Isaura Lemos entrou na política ainda muito jovem, por intermédio de movimentos sociais e estudantis. Técnica em enfermagem por formação, vivenciou duras lutas durante o período da ditadura militar, quando precisou morar em diversos lugares como forma de sobrevivência. Ela cita alguns deles, como a Chapada Diamantina, na Bahia, e o Acre, onde viveu em uma casa feita com materiais da mata amazônica.

Ao se instalar em Goiás com o marido, Euler Ivo, passou a se dedicar a iniciativas populares, como o Movimento Contra a Carestia, voltado à redução do preço da cesta básica, e o Movimento de Luta pela Casa Própria (MLCP), que se tornou um núcleo de apoio às famílias que buscam programas governamentais de habitação.

Aos 72 anos e após oito anos sem mandato, Isaura Lemos tenta retornar à vida política com o lançamento de sua pré-candidatura ao Senado. A ex-parlamentar afirma que entendeu ser necessário unir esforços pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo conta com a vice-presidência ocupada pelo partido ao qual ela agora é filiada. A última passagem dela por um cargo eletivo foi em 2018, após cumprir cinco mandatos como deputada estadual.

Nesta entrevista ao Jornal Opção, Isaura explicou por que deixou as negociações com o PT aos 45 do segundo tempo e migrou para o PSB, liderado por Aava Santiago. Apesar da mudança, afirma que continua ao lado do PT, apoiando, inclusive, o nome de Luis Cesar Bueno como pré-candidato ao governo de Goiás. Ela também disse que uma chapa formada por Adriana Accorsi e Aava Santiago seria representativa para o tamanho da esquerda no Estado, mas ressaltou que respeita a decisão de ambas. Além disso, reconheceu que a demora do PT para definir um nome ao governo não favoreceu o projeto da esquerda em Goiás.

Isaura também falou sobre como avalia os programas sociais implantados na gestão de Ronaldo Caiado e comentou a possibilidade de uma composição com Marconi Perillo, hipótese que classificou como “carta fora do baralho”.

Ton Paulo – A senhora estava cotada para ir para o Partido dos Trabalhadores, mas, aos 45 do segundo tempo, decidiu ir para o PSB e agora está como pré-candidata ao Senado. O que aconteceu para que mudasse de planos e não fosse para o PT?

Eu sempre estive no campo da esquerda, já dirigi o PDT e o PCdoB, mas, neste momento, em que já tenho 72 anos, tenho que ajudar o presidente Lula a se reeleger e pensei realmente no PT. Inclusive, no início, vincularam o meu nome para o governo. Achei ótimo, porque penso que é importante manter o mandato da deputada federal Adriana Accorsi, que com certeza será reeleita, e eu poderia ajudar nesse sentido, tendo um nome que pudesse defender as obras do governo Lula aqui no Estado.

Mas eu percebi também que havia um esforço muito grande de algumas lideranças do PT para que Adriana fosse a candidata ao governo, pela própria posição dela nas pesquisas, nas quais ela estava indo bem. Eu entendi que não dava para eu chegar a um partido já tendo uma contenda que pudesse prejudicar toda a nossa articulação de esquerda.

Desse modo, eu decidi aceitar o convite que o presidente nacional do PSB, João Campos, me fez para ser candidata ao Senado, entendendo que o candidato ao governo seria petista, que a gente poderia compor a chapa majoritária e contribuir para a reestruturação desse partido no Estado, o que é importante.

Esse convite veio no dia em que a Tatiana Lemes foi se filiar ao PSB. O Euler chegou a ir ao evento, mas continua no PCdoB. Naquele dia, eu entendi que seria mais produtivo eu ser candidata ao Senado em uma chapa majoritária da esquerda e permitir que o PT e a Federação discutissem o nome para o governo.

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“Decidi aceitar o convite que o presidente nacional do PSB, João Campos, me fez para ser candidata ao Senado” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Ton Paulo – O Jornal Opção apurou que, no dia em que foi anunciada a frente progressista com os partidos de esquerda de Goiás, houve uma conversa entre a presidente do PT, Adriana Accorsi, e a presidente do PSB, Aava Santiago, na qual Adriana ofereceu a vice para o PSB em uma chapa encabeçada pelo PT, mas Aava teria dito que isso não seria do interesse do partido, e sim o apoio ao projeto da senhora para o Senado. Não passou pela senhora disputar a vice?

Para eu cumprir o meu papel no debate político, é preciso ter tempo de televisão, ter a oportunidade de defender e debater com os outros candidatos ao Senado, sejam eles de extrema direita ou de direita, para realmente contrapor essas propostas que eles defendem, inclusive escondendo as realizações do governo federal aqui no Estado. E, muitas vezes, em uma candidatura ao Senado, nós temos maiores condições do que em uma vice. Foi realmente para estar no jogo e em uma posição que me permitisse o debate.

