Joel Sant’Anna: “Se não fossem as ações de Caiado e Daniel, hoje não estaríamos discutindo as terras raras tão intensamente e atraindo os olhares do mundo”
04 julho 2026 às 21h01

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Secretário de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás (SIC) desde 2021, Joel de Sant’Anna Braga Filho é um dos principais articuladores da política de desenvolvimento econômico do estado. Empresário, professor e gestor público, já comandou a Secretaria de Ciência e Tecnologia entre 2008 e 2010 e permaneceu à frente da pasta da Indústria e Comércio nas gestões de Ronaldo Caiado e, agora, de Daniel Vilela. Nesta entrevista, Joel faz um balanço dos avanços da indústria goiana, defende a continuidade das políticas adotadas nos últimos anos e detalha os investimentos que colocaram Goiás no centro da disputa global pelas terras raras. Ele também comenta o cenário político para 2026, explica os motivos que levaram Alexandre Baldy, seu irmão, a desistir da pré-candidatura ao Senado para integrar a chapa de Gracinha Caiado como suplente e afirma que, sem uma união da base governista na disputa pelo Senado, o grupo corre o risco de perder as vagas. Ao longo da conversa, Joel ainda defende as candidaturas de Caiado à Presidência da República, Daniel Vilela ao Governo de Goiás e Gracinha Caiado ao Senado. Segundo ele, Daniel é o pré-candidato com perfil político e técnico necessário para manter a fase plena de desenvolvimento atingida por Goiás na gestão Caiado. “É um político jovem, assumiu um Estado organizado e, apesar dos desafios que ainda existem, Goiás é hoje um dos melhores estados do Brasil para viver, investir e morar”, avalia.
Ton Paulo – A China vetou exportações de itens para dez empresas dos Estados Unidos, incluindo a USA Rare Earth, companhia que anunciou a compra da brasileira Serra Verde, produtora de terras raras em Goiás. Isso trará algum tipo de impacto para Goiás, que tem ganhado destaque na questão das terras raras?
Não, na verdade esse veto é para essa empresa exportar para eles, porque a gente exporta para eles. Com o novo acordo, que o Daniel Vilela fez, depois que o governador Caiado foi ao DFC (Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), nos Estados Unidos, em janeiro, o governador Daniel Vilela firmou um acordo com a Serra Verde. Nós já recebemos o governador Daniel Vilela duas vezes e, junto com o Zé Frederico, da SECTI, também recebemos, em duas oportunidades, o CEO da Serra Verde.
Isso aconteceu porque existe uma preocupação nossa. Até dezembro de 2026 havia um contrato com a China. Agora, com a entrada dos 565 milhões de dólares do governo americano para desenvolver a segunda etapa do projeto, que prevê um empreendimento nos Estados Unidos, muita gente pergunta por que Goiás vai ficar de fora. Mas não é que Goiás vai ficar de fora. A gente também conversou sobre isso, e o governador Daniel Vilela tem consciência dessa situação. O fato é que não haveria, no Brasil, outro investimento com esse montante de bilhões de reais para financiar essa segunda etapa.
Então, o que a gente fez com os Estados Unidos? A gente assinou um memorando de entendimento, inclusive assinado pelo governador Caiado no consulado dos Estados Unidos, em São Paulo. Também tivemos uma reunião com o Ministério de Mineração dos Estados Unidos, e eles mesmos nos disseram que essa é uma parceria. Isso porque uma região dos Estados Unidos já está preparada para fazer a liga metálica, e eles estão trabalhando junto com a Serra Verde para que o carbonato seja enviado para lá a partir do ano que vem.
Esse veto a gente já esperava. Por quê? Porque, se a Serra Verde recebeu um investimento americano e os Estados Unidos já estão desenvolvendo essa parceria com Goiás, faz sentido esse posicionamento. Da mesma forma, nós também assinamos essa parceria com o governo do Japão. O embaixador do Japão esteve aqui, eu também fui ao Japão, onde nos reunimos com o Ministério de Mineração e o Ministério da Indústria, junto com o governador Caiado, em julho do ano passado. Depois, o governador Daniel Vilela assinou um memorando de entendimento com o governo japonês.
Então, a China está percebendo que o Brasil não quer ficar dependente apenas dela e que existem outros parceiros dispostos a investir em Goiás.
Assim, Japão e Estados Unidos firmaram esse entendimento para investir aqui e garantir uma devolutiva para o Estado. A ideia é que a gente não apenas exporte o carbonato, que é a matéria-prima, mas também gere empregos, aumente a renda e agregue mais valor à produção realizada em Goiás.
