Marcelo Baiocchi: “Se Daniel Vilela for eleito governador, contará comigo e terá meu apoio”
30 maio 2026 às 21h00

COMPARTILHAR
À frente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO) desde 2018, Marcelo Baiocchi Carneiro acaba de conquistar mais uma demonstração de prestígio junto ao setor produtivo. No último dia 18 de maio, foi reeleito por unanimidade para um novo mandato à frente da entidade, recebendo os votos dos 35 sindicatos filiados. Goianiense, Baiocchi construiu sua trajetória no movimento sindical empresarial e no mercado imobiliário. Antes de chegar à presidência da Fecomércio, comandou o Secovi-GO, presidiu o Sebrae Goiás e participou da criação do Sicoob Secovicred.
Nesta entrevista, o dirigente faz um balanço dos avanços no Sistema Fecomércio, Sesc e Senac nos últimos anos e destaca a modernização das unidades da instituição. Ele também aponta uma revisão dos processos administrativos e a adoção de uma política de controle rigoroso de gastos, que permitiu ampliar reservas financeiras e viabilizar investimentos.
Baiocchi também aborda o cenário político. Filiado ao PL, ele descarta disputar as próximas eleições. Apesar de integrar o mesmo partido de Wilder Morais, afirma não acompanhar de perto a estratégia do senador, mas avalia que ele possui competência para a disputa. Ao mesmo tempo, evita declarar preferência entre os principais pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas e considera que os nomes colocados até agora, incluindo Wilder, Daniel Vilela e Marconi Perillo, têm trajetória e preparo para governar Goiás.
Ton Paulo – O senhor foi reeleito presidente da Fecomércio por unanimidade. Eu queria saber como foi a articulação para essa eleição, para esse pleito em que o senhor foi reeleito, além do apoio recebido, porque vimos um apoio massivo à sua candidatura, que acabou sendo consolidada.
Estou na presidência da Federação há dois mandatos, há oito anos. Na primeira eleição, vencemos por 15 votos a 14, uma diferença de apenas um voto, em uma disputa muito apertada. O presidente na época era José Evaristo.
Portanto, chegar a uma reeleição por unanimidade depois de oito anos é resultado de um trabalho construído ao longo desse período. Foram oito anos de atuação junto aos presidentes dos sindicatos. Hoje, temos 35 sindicatos na base, e quem vota são os seus presidentes.
Foi um processo de construção de relacionamento. Mesmo os 14 presidentes que não votaram em nossa chapa na época, quando havia uma disputa entre duas chapas, hoje fazem parte desse consenso de união. Alguns sindicatos participam diretamente da chapa e outros não, mas o mais importante é que todos compareceram e votaram na mesma chapa, sem qualquer dificuldade de integrar o mesmo projeto.
Ton Paulo – Normalmente, quando um presidente inicia uma nova gestão após vencer a anterior, há um discurso forte de inovação. Mas, desta vez, trata-se de uma gestão de continuidade. O que será mantido, o que será aperfeiçoado e quais serão as prioridades desta nova gestão para a Fecomércio?
A estrutura do Sistema Fecomércio, que engloba Fecomércio, Sesc e Senac, é muito grande. São mais de 30 unidades espalhadas pelo Estado, além das unidades móveis. Quando chegamos aqui, encontramos uma estrutura muito bem cuidada, mas bastante envelhecida.
Além disso, a cultura institucional era mais próxima da lógica de um serviço público do que de uma entidade privada, que é o que somos.
Por isso, os primeiros quatro anos foram dedicados a uma reestruturação da entidade, tanto na forma de trabalhar quanto na cultura organizacional e na valorização dos funcionários. Implantamos diversos projetos para aumentar o engajamento das equipes com o projeto da Federação, do Sesc e do Senac.

Na sequência, iniciamos um amplo processo de modernização dos prédios. Hoje, utiliza-se muito a palavra “retrofit”, e foi justamente esse trabalho que passamos a realizar em nossas unidades mais importantes e mais antigas.
Nosso hotel em Caldas Novas, por exemplo, que é a nossa maior unidade, possui prédios com mais de 50 anos. Começamos essa modernização pelos prédios do Senac. Fizemos o retrofit do CEP Elias Bufaiçal, no Setor Aeroporto, e inauguramos recentemente o CEP Cora, na Avenida Independência. A faculdade do Senac, no Santa Genoveva, está sendo transformada no Senac Infinity e já está em fase final de conclusão da reforma.
