Bruno Peixoto diz que irá “trabalhar para que todas as pessoas ligadas a ele apoiem Daniel Vilela”
16 maio 2026 às 21h00

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Presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Bruno Peixoto construiu sua trajetória política dentro da própria casa. Filho de Tião Peixoto, hoje vereador por Goiânia, e irmão de Welington Peixoto, atual secretário de Estado, Bruno é formado em Direito e Economia, além de ter pós-graduado em Gestão e Controladoria, e teve seu primeiro mandato eletivo ainda em 2004, quando foi eleito vereador por Goiânia.
Em 2008, tornou-se o vereador reeleito mais votado da capital, com 12.850 votos. Dois anos depois, foi eleito deputado estadual com mais de 35 mil votos. Atualmente, Bruno está no quarto mandato consecutivo na Alego, iniciado em 2022, quando se tornou o deputado estadual mais votado da história de Goiás, com 73.692 votos.
Ao longo da trajetória no Legislativo, foi líder do governo Ronaldo Caiado e assumiu a presidência da Alego em fevereiro de 2023. Em outubro de 2024, foi reconduzido ao cargo com apenas um voto contrário.
Em entrevista ao Jornal Opção, Bruno detalhou as medidas de contenção de gastos implantadas na Assembleia, que resultaram na devolução de mais de R$ 500 milhões em duodécimo ao Tesouro Estadual. Segundo ele, cortes em contratos, redução de despesas e medidas de digitalização permitiram ampliar os serviços da Casa sem comprometer o equilíbrio financeiro.
Cotado nos bastidores para compor uma eventual chapa como vice-governador no projeto de Daniel Vilela, Bruno descartou a possibilidade e reafirmou o objetivo de disputar uma vaga na Câmara Federal em 2026. O deputado também declarou apoio às pré-candidaturas de Gracinha Caiado e Zacharias Calil ao Senado, citou Alexandre Baldy como possível nome para a vice-governadoria e afirmou que atuará para fortalecer o projeto político liderado por Daniel Vilela em Goiás.
Ton Paulo – A expressividade das suas votações credencia o senhor não apenas para o projeto de deputado federal — para o qual o senhor já trabalha —, mas também para uma eventual vice-governadoria. O seu nome passou a ser ventilado nos bastidores e eu quero saber como estão as tratativas sobre isso. Existe algum diálogo nesse sentido?
Conversei muito com Daniel Vilela e com o governador Ronaldo Caiado sobre o assunto e, realmente, eles me sondaram para a vice-governadoria. Mas eu deixei muito claro, até mesmo porque fiz um compromisso em nível nacional com o União Brasil para assumir a presidência do partido, que agradecia a lembrança do meu nome para a vice, mas, em hipótese alguma, vou disputar a vice-governadoria. Vou disputar uma vaga para deputado federal.
Quero levar para Brasília a experiência que adquiri nos últimos anos para representar a população do Estado de Goiás, com várias ideias e projetos para melhorar a vida do brasileiro. Nós temos muito conhecimento e eu preciso transformar isso em requerimentos, projetos de lei, presidência de comissões e ações que possam ajudar o nosso país.
Vejo que podemos melhorar muito a Câmara Federal e quero levar essas ideias para o Congresso Nacional. Para isso, preciso disputar e já colocar o meu nome como pré-candidato a deputado federal nas eleições de 2026.
Ton Paulo – E qual seria o melhor nome para compor com Daniel Vilela hoje?
Nós temos nomes que agregam, como Gustavo Mendanha (PRD), que, na eleição de 2022, ficou em segundo lugar. Já mostrou que tem voto e ajudou de maneira muito significativa na eleição de Leandro Vilela (MDB), em Aparecida de Goiânia.
Nós temos também alguém que representa a Assembleia de Deus, em especial o Campo Campinas, que é o senador Luiz do Carmo (PSD). Ele já foi deputado estadual, senador, é empresário e tem muita experiência e capacidade.
Temos ainda Zé Mário Schreiner (PSD), que vem do setor da agricultura, da pecuária e do agronegócio, áreas muito fortes no Estado de Goiás. Ele foi deputado federal e também reúne essas características.