Ton Paulo – Mas para Goiás, o que vai mudar?
Não vai mudar nada.
Ton Paulo – E na questão de transferência de tecnologia para avanços nas etapas de produção de terras raras em Goiás. Já está acontecendo?
Temos agora uma parceria com a Embrapa para implantar um polo dentro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UFG, em Aparecida, com o objetivo de criar um Laboratório de Ciências Minerais e ampliar a produção de conhecimento nessa área. Tudo isso é resultado de uma série de iniciativas.
Se não fossem as ações do governador ao longo dos últimos anos, somadas ao investimento da Serra Verde, hoje não estaríamos discutindo esse tema. O fato de estarmos falando sobre terras raras mostra como Goiás despertou o interesse do mundo. O governo estadual vem trabalhando nessa agenda há mais de sete anos. Depois vieram as etapas de licenciamento e, agora, estamos no licenciamento prévio do projeto de Nova Roma.
Há dois anos, acompanhei a secretária Andrea Vulcanis em uma visita ao Chile, onde conhecemos a mineradora Aclara. Lá vimos de perto o processamento do carbonato, quando o material extraído é lavado para dar origem ao produto final. Percebemos que o processo tinha impacto ambiental reduzido, sendo até mais simples do que o de outras operações de mineração. Também observamos que o solo removido retornava à área de origem mais mineralizado do que antes.
Essa experiência motivou a criação, em parceria com a Embrapa, do programa de remineralizadores. Goiás foi escolhido pelo governo federal e pela Embrapa para ser o hub nacional dessa tecnologia justamente porque demonstramos que o solo devolvido após a extração retorna enriquecido em minerais. Além disso, verificamos que os resíduos da mineração podem ser aproveitados como fertilizantes, aumentando em até 15% a produtividade de culturas como soja e cana-de-açúcar.
Esses avanços abriram novas possibilidades de pesquisa. Hoje temos uma parceria com a UFG para desenvolver os remineralizadores e outra para estruturar o Laboratório de Ciências Minerais na Faculdade de Ciências e Tecnologia, em Aparecida.
Esse laboratório será importante para dar suporte aos investimentos em mineração no estado, envolvendo terras raras, nióbio, ouro, níquel e bauxita. O objetivo é desenvolver tecnologia local para que, mesmo exportando inicialmente o carbonato para processamento, possamos, no futuro, realizar etapas de maior valor agregado, como a produção de ligas metálicas. Para isso, precisamos de conhecimento científico, segurança jurídica e capacidade tecnológica. É por isso que esse investimento na Faculdade de Ciências e Tecnologia é tão importante.
Ao mesmo tempo, o governador também está investindo em outras áreas estratégicas. Nesta semana foi lançado um investimento de R$ 78 milhões no CEIA, o Centro de Excelência em Inteligência Artificial. Essa estrutura também fortalece a capacidade de Goiás para atrair data centers.
Com a chegada dos data centers, cresce a demanda por energia. Isso impulsiona novos investimentos em geração eólica, produção de baterias e modernização da infraestrutura elétrica. Também será necessário ampliar a rede de distribuição da Equatorial, porque Goiás já produz mais energia do que consegue distribuir.
Em outras palavras, energia existe. O desafio é expandir a infraestrutura de distribuição para que ela chegue às indústrias e aos novos empreendimentos. É preciso ampliar a rede para aproveitar toda a capacidade de geração que o estado já possui.
Por isso, CEIA, data centers, mineração e os acordos firmados com Japão e Estados Unidos fazem parte de uma mesma estratégia de desenvolvimento. Os investimentos são complementares e criam as condições para que Goiás avance em inovação, agregação de valor à mineração, atração de novas indústrias e expansão da infraestrutura tecnológica e energética.
Ton Paulo – Isso significa que Goiás está investindo em tecnologia própria para uso nas etapas de produção de terras raras?
Exatamente. Então, quando tudo isso estiver integrado, o CEIA, os data centers, os investimentos nos laboratórios de Ciências Minerais e os investimentos da iniciativa privada, os Estados Unidos vão receber as terras raras produzidas em Goiás. Antes, esse material era enviado para a China.
Só que, no caso da China, a gente não tinha um retorno tecnológico. A gente vendia as terras raras para lá. Isso era ruim? Não. Porque existia um mercado consumidor. Afinal, quem compraria as terras raras produzidas em Goiás nos últimos três anos? Não havia outro mercado. Quem comprava era a China.