Eu vejo que o Estado de Goiás precisa debater as ideias. Não pode ficar só encoberto, por exemplo, que dois senadores goianos assinaram uma carta no Senado impedindo a votação do fim da escala 6×1 e defendendo a escala 7×0, que é o trabalho escravo. Que a pessoa possa ter que definir, como patrão, o dia de descanso dela e tudo mais.

Então, eu achei importante termos candidaturas ao Senado que permitissem não só resgatar as obras do governo federal no Estado, mas também debater posições ligadas. Porque a campanha hoje tem que fazer esse debate. A questão do feminicídio, nós vemos que é uma questão que não podemos mais suportar. São quatro mortes de mulheres por dia no Brasil. Nós temos que resgatar essa necessidade de medidas que possam não só explicar a questão cultural, mas, de fato, prevenir e tratar os feminicidas também. Porque eles saem da prisão e voltam a cometer crimes.

Eu decidi aceitar o convite que o presidente nacional do PSB, João Campos, me fez para ser candidata ao Senado

Nós pensamos em ideias para tentar reverter esse quadro, como uma agência de prisão que pudesse tratar os feminicidas em relação à sua saúde mental, porque, para um homem chegar a matar uma mulher, deve haver um transtorno. A agressividade que ele tem é manifestada antes e, às vezes, as mulheres não dão a devida importância.

Os feminicidas, geralmente, são pessoas que já são agressivas com a mãe, com os irmãos e quando estão namorando. Eles não viram feminicidas de uma hora para a outra. Tem a questão da cultura, realmente, da mulher sendo colocada como propriedade do homem, e tem também a questão cultural do estímulo ao ódio, que, de uns anos para cá, no Brasil, cresceu muito, da não aceitação da mulher como um ser que tem sua própria vontade.

João Paulo Alexandre – A senhora tem uma história consolidada dentro da política, mas já está há oito anos sem um mandato. A política acaba sendo um pouco ingrata com quem passa esse tempo “em off”. Nós temos nomes que estiveram em evidência nos últimos anos, como Gracinha Caiado (UB), Zacharias Calil (MDB), Vanderlan Cardoso (PSD), entre outros. A senhora acredita que pode ter uma dificuldade diante dos nomes que estão colocados? Como a senhora se enxerga dentro dessa disputa?

Claro, há a dificuldade de vivermos em um Estado conservador, que sempre teve uma tendência a governos ligados às elites. Nunca um governador do PT ganhou aqui, nunca conseguimos emplacar um governo de esquerda em Goiás. Então, nós temos, claro, essa dificuldade, também na questão do poder econômico. Uma candidatura ao Senado é pesada, abrange todas as candidaturas proporcionais e, para conquistar apoio, precisaria ter uma situação melhor do ponto de vista da estruturação da campanha e também de atingir o eleitorado, já que hoje sabemos que as redes sociais desempenham um papel fundamental nisso.

Mas o que nós acreditamos, e o nosso diferencial, é que somos do campo da esquerda, enquanto todos os outros candidatos são do campo da direita. Inclusive, há candidato ao Senado que, como eu falei, não está interessado em contribuir com o fim da escala 6×1, que nunca foi ligado aos trabalhadores, que nunca teve uma vida como a que eu vivi. Porque, embora eu seja uma mulher que nasceu na classe média, na clandestinidade eu fui uma assentada rural. Fui uma pessoa que teve que ir para regiões longínquas, como a Chapada Diamantina, na Bahia, onde morei, e, depois, para o Acre, onde trabalhei e vivi como assentada rural, em uma casa feita com material da mata amazônica, durante a ditadura.

De 1974 até 1980, nós vivemos na clandestinidade e, nesse período, nesses dois locais — na Chapada, por menos tempo, porque Carlos Lamarca – militar que largou o Exército para lutar contra o regime da ditadura – foi morto ali perto, e nós tivemos que sair o mais rápido possível daquela região, pois, embora não fôssemos da organização de Lamarca, estávamos na região com outras identidades, tudo clandestinamente. Depois, o meu companheiro, Euler Ivo, não quis ir para o exterior. Ele quis continuar no Brasil e foi para o interior, para uma base de guerrilha naquela região da Chapada. Posteriormente, nós fomos para a região amazônica, no Acre.

Muitas vezes, em uma candidatura ao Senado, nós temos maiores condições do que em uma vice. Foi realmente para estar no jogo e em uma posição que me permitisse o debate. Eu vejo que o Estado de Goiás precisa debater as ideias

Inclusive, por questão de segurança, eu não poderia engravidar, já que, a qualquer momento, poderia ter que mudar daquela região. Mas, em 1978, eu dei à luz a minha primeira filha, que nasceu com a ajuda de uma parteira e tudo mais. Era uma época em que já estava começando a abertura política.