Há outros nomes que estão sendo ventilados, como Adib Elias (MDB), da cidade de Catalão; Paulo do Vale (PSD), de Rio Verde; Wilde Cambão (União Brasil), deputado estadual e ex-líder do governo Caiado, representante do Entorno do Distrito Federal; além de Adriano da Rocha Lima (PSD), que é um excelente profissional, conhece toda a estrutura do governo e, evidentemente, tem capacidade para assumir a função de vice.

Então, todos esses nomes que citei têm qualidades. Apontar defeitos, todos nós temos, mas, com certeza, as qualidades deles superam qualquer defeito. Todos estão aptos. Qualquer um desses que for escolhido pelo governador Ronaldo Caiado terá o meu completo apoio.
João Paulo – Mas, no final, apenas um será escolhido. Na sua opinião, quem vem despontando nessa disputa?
Na minha opinião, isso precisa ser definido por meio de pesquisas. É necessário realizar pesquisas qualitativas e quantitativas para que, a partir desses levantamentos, possamos chegar a um nome que corresponda aos anseios da sociedade. Porque todos esses nomes que citei anteriormente têm características próprias.
Por isso, acredito que essa definição deve ser feita de forma estratégica, com base em pesquisas, e não em vontade pessoal. Essa é a minha opinião. Mas o governador Ronaldo Caiado é muito habilidoso e, com certeza, vai realizar pesquisas para chegar ao melhor nome.
Ton Paulo – O processo de montagem das chapas da base governista foi muito traumático para muitos. Tivemos vários desencontros, pessoas que alegaram ter ficado sem espaço e definiram um partido de última hora, como, por exemplo, Romário Policarpo, que acabou ficando no Cidadania, mas passou pelo Avante. O que aconteceu durante esse processo? Realmente houve um preparo menor desta vez e vocês não conseguiram contemplar todos os que queriam espaço nas chapas? Qual é a sua avaliação sobre isso?
São opções dos candidatos. Cada político tem a sua característica. Eu escolho partido de acordo com a minha vontade, e não pensando apenas na possibilidade de eleição. Porém, muitos candidatos fazem uma análise eleitoral, avaliando o potencial de votos e se terão êxito ou não em determinado partido.
Então, o candidato analisa quem está filiado naquela legenda para entender se terá possibilidade de eleição. Eu tenho uma visão diferente. Eu foco no trabalho, sem me preocupar com quantos votos este ou aquele terá. Eu trabalho e, se for necessário trabalhar mais, assim eu faço. Esse é o meu objetivo.
Mas nós sabemos que, no nosso país, existe a necessidade partidária e o quociente eleitoral. E, evidentemente, há partidos que possuem candidatos com maior potencial eleitoral. Cada candidato fez essa análise. São decisões pessoais, nas quais não cabe interferência nossa. Nós mostramos as chapas e cada um fez a sua opção. E assim foi com Romário Policarpo. Ele analisou qual partido teria maior possibilidade de êxito eleitoral. Por mais que eu discorde dessa análise, ela existe.
Vários candidatos fizeram essa avaliação, independentemente de ideologia ou da própria vontade política, pensando principalmente em uma disputa em que entendessem ter maiores condições de serem eleitos.

Esse foi o fator preponderante para muitos na escolha partidária. Tivemos candidatos de centro-direita se filiando a partidos de esquerda. Tivemos candidatos que apoiam Daniel Vilela se filiando a partidos ligados a Marconi Perillo. Também tivemos apoiadores de Daniel Vilela se filiando ao PL. Então, houve várias candidaturas que não seguiram necessariamente a afinidade política, mas sim uma análise eleitoral sobre em qual partido haveria melhores condições de eleição, com base na votação projetada.
Eu ajudei muito nesse processo e montei várias chapas, como é público. Contribuí de maneira próxima e significativa com as chapas do PRD/Solidariedade, tanto estadual quanto federal, além de União Brasil e PP, também nas esferas estadual e federal. Contribuímos ainda com o Agir e o Mobiliza. Então, ajudamos diversos partidos na composição das chapas.
Mas cada partido possui suas próprias condições. Há partidos que não aceitam mandatários; outros aceitam um ou dois. Também houve, por parte de presidentes partidários, imposições para filiação de determinados candidatos. Foi isso que aconteceu.