Agora, quem vai comprar as nossas terras raras? Existe um contrato com os americanos. Minha preocupação, quando o DFC aportou 565 milhões de dólares, foi justamente essa. A primeira pergunta que fiz ao pessoal da Serra Verde foi: quem vai comprar as terras raras de Goiás a partir de janeiro de 2027?
Então, uma empresa americana fechou esse contrato. Porque uma coisa é fazer o investimento de 565 milhões de dólares na tecnologia. Outra é definir para onde vai o produto extraído das terras raras em Goiás. Mesmo que parte da produção fosse destinada à pesquisa, era necessário haver um comprador, em um volume de toneladas suficiente para sustentar o projeto.
Quando o acordo com o DFC foi assinado, ainda não havia um contratante para comprar as terras raras. Depois, a Serra Verde apresentou ao governador Daniel Vilela a confirmação de que os americanos já haviam fechado esse contrato de compra.

Ton Paulo – Como está o andamento do InvestGO, nova agência estadual de atração de investimentos e negócios do Estado?
Acabou de passar no Plenário da Alego. O comércio exterior é importante, mas a primeira etapa é a estruturação da agência. A gente precisa, por quê? Porque, na verdade, a gente precisa de recurso, a gente precisa de fazer com que esses escritórios tenham a viabilidade econômica. A gente precisa de ter as empresas que a gente tem em Goiás, que tem capacidade de exportar e as empresas que a gente tem capacidade de importar. Então, tudo tem fases.
Agora, a fase do governador Daniel Vilela é de estruturação. Ele está estruturando o InvestGo também para trazer o dinheiro do BID, que é um dinheiro que a gente tem à disposição para poder fazer os investimentos em Goiás.
João Paulo Alexandre – Imagino que essas conversas já estejam acontecendo há algum tempo. Gostaria de saber se já existe algum país no radar de vocês para abertura de escritório, mesmo considerando que esse primeiro pilar ainda esteja sendo estruturado.
Claro. A gente olha para os países que mais compram de Goiás. Hoje, 66% das exportações goianas vão para a Ásia, não só para a China. A ASEAN, que reúne os países do Sudeste Asiático, é estratégica para nós, porque concentra grande parte das nossas exportações. Então, precisamos manter uma presença forte na Ásia, que hoje é um dos principais polos de tecnologia do mundo.
Além disso, é uma região que depende muito do agro e da importação de alimentos. É um mercado com bilhões de habitantes. Ali também está a Índia. Nós estivemos lá com o governador Daniel Vilela e o governador Caiado.
A Índia é um país que tem muitas similaridades com Goiás, principalmente em relação à agricultura e ao clima. Também está no nosso radar, mas principalmente na área de tecnologia. Nas demais áreas, eles precisam fortalecer a própria agricultura para sustentar sua estrutura econômica e manter a população no interior.
Por isso, nossa relação com a Índia tende a ser mais voltada para tecnologia. Eles são muito avançados, especialmente em Bangalore, na área de tecnologia da informação, e também no setor hospitalar.
Então, quando falamos da Ásia, estamos considerando um conjunto de mercados importantes, como China, Índia e os países da ASEAN, incluindo a Tailândia. É uma região estratégica para Goiás.
Mas o que eu estou dizendo é o seguinte: não adianta abrir um escritório na Europa se antes a gente não definir quais são as áreas estratégicas e quais indústrias terão potencial para exportar.
Eu acredito que a prioridade deve ser a Ásia, pela importância econômica que ela tem para Goiás. É um mercado que compra nossa carne, nosso frango, nossos minerais, soja, milho e diversos outros produtos. Então, esse trabalho precisa ser bem estruturado.
Ton Paulo – Secretário, acabou de sair o novo Caged, referente ao mês de maio. Goiás vinha em uma sequência muito boa de saldos positivos na geração de empregos. No entanto, os dados divulgados agora mostram um saldo negativo de quase 3 mil vagas formais. O que aconteceu?
Isso é cíclico. O que acontece é que o primeiro semestre tem algumas características próprias e, com a aproximação das férias, ocorre uma desaceleração natural da economia.
O Caged registra tanto as admissões quanto os desligamentos. O que vale é o saldo acumulado. No ano passado, Goiás encerrou o ano com cerca de 45 mil novos empregos. Neste ano, já estávamos com aproximadamente 46 mil.
Além disso, em anos eleitorais costuma haver uma retração em alguns setores da economia. Somado a isso, julho é tradicionalmente o mês de férias em Goiás. Costuma-se dizer que a praia dos goianos é o Araguaia, então, entre o fim de junho e julho, há uma desaceleração em diversas atividades.
Por outro lado, surgem oportunidades em outros segmentos, principalmente no turismo e nas atividades ligadas à temporada do Araguaia, que atrai muita gente. Ou seja, há uma mudança no perfil da geração de empregos nesse período.