Hoje, nosso foco é preparar profissionais com mão de obra técnica qualificada, permitindo que eles ingressem rapidamente no mercado de trabalho do comércio ou até mesmo empreendam
Também iniciamos, há cerca de seis meses, o retrofit dos hotéis e clubes do Sesc. Estamos modernizando o Clube do Sesc Faiçalville, as unidades da Cidade de Goiás, os hotéis adquiridos durante nossa gestão, além do Hotel de Pirenópolis, que passa por ampliação, e do Hotel de Caldas Novas, que possui 309 apartamentos. É um complexo muito grande, com um cronograma de aproximadamente três anos de melhorias e modernização.
O objetivo para os próximos quatro anos é concluir essa modernização para que essas estruturas estejam preparadas para os próximos 20 ou 30 anos, além de ampliar ainda mais as entregas realizadas pela instituição.
Quando chegamos aqui, com o orçamento disponível, conseguíamos atender entre 20 mil e 30 mil comerciários por mês. Hoje, em todas as nossas atividades, atendemos mais de 100 mil comerciários mensalmente. Houve um crescimento muito expressivo.
Ton Paulo – E, com tantos investimentos, o senhor dá a entender que a Fecomércio é uma entidade superavitária. Era assim quando o senhor assumiu, há oito anos?
Sim, a entidade já era superavitária e possuía uma reserva técnica equivalente a quase três meses de despesas, em torno de R$ 40 milhões. No entanto, para realizarmos todos esses investimentos, passamos praticamente cinco anos economizando e acumulando recursos.
Conseguimos formar uma reserva de R$ 200 milhões e também obtivemos apoio do Nacional, no valor de mais R$ 200 milhões. Isso permitiu viabilizar todos esses investimentos de melhoria em nossas unidades.
Ton Paulo – E de quanto é a reserva hoje?
Hoje, mesmo após os investimentos, temos uma reserva em torno de R$ 110 milhões, o equivalente a quase cinco meses das nossas despesas.
João Paulo Alexandre – Um fator que o senhor também citou foi a questão da educação e da profissionalização da mão de obra, algo que é uma reclamação recorrente dos comerciantes. Tenho percebido que a Fecomércio vem investindo bastante em tecnologia, inclusive com a inserção da inteligência artificial. Como isso foi pensado na sua gestão?
Quando chegamos aqui, existiam os cursos tradicionais, como cabeleireiro, pedicure, manicure, Windows, Office e Word. Então, convoquei nossa diretoria e disse que precisávamos avançar, porque já vivíamos um novo momento tecnológico.
A pandemia acelerou muito esse processo. O comércio precisou se inserir nas plataformas digitais e no e-commerce. Restaurantes, por exemplo, não conseguiam funcionar sem plataformas de venda. Lojas de roupas, calçados e até supermercados foram obrigados a ampliar sua presença digital. E esse movimento não teve retorno.
Diante disso, entendemos que precisávamos acompanhar essa transformação e oferecer ao empresário mão de obra qualificada para essa nova realidade.
Percebemos também que o empresário não busca mais apenas o balconista, o vendedor ou o gerente de loja. Hoje, ele procura profissionais capazes de gerir redes sociais, plataformas de e-commerce e ferramentas de inteligência artificial.
Foi nesse contexto que surgiu o Senac Infinity, um projeto implantado há três anos. Começamos no Hub Cerrado, em uma parceria em que alugamos um espaço, enquanto planejávamos a reforma da faculdade do Senac. Como o projeto teve resultados muito positivos, decidimos levar o Senac Infinity para dentro da antiga faculdade.

Lá, estamos implantando laboratórios em parceria com empresas como Apple, Microsoft e Check Point, trazendo o que há de mais atual em tecnologia, informação e comunicação.
Fomos o primeiro Sistema S a oferecer um curso técnico de inteligência artificial. Já existiam palestras e cursos rápidos, mas não um curso técnico estruturado dentro de uma instituição de ensino. Desenvolvemos esse curso no Senac Infinity em parceria com a UFG.
Inicialmente, lançamos 150 vagas e recebemos 1.500 inscrições. Diante da procura, ampliamos para 300 vagas, sendo 150 no período matutino e 150 no noturno.
Hoje, nosso foco é preparar profissionais com mão de obra técnica qualificada, permitindo que eles ingressem rapidamente no mercado de trabalho do comércio ou até mesmo empreendam, sem necessariamente precisar passar cinco anos em uma graduação tradicional.
