Gustavo Mendanha: “Nunca conversei com o Wilder Morais. O que posso dizer é que tenho uma boa relação com Gustavo Gayer”
20 junho 2026 às 21h00

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Gustavo Mendanha Melo formou-se em Educação Física, mas encontrou na política uma grande vocação. Ganhou evidência ao administrar a segunda maior cidade de Goiás: Aparecida de Goiânia. Mas passou por outros cargos antes de chegar à chefia do Executivo municipal.
Inspirado pelo pai, o ex-deputado estadual Léo Mendanha, Gustavo iniciou sua carreira pública ao ser eleito vereador de Aparecida por dois mandatos consecutivos, entre 2009 e 2016. Nesse período, chegou a presidir a Câmara Municipal e também atuou como secretário de Esporte e Lazer da cidade.
Em 2016, foi eleito o prefeito mais jovem da história do município, ao assumir o cargo aos 33 anos. Em 2020, alcançou outro feito: foi reeleito com quase 98% dos votos válidos. Em 2022, decidiu renunciar ao mandato para disputar o Governo de Goiás, obtendo quase 890 mil votos na eleição que reconduziu Ronaldo Caiado ao comando do Estado por mais quatro anos.
Mendanha ficou um período afastado da política, deixou o MDB, filiou-se ao PSD e hoje está à frente da Federação PRD-Solidariedade em Goiás. Nesta entrevista ao Jornal Opção, ele explica por que decidiu deixar a disputa pela vice na chapa de Daniel Vilela — com quem mantém uma grande amizade e compartilha a mesma origem política — e passar a trabalhar pela viabilização de sua candidatura ao Senado. Segundo ele, a única certeza é que não pode ficar sem mandato.
Na conversa, ele também avalia a gestão de Daniel Vilela, o projeto de Ronaldo Caiado para a Presidência da República, o apoio expressivo que mantém em Aparecida e o respaldo do atual prefeito, Leandro Vilela. Além disso, fala sobre sua adesão ao movimento Legendários, que, segundo afirma, o ajudou a estreitar ainda mais os laços familiares e a recalibrar suas prioridades.

Ton Paulo – Quero começar a nossa entrevista falando sobre a sua decisão de disputar o Senado. Você chegou a ser cotado para a vice de Daniel Vilela, mas decidiu mudar de rota. Por quê?
Eu fiz uma viagem recente, em que fiquei uma semana fora, e isso me ajudou a fazer várias reflexões, e uma delas foi a de que eu não poderia ficar sem mandato. Eu confesso que cheguei a pensar que, se não fosse vice, eu não disputaria nada. Fiquei sabendo pela própria mídia que algumas pessoas falavam que eu iria sair para governador, e isso nunca me passou pela cabeça.
Eu não fiquei em oposição nem trabalhei para isso. Daniel é o pré-candidato ao governo de Goiás. Eu não teria condição moral de enfrentá-lo. Eu sou muito amigo do Daniel, temos uma relação muito boa e, acima de tudo, temos o mesmo pai, no sentido político. Maguito Vilela é meu pai.
E por que decidi ir para o Senado? Eu tive quase 1 milhão de votos. Eu acho que tenho um espaço muito grande para ganhar a eleição na majoritária. Para federal, eu também acho que ganharia a eleição, mas poderia ter uma surpresa.
Então, eu decidi que vou girar o Estado. Fiz a minha primeira agenda fora, que foi em Senador Canedo. E estou avaliando essa questão de lançamento para daqui a 30 ou 40 dias, mas eu, de fato, não vou ficar de fora. Eu não posso ficar de fora, não posso ficar mais quatro anos sem disputar mandato. Confesso que ainda não vi pesquisas de intenção de voto, mas estou muito feliz com o resultado que tenho visto a partir de tantas entrevistas que tenho concedido e da repercussão que elas têm tido, com pessoas me procurando, e eu tenho recebido todo mundo. Então, tem sido muito positivo e superou as minhas expectativas.
Ton Paulo – Nos bastidores, circulou muito a informação de que você teria mantido conversas com o presidente estadual do PL, Wilder Morais, com grande possibilidade de compor no partido. O que há de verdade nisso?
Eu nunca conversei com o Wilder Morais. O que eu posso dizer é que, de fato, tenho uma boa relação com Gustavo Gayer. Nunca fomos amigos e não tínhamos proximidade, mas eu fiz um gesto público a ele, a pedido do governador Daniel Vilela (MDB).