Em muitos casos, não prevaleceu a identidade política do candidato, mas sim a análise eleitoral sobre qual partido lhe daria melhores condições de vitória, de acordo com a votação que ele acreditava ter.
João Paulo Alexandre – À frente do União Brasil em Goiás, o senhor está mantendo a sigla alinhada ao projeto de eleição de Daniel Vilela (MDB) ao Governo de Goiás e de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República?
Cem por cento. Eu nunca mudei de lado. Desde o ano 2000, quando disputei o meu primeiro mandato, continuo sempre no mesmo campo político. Estive com Iris Rezende, depois apoiamos Ronaldo Caiado (PSD) para o Senado, com Iris Rezende ao governo. Em seguida, apoiei Daniel Vilela (MDB), antes mesmo de ele integrar o governo, e, posteriormente, apoiamos Ronaldo Caiado na reeleição ao Palácio das Esmeraldas.
Evidentemente, continuo com o mesmo posicionamento: apoio Daniel Vilela para o Governo de Goiás, Ronaldo Caiado para a Presidência da República e Gracinha Caiado (União Brasil) para o Senado.
Ton Paulo – E quem é o segundo nome para o Senado?
Eu tenho um carinho muito grande pelo pré-candidato ao Senado Zacharias Calil (MDB). Ele é uma referência mundial na medicina, já foi indicado ao Prêmio Nobel de Medicina e reconhecido como um dos melhores cirurgiões do mundo na separação de gêmeas siamesas. Isso me dá muito orgulho.
Já dona Gracinha Caiado tem um trabalho belíssimo. Todos nós somos prova do trabalho dela e do cuidado que ela tem com as pessoas.
Evidentemente, em relação à outra vaga, ainda estamos aguardando algumas definições. Caso Alexandre Baldy decida disputar, ele tem o meu apoio para o que quiser. Já disse isso a ele e sigo aguardando o seu posicionamento.
Ton Paulo – E ele pode disputar outro cargo? Se sim, qual?
Ele pode, inclusive, ser um nome para vice-governador. Alexandre Baldy pode disputar a vice-governadoria ou até mesmo o Senado. Ele reúne todas as características necessárias para qualquer um desses projetos.
Estou aguardando a decisão de Alexandre Baldy, que pode contar comigo em qualquer projeto que decidir disputar.
Ton Paulo – Já houve alguma conversa nesse sentido entre ele e o governador, por exemplo?
Não, mas eu já garanti ao Alexandre Baldy que vou acompanhá-lo em qualquer decisão que ele tomar. Se ele entender que deve ser o vice, nós, do União Brasil, estaremos apoiando o nome dele para a vice-governadoria. Se ele entender que deve disputar o Senado, também estaremos apoiando.

Até porque eu e ele caminhamos de mãos dadas. Eu, como presidente do União Brasil, e ele, presidente do PP. Além disso, temos a federação, que é presidida por dona Gracinha Caiado.
Ton Paulo – Além de Daniel Vilela, há nomes como Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e algum outro que ainda deve ser anunciado pelo PT na corrida ao Palácio das Esmeraldas. Como o senhor avalia o desempenho de cada um nesse cenário eleitoral?
Eu entendo que Daniel Vilela é quem representa a continuidade de um governo que está dando certo em todas as áreas. E vamos trabalhar diuturnamente para que Daniel vença as eleições já no primeiro turno.
Ele é o nome que possui preparo e conhecimento de gestão para dar continuidade aos avanços conquistados nos últimos sete anos.
Ton Paulo – O senhor é uma pessoa muito presente nos municípios e, mais do que ninguém, vê e ouve as demandas da população. Caso Daniel Vilela venha a ser eleito governador, qual deve ser a prioridade dele para Goiás?
Manter o sucesso da atual avaliação do governo, especialmente na segurança pública. Além disso, teremos investimentos para manter Goiás em primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento na Educação Básica (Ideb), avançar na descentralização da saúde e dar continuidade aos programas sociais.
Também haverá investimentos no esporte, no lazer e em diversas outras áreas. Então, são várias frentes em que vamos trabalhar para manter a avaliação positiva do governo.
Ton Paulo – E neste ano, tem alguma área que ele deve ter uma atenção na sua avaliação?