Ton Paulo – A PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 acaba de ser aprovada na Câmara dos Deputados, algo que deve afetar direta e indiretamente o comércio e seus filiados. Gostaria de saber como o senhor, enquanto presidente recém-reeleito, avalia essa proposta e também o prazo de transição de um ano previsto no texto.
Infelizmente, um assunto dessa importância e dessa dimensão acabou sendo tratado de maneira eleitoreira. Na nossa avaliação, há um componente claramente eleitoral na proposta, principalmente pela forma como ela vem sendo divulgada em televisões, rádios e portais.
Entendemos que esse é um tema extremamente relevante tanto para empresários quanto para trabalhadores. No entanto, muitos trabalhadores ainda não conseguem visualizar os impactos que podem surgir com uma mudança dessa natureza. Quando se altera a escala de trabalho e a carga horária, mexe-se em duas estruturas fundamentais para qualquer atividade econômica.
Na indústria, por exemplo, se uma empresa possui dez funcionários trabalhando 44 horas semanais e essa carga é reduzida para 40 horas, mantendo-se a mesma necessidade de produção, será necessário contratar mais funcionários para compensar a diferença.
É claro que produtividade também envolve investimento em tecnologia e capacitação, e isso é correto. Porém, todas essas mudanças precisam ocorrer dentro de um processo de transição adequado.
Infelizmente, a PEC da escola 6×1, um assunto dessa importância e dessa dimensão, acabou sendo tratado de maneira eleitoreira
O que está sendo discutido atualmente prevê, em um prazo muito curto, a redução da jornada e a implementação da escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso. São adaptações complexas para o comércio, o setor de serviços, o turismo, a indústria e a hotelaria, por exemplo. Todos esses segmentos precisarão se reorganizar, o que inevitavelmente gera custos e exige novos investimentos.
Isso se traduz em aumento de despesas. Muitas vezes se cria a ideia de que o empresário simplesmente absorverá esses custos, mas, na prática, isso não acontece dessa forma. O empresário precisa recalcular sua planilha de custos e, consequentemente, o preço final dos produtos e serviços tende a aumentar. No fim, quem acaba pagando é o consumidor.
Por isso, entendemos que esse é um assunto sério demais para ser tratado de forma simplificada ou apenas sob a ótica eleitoral.
Nós não somos contra mudanças. O que defendemos é que esse debate ocorra de maneira responsável, com planejamento e fora do ambiente de disputa eleitoral.
Ton Paulo – O que seria o ideal, então?
O ideal é que essa discussão fosse feita categoria por categoria. Hoje, por exemplo, os profissionais que trabalham em portarias de condomínios já atuam em escala 12×36, trabalhando 12 horas e descansando 36. Isso representa, na prática, cerca de dois dias e meio de descanso por semana.
Na área da saúde também existem jornadas diferenciadas, com profissionais que já trabalham em cargas horárias inferiores às 44 horas semanais.
Por isso, simplesmente reduzir a carga horária sem avaliar as consequências pode resultar em uma condução muito simplificada das relações de trabalho. Inclusive, a carga horária média do trabalhador brasileiro atualmente já gira em torno de 39 horas e meia semanais.
O que defendemos é que esse debate ocorra fora do período eleitoral, permitindo que cada categoria tenha liberdade para discutir qual é o melhor modelo para o seu segmento.

Cada setor possui suas particularidades. E eu sempre faço uma reflexão: se perguntarmos para dez brasileiros para qual país eles gostariam de se mudar, muitos responderão Estados Unidos. Dificilmente alguém citará países como Cuba, Coreia do Norte ou Venezuela. E como funciona a relação de trabalho nos Estados Unidos? Ela é baseada em trabalho por hora.
Esse modelo oferece ao cidadão maior liberdade para decidir como deseja trabalhar e organizar sua vida profissional.
João Paulo Alexandre – Gostaria de uma avaliação do senhor em relação à economia no governo Lula. Piorou, melhorou e teve algum acerto?
Uma taxa Selic de 14%, quando você tem uma inflação real de 4,5%. Vamos colocar 5%. Selic em 14%, inflação em 5%, ou seja, 9% de juros reais. É a segunda maior taxa do mundo, acima até de países em guerra. Tem como a economia estar bem?
