Rivael Aguiar: “O Estado deu um salto no desenvolvimento em IA em várias áreas, inclusive na área financeira, encabeçada pela GoiásFomento”
11 julho 2026 às 21h00

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Rivael Aguiar Pereira é servidor público estadual com mais de 20 anos de trajetória. Entusiasta da inteligência artificial, ele está à frente de algumas modernizações que visam levar a GoiásFomento, agência estadual de crédito que preside, a um outro patamar de utilidade para quem precisa de crédito para fomentar o seu negócio em Goiás.
Rivael possui formação em Matemática pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e MBA em Mercado de Capitais. Também tem passagens pela Secretaria de Educação, Cultura e Esporte, pela Diretoria-Geral da Polícia Penal, pela Secretaria de Gestão e Planejamento, pela Secretaria de Infraestrutura, pela Secretaria da Fazenda e pela Secretaria da Saúde.
Recentemente, a GoiásFomento, agência que Rivael lidera hoje, lançou a ZAIA, inteligência artificial que visa diminuir de duas semanas para 24 horas o tempo de resposta às solicitações de crédito. Entretanto, a novidade pretende ir além. O principal objetivo é que ela se torne um ecossistema com diversos agentes que consigam identificar as demandas e as potencialidades de negócios de determinada região, como aquela empresa está se saindo perante os clientes e direcionar melhor a linha de crédito que mais se adeque às necessidades do empreendedor.
Paralelamente, também há o Pequi Bank, uma plataforma de serviços financeiros que tem o objetivo de facilitar o acesso dos empreendedores ao crédito. Mas o objetivo é mais audacioso, segundo Rivael: a plataforma, quando estiver completamente estruturada, passará a ofertar diversos serviços financeiros tanto para empresas quanto para os goianos.
Nesta entrevista, ele detalha, passo a passo, esse funcionamento, avalia como Goiás estava no quesito do uso da tecnologia na área financeira e fala até mesmo sobre os ataques ao PIX pelo governo norte-americano.
Ton Paulo – Desde quando assumiu a GoiásFomento, é possível notar muitas mudanças, sobretudo em investimentos na área da tecnologia. Uma dessas novidades foi o Pequi Bank. Como foi essa articulação dentro da GoiásFomento para a implantação da novidade? A sociedade civil também foi consultada para a viabilização desse projeto?
O Pequi Bank é uma estrutura inovadora e inédita no Brasil. É uma parceria público-privada envolvendo uma instituição financeira de fomento estadual com a iniciativa privada para a ampliação da oferta de serviços financeiros para a sociedade, em especial para o micro e pequeno empresário.
E como foi essa articulação? Primeiro, nós tínhamos uma demanda por serviços financeiros de qualidade. Vislumbramos uma oportunidade para a agência, tendo em vista que, por atender micro e pequenas empresas, havia uma certa dificuldade dos empresários em encontrar serviços de qualidade nessas instituições bancárias tradicionais.
Então, a formatação dessa parceria passou, primeiro, por esse estudo, que identificou essa demanda. Depois, ela passou por um processo de prospecção junto ao mercado. Então, nós recebemos várias fintechs interessadas no projeto. Lançamos um escopo do estudo, realizamos visitas técnicas em diversas instituições. Conversamos com algumas entidades da classe representativa dos setores econômicos, com o Sebrae… Então, existiu, sim, uma discussão ampla sobre a possibilidade de um projeto dessa natureza e identificamos que existia um apelo para que ele fosse implantado, mas ele era algo inédito.
Desse modo, ao longo de seis meses, nós construímos a solução técnica por meio de estudos internos dentro da própria GoiásFomento e também da contratação de algumas consultorias especializadas para discutir conosco a solução técnica para isso, tanto do ponto de vista jurídico quanto do ponto de vista regulatório. Isso culminou no edital de chamamento público, que foi lançado no final de 2025, e levou o Pequi Bank a entrar em pleno funcionamento.
Ton Paulo – Então, hoje o Pequi Bank é uma fintech regulada pelo Banco Central?
Na verdade, é assim: o Pequi Bank é uma parceria entre a GoiásFomento e uma instituição de pagamentos, que é uma fintech chamada Stark Bank. Ambas são reguladas pelo Banco Central.
Cada uma das duas instituições tem a sua autorização. A GoiásFomento tem as prerrogativas da sua autorização, seja na oferta do crédito produtivo, de crédito empresarial, na prestação de serviços de consultoria empresarial e na execução de programas socioeconômicos de governo.
Já a instituição de pagamentos, a Stark Bank, tem, dentro da licença dela, a abertura de contas digitais, a oferta de meios de pagamento. A SCD (Sociedade de Crédito Direto) vinculada a ela tem as prerrogativas de oferta de crédito privado, ou seja, emissão de cartões, sejam eles pré-pagos ou de crédito. Juntando as duas instituições, nós ampliamos a oferta desses serviços para a sociedade, cada uma dentro da sua licença regulatória junto ao Banco Central.
Ton Paulo – Faz um mês do lançamento do Pequi Bank. Já temos números de movimentação nesse período?
