Warner e Paramount podem ser obrigadas a vender canais infantis para aprovar fusão de US$ 110 bilhões
07 junho 2026 às 12h49

COMPARTILHAR
A Paramount Skydance pode vender parte de seu portfólio de entretenimento infantil para facilitar a aprovação, pela União Europeia, da aquisição da empresa pela Warner Bros. Discovery em uma operação estimada em US$ 110 bilhões. A informação foi confirmada por fontes do setor ao jornal Bloomberg.
Segundo a reportagem, a companhia pretende manter a maior parte de seus ativos, mas pode abrir mão de canais voltados ao público infantil caso os reguladores europeus apontem preocupações concorrenciais, especialmente nesse segmento. De acordo com as fontes, investigadores em Bruxelas avaliam que a fusão poderia concentrar excessivamente o mercado, já que os canais Cartoon Network, da Warner, e Nickelodeon, da Paramount, passariam a integrar o mesmo grupo.
Pessoas ligadas às negociações afirmam, porém, que ainda não há previsão para um acordo com os reguladores, uma vez que o prazo inicial de análise da União Europeia se encerra em 7 de julho. Caso a operação não seja aprovada nessa etapa, a Comissão Europeia poderá abrir uma investigação aprofundada sobre a fusão.
A proposta também pode ser examinada sob as regras do Regulamento de Subsídios Estrangeiros da União Europeia, que busca identificar possíveis interferências de investimentos externos no mercado europeu. No caso da Paramount, os reguladores avaliam se aportes e financiamentos oriundos de países do Oriente Médio poderiam gerar impactos concorrenciais.
O financiamento da operação, estimado em US$ 24 bilhões, conta com apoio do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, da Autoridade de Investimento do Catar e da L’Imad Holding Co., empresa ligada a investimentos dos Emirados Árabes Unidos.
Além das preocupações com o conteúdo infantil, representantes do setor cinematográfico também criticam a operação. Segundo eles, a união das empresas criaria um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo, concentrando cerca de 30% da distribuição cinematográfica em uma única companhia. Se aprovada, a fusão reuniria marcas como Harry Potter, Game of Thrones, O Senhor dos Anéis e Star Trek sob o mesmo grupo empresarial.
Nos Estados Unidos, parte das negociações foi conduzida pelo presidente-executivo da Paramount, David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison. As tratativas incluíram visitas a associações do setor e reuniões em Washington, onde o executivo teria buscado apoio do presidente Donald Trump.
No Brasil, por outro lado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou o pedido de associações ligadas ao setor exibidor para atuar como “terceiras interessadas” no processo, conforme informou a coluna Capital, de Rennan Setti. A intenção dos grupos era colaborar com a análise da autarquia.