Apesar de bater recordes de arrecadação todos os meses, tem alguma coisa errada. Estou ganhando mais e continuo pagando juros altos? Alguma coisa nessa administração está sendo mal conduzida.
E a Selic alta, os juros altos, são estabelecidos pelo Banco Central para garantir que o consumo não aumente e, consequentemente, não pressione a inflação. Então, mantém-se a taxa elevada para segurar o consumo. E mais do que isso: quem paga a Selic no fim das contas? Quem é o grande tomador de dinheiro?
Ton Paulo – Falando agora sobre política, o senhor se filiou ao PL, mas já vinha demonstrando certo interesse pela política nos últimos tempos. Na eleição municipal de 2024, o senhor chegou a ser cotado para ser vice da então candidata Adriana Accorsi. As conversas não avançaram e, hoje, o senhor está filiado ao PL, um partido de posição ideológica totalmente diferente. No entanto, o senhor negou a intenção de disputar as eleições deste ano. Então, qual foi o propósito dessa filiação ao PL?
Falando da Adriana, ela é uma amiga muito querida. Apesar das minhas convicções, eu tenho amizade e relacionamento com pessoas de todas as ideologias. Até porque, enquanto presidente da Federação do Comércio, a entidade é apartidária. Aqui dentro, a gente não faz política.
Temos vice-presidentes que são do PT, do PSDB e também do PL. Cada um tem suas preferências eleitorais. A Adriana me procurou para fazer o convite, e eu disse: “Adriana, gosto muito de você, mas, infelizmente, o seu partido está totalmente fora daquilo em que eu acredito. Mas continuo gostando muito de você e torcendo pelo seu sucesso”. Ela é uma pessoa espetacular.
Minha filiação ao PL foi mais no sentido de contribuir para que haja uma mudança no Brasil, com uma candidatura de centro-direita.
Não necessariamente o Flávio Bolsonaro, mas uma candidatura mais alinhada ao centro-direita. Pode ser o Zema, pode ser o nosso governador Ronaldo Caiado, que tem crescido nas pesquisas. Entendo que o momento que o Brasil vive exige essa discussão. O presidente Lula, por exemplo, continua com rejeição de 51%, mesmo meses depois do episódio envolvendo o Banco Master e Flávio Bolsonaro.
Ton Paulo – O senhor pretende se candidatar na próxima eleição, em 2028?
Não há essa perspectiva. Hoje, eu não tenho essa vontade. Tanto que, para mim, o candidato na próxima eleição para a Prefeitura de Goiânia é o próprio Sandro Mabel. Ele chegará preparado.
Ton Paulo – O senhor vai apoiar a reeleição dele?
Com certeza.
João Paulo Alexandre – Como o senhor tem avaliado a gestão dele até o momento?
A gestão é excelente. Agora, não tem jeito de fazer omelete sem quebrar os ovos. Não há como mudar uma situação, um status quo, sem mexer em estruturas.
Ele precisou mexer na Comurg. A Comurg era algo que todos conheciam. Nós, empresários, quantas vezes nos reunimos com o Sandro durante e após a campanha dizendo: “Sandro, resolva a situação da Comurg”. Ele conseguiu dar um jeito, mas à custa de muito desgaste.
Ton Paulo – O senhor está filiado ao PL, que tem como pré-candidato ao governo Wilder Morais. No entanto, durante o encerramento do Claque Cultural, o senhor manifestou apoio público à pré-candidatura de Daniel Vilela. Por quê?
Não, eu não fiz uma declaração de apoio à candidatura do Daniel. Primeiro, preciso contextualizar. Eu conheci o pai dele, Maguito Vilela, com quem tinha uma excelente relação. O Daniel eu conheço desde a época em que era vereador em Goiânia, quando eu já presidia o Secovi.
Sempre tivemos uma boa interlocução, que continuou ao longo dos anos, enquanto ele foi deputado estadual e deputado federal.
Para mim, o candidato na próxima eleição para a Prefeitura de Goiânia é o próprio Sandro Mabel
No dia do Claque Cultural, eu disse a ele: “Daniel, quero parabenizá-lo pelo seu trabalho e dizer que pode contar conosco em seus projetos futuros”.
Ton Paulo – Mas esse projeto futuro é justamente a disputa pelo governo.
Não, é ser governador. Não especificamente a candidatura. A Federação do Comércio, o Sesc e o Senac foram grandes parceiros do governo Caiado, especialmente nas áreas de cultura, educação e saúde.