Nós já temos 10 mil clientes, que são os beneficiários da Bolsa Estudo. Agora, em agosto, nós vamos ampliar essa quantidade. Estamos vendo ainda a totalidade, mas deve ser de, aproximadamente, 50 mil. Depois, até o fim do ano, nós vamos ter 300 mil beneficiários da Bolsa Estudo dentro da plataforma.
Mas nós vamos abrir também outras frentes de oferta de serviços, como a conta digital para Pessoa Jurídica (PJ) e Pessoa Física (PF), para agregarmos novos serviços e trazer mais clientes.

João Paulo Alexandre – Outra novidade lançada recentemente pela GoiásFomento foi a ZAIA, que promete diminuir o tempo de análise de crédito e que, durante a apresentação da IA. O senhor afirmou que chegou a se especializar na área para ter um conhecimento mais amplo. Queria entender como vocês chegaram a esse formato e como vai funcionar essa análise e disponibilidade de crédito, quando o serviço for aberto para a sociedade como um todo, já que estamos falando de um projeto similar ao de outros bancos digitais.
Vocês vão ver que as duas coisas estão interligadas: ZAIA e Pequi Bank. Mas, antes de entrar na questão conceitual da ZAIA, você citou o Nubank e o Banco Inter. Nas nossas pesquisas, identificamos que, mesmo com esses bancos digitais que temos no mercado, que proporcionaram uma inclusão financeira muito grande, a oferta de serviços deles é muito limitada, sendo uma conta digital, movimentação, emissão e pagamento de boletos e algumas opções de investimentos.
O Pequi Bank vai trazer tanto esse dinamismo e essa inclusão financeira, essa bancarização, quanto uma amplitude de oferta de serviços muito maior do que a dos bancos digitais que temos no mercado. É importante destacar isso para termos uma percepção da grandeza que é, do ponto de vista de uma política pública, a oferta de serviços financeiros de qualidade para os micro e pequenos empresários e para a sociedade em geral.
A ZAIA entra neste contexto: o Pequi Bank traz essa infraestrutura tecnológica, regulatória e de serviços. A ZAIA funcionará como o cérebro desse processo todo, que vai dar agilidade a todas as interações entre os clientes e os fornecedores de serviços financeiros. Ela é uma inteligência artificial que vai funcionar integrada ao Pequi Bank e vai conseguir fazer com que essas integrações entre clientes e ofertantes de serviços ocorram de uma forma muito fluida e rápida.
Ela foi desenvolvida dentro da agência, por isso nós a lançamos no âmbito da GoiásFomento e também para estar dentro da oferta de serviços oferecidos por nós. Como ela vai funcionar: no âmbito da GoiásFomento, o cliente que precisar solicitar uma linha de crédito vai começar a interagir com ela, dando algumas informações sobre a sua necessidade.
A ZAIA vai orientar esse cliente, identificando a necessidade dele e auxiliando-o no preenchimento dessa proposta, na coleta das informações e dos documentos necessários. Esses documentos podem ser, por exemplo, uma cópia de uma certidão, de um comprovante de rendimento, de um extrato bancário ou de um comprovante de endereço… Ela vai fazer a coleta e a interpretação desses documentos e, automaticamente, já irá transferi-los para o sistema interno da GoiásFomento, onde fará essa análise de crédito de uma forma muito rápida, proporcionando uma resposta de aprovação ou negativa para a solicitação em até 24 horas.

Ton Paulo – De um lado, isso é muito benéfico pela agilidade que vai trazer, mas não fica um impacto negativo da retirada do fator humano nessas análises, tendo em vista que cada caso terá as suas particularidades?
Eu arrisco a dizer que vai melhorar a qualidade e a relevância do fator humano nessa questão toda do fomento. A ZAIA vai fazer uma automatização de todo o processo, mas ela vai além. Ela vai fazer uma orientação prévia para aquele cliente em tempo real, porque, hoje, para ter esse atendimento, o cliente precisa se deslocar e ir até a sede da agência para falar presencialmente com um dos nossos consultores, ou ir atrás de um correspondente de crédito, por exemplo, ou, então, quando participamos de alguma feira do segmento.
Desse modo, ele não tem nenhum tipo de feedback em tempo real da sua solicitação ou pedido de orientação se entrar no nosso site. Ele só saberia disso por meio de ligação. Agora, ele já vai ter uma interação com a ZAIA tanto no site quanto no WhatsApp. Alguns podem se questionar pelo fato de ser uma inteligência artificial, porém ela vai ser treinada para estar dentro do contexto de um atendente da GoiásFomento que vai prestar um atendimento especializado para essa pessoa.
O cliente sabe que está falando com uma inteligência artificial porque ela vai se apresentar dessa forma. Isso acontece até mesmo por questões legais. Mas, do ponto de vista da interação, é quase imperceptível essa diferença entre o atendimento humano e o atendimento por IA.
Caso esse cliente apresente alguma dificuldade ou quando a ZAIA não conseguir ter alçada suficiente para aprovar o crédito desse cliente, antes de tomar qualquer atitude, haverá um consultor humano que irá conversar com essa pessoa para verificar se, de fato, não há algo ali que possa melhorar a situação dele. Então, esse é um aspecto na hora de ele buscar crédito.