Nós tivemos uma interação pelo Instagram, onde ele brincou comigo, agradeceu o gesto que eu havia feito e me convidou para tomar um café. Eu concordei. Nesse mesmo período, Daniel pediu para conversar com ele porque, até então, havia a possibilidade de uma aliança entre o PL e a base governista. Tudo isso antes da confirmação da pré-candidatura de Wilder.
Mas o Gustavo Gayer tinha uma insegurança: se eu realmente abriria mão de um projeto para o Senado, e até mesmo, porque, naquela ocasião, teoricamente, falava-se que a vice também seria do PL. Nós nos encontramos na casa de um amigo e eu disse a ele que não seria um empecilho. Falei que tinha muita vontade de disputar a eleição, mas que, se o PL fechasse com a base governista, Daniel Vilela teria uma disputa tranquila.
Moral da história: a conversa foi muito produtiva. Mas deixo claro que ele também não me chamou para o partido. A partir desse momento, nós passamos a ter um diálogo.
Eu nunca falei com o Wilder, politicamente falando. Meu último contato com ele foi em 2023. Temos amigos em comum, mas nunca colocamos o nome do Wilder em discussão. Agora, vira e mexe alguém diz que o Wilder ou o Marconi falaram que tiveram conversas comigo, mas a verdade é que isso nunca aconteceu. O fato é que eu mantenho um diálogo com o Gustavo Gayer.

Ton Paulo – Mas, com a sua ida para a Federação PRD-Solidariedade, da qual o senhor assumiu a presidência, cresceram as insinuações de que estaria cogitando uma candidatura ao Governo de Goiás. O que realmente o levou para a federação?
Eu não vi a oportunidade de ser candidato a vice ou ao Senado pelo PSD. Estando de fora, eu entendi que a vice era algo que eu poderia construir e que, se não desse certo, eu seria candidato ao Senado.
João Paulo Alexandre – Você entra na disputa ao Senado pela segunda vaga porque acredita que a primeira é de Gracinha Caiado?
Eu estou pronto para trabalhar e ajudá-la, mas acho que esse sentimento de achar que ela já ganhou é ruim. É algo com que nós precisamos ter muito cuidado. Porque há eleitores que pensam assim: “Ah, já que ela está eleita, eu vou no Zacharias Calil, eu vou no Vanderlan Cardoso, eu vou no Gustavo Mendanha, vou votar no Gustavo Gayer”.
O que eu quero é equidade, até mesmo porque não podemos tratá-la de forma igual aos demais por todo o histórico que ela construiu na área social de Goiás enquanto primeira-dama. Eu entendo que ela tem tudo para disparar na votação, e estamos torcendo e trabalhando para isso.
Por isso, acho que temos que ter essa preocupação com ela, para evitar que se tome um susto no meio da trajetória. Mas eu acredito que ela ganha a eleição e será a mais bem votada. E acho também que a segunda vaga está aberta.
Eu sou um candidato leve. Dentre os candidatos, a minha rejeição é menor. Eu saio da minha cidade com uma frente grande sobre os outros candidatos e avalio isso como uma vantagem que eu tenho.

Ton Paulo – Quando olha para o cenário político de forma geral, quem avalia serem os seus maiores concorrentes?
Eu nem penso assim. Não é uma questão de eu não dever me preocupar. Eu vou focar naquilo que tenho que fazer. Eu vejo que, tirando a Dona Gracinha, está todo mundo na mesma linha.
Daqui a pouco, quando saírem as primeiras pesquisas, vocês vão ver que, mesmo eu estando parado, vou aparecer bem, até por conta do recall que tenho da eleição passada. Essa região aqui, onde nós moramos e vivemos, que é a Grande Goiânia, é uma região em que tenho um grande recall. Acho que o meu jeito de trabalhar é diferente. Por isso, não estou preocupado com isso, não.
Recebi várias ligações cordiais de pré-candidatos, como o Zacharias Calil e até mesmo o Humberto Teófilo (Novo). Eu vejo que tenho o mesmo eleitorado que o Vanderlan, por exemplo, mas, ao mesmo tempo, entendo que a minha cidade é 200% de voto — porque estamos falando de dois votos para o Senado —, vou trabalhar para ter 80%, enquanto os outros 120% vão votar em outros candidatos. Por isso, eu não quero ter a antipatia do eleitor de ninguém.