Hoje, capacitamos cerca de 10 mil alunos e atuamos fortemente em diversas áreas. Durante a pandemia, fomos um dos principais apoiadores do governo Caiado. O que desejamos é manter essa parceria. Se Daniel for eleito governador, contará com o nosso apoio institucional para continuar esse trabalho.

Ton Paulo – Mas e o senhor, tem preferência por qual pré-candidato?
O voto é secreto. Sabe por que eu não posso declarar voto? Porque, embora eu não seja um agente político partidário, sou uma pessoa pública.
João Paulo Alexandre – Mas quem é o mais preparado entre os pré-candidatos ao governo?
Se você observar os três nomes colocados, todos são preparados. Marconi Perillo foi governador por quatro mandatos. O Wilder é um empresário muito bem-sucedido, que conheço há mais de 30 anos. Já trabalhamos em obras juntos quando ele ainda nem tinha as empresas que possui hoje. É uma pessoa extremamente competente e preparada.
O Daniel, por sua vez, vem de uma escola política construída ao lado do pai, passou por diversos cargos públicos e atualmente exerce a função de vice-governador. Também é muito preparado.
Se Daniel for eleito governador, contará com o nosso apoio institucional
Por isso, é difícil apontar alguém entre eles como despreparado. Talvez, se surgir um nome sem experiência política ou administrativa semelhante, seja possível fazer essa avaliação. Mas, olhando para esses três nomes, todos já foram testados na administração pública ou na gestão e possuem trajetórias que demonstram preparo.
E eu particularmente não tenho uma preferência única, porque até como entidade, nós não podemos ter. Nós vamos receber todos os pré-candidatos aqui, de qualquer partido.
João Paulo Alexandre – Percebemos que o Wilder, apesar de o senhor já ter destacado que ele é um empresário de sucesso, tem mantido discrição quanto à sua estratégia eleitoral. Mesmo tendo recebido a bênção da cúpula do PL e trazendo Ana Paula para ser pré-candidata a vice, notamos dentro do partido algumas inconsistências e, muitas vezes, uma falta de diálogo, o que inclusive levou pessoas a deixarem a legenda. O Wilder está traçando um bom caminho para ser visto como uma alternativa ao governo de Goiás?
Apesar de conhecer o Wilder há 30 anos e de ser filiado ao PL, minha filiação nem foi por um convite direto dele. Foi um amigo pessoal que me convidou. Eu não tenho mantido um diálogo permanente com o Wilder para saber exatamente quais são suas intenções.
Então, minha análise é uma análise fria, de quem está de fora observando, assim como vocês. E a impressão que passa é realmente a de que os outros pré-candidatos estão muito mais ativos nessa pré-campanha que ocorre neste período.
O Wilder tem toda a competência. Caso contrário, não seria senador eleito. Na primeira vez, ele era suplente, mas nesta eleição se elegeu pelos próprios méritos. Agora, eu não sei qual é a estratégia dele. O Wilder também não é uma pessoa sem experiência. Imagino que saiba exatamente o que está fazendo e qual caminho pretende seguir. Talvez esteja guardando energia para o momento mais próximo da campanha, das convenções, porque ninguém consegue sustentar uma campanha em ritmo máximo durante todo o processo.
Se começar muito acelerado, corre o risco de chegar ao final sem combustível. O que se ouve muito nos bastidores é que ele conta com a força do bolsonarismo para impulsionar sua candidatura.
João Paulo Alexandre – Só que, nas eleições municipais, vimos uma situação em que o bolsonarismo, por si só, não se sustentou. Tanto que Sandro Mabel venceu Fred Rodrigues de virada, e Leandro Vilela também venceu em Aparecida. Contar apenas com esse sustentáculo não é um pouco perigoso?
Em qualquer circunstância, e não apenas na política, seja no mundo dos negócios, no campo sentimental ou na vida pública, contar com algo que ainda não está garantido não é a situação ideal.
O mais adequado é trabalhar com planejamento. Por isso eu disse que não tenho mantido interlocução nem conversado com ele. Não sei exatamente o que está planejando.
Mas uma coisa é certa: bobo ele não é. Nenhum bobo chega ao Senado. Ele é uma pessoa muito competente para ter alcançado o sucesso profissional e político que alcançou.
Por isso, imagino que saiba o que está fazendo. Pode ser simplesmente a estratégia que escolheu adotar.