Mas o grande ganho, de verdade, vai ser depois que ele se tornar um cliente nosso. Assim que tiver realizado a operação de crédito, o trabalho da ZAIA não para, porque ela vai continuar monitorando essa operação e acompanhando a evolução dele. E, junto com outros agentes de inteligência artificial especialistas que nós vamos implantar ao longo do tempo, ela vai analisar cenários, identificar oportunidades de melhoria do negócio, de crescimento dele e até possíveis ameaças. Quando isso acontecer, a ZAIA vai informar um consultor humano, que vai procurar esse cliente para orientá-lo tanto em relação a uma oportunidade de crescimento quanto à defesa diante de uma ameaça ao negócio dele. Assim, todo o sistema foi construído para haver uma interação e uma colaboração entre a inteligência artificial, a ZAIA, e os funcionários humanos.

Ton Paulo – No ano passado, vocês anunciaram que a GoiásFomento previa a disponibilidade de ao menos R$ 160 milhões em linhas de crédito para impulsionar o funcionamento de micro e pequenas empresas. Essa previsão está sendo cumprida?
A disponibilização do recurso foi feita. Nós temos em torno de R$ 160 milhões disponíveis. Até o momento, já liberamos mais de R$ 40 milhões em recursos. A tendência é que consigamos, ainda no segundo semestre, um crescimento, mas, provavelmente, não conseguiremos liberar todo o valor disponível por uma série de fatores: às vezes, o empresário ainda não conhece a GoiásFomento, tem um certo receio por achar que é muito burocrático; temos uma certa dificuldade em relação às garantias, já que, às vezes, a empresa não possui garantias suficientes; há também a questão do alto endividamento da população, o que impacta o cadastro. A implantação da ZAIA e do Pequi Bank vem com o objetivo de conseguirmos ampliar em até três vezes mais essa conversão das ofertas de crédito.
Com a evolução dos dois projetos, tanto do Pequi Bank quanto da ZAIA, a nossa expectativa é que, para o próximo ano, nós consigamos um volume de operações próximo de R$ 160 milhões. Para este ano, por uma série de fatores, dificilmente vamos chegar a esse patamar, porque o projeto ainda está em andamento, será implantado em etapas, e há o período eleitoral, que nos restringe bastante nas divulgações de campanhas, para divulgar a marca e a agência. Então, isso acaba dificultando um pouco também. O período eleitoral normalmente dificulta um pouco essa volumetria.
Ton Paulo – E qual o valor previsto para este ano? Podemos chegar a R$ 100 milhões de crédito disponibilizado?
Para este ano, nós já tivemos um crescimento, no primeiro semestre, em torno de 23% das operações. Então, nós acreditamos que vamos ficar entre R$ 90 milhões e R$ 100 milhões.
Ton Paulo – E como está a disponibilidade também do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, o FCO, aqui no Estado?
Nós aumentamos o limite para R$ 5 milhões por empresa. Estamos também com um crescimento considerável. Nessa linha em específico, nós já estamos praticamente com um volume próximo do limite que o Banco do Brasil nos concedeu.
Encerrando esse limite, nós vamos ter que solicitar uma ampliação desse valor, que, atualmente, está em torno de R$ 40 milhões dentro da carteira. Ou seja, conforme vai pagando, o limite vai sendo liberado e vamos emprestando.
Ton Paulo – E quais são os segmentos que vocês mais atendem com essa linha de crédito?
A maior parte é do varejo, e temos também uma forte participação da pequena indústria e do setor de serviços. Mas em torno de 50% a 60% são do varejo.
João Paulo Alexandre – E os clientes estão conseguindo cumprir com o pagamento dessas parcelas, tendo em vista a questão do endividamento estar em alta no país?
Como a nossa operação é mais estruturada, tanto do ponto de vista de juros mais baixos quanto de boas garantias, e também nós trabalhamos com orientação, inclusive com muita parceria com o Sebrae, nós conseguimos manter uma inadimplência relativamente controlada. Hoje, ela está abaixo de 8%. Se for considerado o mercado privado, a nossa inadimplência é baixa.

João Paulo Alexandre – Ainda no lançamento da ZAIA, o senhor disse que ela ainda vai ajudar no mapeamento de regiões do Estado até mesmo para direcionar melhor as linhas de crédito. Qual a importância de se fazer esse mapeamento e isso ajuda a GoiásFomento de que forma?
Isso nos ajuda muito a estabelecer estratégias regionalizadas e locais, além de táticas voltadas para áreas da economia, para focarmos ações específicas. Sempre me perguntam quais serão os benefícios da ZAIA. Neste primeiro momento, é a redução do tempo da análise de crédito. Só que o grande objetivo dela é muito mais do que isso.
Não é só pensar em reduzir o tempo de uma análise de crédito. Na verdade, o grande benefício da ZAIA vai ser o que nós chamamos de fomento ativo. Ao fazer esse mapeamento regionalizado de setores econômicos, de áreas estratégicas e tudo mais, ela vai identificar quais são as demandas de serviços de uma determinada região e se as empresas que atuam nesses segmentos contam com a estrutura e a capacitação necessárias para ofertar esse serviço.