Ton Paulo – Noticiamos que Leandro Vilela deve apoiar seu projeto em Aparecida de Goiânia. No entanto, há poucas semanas, ele também declarou apoio oficial a Vanderlan Cardoso. Como ficou essa situação?
Essa é uma pergunta que você deve fazer a ele, mas eu não tenho dúvida. Acho que a minha entrada atrapalha consideravelmente o senador Vanderlan Cardoso. Eu sei que ele ajuda a cidade, nós o ajudamos na eleição passada e ele deve muito ao município de Aparecida.
Mas eu não tenho dúvida de que o compromisso político de Leandro Vilela será comigo e com a Dona Gracinha.

Ton Paulo – Queria pedir a sua avaliação sobre um fato: recentemente, tivemos um evento do PL Mulher no diretório do partido e, no painel exibido aos presentes, o nome de Ana Paula Rezende foi colocado como “pré-candidata ao Governo de Goiás”. Alguns dizem que foi um erro de digitação, outros alegam que há, sim, essa possibilidade. Imagino que vocês conviveram muito na época em que ela estava no MDB. O que você acha disso?
Não acredito, não. Eu acho muito difícil o Wilder abrir mão. Vejo que ele já comprou algumas brigas e, por isso, acho muito difícil que volte atrás.
Até porque boa parte do PL queria estar com o Daniel. Acho que um retorno seria muito difícil, a não ser que ele desista da política, porque tudo pode acontecer. Ele é um grande empresário, mas não acredito que vá desistir, não.
João Paulo Alexandre – E como você viu a migração de Ana Paula Rezende do MDB para o PL? Vocês mantêm algum diálogo?
Eu vou confessar: não consigo fazer uma crítica nesse sentido. Cada um tem o direito de fazer as suas escolhas. Acho que, se o pai dela estivesse vivo, provavelmente a aconselharia a não fazer isso, mas eu respeito a Ana Paula e respeito a decisão que ela tomou.
Eu não faria o que ela fez, mas não vou fazer nenhuma crítica em relação à escolha que fez. Eu nunca tive essa relação com a Ana Paula. Às vezes, as pessoas acham que, por estarem no mesmo partido, todos têm algum tipo de proximidade, e não é assim. Ela é um pouco mais velha do que eu e fazia parte de outra ala do MDB, naquela época em que o partido se dividia entre os “maguidistas” e os “iristas” (risos).
Então, por mais que eu tenha uma relação extraordinária com o Iris, e que meu pai tenha sido um dos maiores defensores dele, eu sempre militei junto com o Maguito.

Ton Paulo – Como foi adiantado aqui anteriormente, o seu eleitorado e o do Vanderlan Cardoso têm características semelhantes. Um bom exemplo é a ligação com o segmento evangélico. Vanderlan vem tendo uma relação muito boa com esse setor, principalmente com a Assembleia de Deus Madureira. Qual é a estratégia para atrair para você uma parte desse eleitorado?
Eu vou trabalhar e fazer aquilo que sempre fiz: dialogar. E fazer um trabalho diferente.
Acho que, talvez, uma das dificuldades que o atual senador terá são algumas posições que adotou no Senado e que não agradaram boa parte da Igreja. Eu vou me comprometer a ser diferente lá no Senado Federal.
João Paulo Alexandre – Eu quero voltar ao assunto da vice: realmente houve conversas? E, se sim, como foram esses diálogos? Chegou a haver uma negativa oficial?
O que falavam é que a escolha seria baseada em pesquisas qualitativas e quantitativas. Dentro disso, por uma série de fatores, como o fato de eu ter disputado as últimas eleições, acho que, naturalmente, eu seria o candidato que mais se encaixaria. Mas não houve nenhuma movimentação.
E vejo que esse atraso no anúncio poderia me prejudicar muito na questão de disputar um mandato ao Senado. Por isso, preferi realmente entrar em campo e não perder mais tempo, pois as eleições vão passar rápido.
Por mais que eu tenha, talvez, a vantagem — e acho que o Vanderlan também tem — de ter disputado eleições recentes, eu não poderia mais me permitir essa perda de tempo. Então, foi por isso que realmente resolvi deixar essa questão da vice, já que será apenas em agosto que vão definir quem será o escolhido, e começar a trabalhar efetivamente o projeto para o Senado.
João Paulo Alexandre – Esse encontro recente que o senhor teve com Luiz do Carmo significa que passa a apoiá-lo como o nome para vice de Daniel Vilela?