Quando houve a anistia, eu fui para o trabalho sindical em Campinas (SP) e liderei uma mobilização por melhores salários. Fui demitida da empresa grávida da Maíra Lemos, minha segunda filha. Foi quando vim para Goiás. O Euler já estava aqui, e passamos a trabalhar para reconstruir as entidades dos movimentos sindicais e populares da esquerda no Estado.

Ton Paulo – Agora a senhora está no PSB após passar muitos anos no PCdoB, um partido que ajudou a construir em Goiás. O partido tem uma pré-candidatura ao Senado apresentada, que é a de Aldo Arantes. Quero saber como é a sua relação com o partido e como a senhora vê a candidatura do Aldo?

Primeiro, considero o Aldo uma grande liderança. Ele nunca parou, sempre esteve ativo, sempre contribuindo, agora ainda mais em relação a essa questão da guerrilha digital. Ele sempre traz ideias novas. A minha relação com o partido é a melhor possível. Eu não tinha como deixar o PCdoB me tornando oposição ou contrária às suas ideias, porque são ideias extremamente corretas e justas.

Eu defendo hoje a soberania nacional, a luta para defender o nosso país dessas agressões norte-americanas. Eu defendo a democracia como a única forma de realmente fazer crescer a consciência do povo, a mobilização popular e soluções que, de fato, resolvam as reformas estruturais que nunca foram feitas desde a época de João Goulart e das quais nós precisamos.

Eu defendo o desenvolvimento com conteúdo local. Hoje, a China é a China porque fez isso: desenvolveu um processo em que procura absorver a tecnologia das empresas estrangeiras que se instalam no país, ao mesmo tempo em que avança na sua própria tecnologia e educação. E também defendo os direitos. Então, eu não tenho nenhuma contradição com as posições do PCdoB. O que nós temos hoje é uma possibilidade de contribuir mais dentro do PSB. Mas, de forma alguma, nós somos inimigos políticos. Pelo contrário, somos amigos e nos respeitamos.

Ton Paulo – Uma coisa que nos chama a atenção é que os partidos de esquerda têm uma juventude muito orgânica e organizada, inclusive começando dentro das universidades. Na sua avaliação, a política, que naturalmente acaba envelhecendo os seus quadros, está conseguindo ser renovada por esses jovens? A esquerda está conseguindo trazer novos nomes para o campo de interesse eleitoral?

Eu penso que poderia fazer mais, se os jovens não tivessem tantas dificuldades que enfrentam hoje. Você vê: o jovem que deixa a universidade já sai tendo que se colocar no mercado, porque ele tem que trabalhar, já que está constituindo família. Em uma situação anterior, na época da ditadura, por exemplo, nós nem pensávamos que poderíamos deixar a luta, porque era uma situação tão opressiva que exigia de nós um posicionamento mais incisivo, praticamente o de sermos profissionais da revolução, até para sobreviver, porque a gente via os amigos, os colegas, sendo mortos.

Por exemplo, quando eu conheci o Euler, eles estavam ao lado do Honestino Guimarães. Três meses depois, o Honestino foi preso e morto. Aquilo doía muito. Sabíamos que o companheiro que estava presente em um momento e, de repente, sumia, sem qualquer notícia do seu paradeiro.

Hoje, a juventude tem sido o suporte de todas as lutas no Brasil. Quando houve a retirada de orçamento da educação, a juventude foi para as ruas. Na pandemia, foram os jovens que ajudaram os estudantes que não tinham computadores em casa para poder continuar os estudos. Em todos os momentos, ela continua a lutar. Tivemos episódios recentes em São Paulo, onde os alunos ocuparam a reitoria da USP em busca de melhorias nas bolsas de permanência estudantil (PAPS), na qualidade das refeições do Restaurante Universitário e na infraestrutura dos alojamentos. Além, claro, da luta pelo fim da escala 6×1.

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“Hoje, a juventude tem sido o suporte de todas as lutas no Brasil” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

A juventude está integrada. Agora, ela tem que ter mais disponibilidade para a via parlamentar, porque um jovem dentro dos espaços onde se discutem os rumos do Brasil traz uma oxigenação. Inclusive, eu, quando presidente de partido, fazia muita força para que eles saíssem candidatos. No nosso cenário atual, a Aava Santiago é um exemplo disso, assim como Tales de Castro, que é vereador em Aparecida e tem cumprido esse papel, estando, inclusive, como pré-candidato a deputado federal. A Tatiane Lemos, que continua jovem, também está como pré-candidata a deputada federal.