Diante dessa informação e dessa constatação, nós vamos poder fazer uma ação proativa nesse sentido, seja para criar uma linha de crédito específica para aquela região ou para aquele setor econômico, seja para promover uma capacitação daquelas empresas ou para oferecer uma consultoria. Então, por meio dessa análise prescritiva, nós vamos conseguir estabelecer essas estratégias de uma forma muito mais assertiva.
Nós podemos atuar tanto do ponto de vista individual da empresa como, por exemplo, em um estabelecimento que tenha uma boa reputação do seu produto e uma demanda de vendas online, mas, hoje, digamos que 80% das vendas estejam na loja física. Nós podemos propor à empresa alguma ação de expansão para ela aumentar as vendas no online, sem perder vendas no físico, por exemplo.
Por outro lado, se tiver uma empresa que tenha, digamos, 80% das vendas no online e identificarmos que está havendo uma degradação na reputação dela em sites de avaliação, como o Reclame Aqui, nós poderemos entrar em contato com essa empresa e fazer um alerta para identificar o problema, seja logística, demora na entrega ou qualidade do produto, para que a empresa consiga se ajustar.
João Paulo Alexandre – Diante de tudo isso, o quanto o Estado de Goiás estava atrasado quando falamos do uso de tecnologia para simplificar processos e ajudar em ações assertivas no setor de fornecimento de crédito?
O Estado de Goiás, de 2019 para cá, já vem trabalhando em iniciativas de transformação digital muito fortes. Eu não diria que o Estado estava atrasado. Na verdade, se pegarmos Goiás e compararmos com outras unidades da federação, ele já estava, de certa forma, adiantado.
Agora, o que eu diria? O setor de crédito, e aí eu trago para o âmbito da GoiásFomento, que é o setor financeiro, é muito adiantado em termos de infraestrutura tecnológica. Porém, era muito atrasado em termos de utilização de inteligência artificial nos seus processos. Mas isso não é um capricho do Estado de Goiás, e sim do setor financeiro como um todo, porque é um segmento que lida com análise de risco de clientes. E, para você usar a inteligência artificial em uma operação de crédito, é exigida uma série de proteções que as arquiteturas disponíveis no mercado, até o início deste ano, não permitiam. Para você ter uma ideia, eu tive que fazer uma pós-graduação para conseguir pensar em uma solução de implantação de inteligência artificial na oferta de crédito, porque, até meados do ano passado, não se conhecia uma solução pronta de mercado que conseguisse oferecer as proteções suficientes para uma inteligência artificial generativa atuar na oferta de crédito.
Então, a inteligência artificial generativa é muito sujeita a ataques por meio de prompt injection. Vocês já devem ter ouvido falar disso nas notícias, principalmente no setor jurídico. Há também a questão das alucinações, porque toda IA generativa corre um grande risco de alucinação. E não existia uma forma, até então conhecida e eficaz, de proteção. Além disso, havia o problema da caixa-preta. Os modelos generativos são uma caixa-preta, pois você não sabe o que leva a inteligência artificial a tomar determinada decisão.
Então, dentro do estudo da arquitetura que foi discutida na GoiásFomento, por meio dessa pós-graduação que eu fiz, eu busquei, lá no CEIA, um modelo de arquitetura de inteligência artificial multiagente que permitisse que nós estruturássemos os firewalls e guardrails suficientes para criar uma camada de proteção dessas inteligências artificiais e, além disso, garantir a observabilidade e a auditoria.
Então, a arquitetura foi pensada para que conseguíssemos identificar toda a linha de raciocínio da inteligência artificial para chegar àquela conclusão. Isso foi feito na GoiásFomento de uma forma prática. Nós buscamos um modelo teórico, que foi desenvolvido lá no CEIA, e o trouxemos para uma aplicação prática dentro da agência, o que levou a sermos pioneiros na criação de uma solução que desse essa camada de proteção para um modelo de inteligência artificial multiagente.
O que eu diria é o seguinte: o Estado de Goiás não estava atrasado, mas, com todas essas políticas e esses investimentos para transformá-lo em um polo de inteligência artificial, que vêm sendo feitos recentemente, estamos dando um salto quântico de capacidade e de desenvolvimento nessa estrutura de IA em várias áreas, inclusive na financeira, encabeçada pela GoiásFomento.

Ton Paulo – Anteriormente, o senhor citou que os recursos existem, mas, às vezes, não chegam ao empreendedor justamente por ele achar que é muito burocrático. O que a GoiásFomento tem feito para mudar esse cenário e fazer com que esse crédito realmente chegue à conta daquele microempreendedor que queira abrir a sua loja?
Nós estamos implementando uma série de ações junto com a ZAIA para diminuir ao mínimo possível as solicitações ao cliente. Então, por exemplo, na hora em que ele vai buscar um crédito, vai informar o CPF e o CNPJ dele. Com essas duas informações, nós já buscamos, por meio de APIs, automaticamente, várias informações sobre a situação cadastral dele, junto à Receita Federal, à Juceg, ao Estado e ao Município.