Eu já declarei esse apoio. Agora, na verdade, nós estamos trabalhando estratégias para tentar, de alguma forma, ajudá-lo a chegar lá. Até porque eu entendo que o segmento evangélico tem todas as condições de ser representado pelo Luiz.
Ton Paulo – E por que Luiz do Carmo, especificamente? Por que ele é o melhor nome para vice?
Eu acho que há bons nomes que estão buscando o seu espaço, como o próprio Henrique César, João Campos, Rafael Gouveia, que representa um grande ministério e está preparado, além de Simeyzon, Cairo Salim e outros nomes evangélicos que poderiam muito bem representar esse segmento.
Mas todos nós estamos buscando as nossas cadeiras, e o Luiz optou realmente por não disputar outro mandato. Ele só será candidato se for para a vice.
E quero rebater uma crítica feita por alguém do Fórum Empresarial, como se um evangélico não tivesse capacidade de gerir uma cidade, fazendo uma comparação com o fato de o ex-prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, ter sido vice e, posteriormente, prefeito, sem ter realizado uma boa gestão.
Foi uma crítica muito infeliz. Não sei quem foi o autor, mas vale lembrar que Iris Rezende era evangélico, eu sou evangélico, Zé Garrote é evangélico, Marcelo Baiocchi é evangélico, assim como vários outros.

Ton Paulo – Outro nome colocado para vice é o de José Mário Schreiner. Qual é a sua avaliação?
Eu acho que é um bom nome. Ele representa um segmento importante, que é o agronegócio. Mas acredito que o segmento evangélico tenha uma representatividade eleitoral muito maior.
É aquela história: nem todo evangélico é produtor rural, mas há muitos produtores rurais que são evangélicos. Em termos numéricos, você tem muito mais evangélicos do que produtores rurais.
Ton Paulo – Atualmente, você mantém uma boa relação com Gustavo Gayer e ambos são pré-candidatos ao Senado. Você também tem bom trânsito entre os bolsonaristas, sua esposa, Mayara Mendanha, já foi filiada ao PL, e eu quero saber: você deve disputar os votos bolsonaristas com Gustavo Gayer?
Eu acho que o eleitor, na hora do voto, escolhe aquele que mais se assemelha ao que ele espera de um mandatário. Acho que, em vários casos, as pessoas vão escolher o Gayer e, em outros, vão escolher o meu nome.
E, por ser uma eleição com dois votos, eu acredito — aliás, vejo isso nas redes sociais — que há uma manifestação de pessoas que pretendem votar em mim e também nele. Acho que isso é algo natural e interessante.
Ao analisar as pesquisas de intenção de voto, você percebe que o Gayer tem, por mais que seja uma minoria, eleitores que votam no Lula da Silva (PT) e votam nele. Na política, tudo pode acontecer, ainda mais em uma eleição com dois votos.
Acho que o eleitor poderá, em muitos casos, fazer essas combinações. Mas, obviamente, eu, por estar em um grupo político, estarei trabalhando para o meu time, com aqueles candidatos que estão na chapa e, prioritariamente, ajudando a Dona Gracinha.

Ton Paulo – Pessoas ligadas a Gustavo Gayer já declararam que ele não descarta a possibilidade de recuar da disputa ao Senado e tentar a reeleição para deputado federal na última hora. A justificativa para esse possível movimento seria o fato de que ele não poderia ficar sem mandato, até mesmo por questões que estão sendo julgadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e que poderiam levá-lo à prisão. Você acha que isso é possível?
Em política, você nunca pode dizer que algo é impossível. Eu não colocaria essa questão de “ele pode ser preso”. Acho que, talvez por uma questão de saúde, ele possa até optar por não disputar a eleição para o Senado. Mas, tendo saúde, não tenho dúvida de que será candidato ao Senado.
É um postulante forte. Nós temos que respeitar a força do Bolsonaro e a força pessoal dele. Ele é um dos deputados federais mais acessados nas redes sociais e, enfim, não dá para ignorar a força que possui. Agora, é claro que uma eleição para o Senado talvez não possa ser feita da mesma maneira que uma eleição para deputado federal.
Eu acho que a única coisa que pode realmente tirá-lo da disputa é uma eventual questão de saúde, em razão da cirurgia que fez recentemente para tratar uma obstrução intestinal decorrente do acidente que sofreu, problema semelhante ao que o Bolsonaro também enfrentou.