Eu acredito que todas as áreas estão bem avaliadas, mas, evidentemente, que sempre há espaço para melhorar.
Ton Paulo – O senhor tem uma relação muito boa com Daniel Vilela e Ronaldo Caiado, ao mesmo tempo em que possui aliados apoiando adversários políticos deles, como, por exemplo, Romário Policarpo, que se filiou ao Cidadania e deve apoiar Marconi Perillo para o Governo do Estado. Como o senhor pretende equilibrar essa situação?
Eu vou trabalhar junto de todas as pessoas próximas a mim, por meio do diálogo e do convencimento, para mostrar que Daniel Vilela é o melhor nome para o Estado de Goiás, para que possamos continuar avançando.
Ton Paulo – E o Tião Peixoto, seu pai e que está no PSDB, como fica?
Ele já declarou apoio a Daniel Vilela e já declarou apoio a Ronaldo Caiado.
Ton Paulo – Dos atuais pré-candidatos, quem o senhor considera ser o principal adversário de Daniel Vilela nesta eleição?
Olha, eu não fico olhando para os adversários. Nós não podemos focar nisso. Temos que trabalhar, produzir mais para a sociedade e mostrar o nosso potencial.
O meu foco está na prestação de serviço, na melhoria da qualidade de vida da população e na manutenção da avaliação positiva do governo, independentemente de quem sejam os adversários.
Ton Paulo – O senhor trabalha para chegar à Câmara Federal no próximo ano, mas, neste momento, ainda atua como deputado estadual. Quais pautas devem ser levadas ao plenário e ainda serão cruciais para o Governo de Goiás? Já existe alguma no radar?
Nós temos pautas que precisam ser amplamente debatidas. Entre elas, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o teto de gastos dos Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — e também dos órgãos autônomos e independentes, como Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunais de Contas.
Então, são temas que exigem maior análise e, evidentemente, muito debate.
Devolução do duodécimo, economia e recorde de comissionados na Alego
Ton Paulo – Eu começo perguntando sobre a devolução do duodécimo por parte da Alego para o Executivo. Foram pouco mais de R$ 500 milhões que retornaram ao Tesouro Estadual. Explique como foi possível alcançar tal feito para que esses valores retornassem aos cofres públicos.
Isso chama-se gestão. Eu sou formado em Economia, pós-graduado em Gestão e Controladoria e sou advogado. Assim que assumi a presidência, realmente centralizei a gestão.
Trouxe todos os diretores para uma reunião e conversei com cada pasta. O diretor financeiro me informou que o nosso orçamento era de aproximadamente R$ 1 bilhão. Pedi para ver as despesas e, logo no início, encontrei algo que considerei inadmissível: aproximadamente R$ 400 mil com locação de veículos. Com o recurso economizado, em dois anos, eu quitava uma frota própria.
Decidi cortar o aluguel. Havia ainda gastos de R$ 60 mil por mês com locação de máquinas de café. Mandei cortar, já que, com o recurso de dois ou três meses, eu compraria todas as máquinas. Fui cortando despesas. Só de papel, eram mais ou menos R$ 500 mil. Decidi implantar a Alego Digital e não permiti mais a tramitação de processos ou requerimentos em papel. Com isso, reduzimos a aquisição de papel.

Mas um fato emblemático foi o corte de R$ 15 mil por mês com rádios walk talk utilizados pela Polícia Legislativa. O meu diretor financeiro ainda me questionou se eu não estava pensando pequeno ao retirar esse valor dentro de um orçamento de R$ 1 bilhão, alegando que isso poderia afetar o serviço deles. Chamei o diretor da Polícia Legislativa e falei que dentro da Alego havia Wi-Fi.
Diante disso, busquei entender qual seria a dificuldade de utilizar outro meio de comunicação, como o WhatsApp. Ele me disse que era por questão de segurança, mas a Polícia Legislativa presta apoio interno em relação ao patrimônio e, evidentemente, atua para conter todo e qualquer excesso dentro da Casa. Então, não havia necessidade de segurança em relação à comunicação. Cortei esse valor.
Hoje, temos mais de R$ 600 milhões em caixa, resultado da economia, do corte de despesas e de uma gestão eficiente. Quando assumimos, estávamos em 15º lugar e, hoje, temos o selo diamante em transparência, o mais alto de todos. A Alego é a primeira do Brasil com 100% de compliance. Reduzimos o custo da Assembleia de uma maneira muito significativa.
