivo à modernização da produção rural, programas específicos sofreram reduções significativas. O Moderfrota, voltado à aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, teve corte de 61%, enquanto o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) registrou redução de 24,4%.

Na avaliação da FGV, os juros elevados limitam a efetividade do Plano Safra e podem tornar a contratação de crédito economicamente desfavorável em alguns cenários. Mesmo as linhas com taxas subsidiadas são consideradas elevadas, comprometendo a capacidade de pagamento dos produtores e reduzindo as margens de rentabilidade.

Como exemplo, o estudo aponta que, na produção de soja, um financiamento com juros reais de 4% ao ano pode elevar em cerca de 4% o custo de produção por saca.

Leia também: Agronegócio de Goiás terá R$ 25 bilhões em financiamento para a próxima safra