Ton Paulo – Recentemente, recebemos o pré-candidato a deputado federal Delúbio Soares aqui no jornal, e ele destacou que uma aliança entre o partido e Marconi Perillo não está descartada. Como você avalia essa possibilidade?
É porque o Marconi Perillo, se ele não conseguir nenhum partido, como é que ele vai ser candidato a governador com poucos segundos de televisão?
Eu não sei quantos segundos ele teria. E ele está tentando, de todo jeito, atrair alguém, mas eu acho que não vai conseguir. Os partidos que eu vejo conversando com ele não têm tempo de televisão.
Ele não quer o PT porque traz uma rejeição que o partido já tem, mas eu acho que, para tentar falar com o povo na televisão, ele vai ter que fazer isso.
João Paulo Alexandre – Você acredita que Marconi Perillo pode dar trabalho na disputa para Daniel Vilela? E Wilder Morais?
Eu não acredito que o Marconi Perillo dê trabalho ao Daniel. O Wilder Morais é mais competitivo, mas, se eu tivesse que apostar, eu acho que o Marconi é quem vai para o segundo turno por conta do comodismo do Wilder.
E é mais fácil, ao meu ver, ganhar do Marconi no segundo turno do que do Wilder, porque ele daria mais trabalho por causa do bolsonarismo. Mas eu estou falando isso sem ver pesquisas. Pode ser que eu esteja equivocado, porque isso é um sentimento meu dentro da conjuntura do momento.
Ton Paulo – Wilder Morais conta com a influência de Flávio Bolsonaro para dar uma guinada na campanha dele, inclusive com um encontro marcado ainda neste mês para o lançamento da pré-candidatura do empresário. Mas, com a questão do áudio de Daniel Vorcaro, especialistas dizem que isso pode afastar o eleitor de direita mais moderado. Você acha que isso pode respingar em Wilder Morais?
Isso é difícil de cravar porque nós olhamos uma pesquisa, mas ela é nacional. Não dá para levarmos em consideração apenas o que o Felipe Nunes, da Quaest, fala, porque pode ser que a realidade de Goiás seja diferente da realidade nacional. Sem ver números, eu acho difícil fazer uma avaliação.
Aquele recorte que a Quaest tem trazido mostra, em nível nacional, que, de fato, os áudios trouxeram um impacto sobre o eleitor de direita não bolsonarista. Só que é uma análise feita em todas as regiões do país, sem um recorte específico por estado.
Falando com as pessoas do meu dia a dia, eu não tenho visto isso abalar o Flávio na percepção delas. Não estou nem falando do Wilder neste momento.
Eu tenho falado com muitos políticos que vão me apoiar e que também estão apoiando o Gayer, e que criticam a posição dele na votação de Jorge Messias para o STF. São pessoas dizendo que ele “era do sistema”.
Então, para falar sobre isso, precisamos ver o recorte de Goiás. E eu, com todo respeito, gosto de ver aquela pesquisa que ninguém vê, aquela que você manda fazer para, de fato, analisar. Olhando o cenário nacional, nós teremos uma perspectiva, mas precisamos saber como isso está refletindo, de fato, na cabeça do eleitor em Goiás.
Mas, por exemplo, no sentido de vontade política, se Marconi Perillo fosse o candidato de Bolsonaro, Daniel poderia passar por alguma dificuldade.
Ton Paulo – O que há de concreto no lançamento da sua pré-candidatura? Será em Aparecida mesmo? E quais são as lideranças que você quer trazer? Pode ter o presidente da Federação PRD-Solidariedade, Ovasco Resende?
Claro. Vou convidá-lo e vou tentar trazer alguns amigos que tenho da política nacional também, como o Gaguim e o Eduardo Gomes, que são duas figuras do Tocantins. Arrisco dizer que o político de lá sabe mais da política de Goiás do que nós mesmos, é impressionante.
Vou tentar trazer algumas figuras até de fora. Estou conversando com aquele amigo meu lá de Israel. Daniel também estará presente. A ideia é fazer um evento grande, não só do ponto de vista da qualidade das pessoas, mas de público mesmo.

João Paulo Alexandre – E já tem um local onde será realizado?
Eu tenho avaliado fazer na Atlanta Music Hall, que fica na BR, mas não sei se eles já resolveram a questão jurídica que estavam enfrentando.
Se não for na Atlanta, às vezes eu faço até em Goiânia, na Arena Multiplace, que é um espaço de um amigo meu. Pode ser outra alternativa de local.