Dentro dessas iniciativas, nós também vamos implantar o Open Finance. Se o cliente já tiver aderido, nós vamos buscar todas as informações bancárias dele. Então, ele não vai precisar, por exemplo, emitir um extrato para encaminhar à GoiásFomento. Mas, mesmo que ele precise encaminhar uma declaração do Imposto de Renda, no momento em que isso for feito, a ZAIA já vai processar todas aquelas informações e tabulá-las.
Além disso, ela vai interagir em tempo real com o cliente. Se ele estiver com alguma pendência, por exemplo, no SPC, mas for uma pendência pequena, cuja resolução já libere o crédito dele, ele será avisado, porque, às vezes, o cliente nem sabe que está com aquela restrição.
Então, a ZAIA vai orientar o cliente nessas questões de documentação em tempo real, e a resolução deixará de depender de inúmeros e-mails relatando pendências, tornando tudo mais ágil.
Ton Paulo – Quanto foi o investimento feito na ZAIA?
Por incrível que pareça, custou muito pouco até o momento. A estimativa é que teremos um investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão para a implantação completa dela. E a manutenção anual ficará em torno de R$ 1 milhão.
Vale destacar que a ZAIA vai contar com uma série de agentes especialistas trabalhando com ela. Ou seja, com o passar do tempo, ela sai de uma posição de interação para uma de orquestração dos agentes.
Então, nós vamos ter um agente jurídico que vai fazer análises jurídicas da questão dos contratos sociais, da questão da empresa. Nós vamos ter um agente macroeconômico que vai fazer análises de cenários macroeconômicos; um agente de turismo para analisar o movimento do turismo, como eventos e locais turísticos; e um agente de inovação, que vai ficar responsável por analisar o mérito inovador das propostas de crédito, por exemplo, da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
Nós teremos um outro agente econômico para analisar a viabilidade econômica de um projeto mais estruturado. Agentes contábeis para analisar toda a questão de faturamento, receita, despesa e a saúde financeira da empresa. Um outro agente de análise de sentimento, de redes sociais, de sites de review e de notícias locais.
Um agente climático para analisar o impacto de questões climáticas em um determinado negócio ou em um produtor rural de uma determinada região. Vamos ter um agente conversacional que vai ficar responsável apenas pela interação com o cliente. Um agente social de oferta de emprego que vai trabalhar procurando identificar perfis de beneficiários de programas sociais com as ofertas de emprego disponíveis.
Vamos ter os agentes de segurança para dar segurança a todo esse agente de auditoria. Então, vai ter tudo isso orquestrado pela ZAIA. Quando eu falo nesse orçamento de R$ 1 milhão anual, é considerando todo esse ecossistema de IA implantado. A expectativa é que ele esteja em pleno funcionamento em um ano.

Ton Paulo – Há possibilidade de termos uma empresa terceirizada para realizar essa manutenção?
Não. Nós já temos alguns serviços terceirizados, por exemplo, na questão da utilização de tokens, de algum modelo especialista que possamos utilizar, mas estamos montando uma infraestrutura interna para que a maior parte das interações dela rode internamente na GoiásFomento. Nós já estamos com um processo de aquisição de GPUs para criar uma infraestrutura local. Também estamos desenvolvendo um time para montar um laboratório de inteligência artificial que ficará responsável pela manutenção dela, pelo treinamento, pelo desenvolvimento dos agentes especialistas, por todo esse monitoramento da segurança, e todo o resultado dela também será monitorado.
Ela tem que dar lucro para a empresa, ela tem que gerar um ROI, e a estimativa é que ele gire em torno de 360%.
Ou seja, para cada real que for aplicado nela, ela vai gerar, no mínimo, R$ 3,60 de retorno líquido, já descontado o custo dela. Essa é a meta. A ZAIA vai funcionar como um funcionário da empresa, e o resultado dela vai ser medido não só em termos do benefício social, do ponto de vista do fomento ativo que eu falei, mas também da lucratividade que ela terá que gerar de retorno para a GoiásFomento.
Ton Paulo – O senhor citou que o varejo dispara na solicitação de linhas de crédito dentro da GoiásFomento, mas a agência conta com uma gama de variedades de fomento, sendo uma delas o Fungetur. Como está a disponibilização da linha de crédito nesta parte do turismo em Goiás?
Ela tem acontecido de uma forma bem dinâmica. Nós temos uma série de ações exclusivas para o setor do turismo. Temos tido um crescimento expressivo do turismo rural, que é aquele que envolve uma série de atividades, por exemplo, em vinícolas, onde a pessoa visita, faz a degustação, a chamada enocultura.
Tem também a produção de queijos, onde também há uma área de visitação e degustação. Temos também os hotéis-fazenda. Agora, estão começando a aparecer algumas demandas de equinoterapia também, o turismo ecológico, que abarca as trilhas. A pessoa que vai fazer um determinado caminho, por exemplo, tem o Caminho de Cora, onde há pontos de descanso, de alimentação e para dormir ao longo desse percurso.