Ton Paulo – Apesar dessa devolução, a Alego fechou o ano passado com 5,7 mil comissionados. Isso refletiu em um aumento na folha de pagamento?
Sobre os cargos comissionados: além dos cortes que já citei, também fizemos cortes de gratificações e reduzimos salários. Atualmente, 4,2 mil servidores são dos gabinetes dos deputados e deputadas, não da presidência. Nós temos a 14ª folha de pagamento entre as assembleias legislativas do Brasil, mesmo sendo a número um em comissionados. Isso acontece porque, em outras casas legislativas, há a preferência por manter uma quantidade menor de servidores, mas com salários de R$ 20 mil, R$ 30 mil. Na Alego, mais de 50% dos cargos recebem um salário mínimo. Nós fizemos uma inversão.
Ao invés de termos um número menor de pessoas com salários altos, os deputados e deputadas optaram por um número maior de pessoas com salários menores. Nós estamos falando de 246 municípios. Temos cidades que ficam a aproximadamente 600 quilômetros de Goiânia e distritos de difícil acesso.
E a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, por meio dos seus servidores e servidoras, está em todos os cantos do Estado, sendo os nossos olhos e ouvidos, além de transmitir a nossa mensagem. Isso explica o resultado superior a 80% nas pesquisas em relação ao Legislativo.
Nós temos pessoas em todos os municípios ouvindo as demandas da população e transformando isso em requerimentos, destinação de emendas, projetos de lei e programas como o Deputados Aqui. Então, foi uma soma de esforços para prestar um serviço de qualidade à população.
Antes da nossa gestão, eram aproximadamente 800 pessoas por semana na Assembleia. Hoje, recebemos mais de 3 mil pessoas por semana, segundo dados da Polícia Legislativa. Temos um Departamento de Cultura que funciona com eventos todos os dias, um Departamento de Saúde em funcionamento, além do Programa de Regularização Fundiária, que é o maior do Estado de Goiás, com mais de 5 mil escrituras entregues.
Nós temos a Procuradoria da Mulher, o Grupo Reflexivo, encaminhamos mulheres em situação de vulnerabilidade social, inclusive para a Casa de Acolhida, se necessário. Temos a Ouvidoria do Idoso e o Mais Emprego, programa em que buscamos inserir o cidadão no mercado de trabalho após qualificação pela Escola do Legislativo.

Encaminhamos o currículo e a formação dessas pessoas para vagas disponíveis no mercado. Então, hoje, a Assembleia presta um serviço de excelência em uma dimensão muito maior do que nas gestões anteriores.
Antes, a Alego funcionava das 7h às 20h nas gestões anteriores. Hoje, ela funciona das 6h às 22h, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Nós ampliamos o atendimento da Assembleia e, evidentemente, o número de servidores aumentou.
Mas é importante lembrar que a nossa folha de pagamento continua sendo a 14ª do país, ou seja, seguimos controlando os gastos. Nós não observamos apenas a quantidade de pessoas, mas a folha de pagamento. O índice prudencial permitido é de 1,35%, podendo chegar a 1,5% da receita corrente líquida para investimento em pessoal. Nós estamos em 1,29%, abaixo do limite prudencial. Isso faz diferença.
Ton Paulo – A Alego implantou um sistema de reconhecimento facial para comprovar o trabalho feito pelos servidores que estão em outros municípios e que não vão à sede do Legislativo. Esse sistema está funcionando? Está conseguindo identificar servidores ociosos, que não entregam o trabalho demandado pelo gabinete?
Esse sistema de ponto foi implantado há três anos e, à época, eu fiz uma reunião com os servidores e servidoras e apresentei o sistema para acabar de vez com a ideia que alguns cidadãos têm de que o local abriga servidores fantasmas. Nós trabalhamos muito e precisávamos mostrar isso, porque são eles que pagam os nossos salários. Nós somos funcionários da população e temos que prestar contas.