Ton Paulo – Você acha que todas essas questões envolvendo Flávio Bolsonaro acabam beneficiando o pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado?
Eu acho que beneficia muito, mas ainda precisam surgir muito mais coisas. Essa questão do Banco Master é grave, mas ainda é pouco.
É a mesma coisa com o Lula: pode aparecer o que for, mas, para quem já está fechado com o candidato, é difícil mudar de opinião.
E eu acho uma pena, do meu ponto de vista — e eu respeito o Flávio como político —, que você não tenha uma discussão em que as pessoas possam avaliar, de fato, outros nomes e as qualidades que eles têm.
João Paulo Alexandre – Eu queria que você explicasse como você vai trabalhar na sua campanha e como vai ajudar o Daniel neste período.
Só em ser candidato já estou ajudando ele. Eu peço voto para mim, eu peço para ele. Onde estiver fincada a bandeira minha, vai estar fincada a bandeira dele.
O fato de ser candidato, eu acho que já ajuda muito ele em Aparecida e Goiânia também, onde o povo tem um carinho por mim. A Região Metropolitana é onde eu tenho minha força e vou trabalhar em conjunto com ele no interior do Estado.
Ton Paulo – E como você avalia a gestão que ele está fazendo no Estado?
Excelente. Eu acho que o Daniel já conseguiu passar dessa fase em que muitos se perguntavam: “Será que ele vai dar conta?”.
O sentimento que eu tenho, conversando com as pessoas, é que, de fato, não houve uma ruptura de continuidade. Por exemplo, um dos pontos que me preocupavam pessoalmente era a questão da segurança, e vejo que ele já conseguiu manter esse padrão.
É, talvez, um dos grandes pontos que ele tem, porque foi uma marca forte do governador Ronaldo Caiado. Olhando e conversando com as pessoas, eu noto que elas realmente continuam tendo o mesmo sentimento e isso é ótimo para ele.

João Paulo Alexandre – E, para criar uma identidade própria, ele está tendo dificuldade?
Eu acho que ele só vai fazer isso a partir do próximo ano. Eu não acredito que ele vá querer quebrar as marcas do Caiado.
Mas eu posso afirmar que, conhecendo ele, Daniel Vilela vai ser o governador da tecnologia, e eu acho que ele já está imprimindo isso. Eu acho que ele vai ter uma marca forte na área social, porque era a marca do pai dele.
Mas eu não o vejo mudando essa roupagem do governo neste momento. Eu acho que, no próximo mandato, ele já vai deixar a sua marca ainda mais evidente.
Ton Paulo – Como foi a sua entrada no grupo governista dos pré-candidatos ao Senado? Você conversou com o Daniel. Por uma questão pessoal, não conseguiu comparecer ao evento Pra Frente Goiás, mas quero entender como fica a divulgação da sua pré-candidatura, porque, nesse evento específico, não havia foto sua no banner.
A conversa com o Daniel sobre a candidatura foi excelente. O motivo de eu não ter ido ao evento foi porque estava em um encontro de casais da igreja, que já estava marcado há três meses, e até expliquei isso a ele, que entendeu tranquilamente.
Mas estarei presente no próximo Pra Frente Goiás.
Ton Paulo – A sua esposa, Mayara Mendanha, vai disputar algum cargo?
Não. Ela está filiada ao mesmo partido que eu. Algumas pessoas devem ter ligado o fato de ela ter saído da Prefeitura ao interesse em disputar eleições, mas ela já queria sair da Prefeitura havia algum tempo.
Então, não procede a informação de que ela sairia para disputar uma vaga de deputada federal ou qualquer outro cargo.
Ton Paulo – Caso você não tenha êxito nessas eleições, já pensou em alguma coisa para 2030?
Eu não trabalho com essa opção. Eu vou ganhar as eleições. Eu sempre entro para ganhar. E, se eu for senador da República, não vou deixar o mandato para ser candidato a outro cargo.
João Paulo Alexandre – Hoje, você é adepto do movimento Legendários, que é muito difundido nas redes sociais e também alvo de muitas críticas. Por que você decidiu aderir a ele e como lida com essas críticas?
É um movimento muito interessante e que vem para resgatar o que eu acho que falta hoje na sociedade: o homem ser homem no sentido de assumir compromissos. O maior problema da sociedade atual é a falta dos homens em assumir as suas responsabilidades.