Eu vejo a necessidade de candidaturas jovens e todas as que saem são bem-sucedidas. Vejo isso acontecendo em todos os estados brasileiros, mas, claro, é preciso ir além: os partidos precisam investir mais nas candidaturas jovens, porque o parlamento é uma escola.

Ton Paulo – A ida da Tatiana Lemos para o PSB foi uma boa escolha, já que ela pretende ser deputada federal e terá a própria Aava Santiago como concorrente? Isso não poderá levar a uma divisão de votos dentro do partido?

Ela entrou com a perspectiva de ajudar a Aava a se eleger, porque, inclusive, a Aava, mesmo que seja bastante votada, como com certeza será, sozinha não faz o mandato. A Tatiana entrou nessa perspectiva de ajudá-la. Elas foram colegas na Câmara Municipal, e a Tatiana acredita muito no potencial da Aava. Por isso, ela quer ajudá-la e, depois, partir para outros projetos políticos.

Ton Paulo – E como está hoje a chapa do PSB?

Nós temos a Aava Santiago, Tatiana Lemos e Tales de Castro, todos como pré-candidatos a deputado federal. O Elias Vaz, até o momento, tomou uma decisão de não disputar a eleição, mas seria excelente a participação dele, porque fez um excelente mandato como deputado federal.

Também há alguns vereadores do interior e de cidades grandes que estão se dispondo a sair candidatos, como o vereador Nixon das Casinhas, de Luziânia, o vereador Múcio Santana, de Goianésia, e o Sérgio Bravo Júnior, de Senador Canedo.

São vereadores de cidades que têm uma densidade eleitoral capaz de agregar à candidatura da Aava, e todos não têm ilusões: sabem que estão se projetando, que estão contribuindo com o partido e que podem, sim, completar essa votação para conquistar o mandato.

João Paulo Alexandre – A Aava tem reforçado que o projeto dela é ser deputada federal, mas ainda se ouve muito, entre nomes ligados à esquerda, que uma composição Adriana-Aava seria excelente. Alguns acreditam que Adriana deve ser a cabeça de chapa e Aava a vice, enquanto outros defendem o oposto: Aava como candidata e Adriana como vice. Como tudo se resolve nas convenções, qual a sua avaliação dessa possibilidade de a Aava ser candidata ao governo de Goiás?

Tanto a Adriana quanto a Aava têm condições políticas, legitimidade e representatividade para serem candidatas ao governo. Eu propus isso a cada uma delas naquele momento, pois enxergo que o Estado de Goiás está precisando de lideranças fortes no campo da esquerda. Adriana é uma excelente candidata nesse campo. Só que não existe essa vontade política por parte dela. Da parte da Aava, idem. Cheguei a dizer a mesma coisa para ela: que faria um papel importantíssimo nos debates, com a sua inteligência e a sua vivacidade.

Então, as duas seriam excelentes candidatas ao governo. Nós teríamos uma competitividade à altura do nosso campo, porque metade dos votos aqui em Goiás é do presidente Lula.

O nosso diferencial, é que somos do campo da esquerda, enquanto todos os outros candidatos são do campo da direita

Mas, como elas nos colocaram quais eram os seus reais interesses — Adriana em buscar a reeleição e Aava buscando o seu primeiro mandato federal —, nós respeitamos, porque também são duas mulheres de luta e que sabem os caminhos que devem percorrer para chegar ao patamar de uma candidatura ao governo.

Eu acho que poderiam, sim, ser candidatas, mas não existe essa vontade. Essa pressão passou a ser tão grande que acabou se tornando algo impositivo. E não deve ser assim.

Quando conversamos com a população, especialmente no caso da Adriana, que já tem mandato, escutamos muito as pessoas dizendo: “Ah, mas ela vai deixar de ser deputada?” ou “Nossa, é a única mulher de esquerda goiana lá na Câmara”. Quer dizer, existe essa compreensão de que, se ela não vai ser eleita, apenas para disputar, não deveria abrir mão de um mandato praticamente conquistado.

Eu acho que essa avaliação ainda vai evoluir, as questões vão se afunilando. Hoje, o Luis Cesar é o candidato do PT, e o partido tem prioridade na indicação por ser o maior da federação. E a Aava tem se posicionado muito a favor dessa junção da Federação com o PSB e o PDT.

Ton Paulo – Então, o PSB está realmente fechado com o nome de Luis Cesar Bueno como pré-candidato ao governo de Goiás?

Isso. Nós fizemos o lançamento da minha pré-candidatura recentemente, no plenário da Câmara de Aparecida de Goiânia, onde fomos recepcionados pelo vereador Tales de Castro, e a vereadora Aava, presidente do PSB, declarou publicamente apoio ao pré-candidato do PT ao governo, que é Luis Cesar.