Tudo isso faz parte do turismo rural, que tem crescido muito. Sem falar na questão também dos bares e restaurantes, que fazem parte desse setor do turismo e têm utilizado muito essas linhas de crédito do Fungetur.
João Paulo Alexandre – Ainda durante o lançamento da ZAIA, o senhor participou também do lançamento de uma linha de crédito voltada a motoristas cooperados que poderão financiar carros elétricos. Quais são as outras parcerias da GoiásFomento em outros segmentos para facilitar a vida de quem quer empreender?
Nós acabamos de lançar essa iniciativa com a OCB Goiás, mas já está em funcionamento também uma parceria com a Federação Goiana de Automobilismo (Falgo), que é para uma linha de crédito específica para o setor do automobilismo. Então, você tem linhas de crédito tanto para os pilotos quanto para as equipes e as empresas promotoras dos eventos, que também podem ser solicitadas pelo Fungetur. Ou seja, é um conjunto de linhas de crédito que contempla toda a cadeia do automobilismo.
Nós temos também outras linhas de crédito voltadas para trabalhadores da enfermagem, contabilistas e pessoas das farmácias. Estamos discutindo, inclusive, uma linha de crédito para o setor da construção civil.
Depende muito de identificarmos um setor e criarmos uma linha de crédito exclusiva para ele, além daquelas que temos disponíveis, que atendem praticamente todos os setores da economia goiana.

Ton Paulo – Tem alguma ação ou investimento que vocês estão planejando para curto ou médio prazo?
Sim. A maioria das questões em que nós estamos trabalhando está envolvida no desenvolvimento do Pequi Bank e da ZAIA, porque essas duas tecnologias vão abrir diversas frentes de lançamento que faremos gradativamente.
Já dando um spoiler a vocês, o próximo grande lançamento vai ser dentro do Pequi Bank, onde vamos passar a oferecer contas digitais para Pessoa Jurídica. Desse modo, após o lançamento, qualquer empresa goiana vai poder abrir sua conta e movimentar seus recursos no Pequi Bank. A previsão é que isso já seja disponibilizado na segunda quinzena de agosto.
Vale destacar que a abertura da conta vai ser uma prerrogativa do parceiro privado, que é a Stark Bank. Então, já há os critérios dele para a elegibilidade da abertura da conta.
Mas a ideia é buscarmos um atendimento diferenciado, principalmente para as micro e pequenas empresas. Devemos lançar, já no âmbito da ZAIA, essa linha de crédito dos motoristas de aplicativo, pois a ideia é que toda essa solicitação, até a entrega do contrato, seja feita pela ZAIA. A expectativa é que esse financiamento gire em torno de R$ 130 mil e R$ 140 mil por motorista, para que ele possa adquirir seu carro elétrico.
Ainda pela ZAIA, vamos desenvolver uma linha de crédito exclusiva para os feirantes, que deve ser lançada nos próximos dois ou três meses. No âmbito do Pequi Bank, depois da conta para Pessoa Jurídica, vamos ter a conta para Pessoa Física também, onde a população em geral vai poder ter uma conta dentro dele.
João Paulo Alexandre – Quando a pessoa entrar no aplicativo do Pequi Bank, o que ela vai encontrar nessa interface?
Pessoa Jurídica: vai encontrar toda uma estrutura de crédito, tanto pública quanto privada. Quando eu falo pública, é a GoiásFomento, e os privados serão os parceiros que iremos credenciar para oferecer crédito ao cliente.
O dono da conta vai ter também oferta de serviços de adquirência, maquininhas, meios de pagamento, antecipação de recebíveis, seguros, benefícios para funcionários, como cartão-alimentação, plano de saúde e plano de previdência complementar. Enfim, uma série de serviços disponíveis para eles.
Vai ter também a parte dos beneficiários de programas sociais, que vão estar integrados ao banco.
Pessoa Física: além da conta digital, com PIX, pagamento de boletos, recarga de celular e investimentos, vamos integrar, nas últimas etapas de implantação, a possibilidade de empréstimos, tanto pessoais quanto consignados para servidores públicos, cartão de crédito… Então, tudo isso vai sendo agregado ao longo do tempo ao Pequi Bank.

João Paulo Alexandre – Hoje, o Estado realiza o pagamento do funcionalismo público pela Caixa. Há a possibilidade de o Pequi Bank realizar o empréstimo consignado para esses servidores e até mesmo se tornar o banco de pagamento do Estado?
Na verdade, qualquer banco pode oferecer crédito consignado hoje. A Caixa não tem exclusividade no crédito consignado. Ela tem exclusividade no pagamento do servidor.
O que nós vamos fazer: oferecer alguns benefícios para esses servidores fazerem a portabilidade para o Pequi Bank. Com essa portabilidade, o salário vai ser pago no Pequi Bank e, lógico, vamos oferecer uma série de vantagens para esse cliente, como a gratuidade da cobrança de taxa de manutenção e de anuidade, oferecer cartão de crédito com taxas menores, limites maiores, consignados, enfim, com taxas melhores também.
