O direito à educação poderá ser ampliado para estudantes que precisam interromper a rotina escolar por motivos de saúde. Um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados propõe a criação de diretrizes nacionais para garantir o atendimento educacional a alunos internados em hospitais ou submetidos a cuidados domiciliares prolongados. 

A proposta busca assegurar que crianças, adolescentes e adultos continuem vinculados às instituições de ensino durante o período de tratamento, evitando prejuízos ao aprendizado e à trajetória escolar. O texto prevê a manutenção da matrícula, a articulação entre as redes de educação e saúde e o fortalecimento de mecanismos de acompanhamento pedagógico. 

Pelas regras sugeridas, o atendimento poderá ser realizado em diferentes ambientes de saúde, incluindo enfermarias, hospitais-dia, leitos hospitalares, unidades de terapia intensiva, centros de tratamento oncológico e nefrológico, serviços voltados a pacientes com HIV e centros de atenção psicossocial, desde que respeitados os protocolos de cada instituição. 

O projeto também incentiva a integração desse atendimento com o Atendimento Educacional Especializado (AEE), além da criação de redes de apoio entre escolas, hospitais e profissionais envolvidos no acompanhamento dos estudantes. Entre as medidas previstas estão ainda a produção de materiais pedagógicos específicos, a oferta de tecnologias assistivas e a formação continuada de professores que atuam nessa modalidade. 

Na justificativa da proposta, o autor argumenta que, embora a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) já assegure atendimento educacional a estudantes afastados por questões de saúde, ainda faltam normas nacionais capazes de garantir a oferta sistemática desse serviço. “O atendimento educacional hospitalar e domiciliar é transversal a todos os níveis de ensino e às demais modalidades, de modo que propomos estas diretrizes para garantir o direito inalienável à educação aos estudantes que se encontrem nessa condição”, afirmou. 

Outro ponto do texto prevê a criação de um sistema nacional integrado para monitorar o fluxo escolar desses estudantes e acompanhar a oferta do serviço em todo o país. A proposta também sugere a inclusão do atendimento educacional hospitalar e domiciliar nos mecanismos de financiamento da educação, com previsão de recursos vinculados ao Fundeb. 

Caso seja aprovado pelo Congresso Nacional, o projeto poderá estabelecer parâmetros nacionais para um modelo de atendimento que já existe em parte das redes de ensino, mas que ainda enfrenta dificuldades relacionadas à estrutura, financiamento e formação de profissionais especializados.

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