Ton Paulo – Há alguns nomes do PSB, como o próprio Elias Vaz e Karlos Cabral, que ainda defendem uma composição com o governador Daniel Vilela (MDB). A senhora avalia que há possibilidade de isso acontecer, seja no primeiro ou em um eventual segundo turno?

Não tenho ouvido essa questão, apesar de poder ser uma posição pontual de um ou outro, pelo relacionamento que têm com o governador. Mas não existe essa posição de apoiar ou de compor com Daniel Vilela.

Sobre o segundo turno, eu não posso falar pelo partido. Nós temos que levar em consideração como estará o cenário nacional na ocasião. O candidato que apoiar Lula no segundo turno terá o nosso apoio, porque a nossa prioridade é que o presidente seja reeleito. Essa é a questão central para nós e para esses partidos, porque o PSB compõe a chapa do presidente Lula — Geraldo Alckmin é o vice-presidente —, então não poderia ser diferente. O PDT, o PCdoB e o PV também compõem o governo Lula.

Esses partidos estão muito convictos da necessidade de ter essa questão como algo central, que assegura a democracia, que defende o país das agressões norte-americanas e que preserva o Estado de Direito no nosso país.

Nós temos muita preocupação com a possibilidade de, caso isso não ocorra, haver um retrocesso muito grande em todas as áreas, tanto em direitos quanto em democracia e soberania. Nós vimos toda a movimentação de Bolsonaro para não aceitar o resultado das eleições e a tentativa de golpe.

O pré-candidato dele ao Palácio, Flávio Bolsonaro, tem feito um trabalho para facilitar as ações do governo norte-americano e fazer com que nós sejamos pressionados. Quer dizer, isso é um ato de traição aos interesses nacionais. Quando se fala e se colocam as terras raras como uma questão para que empresas norte-americanas se apropriem delas, isso é um ato de traição nacional. Deveria, inclusive, haver penalidade nesse sentido, porque nós não podemos, de forma alguma, aceitar isso.

João Paulo Alexandre – Se fizermos uma comparação com as eleições anteriores, neste ano foi o que o PT mais demorou para lançar um nome como pré-candidato. Quando Luis Cesar Bueno foi escolhido, nós já tínhamos Daniel Vilela apresentando sua pré-candidatura à reeleição, Wilder Morais como pré-candidato pelo PL e Marconi Perillo como pré-candidato pelo PSDB. Essa demora na escolha não dá a impressão de que o partido estava um pouco atrapalhado e, como consequência, poderia enfraquecer a sigla no Estado?

Olha, eu considero que houve uma demora e que ela não favorece a esquerda, mas existia, na cabeça de algumas lideranças do PT, a ideia de que deveria ser lançado o melhor nome para o governo. Quem é o melhor nome? A deputada Adriana Accorsi. Quem seria o segundo nome? A vereadora Aava Santiago. Isso é voz corrente dentro das forças de esquerda. Todos estão convictos disso.

Porém, é preciso levar em conta o que essas lideranças femininas colocaram para as suas trajetórias. Então, demorou-se muito para lançar outro nome, porque ainda havia a esperança de que o presidente Lula determinasse se seria a deputada Adriana ou a Aava quem iria disputar o governo pela esquerda em Goiás, já que as duas têm proximidade com o presidente Lula.

E parece que, até agora, o que ele fez foi respeitar a vontade de cada uma. Nós sabemos que ele acenou com essa possibilidade, mas percebeu que elas não gostariam de estar nessa posição.

A minha relação com o partido é a melhor possível. Eu não tinha como deixar o PCdoB me tornando oposição ou contrária às suas ideias, porque são ideias extremamente corretas e justas

Ton Paulo – Nós estamos vendo várias personalidades conhecidas da política que estavam em hiato e que estão voltando neste ano para disputar as eleições, como é o caso da senhora, do Delúbio Soares e do Simeyzon Silveira. Apesar de a senhora estar apenas oito anos longe de um mandato, esse já é um tempo em que ocorreram algumas transformações. Como a senhora pretende atrair de volta esse eleitorado que, querendo ou não, acabou se dispersando?

Em 2018, eu fui candidata a deputada federal e fiquei na primeira suplência. Depois, fui candidata a vereadora. Agora, estou tentando um cargo em uma eleição majoritária. Mas eu nunca parei. Meu eleitorado e minhas bases, especialmente na área de moradia, estão comigo. Nessa área conseguimos projetos importantes — inclusive, 900 apartamentos foram entregues em Aparecida por meio do nosso trabalho —, se juntarmos os bairros que fundamos em todo o Estado, somam em torno de 40 mil famílias que saíram do aluguel.