Na questão do consignado, a ideia não é ficar preso a uma única empresa que vai oferecer. Nós vamos criar um marketplace de consignados. Então, várias empresas, inclusive a Caixa, se quiser oferecer o consignado dela pelo Pequi Bank, ele vai estar disponível.
João Paulo Alexandre – Esses cartões já estão bandeirados?
Sim, os cartões dos alunos da Bolsa Estudo já contam com a bandeira Mastercard. Só que é um cartão pré-pago, ele não é um cartão de crédito. Ele funciona como crédito, mas é pré-pago.

João Paulo Alexandre – Quando ficar totalmente formatado, o Pequi Bank vai ser um banco digital. Teve uma época em que Goiás teve o BEG, que era o Banco do Estado de Goiás, federalizado na década de 1990 e comprado pelo Itaú. Na época, houve muita reclamação de que ele foi adquirido, mas o Estado não recebeu o dinheiro. Há o risco de isso acontecer com o Pequi Bank? Qual a diferença entre esses dois cenários?
Bom, primeiro que o modelo de negócio é totalmente diferente do de um banco público. O BEG era um banco público que abria contas, captava recursos dos clientes para fazer seus investimentos, emprestar dinheiro e tudo mais. E esse foi um modelo que hoje não funciona mais. O Banco Central sequer aprova esse modelo de negócio. Então, qualquer Estado que bater à porta do Banco Central e tentar criar um banco vai receber um não de forma veemente.

Qual é a diferença do Pequi Bank? Ele não foi criado como um banco novo, uma instituição nova, um CNPJ do Pequi Bank… Não existe isso. O Pequi Bank é uma plataforma tecnológica integrada de serviços financeiros. De tal forma que cada ofertante de produto e serviço é responsável pelo seu produto ou pela sua oferta.
Por exemplo, durante esta entrevista, nós estamos falando da GoiásFomento e da Stark Bank usando o mesmo ambiente tecnológico, o mesmo ambiente sistêmico, mas cada um oferecendo o seu serviço. Então, a conta digital vai ser ofertada pela Stark Bank, não pela GoiásFomento.
A relação contratual do cliente, no âmbito da conta digital, vai ser com a Stark Bank e não com a GoiásFomento. Na hora em que esse cliente pegar um empréstimo via FCO, Fungetur ou uma linha de crédito da GoiásFomento, ele vai ter um contrato com a agência.
Então, não existe esse risco de, depois, alguém comprar o Pequi Bank, porque ele não tem personalidade jurídica. Nós lidamos com a seguinte questão: vamos credenciar parceiros para oferecer crédito consignado, seguro residencial, de veículos, empresarial, de vida, previdenciário, investimentos e muitos outros. Cada um vai ter critérios para poder se habilitar. Vai ter que se conectar, por meio de APIs, a esse sistema. A ZAIA vai orquestrar toda essa interação e busca, trazendo as melhores opções para que o cliente possa escolher a que melhor o atende.
É um marketplace mesmo. E, quando ele contratar um seguro, a relação contratual será com aquela seguradora. Agora, digamos que alguma dessas empresas não cumpra o seu contrato ou tenha algum problema reputacional por qualquer motivo. Ela vai ser expulsa do ecossistema do Pequi Bank.
Esse dinamismo é interessante e garante uma segurança maior porque, se eu tenho um parceiro ruim, nós cortamos a conexão dele e trazemos um parceiro bom. Você não contamina todo o ecossistema, como acontecia quando você tinha um BEG da vida, em que, uma vez que ele teve um problema, desmoronava todo o ecossistema. No caso do Pequi Bank, você tem um sistema muito mais robusto, seguro, descentralizado e que garante uma flexibilidade muito maior para buscar sempre parceiros com a máxima qualidade possível.
João Paulo Alexandre – Nos últimos meses, o PIX se tornou alvo de disputa entre o Brasil e os Estados Unidos, ganhando até contornos políticos. O sistema de pagamento movimentou, apenas no ano passado, mais de R$ 38 trilhões. Na sua avaliação, estando na área financeira, por que o PIX vem sendo atacado pelo presidente americano?
O sistema bancário brasileiro é o mais moderno do mundo, e o PIX trouxe uma inovação que, eu acho, assustou o mercado mundial. Ele tirou muita receita de instituições tradicionais que ganhavam muito dinheiro com as TEDs, os DOCs e as remessas. Eu vejo que esses ataques ao sistema de pagamento eletrônico são mais fruto de um ajuste dos sistemas de faturamento dos grandes bancos tradicionais internacionais, porque, assim, não é o PIX brasileiro que vai impactar, digamos assim, a economia americana ou a de outro país. Mas a pressão da própria população daquele país vai acabar levando, naturalmente, a uma necessidade de remodelagem daquelas instituições. E isso vai afetar, em um primeiro momento, a receita e a rentabilidade dessas empresas, assim como o PIX afetou as empresas brasileiras no início.