João Paulo Alexandre – Considera que o setor da indústria em Goiás está aquecido?
Goiás é um estado privilegiado. Como eu disse a vocês, tenho contato com secretários de Desenvolvimento de todo o Brasil. Convivo com eles em eventos e nas visitas às empresas, e há um consenso sobre o momento que Goiás vive.
Quando você conversa com CEOs e diretores de multinacionais desse porte, percebe isso com clareza. Um exemplo é a John Deere. Mesmo com a crise no agronegócio, a empresa mantém seus investimentos. O próprio presidente Donald Trump citou nominalmente a John Deere em uma entrevista na televisão americana, dizendo que as empresas têm até o ano que vem para realizar seus investimentos. Por isso, estamos trabalhando para viabilizar esse projeto em Goiás.
Estamos acelerando a entrega do terreno e fazendo a nossa parte. Goiás abriga uma das maiores unidades da John Deere na América do Sul. No Brasil, são duas fábricas, uma em Goiás e outra na Região Sul. Em Catalão, já estamos preparando a infraestrutura necessária para receber essa expansão.
Serão produzidas máquinas de grande porte voltadas para a soja e para pulverização, com uso de inteligência artificial. Essa tecnologia permitirá uma aplicação mais precisa, reduzindo a necessidade de insumos e fertilizantes e tornando a produção agrícola mais eficiente.
Tudo isso mostra que Goiás está no caminho certo. Poucos estados vivem um momento semelhante de desenvolvimento. Eu vejo isso pelo número de visitas que recebemos de empresários, embaixadores e investidores do mundo inteiro. Existe um grande interesse pela mineração, mas também por logística e outros setores.
A logística em Goiás deu um salto muito grande. Basta observar a expansão dos armazéns na região do aeroporto. Também tivemos o anúncio dos investimentos da Shopee em Hidrolândia, resultado de um trabalho conjunto entre o Governo de Goiás e a prefeitura do município. Em Anápolis, também há novos investimentos sendo atraídos, e seguimos trabalhando para ampliar essas oportunidades em todo o estado.
Hoje, há falta de galpões industriais em Goiás. Por isso, outra medida importante é a entrega das escrituras dos polos industriais. Antes, quando uma empresa precisava oferecer o terreno como garantia para obter financiamento, dependia da autorização da Codego. Agora, os governadores Caiado, que cuidava disso, e Daniel Vilela estão regularizando essa situação.
São cerca de R$ 2 bilhões em terrenos sendo escriturados em nome das empresas. Muitas delas já investiram bilhões de reais nesses locais. É o caso da Geolab, do Teuto e da Neo Química, que ainda não possuíam as escrituras. Com essa regularização, passam a ter mais segurança jurídica e poderão utilizar esses imóveis como garantia para novos financiamentos, ampliando seus investimentos em Goiás.
João Paulo Alexandre – O senhor mencionou a falta de galpões. Aproveitando esse assunto, existe hoje uma fila de espera para que indústrias se instalem em Goiás?
Em Aparecida, existe. Nós tínhamos 110 indústrias na fila para se instalar no Dianot. O distrito está na fase final de conclusão, e a SIC fez um aporte de R$ 27 milhões, na semana passada, para finalizar as obras. Com isso, será possível receber 67 empresas, mas ainda há cerca de 50 na fila aguardando uma área no distrito.
Ton Paulo – Secretário, o seu irmão, Alexandre Baldy, fez um movimento recente de recuo em relação à pré-candidatura ao Senado e foi confirmado como suplente de Gracinha Caiado para a corrida ao Senado. Mas, além de Gracinha, temos mais três pré-candidatos da base. Qual a sua avaliação? Ainda está pulverizado?
Na campanha de 2022, coordenei a campanha do Baldy ao Senado. Ele tinha um bom recall por ter sido ministro do governo Temer e realizado um trabalho importante, trazendo mais de R$ 3 bilhões em obras para Goiás. A avaliação era de que ele tinha grande potencial para ser eleito na base do governador Caiado.
O que aconteceu naquela eleição foi uma pulverização de candidaturas. Quem acabou sendo eleito foi o Wilder. Durante a campanha, a gente percebia que ele começou de forma mais discreta. O comitê dele foi estruturado mais para o fim da campanha, e a impressão era de que nem ele tinha certeza de que seria eleito. Mas, à medida que a campanha avançou e a polarização cresceu, principalmente com o apoio do agronegócio ao campo identificado com o número 22, ficou claro que, em uma disputa com apenas uma vaga, quem alcançasse cerca de 25% dos votos teria grandes chances de vencer.