Nós já temos outro projeto encaminhado em Aparecida, de 200 apartamentos. Entregamos 300 casas em Goianira, além de projetos em Itaberaí, Itumbiara, Inhumas, Águas Lindas, Americano do Brasil e vários outros municípios, que foram atendidos com programas de moradia. Mas é um trabalho que exige de nós esse contato com as pessoas o tempo todo, porque acaba que viramos uma referência para auxiliar não só na questão da moradia, mas também nas diversas áreas em que a população precisa de ajuda.

Nesse período, também fui coordenadora do Centro de Apoio às Câmaras Municipais e Prefeituras na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), onde participei de inúmeros programas. Na época, não se chamava Deputados Aqui, mas Alego Ativa, junto com o deputado Simeyzon. Essa ideia foi proposta por nós para que houvesse um local na Assembleia de recepção aos administradores municipais e aos parlamentares. Foi um trabalho muito importante, porque tive contato com vereadores de todo o Estado.

Então, eu não parei. Às vezes, não estamos no parlamento, mas continuamos na atividade do movimento social e do movimento popular.

Ton Paulo – A senhora já tem os nomes escolhidos para a sua suplência?

Ainda não, porque, como está essa discussão dentro da Federação, do PSB e do PDT, achei por bem aguardar para ver como vai ficar o quadro, porque há nomes muito bons: Ricardo Dias, que é advogado e do PV; Cíntia Dias, que é uma excelente liderança feminina, muito ativa, do PSOL; o próprio Aldo Arantes; e Carlos Mundim, do PDT.

Então, era importante que esse nome fosse definido logo para que a gente pudesse compor essa chapa majoritária, desde que a esquerda não defina por um candidato único. 

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Ex-deputada Isaura Lemos, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Ton PauloE como estão essas conversas? E quando deve ser tomada essa decisão?

Veja bem, cada partido quer lançar o seu candidato ao Senado. Mas eu penso que a Federação deve afunilar em um candidato apenas. Porque, querendo ou não, é legítimo que o PV e o PCdoB indiquem nomes, tendo em vista que o PT não vai indicar um candidato ao Senado e são partidos que compõem a Federação. O PDT deve anunciar um nome, e o PSB está colocando o meu nome à disposição. Mas acredito que a vaga de vice deve ficar com um desses partidos.

Sobre o prazo para a definição, como eu sou pré-candidata ao Senado, não participo dessas discussões. Eu sei que o Luis Cesar, depois que foi lançado como pré-candidato pelo PT, está coordenando esse processo junto com a presidente Adriana.

Ton Paulo – Delúbio Soares é um entusiasta de uma aliança entre o PT e o ex-governador Marconi Perillo. Quando esteve no Jornal Opção, ele chegou a afirmar que essa possibilidade não está descartada e disse que essa discussão só se encerra quando terminam as convenções, o que é um fato. A senhora acredita que ainda existe a possibilidade de uma composição da esquerda com Marconi Perillo aqui no Estado?

Eu creio que não. Embora também ache que nós poderíamos fazer uma aliança mais ampla, temos visto uma resistência muito grande do ex-governador Marconi Perillo em se aliar ao PT, pois ele acha que as suas bases não teriam uma boa aceitação. Para mim, isso já é carta fora do baralho.

Agora, a política é imprevisível. Às vezes, são criadas situações que possibilitam a retomada dessa discussão mais à frente. Houve um momento em que esse assunto estava sendo discutido diretamente com o ex-governador Marconi.

Agora, me parece que, pela própria posição que a presidente do PT já tomou, de que é necessário, sim, ter um candidato do partido para haver liberdade e condições de defender o legado dos governos petistas aqui no Estado — e não apenas o último governo Lula, mas também os dois primeiros mandatos dele e os governos da Dilma, que fizeram um excelente trabalho aqui em Goiás.

Ton Paulo – A senhora acredita que houve um tom de machismo na decisão do PSDB de pedir, na Justiça, o mandato da Aava após a saída dela do partido? Segundo ela, apesar da ausência da carta de anuência, o próprio Marconi teria dado a liberação para a saída. Nós não vimos essa situação acontecer quando homens deixaram o partido…

Em relação à mulher, sempre existe um conteúdo machista. A Aava deu uma grande contribuição ao PSDB e chega um momento em que é preciso respeitar o posicionamento de uma pessoa que cresce politicamente ao alçar seu próprio voo.

Todos já estão percebendo que ela tem vocação para ser uma grande liderança no Estado. Ela tem perfil de grande liderança e algumas decisões são tomadas, inclusive, para que ela possa se expressar melhor, com suas opiniões e suas ideias, porque uma mulher dentro de um partido sempre dirigido por homens acaba ficando um pouco intimidada.

Tanto a Adriana quanto a Aava têm condições políticas, legitimidade e representatividade para serem candidatas ao governo

E são partidos que não têm muitas mulheres, ao contrário dos partidos de esquerda. Os partidos conservadores não têm muitas mulheres na sua composição. Eu já vi várias mulheres enfrentando essa dificuldade de se colocar dentro de um partido que tem perfil conservador.