E a maneira de mostrarmos que estamos produzindo, num primeiro momento, foi por meio da implantação do sistema de ponto facial. Eu sabia qual era o nosso objetivo: ampliar o serviço prestado à sociedade. Mas, antes disso, eu precisava demonstrar resultados. Fui questionado no início, alguns servidores ficaram chateados, mas depois compreenderam. Porque nós estamos prestando contas à sociedade. Não basta ser, tem que parecer também. Nós trabalhamos e precisamos mostrar isso. E o ponto eletrônico facial comprova a existência do servidor e tem funcionado muito bem, inclusive no programa Deputados Aqui, onde é verificado, por meio do ponto eletrônico facial, o servidor que está prestando serviço.
Sobre os gabinetes, há o aplicativo Deputados Aqui, que já registra mais de 30 mil downloads, no qual qualquer cidadão pode acompanhar tudo o que está acontecendo na Assembleia Legislativa por meio do smartphone, computador ou tablet, de qualquer lugar do mundo. Os servidores e servidoras dos gabinetes prestam serviço e comprovam isso por meio de relatórios, fotos e georreferenciamento do local onde estão, já que a prestação de serviço é permitida somente no Estado de Goiás.
Nós temos todo um controle e rigor em relação aos servidores que estão nas cidades goianas. E, evidentemente, isso também é fiscalizado pelo deputado, que tem a lotação do servidor em seu gabinete, além do gestor de gabinete. Tudo isso é verificado e transformado em relatórios, inclusive com fotos e georreferenciamento da localização, para comprovar a prestação de serviço à sociedade. Criamos um modelo com muito rigor e vamos aprimorando a cada dia.
João Paulo Alexandre – A base governista reúne a maior parte dos deputados na Alego, o que demonstra um alinhamento com o Executivo. Com isso, eu quero saber: isso acaba fortalecendo a governabilidade ou enfraquecendo um pouco a independência do Legislativo?
Eu fui vereador por dois mandatos em Goiânia e, em um deles, assumi a função de líder do prefeito Iris Rezende. Aprendi muito com ele. Na função de líder, percebi a importância dos resultados para a sociedade.
Em 2008, fui o vereador reeleito mais votado da história, com 12.850 votos, e continuo com esse título. Em 2010, fui eleito deputado estadual e assumi a função de líder da oposição ao governo Marconi Perillo (PSDB). Inclusive, Daniel Vilela, que era deputado na época, estava ao meu lado. E eu, na função de líder da oposição, ampliei o debate e a fiscalização.
Em 2014, fui reeleito. Passei a integrar a Mesa Diretora, ocupando funções de destaque para aprender sobre a gestão da Assembleia. Em 2018, fui reeleito novamente. O governador Ronaldo Caiado (PSD), recém-eleito naquele momento, me convidou para ser líder do governo, embora eu tivesse apoiado Daniel Vilela naquele ano.

Então, comecei a trabalhar juntamente com Caiado, com os deputados, as deputadas e o então presidente Lissauer Vieira (PL), para levar benefícios à população, aprovando matérias de interesse da sociedade.
Eu vi a importância de caminharmos de mãos dadas desde o meu primeiro mandato, quando fui líder em 2017, e também em 2019, quando assumi novamente essa função. Em 2022, fui o deputado estadual mais votado da história de Goiás, com mais de 73 mil votos, e eleito presidente por unanimidade. E o que eu fiz? Caminhei de mãos dadas com Ronaldo Caiado e continuamos de mãos dadas com Daniel Vilela.
Nós temos total independência. A palavra final é do Legislativo goiano, seja aprovando a matéria, seja diante da sanção ou veto do governador. Inclusive, a Assembleia pode derrubar vetos.
Nós sabemos da importância do Poder Legislativo. O governo já teve matérias com vetos derrubados pela Assembleia, demonstrando a independência do Legislativo. Mas trabalhamos, sim, de mãos dadas, porque queremos o mesmo objetivo: o bem da população e a melhoria da qualidade de vida do cidadão e da cidadã.
Então, o nosso objetivo é caminhar de mãos dadas não apenas com o Executivo, mas também com o Judiciário e com os órgãos autônomos e independentes, porque o propósito é o mesmo: contribuir.
Ton Paulo – Existe algum nome favorito do senhor para substituí-lo na Presidência da Alego?
Não. Vamos esperar para ver quem será eleito.