Nós tivemos uma certa resistência também dos bancos tradicionais. E isso até eles se ajustarem, porque o PIX para Pessoa Física não é cobrado. Agora, se for configurado como comércio, a instituição financeira pode passar a cobrar. Por isso, ficou estabelecido o limite de 30 transações por pessoa. Não vou saber lhe dizer se diário ou mensal, para que não se configure comércio.
Só que o PIX tem um custo para a instituição, não é de graça. E o custo do PIX para os bancos é alto, não é baixo. Só que, agora, como o sistema financeiro brasileiro é muito eficiente, os bancos já aprenderam a lidar com essa despesa e hoje buscaram se reinventar.
Os bancos americanos ainda não sabem como lidar com isso. E, diante da possibilidade de pressão da população daquele país por ter algo parecido, que seja instantâneo, 24 horas por dia, com redução de custo, isso vai ter um impacto gigantesco no faturamento dessas empresas. Então, atribuo esse ataque mais a uma questão econômica mesmo, de ajuste do perfil de faturamento dessas empresas.

João Paulo Alexandre – A justificativa de “práticas desleais”, citada por Donald Trump, na sua visão, não se aplica? O PIX pode se tornar mundial?
Para mim, isso é só narrativa. O verdadeiro motivo do ataque está ligado a uma questão de rentabilidade e de necessidade de remodelagem da matriz de receita dessas empresas.
Sobre o PIX se tornar mundial: é possível. A partir do momento em que outros países adotarem mecanismos parecidos, depois, para conectar isso, vai ser muito fácil.
É lógico que tem a soberania de cada país no sentido da tributação dessas transferências e tudo mais, mas, em um sistema tecnológico, isso é relativamente fácil de ser feito. Então, eu não vejo dificuldade em manter a soberania tributária de cada país com a integração, digamos, do PIX a uma rede internacional.
Ton Paulo – Há a possibilidade de investimentos da GoiásFomento no mercado de criptomoedas, por exemplo?
O mercado de criptoativos veio para ficar. Ele é instável, mas hoje, por exemplo, você já tem muitas stablecoins, que são as criptomoedas atreladas a uma moeda internacional, como o dólar e o euro. E é uma boa opção de investimento como proteção para uma pessoa que queira proteger o seu patrimônio contra flutuações cambiais. Você tem um mercado ainda muito volátil, de altíssimo risco, mas, dentro desse processo, há um mercado de proteção disponível.
E existe a possibilidade de a GoiásFomento poder usar uma reserva dessa como, por exemplo, uma opção de garantia ou como uma opção para fomentar o comércio exterior. Uma empresa que queira exportar ou importar produtos pode utilizar uma reserva em dólar ou em euro para proteger aquela operação. Não estou dizendo que faremos isso, mas é algo que pode ser estudado, desde que com segurança, dentro dos limites legais e das autorizações regulatórias. Cabe, sim, um estudo para vermos o que esse mercado de criptomoedas, principalmente as atreladas a moedas estrangeiras, pode beneficiar o nosso empresário como um mecanismo de fomento. Tem a questão da tokenização também de ativos, e isso está, digamos assim, dentro do nosso radar.
Então, por exemplo, uma empresa que trabalhe com algum ativo, como obras de arte, e queira tokenizar isso: o Pequi Bank pode ser uma plataforma de tokenização de ativos e colocar isso à disposição do mercado. Isso é possível.
Outro exemplo: pegar uma empresa que tenha um fundo de investimento ou um fundo de pensão e que tenha uma plantação de eucalipto, de mogno, enfim. Ela pode pegar aquele patrimônio, tokenizá-lo e disponibilizá-lo no mercado. E o Pequi Bank pode ser essa plataforma onde, por meio de parcerias, logicamente, com empresas autorizadas e certificadas para fazer esse processo de tokenização de ativos e disponibilizá-los no mercado. Então, isso está dentro do radar também do Pequi Bank.
O processo de tokenização de ativos, o processo de investimentos e de operações de rede envolvendo criptomoedas atreladas a moedas estrangeiras é um mercado factível e relativamente seguro atualmente.
João Paulo Alexandre – Há uma parceria entre a GoiásFomento e a Secretaria de Educação para levar a educação financeira às escolas? E o Pequi Bank pode contar com contas para crianças, como já acontece com outros bancos?
Sim. Na verdade, os beneficiários que receberam o cartão do Bolsa Estudo são menores de idade. Não é ainda uma conta digital, mas um cartão pré-pago. Esses estudantes já têm um mecanismo de gestão do recurso deles. Esse processo, quando evoluir para as contas digitais de pessoas físicas, já terá meio caminho andado para disponibilizar contas para crianças, numa estratégia de educação financeira envolvendo as escolas, a Secretaria de Educação e o Sebrae, pensando, para além disso, no fomento ao empreendedorismo.
Através dessa parceria, pode haver algumas atividades extracurriculares ou até mesmo dentro do currículo. Por que não ter algumas aulas envolvendo conteúdos como, por exemplo, a questão do empreendedorismo? O Pequi Bank vai proporcionar isso de uma forma prática. Então, isso é factível, mas, lógico, a abertura de contas para menores de idade exige o consentimento dos pais ou do responsável. Tudo isso vai ser feito com essas garantias.