O que eu estou falando? Quem cria filho é mãe. E isso vai além das mães solo; inclui também mulheres que têm homens dentro de casa. Uma das coisas de que se fala lá é sobre o homem se assumir, e não tem nada a ver com sexualidade, porque eu sei que fazem essa associação, mas sim com responsabilidade.
É um movimento religioso e eu posso falar pessoalmente sobre os reflexos positivos que trouxe para mim: eu pude enxergar os erros que cometi como marido e como pai.
Eu fui um cara que passou quase 10 anos sem ir a uma reunião de pais na escola dos meus filhos. Hoje eu tenho um de 17 anos, a minha moça tem 13 e o meu caçula tem 7. Foi um erro grave. Meu filho disputava campeonatos e eu não acompanhava, e me arrependo amargamente disso.
Só de você passar quatro dias em um lugar sem telefone celular, tendo a oportunidade de conversar com outras pessoas que têm problemas semelhantes aos seus, já é algo fantástico.
De verdade, não tem um amigo que me procure e que eu não aconselhe a ir, principalmente aqueles que eu vejo que são ausentes em casa, que não estão sendo bons companheiros para suas esposas, porque um dos erros que eu cometi foi justamente na questão do tempo.
Às vezes, a gente terceiriza a educação dos filhos, a gente não cuida. Infelizmente, muitos dos problemas que o ser humano vive hoje têm a ver com a falta de paternidade. A mãe tem um papel importante, mas o pai também tem. E a ausência do pai faz com que as pessoas, de fato, se tornem inseguras.
Mas não é um movimento ligado a uma igreja específica, apesar de ser um movimento religioso. Há igrejas evangélicas que trabalham com ele, mas também há muitos católicos que servem no movimento, e não existe nenhum tipo de proselitismo para que a pessoa vá para determinada igreja. Ela continua católica servindo lá, porque entendemos que o nosso Deus é o mesmo.
O problema é que qualquer movimento que venha falar de família tende a enfrentar alguma resistência de certos grupos, e isso é natural. Mas eu garanto a vocês que, se os seus pais tivessem passado pelos Legendários, as relações de vocês seriam completamente diferentes, porque, depois que eu passei pelos Legendários, eu conquistei meus filhos em plenitude.
João Paulo Alexandre – Quais são as maiores mentiras que contam sobre o movimento que você pode desmistificar nesta entrevista? Essa situação de associar os Legendários à ideia de diminuir a mulher, por exemplo, procede?
Eu vou confessar que não leio muito essas coisas e, quando vejo, nem dou atenção.
O que eu posso dizer é que quem vai para lá tem, sim, um verdadeiro encontro com Deus.
Sobre essa questão de diminuir as mulheres, é mentira. Pelo contrário. E vocês podem procurar a minha esposa. No nosso grupo havia três homens que estavam amasiados. Nós pegamos no pé dos três porque não se trata apenas da instituição do casamento, mas do fato de que temos um bando de homens barbados que ainda são meninos.
E eu posso dar o meu testemunho: em vários momentos da minha vida eu estava acabado, e foi a minha família que me deu respaldo para me manter de pé. E, muitas vezes, quando eles precisavam de mim, eu não estava presente.
E deixo claro que não faço parte daqueles que utilizam o movimento como bandeira política para pedir voto.
João Paulo Alexandre – E você conseguiu recuperar esse tempo perdido com os seus filhos? Como está a sua relação com eles hoje?
É excelente! Aliás, eu tenho que agradecer a Deus pela derrota, porque esses quatro anos foram os anos em que passei mais perto da minha família.
Se eu achar que é mais importante estar na final de um campeonato com o meu filho do que ir a um encontro político, eu vou estar com o meu filho e não vou perder nada por isso. Antes, não. A prioridade era a política.
Não vou deixar de trabalhar, eu já falei isso publicamente. Mas vou saber dar o devido valor às coisas. Porque há situações em que eu posso ser substituído por alguém, mas há outras que só eu posso fazer.
Ton Paulo – Quem é o seu candidato a deputado federal? E a deputado estadual?
Eu tenho o compromisso de ajudar a eleger dois deputados federais. Então, tenho bons nomes, como Lucas Calil, Denes Pereira, Silvio da Videira, Dra. Cristina, Dr. Antônio e João Pedro.
O nosso objetivo é fazer de cinco a seis deputados estaduais, e nós temos nomes como João Campos, Lucas Virgílio, entre outros.