São partidos que privilegiam e são dirigidos por homens e não percebem a importância da mulher na política. Chega um momento em que é preciso, realmente, ter mais mulheres e compreender que esse esforço é difícil para se obter resultado.

Você se esforça e não consegue atrair mais mulheres para a política, porque essa dupla jornada é muito difícil.

João Paulo Alexandre – Uma das suas principais bandeiras é a luta pela moradia. Quando falamos da esquerda, uma das principais pautas é fazer com que os benefícios sociais cheguem de maneira mais equitativa a quem precisa. Aqui em Goiás, no governo Ronaldo Caiado, vimos a área social dar um salto expressivo, com diversos programas. Dentre eles, o Casa a Custo Zero, que levou a construção de moradias para cidades do interior, e não apenas para os grandes centros. Diante disso, como a senhora vê essa política social desenhada por Caiado e que é continuada por Daniel Vilela?

Acho que tudo o que vai para a população em situação de vulnerabilidade nós temos que aplaudir, é importante. Agora, o que aconteceu nesses últimos anos em relação ao programa Minha Casa, Minha Vida? O programa Minha Casa, Minha Vida, que nós ajudamos a idealizar, inclusive em uma reunião em São Paulo, na qual estavam as empreiteiras questionando qual segurança teriam para construir essas habitações. O governo federal, na época liderado por Lula e, depois, pela Dilma, pontuou sobre os subsídios dessas casas. Existe uma contrapartida muito importante para a construção desses apartamentos e dessas casas.

Mas aqui, e em todo o Brasil, nesses últimos anos, quase nenhum projeto do Minha Casa, Minha Vida Entidades foi aprovado. Inclusive, houve uma grande mobilização em Brasília lutando para que houvesse mais empreendimentos das entidades aprovados, porque elas não têm fins lucrativos, e a cobrança da prestação da casa corresponde a apenas 10% do salário, enquanto, com as empreiteiras, é quase uma troca entre a parcela da nova moradia e o valor do aluguel.

Hoje, as empreiteiras recebem R$ 50 mil do governo federal, que vão direto para a conta delas, depois recebem R$ 40 mil do governo estadual, também depositados diretamente, e vendem o imóvel ao cidadão da Faixa 1, que ganha até pouco mais de dois salários mínimos, por R$ 160 mil. Que pessoa que ganha até dois salários e meio vai assumir um compromisso de R$ 160 mil? É impossível. Ninguém tem coragem. Estamos cheios de apartamentos à venda e poucos trabalhadores têm condições de assumir um compromisso desse.

Estamos lutando para que as famílias possam adquirir uma moradia pelo programa Minha Casa, Minha Vida pagando apenas 10% do salário. No governo Dilma, esse percentual era de até 5%, porque hoje a maioria das famílias em Goiás ganha até dois salários e meio ou três salários. Para pagar uma parcela de R$ 600, além de água, luz e condomínio — porque, geralmente, são prédios —, torna-se praticamente inviável.

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“Estamos lutando para que as famílias possam adquirir uma moradia pelo programa Minha Casa, Minha Vida pagando apenas 10% do salário” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Então, o Casa a Custo Zero é um programa bom. Acho que os programas sociais são muito interessantes e devem continuar no próximo governo. Existem também os programas Cheque Reforma e Cheque Moradia, dos quais nós também fomos autoras na época do governo Marconi, e que precisam retornar, porque, às vezes, a família tem uma casa em situação precária ou possui o lote, mas não tem condições de construir a moradia.

A nossa luta é para que haja mais políticas desse tipo. O que nós precisamos é fazer com que haja uma construção massiva de casas, porque, se o salário é baixo, pelo menos a pessoa fica livre do aluguel.

Ton Paulo – A senhora acredita que Lula será reeleito? E já não está na hora de trabalhar um sucessor, tendo em vista que ele vai querer se afastar da vida pública daqui a algum tempo? Quem seria esse nome?

Eu acho que nós temos bons quadros, que precisam ter esse voo maior, como Guilherme Boulos, Fernando Haddad. Eu gosto muito da Gleisi Hoffmann, pois vejo nela firmeza e clareza. A Simone Tebet também está em uma fase de transição interessante. São diversos quadros capacitados.

Eu também concordo que é preciso pensar em um sucessor, e quanto antes. Agora, para este momento, o Lula é imprescindível, inclusive para os próximos anos. Porque nunca se viveu um risco tão iminente de golpe dentro do país, de guerras e de ocupações. Veja o que fizeram com o Maduro, na Venezuela. É um absurdo.