Como havia mais de cinco candidatos competitivos, os votos da base aliada acabaram divididos. Se esses votos estivessem concentrados, o resultado poderia ter sido diferente. Tenho uma relação de amizade com a dona Gracinha e com o governador Caiado. Nossas famílias sempre tiveram proximidade. Meus filhos, por exemplo, frequentavam a fazenda dela, e essa convivência acabou se estendendo também para a política.
Na campanha de 2022, porém, o PP apoiou o Daniel, e foi a partir daí que essa aproximação política se consolidou. Foi nesse processo que percebemos o efeito da pulverização das candidaturas.
Eu participei de várias campanhas ao Senado em Pernambuco, acompanhando meu sogro, e aprendi que uma eleição com dois votos para senador funciona de maneira diferente.
Pelas pesquisas, o primeiro voto do eleitor identificado com o governo estadual tende a ir para a Dona Gracinha, que é a minha pré-candidata. Do outro lado, o primeiro voto tende a ficar com o candidato do PL. O que pode definir a eleição é justamente o segundo voto.
Esse segundo voto pode surpreender. Se houver maior união entre os partidos da base do governador Daniel Vilela e menos candidaturas concorrendo entre si, esse segundo voto poderá fortalecer outro nome da base e equilibrar a disputa.
Isso já aconteceu em Goiás. Mauro Miranda foi eleito muito em função do segundo voto, na época em que Iris Rezende e Maguito Vilela lideravam aquele grupo político. De certa forma, foi uma eleição construída pela força da composição.
Na visão do Baldy, esse cenário poderia se repetir. Ele avaliava que o segundo voto teria um papel decisivo. Por isso, muita gente diz que ele sempre quis ser suplente, mas isso não corresponde ao que acompanhei. Desde o início, a estratégia dele estava voltada para a dinâmica do segundo voto.
Inclusive, na sexta-feira anterior ao anúncio, ele ainda não havia tomado a decisão definitiva.
Na minha avaliação, ainda existe pulverização entre as candidaturas da base ao Senado. Se houver quatro candidatos disputando esse mesmo eleitorado, o primeiro voto tende a se concentrar em dona Gracinha, mas o segundo poderá ser dividido entre nomes como Zacharias, Mendanha e Vanderlan. Essa divisão pode acabar beneficiando o candidato do PL e dificultar a eleição dos demais candidatos da base.
Ton Paulo – Como avalia o nome de Daniel Vilela para a reeleição?
O governador Daniel teve grandes exemplos da boa política dentro de casa. Eu conheci o Daniel quando ele tinha cerca de oito anos de idade, na época em que meu pai foi secretário do Maguito. A mãe dele, dona Sandra, sempre foi uma pessoa de uma sensibilidade extraordinária. Acho que todos os goianos que tiveram a oportunidade de conhecê-la puderam perceber isso.
Quando olho para o Daniel hoje, lembro daquele menino de sete, oito, dez anos que frequentava o Palácio, mas também lembro da dona Sandra. Por isso, quando vejo as ações dele dando continuidade ao Goiás Social, muita gente diz que ele apenas está continuando um programa. Eu vejo de outra forma. Ele está dando continuidade ao exemplo que recebeu dentro de casa, ao exemplo da dona Sandra, que considero uma das melhores primeiras-damas que Goiás já teve. E digo isso porque acompanhei esse trabalho de perto, quando meu pai foi secretário do Maguito. Não é algo que me contaram; eu vivi esse período.
O Maguito também era uma pessoa de grande sensibilidade. Então, acredito que o Daniel seja resultado do ambiente em que foi criado e dos exemplos que recebeu do pai e da mãe. Depois, ainda teve o Iris como referência política e, mais recentemente, o governador Caiado, com quem trabalhou na administração do Estado durante esses quatro anos.
O Caiado sempre teve um perfil muito rígido na gestão. Nem ele tirava férias, nem os secretários. O Daniel tem um ritmo muito parecido. Basta observar a intensidade com que conduziu esses últimos 90 dias à frente do governo. Participei de vários eventos com ele e vi de perto essa disposição. Ele acorda de madrugada, vai ao interior, inaugura obras, retorna e, às dez horas da noite, continua com a mesma disposição. Isso não é algo que se consegue fingir.
Por isso, acredito que o Daniel reúne características importantes neste momento. É um político jovem, assumiu um Estado organizado e, apesar dos desafios que ainda existem, Goiás é hoje um dos melhores estados do Brasil para viver, investir e morar.