Ton Paulo – A gente sabe que o setor produtivo, especialmente por meio do Fórum Empresarial, participou e ainda participa ativamente da gestão do prefeito Sandro Mabel, inclusive indicando nomes para o secretariado. Um cargo que atualmente desperta bastante interesse é o de vice na chapa do governador Daniel Vilela. O setor empresarial ou o Fórum podem entrar nessa disputa indicando algum nome?
Não. O Fórum Empresarial não tem a intenção de indicar nenhum nome. Mas, certamente, o fórum vê com bons olhos a possibilidade de alguém do setor produtivo ocupar a vice-governadoria.
Hoje, o nome que está colocado é o de José Mário Schreiner. Ele se colocou à disposição e está trabalhando para ser escolhido como vice de Daniel.

João Paulo Alexandre – O senhor comentou que o atendimento da Federação nas unidades passou de 20 mil para 100 mil pessoas. Isso, de certa forma, ajuda a fidelizar ainda mais os federados e atrair novos. A modernização também foi pensada com esse objetivo?
A modernização começou por uma mudança no modelo de gestão. Precisávamos deixar para trás uma cultura de serviço público e adotar uma mentalidade mais próxima da iniciativa privada.
Quando chegamos aqui, havia cerca de 2.600 funcionários no sistema Federação, Sesc e Senac. No primeiro ano, tivemos de desligar aproximadamente 600 pessoas. Alguns não se adaptaram, outros pediram demissão e fomos fazendo substituições.
E, por mais contraditório que pareça, a mudança precisou acontecer de cima para baixo. Foi justamente entre os cargos de liderança que encontramos maior resistência. Já no que chamamos de chão de fábrica, onde está a maior parte dos trabalhadores, a adaptação foi muito mais rápida. Muito pelo contrário: se fizer uma pesquisa hoje, verá que muitos elogiam o trabalho que realizamos, porque trouxemos benefícios e valorização profissional.
Não sei qual é a estratégia dele, mas o Wilder também não é uma pessoa sem experiência. Imagino que saiba exatamente o que está fazendo
A resistência vinha mais das lideranças. Havia quem pensasse: “Por que uma escola com capacidade para 2.500 alunos precisa ter 2.500 alunos? Deixa com 1.200, dá menos trabalho”. Essa era a cultura. Também ouvi frases como: “Por que economizar? Todo mês chega recurso. Temos que gastar”. Mas economizar não significa gastar de qualquer jeito.
Então mudamos os processos de compra. Hoje utilizamos uma plataforma semelhante à do Banco do Brasil, baseada em leilão reverso. Implantamos mecanismos de compliance e controles rigorosos.
Somos muito exigentes. Se compramos um vidro de 5 milímetros, não aceitamos receber um de 4. O material será devolvido e o fornecedor terá de entregar exatamente o que foi contratado.
Ton Paulo – Quais investimentos estão previstos e fazem parte do radar da sua gestão neste momento?
Nosso foco é concluir as obras que estão em andamento. No total, elas representam cerca de R$ 300 milhões em investimentos. Já aplicamos aproximadamente R$ 100 milhões, então ainda restam R$ 200 milhões para serem executados ao longo desta gestão.
Temos obras que serão concluídas em diferentes etapas. A unidade da Cidade de Goiás deve ser entregue em 2027, Pirenópolis em 2028 e, em 2029, concluiremos a reforma completa de Caldas Novas. Lá são quatro blocos, e estamos reformando um de cada vez. Será uma estrutura extraordinária.
O mais interessante é que, quando falamos desses hotéis, estamos falando de turismo social. Nossas diárias não existem para competir com os hotéis da cidade. Elas existem para permitir que pessoas que não teriam condições de pagar por hospedagem possam usufruir desse serviço.
Hoje, por exemplo, uma diária para um casal comerciário, com café da manhã, almoço e jantar incluídos, custa cerca de R$ 180. Se uma família fizer as refeições fora, facilmente gastará quase esse valor apenas com alimentação. Então, oferecemos turismo social com qualidade.
Mas oferecer turismo social não significa entregar algo de segunda categoria. O que estamos fazendo é elevar o padrão dos serviços.
Não investimos em luxo. Investimos em qualidade. Queremos que quem utiliza nossos serviços, especialmente o comerciário, que representa cerca de 80% do nosso público, esteja satisfeito com aquilo que recebe.