Eu entendo que nós corríamos um grande risco de sofrer um golpe e, inclusive, ainda não estamos livres desse risco. Agora, estamos em um momento mais favorável, mas não sabemos o que vem depois. Nós sabemos que existe toda uma articulação para que a oposição ao Lula cresça e vença no Brasil, inclusive com interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Tudo o que acontece no Brasil tem interferência do Departamento de Estado norte-americano. Nós temos a ilusão de que eles não interferem no nosso país, mas interferem diretamente. Eles cooptam quadros para fazer cursos lá fora, como o próprio Sérgio Moro fez.

Existe uma ilusão, por parte de uma parcela da população, de que o governo norte-americano está aí para ser o xerife do mundo, sendo que, em tudo o que toca, destrói. Cada país em que interfere, destrói, leva à morte, leva ao genocídio. Agora, está brigando com Israel, sendo que apoiou Israel até agora. Diz que não tem nada a ver com a guerra da Ucrânia, sendo que fomentou a guerra da Ucrânia. Quer dizer, os Estados Unidos estão nas mãos de um louco.

Nós temos que ter consciência e nos unir. Eu falo que não existe diferença ideológica entre nós quando se trata da soberania nacional. Nós temos que nos unir, porque não temos Exército para enfrentar esse povo.

João Paulo Alexandre – Na recente pesquisa da Quaest, a avaliação do governo Lula era mais negativa do que positiva, sendo que 48% desaprovam a gestão e 47% aprovam. Para além da rejeição ao PT, por que o governo Lula não está sendo tão bem avaliado quanto nos dois mandatos anteriores?

Primeiro, porque houve uma desconstrução de tudo o que havia sido feito antes. Veio o Michel Temer com aquele programa Ponte para o Futuro, acabando com os direitos dos trabalhadores, acabando com a Previdência e levando à precarização. Depois veio o governo Bolsonaro, que também destruiu todos os programas sociais, acabou com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, acabou com vários ministérios, como os da Cultura e da Mulher. Enfim, vários programas foram desconstruídos, inclusive no Ministério da Saúde.

Nós temos contato direto com alguns diretores importantes do Ministério, que nos falaram que destruíram tudo e que, agora, neste governo, estão reconstruindo tudo. Ainda não deu tempo de fazer diferença, e não vai fazer diferença enquanto os juros estiverem nesse patamar.

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Ex-deputada Isaura Lemos, em entrevista ao Jornal Opção | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Enquanto o Banco Central for composto por diretores e quadros ligados ao grande capital financeiro, porque tudo é política neste período, isso continuará acontecendo. Então, com essa composição do Congresso, com a aprovação das pautas-bomba e com o posicionamento de quadros que deveriam estar defendendo o governo e promovendo a diminuição das desigualdades, fica mais difícil avançar.

O trabalhador que já conquistou um certo patamar não quer regredir, ele quer avançar. E nós ainda temos uma grande demanda de pessoas que, como eu falei, ganham apenas um salário mínimo. Teve uma situação curiosa esses dias: meus netos estudam em uma escola de padrão médio e me contaram que os colegas de classe ficaram assustados ao saber o valor do salário mínimo e se perguntaram como as pessoas conseguem viver com isso.

Ton Paulo – Mas, se baixar demais os juros, não haverá um aumento da inflação?

Essa lógica é de economistas neoliberais. Mas você vê países que têm o próprio planejamento definido para o bem da maioria. Aqui, não. Embora o Lula faça todo o esforço que faz, nós somos submetidos a uma lógica neoliberal, que privilegia os lucros exorbitantes.

O que o governo tem que fazer? Diminuir os lucros dos grandes empresários e tributar as grandes fortunas, algo que nem isso consegue aprovar. Outra coisa: os grandes não pagam imposto. Eles reclamam dos impostos, mas os grandes, de fato, não pagam. Quem paga são os pequenos.

Nós temos que ter uma lógica diferente para todo o sistema. Não é apenas uma medida ou outra, é o sistema. O Banco Central deve atuar em favor do povo. Eu acho que nós temos que ter um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, baseado nessas premissas da soberania nacional, da democracia e do desenvolvimento.

O Brasil é um país rico, com inúmeras possibilidades, com terras férteis que sequer foram plenamente aproveitadas. Não há motivo para o Plano Safra beneficiar mais o agronegócio e menos quem produz alimentos. Tudo isso é uma lógica que precisa ser mudada, porque o sistema capitalista impõe esse modelo.

Então, nós precisamos de um novo sistema, que é o socialismo. Se já existem países em outro patamar e com outra lógica, nós também podemos chegar lá. Mas, para isso acontecer, precisamos de uma conscientização maior do nosso povo, e isso não acontece do dia para a noite, principalmente diante das narrativas da direita e da extrema-direita de se ajoelharem diante de um governo norte-americano que quer todas as riquezas para si.